Noroeste já tem time, mas falta esclarecer parceria

Depois de semanas de silêncio após a eliminação na Série A3, o Noroeste voltou a se movimentar desde a última  semana, enterrando a dúvida sobre a participação na Copa Paulista. Desembarcou em Bauru o treinador Adriano Kanaã (à direita, na foto de Bruno Freitas/ECN) e seu auxiliar, Gilmar Minelli (à esquerda), juntamente com um pacote de jogadores que haviam disputado a segunda divisão paranaense pelo Paranavaí. Pacote esse fruto da parceria de uma empresa com o Norusca.

Paralelamente, a diretoria alvirrubra manteve bons nomes do elenco remanescente (Jean Pierre, Gava, Felipe Merlo, Igor Pimenta, Diego Souza, John Egito, Chico e Pedro), além de trazer Arthur e Blade, dois destaques do Barretos, algoz noroestino na terceirona.

Sendo assim, surgem algumas interrogações. Se a base é noroestina, por que arriscar-se com um treinador desconhecido que traz consigo jogadores que, a princípio, serão reservas? A não ser que a empresa parceira vá remunerar todo o elenco. Do contrário, como Kanaã vai dar visibilidade aos atletas a ele atrelados sem parecer forçar a barra?

Preocupa também: se eventualmente a parceria não pagar salários, a bronca (mais dívidas trabalhistas…) recai sobre o clube, que assina o contrato do jogador.

Em recentes entrevistas aos colegas da 87FM/Jornada Esportiva e da Jovem Pan News, Kanaã limitou-se a falar que a parceria a princípio é para a Copa Paulista. E que trata-se de uma empresa que “tem condições de tocar e, se possível, comprar”, disse à 87. (Comprar o clube? Não ficou claro.) Esquivou-se de detalhes, até mesmo dizer o nome da empresa, e afirmou que tudo será explicado pelo clube. “Não posso falar sobre a empresa, parceria, salários… Por enquanto, só campo. O presidente é quem vai explicar em uma coletiva”, afirmou à JP News.

O que se sabe é que Kanaã é ligado a uma empresa de material esportivo (Kanaã Sports), que inclusive vestiu o Paranavaí recentemente. E o nome da parceira do Paranavaí é M10 Brasil. Lá, ele começou como gerente de futebol (e nas súmulas aparecia como auxiliar técnico) e assumiu a beira do campo na reta final (dois jogos, uma vitória e uma derrota). Na imprensa local, era chamado de “técnico-investidor”.

Aguarda-se, portanto, e ansiosamente, o pronunciamento do presidente Estevan Pegoraro. A comunidade noroestina está animada por ver a participação do clube viabilizada na Copinha, mas não basta otimismo. O fantasma Larangeira está fresco na memória. À época, este CANHOTA 10 também publicou interrogações, e deu no que deu. Que agora seja diferente, a começar pela transparência.

Procurado, o Noroeste informa que irá realizar a entrevista, mas não tem uma data definida.

Fernando Beagá

O aviso de Estevan: Noroeste em modo de espera

Estevan Pegoraro

A palavra é stand by, mas fiquemos com a língua portuguesa. Mais uma vez, o momento noroestino é de roer as unhas, de indefinição. O presidente Estevan Pegoraro, com mandato até 14 de julho, não renovou contrato com a comissão técnica capitaneada por Betão Alcântara para não deixar uma “herança” à próxima gestão — mesmo que seja dele mesmo.

Sim, Estevan deixou no ar que pode sair de cena, mas igualmente sua permanência é possível. O comunicado do clube é bem claro sobre essa condicional, reforçando que é permitida sua reeleição, que “pode entregar o cargo, caso um interessado queira assumir a gestão (…) desde que reúnam condições para isso”. A nota oficial também fala sobre antecipar as eleições, já que é preciso montar o time para a Copa Paulista. Ou não. Estevan fala que, “se o eventual novo gestor quiser cancelar a participação do time na Copinha, cabe a ele comunicar a Federação.”

Aquele momento conhecido — e compreensível — de sensibilizar a cidade. E de pressionar a prefeitura, cuja cobrança de dívidas de tributos inviabilizaria a sobrevivência alvirrubra.

Enfim, em breve o Conselho Deliberativo removerá a poeira para receber alguns votantes.

Que as unhas sobrevivam até lá.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

 

 

Noroeste fora: apenas um retrato do futebol brasileiro que não faz gols

Noroeste fora da Série A3

“Não faltou empenho, não faltou dedicação, não faltou hombridade, não faltou profissionalismo”, disse o capitão Richarlyson, após a eliminação do Noroeste. Tenho certeza de que não faltaram. Faltou bola na rede mesmo. A Série A3 é só um retrato mais profundo do piorado futebol brasileiro. O sofrível zero a zero entre São Paulo e Corinthians, na decisão da primeira divisão, é recente e grande exemplo.

