Ginásio Panela de Pressão não é novela, é seriado

Novela tem começo, meio e final (feliz). O ginásio Panela de Pressão já teve tantos finais felizes, depois de dramas rocambolescos, que cada um deles pode ser considerado final de temporada de um seriado. Vale roteiro de Netflix.

Depois de virar criadouro de pombos e ratos em 2006, um novo roteiro começou a ser escrito em outubro de 2010, a partir do aviso prévio da demolição do ginásio da Luso, com venda aprovada. Surgiram cenas de pura ficção (entrega das chaves do ginásio à Prefeitura) e muitas reviravoltas. O contrato de aluguel para o poder público foi assinado em março de 2011, mas o palco só ficou pronto em fevereiro de 2012, recebendo uma etapa da Liga das Américas de basquete. Parasse aí, seria um belo filme, mas vieram novos episódios.

Nem me atrevo a lembrar de todas as datas dos enroscos seguintes. Mas a trama era sempre a mesma: o contrato acabava e não era possível renová-lo porque o Noroeste tornara-se novamente inadimplente. A cada Refis, uma nova decepção. A canetada da Prefeitura (nem sempre vilã, mas com essa carapuça) salvava o season finale.

Agora, há novos elementos. O jurídico municipal deu um basta no Refis-do-Refis-do-Refis, a justiça trabalhista tornou-se protagonista e leilão rima com vilão. Ou não? Há quem torça por esse argumento. Como de costume, os personagens envolvidos têm suas falas dramáticas — e temos que concordar que, em todas as vezes, foi a comoção causada pelo temor da mudança de cidade dos times que resolveu a parada.

Como espectador, tenho um palpite (ou seria spoiler?): a temporada 2019 terá novamente final feliz. Bauru Basket e Sesi Vôlei Bauru irão dividir o aluguel, a Prefeitura seguirá pagando água e energia. O IPTU é a interrogação. Se houver leilão lá na frente, aí começa outra temporada… Falei que era seriado. Bem chato, aliás.

Fernando Beagá

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