O atrevimento perdeu para o pragmatismo. E o Norusca venceu apenas três dos nove jogos que disputou no Alfredão. O drible cedeu lugar para o cruzamento ainda da intermediária. E o Alvirrubro fez apenas dezessete gols em dezessete partidas, unzinho por jogo. Raríssimos jogadores treinam cobranças de falta e anotam tentos desse jeito. E o Noroeste venceu apenas uma vez nas últimas sete pelejas. Hoje, valoriza-se o “saber sofrer” em campo, no lugar de fazer sorrir a arquibancada. E o torcedor sofre mais uma vez.

Segue o jogo. Louvável a decisão de disputar a Copa Paulista. Que o Norusca não desista, pois sua torcida, mais uma vez, mostrou o tamanho de sua paixão. Existe trabalho e vontade de vencer, inegavelmente — houve tentativas contra o Barretos, mas para balançar as redes, atualmente, boa intenção não basta. Falta tirar o peso dessa vontade e colocar um time para se divertir em campo. Não subir com equipe pragmática, já sabemos como é. Que tal se a próxima tentativa for mais boleira? Não falo de bagunça. Mantenha-se o comprometimento e tudo o que deu certo. Mas com uma pitada de ousadia. Quem sabe, assim, a alegria vem.


Fernando Beagá

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

Para avançar na Série A3, Noroeste tem que ignorar as estatísticas

Noroeste x Barretos

O argumento de que o Noroeste está invicto em  casa não serve para animar a torcida. Um empate contra o Barretos, neste sábado, manterá a invencibilidade. Mas empatar não resolve a vida do clube. Pior: o placar igual foi corriqueiro na campanha até aqui, na Série A3 de 2019. Oito vezes. Metade dos dezesseis jogos. Mais da metade das partidas no Alfredão — cinco em oito. Se considerarmos todos os confrontos oficiais disputados  pelo Norusca desde janeiro de 2018 (na Vila Pacífico), são treze empates em 24 pelejas — mais do que as nove vitórias.

Se o torcedor quiser se apegar  aos números, que fique com o triunfo de 1 a 0 sobre o próprio Barretos, na quinta rodada. Com o fato de que fez gol em todas as partidas em casa este ano — apesar de só não ter sido vazado em duas.

Em resumo, se os números servem para alguma coisa nesse momento, são para alertar que a atitude do time em campo tem que ser diferente. Abrir o placar e não recuar — como já aconteceu —, não se não por satisfeito com a diferença mínima. Buscar um equilíbrio entre defesa sólida e ataque produtivo. Recuar, jamais. Se não quiser acabar com as unhas dos torcedores, o Alvirrubro tem que perseguir dois gols de frente para evitar sufoco nos minutos finais.

Amém.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

Norusca é sofrer

Norusca é sofrer

Tenho escrito sempre que a essência do torcedor, sobretudo noroestino, é sofrer. A vitória magra sobre o Olímpia, pela quarta rodada da Série A3, foi mais uma prova disso. Nada que abale alvirrubros como o Niltinho, o cidadão da foto acima e figura habitual atrás do gol dos eucaliptos. Faça chuva ou sol, ele está lá. “Se eu não estiver, é porque estou trabalhando“, alerta.

Tenho por hábito, no intervalo, deixar a cabine de imprensa e ir cumprimentar o Niltinho — também o Josinei, outro alvirrubro daqueles. Acabo ficando boa parte do segundo tempo, pela resenha e pelo impagável termômetro que é acompanhar o humor da arquibancada. Do elogio desconfiado à crítica mais injusta, é ali que é forjada a confiança no time — que, por enquanto, está devendo mesmo.

Importam os três pontos, claro, ninguém lamenta pela falta de espetáculo — até porque o jogo praticado na terceirona paulista é algo parecido com futebol e a bola parece ter nojo da grama. O que preocupa é passar boa parte do segundo tempo encurralado pelo lanterna do campeonato.

O Norusca voltou do intervalo animado, com boas triangulações pela direita, e alcançou o gol da vitória antes dos dez minutos. Poderia aproveitar a empolgação para perseguir melhor placar, mas recuou. E passou quase meia hora se defendendo, isto é, sofrendo.

Hábito no Alfredão: em dezesseis jogos em casa em 2018, foram apenas seis vitórias e somente duas delas com mais de um gol de diferença. Então, amigo, não tem show na Vila Pacífico. Mas tem amendoim, cornetagem e palpitação. Mais raiz, impossível.


Fernando Beagá

 

Gol do Noroeste
O gol de Léo: alívio para os 1,4 mil torcedores. Fotos: Fernando Beagá/Canhota 10