Noroeste fora: apenas um retrato do futebol brasileiro que não faz gols

Noroeste fora da Série A3

“Não faltou empenho, não faltou dedicação, não faltou hombridade, não faltou profissionalismo”, disse o capitão Richarlyson, após a eliminação do Noroeste. Tenho certeza de que não faltaram. Faltou bola na rede mesmo. A Série A3 é só um retrato mais profundo do piorado futebol brasileiro. O sofrível zero a zero entre São Paulo e Corinthians, na decisão da primeira divisão, é recente e grande exemplo.

O atrevimento perdeu para o pragmatismo. E o Norusca venceu apenas três dos nove jogos que disputou no Alfredão. O drible cedeu lugar para o cruzamento ainda da intermediária. E o Alvirrubro fez apenas dezessete gols em dezessete partidas, unzinho por jogo. Raríssimos jogadores treinam cobranças de falta e anotam tentos desse jeito. E o Noroeste venceu apenas uma vez nas últimas sete pelejas. Hoje, valoriza-se o “saber sofrer” em campo, no lugar de fazer sorrir a arquibancada. E o torcedor sofre mais uma vez.

Segue o jogo. Louvável a decisão de disputar a Copa Paulista. Que o Norusca não desista, pois sua torcida, mais uma vez, mostrou o tamanho de sua paixão. Existe trabalho e vontade de vencer, inegavelmente — houve tentativas contra o Barretos, mas para balançar as redes, atualmente, boa intenção não basta. Falta tirar o peso dessa vontade e colocar um time para se divertir em campo. Não subir com equipe pragmática, já sabemos como é. Que tal se a próxima tentativa for mais boleira? Não falo de bagunça. Mantenha-se o comprometimento e tudo o que deu certo. Mas com uma pitada de ousadia. Quem sabe, assim, a alegria vem.


Fernando Beagá

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

Para avançar na Série A3, Noroeste tem que ignorar as estatísticas

Noroeste x Barretos

O argumento de que o Noroeste está invicto em  casa não serve para animar a torcida. Um empate contra o Barretos, neste sábado, manterá a invencibilidade. Mas empatar não resolve a vida do clube. Pior: o placar igual foi corriqueiro na campanha até aqui, na Série A3 de 2019. Oito vezes. Metade dos dezesseis jogos. Mais da metade das partidas no Alfredão — cinco em oito. Se considerarmos todos os confrontos oficiais disputados  pelo Norusca desde janeiro de 2018 (na Vila Pacífico), são treze empates em 24 pelejas — mais do que as nove vitórias.

Se o torcedor quiser se apegar  aos números, que fique com o triunfo de 1 a 0 sobre o próprio Barretos, na quinta rodada. Com o fato de que fez gol em todas as partidas em casa este ano — apesar de só não ter sido vazado em duas.

Em resumo, se os números servem para alguma coisa nesse momento, são para alertar que a atitude do time em campo tem que ser diferente. Abrir o placar e não recuar — como já aconteceu —, não se não por satisfeito com a diferença mínima. Buscar um equilíbrio entre defesa sólida e ataque produtivo. Recuar, jamais. Se não quiser acabar com as unhas dos torcedores, o Alvirrubro tem que perseguir dois gols de frente para evitar sufoco nos minutos finais.

Amém.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

Norusca é sofrer

Norusca é sofrer

Tenho escrito sempre que a essência do torcedor, sobretudo noroestino, é sofrer. A vitória magra sobre o Olímpia, pela quarta rodada da Série A3, foi mais uma prova disso. Nada que abale alvirrubros como o Niltinho, o cidadão da foto acima e figura habitual atrás do gol dos eucaliptos. Faça chuva ou sol, ele está lá. “Se eu não estiver, é porque estou trabalhando“, alerta.

Tenho por hábito, no intervalo, deixar a cabine de imprensa e ir cumprimentar o Niltinho — também o Josinei, outro alvirrubro daqueles. Acabo ficando boa parte do segundo tempo, pela resenha e pelo impagável termômetro que é acompanhar o humor da arquibancada. Do elogio desconfiado à crítica mais injusta, é ali que é forjada a confiança no time — que, por enquanto, está devendo mesmo.

Importam os três pontos, claro, ninguém lamenta pela falta de espetáculo — até porque o jogo praticado na terceirona paulista é algo parecido com futebol e a bola parece ter nojo da grama. O que preocupa é passar boa parte do segundo tempo encurralado pelo lanterna do campeonato.

O Norusca voltou do intervalo animado, com boas triangulações pela direita, e alcançou o gol da vitória antes dos dez minutos. Poderia aproveitar a empolgação para perseguir melhor placar, mas recuou. E passou quase meia hora se defendendo, isto é, sofrendo.

Hábito no Alfredão: em dezesseis jogos em casa em 2018, foram apenas seis vitórias e somente duas delas com mais de um gol de diferença. Então, amigo, não tem show na Vila Pacífico. Mas tem amendoim, cornetagem e palpitação. Mais raiz, impossível.


Fernando Beagá

 

Gol do Noroeste
O gol de Léo: alívio para os 1,4 mil torcedores. Fotos: Fernando Beagá/Canhota 10

 

 

 

Hoje é dia de Norusca

É sempre um dia especial, o do reencontro — embora ainda não seja no Alfredão. Dia de renovação da fé alvirrubra. A páscoa noroestina. Essa rotina de esperar meses para rever o time é uma incubadora de ansiedade. Outra vez, entretanto, passou. Chegou a hora de sofrer mais uma vez. Sim, sofrer, porque essa é a graça de ser torcedor. Em qualquer ocasião. Sofre-se na queda, no sufoco, mas também na vitória. Não existe passeio ou acesso fácil. Sempre custam algumas unhas.

Já houve estreias mais empolgantes, como aquela quarta-feira escaldante que torrou o Corinthians de Tevez, em 2006, outras melancólicas, como o inferno da Bezinha. Depois de tantas idas e vindas, a gente percebe que a divisão é irrelevante. A camisa vermelha é a mesma e há sempre um sonho pela frente. Pode ser um acesso (a realidade atual), pode ser uma vaga na Série D, pode até mirar uma Libertadores — vide Santo André e Paulista.

Quando o Esporte Clube Noroeste adentrar o gramado do Palma Travassos, em Ribeirão Preto, começará a escrever um novo capítulo. O tema ainda é uma incógnita. Pode ser terror, mas (tomara!) pode ser épico. Certamente, haverá suspense nesse romance entre a torcida e seu amado Norusca.

Bom trabalho ao clube, do presidente ao jardineiro. Bom trabalho aos colegas que vão correr atrás de boas histórias. Boa diversão aos torcedores. Que 2019 acrescente boas lembranças.


Fernando Beagá

 

 

(Foto: Bruno Freitas/EC Noroeste)

Copa Paulista 2018: primeiras impressões sobre o Noroeste

Noroeste x XV de Piracicaba - Copa Paulista

Estreia com derrota, seguida de empate no primeiro jogo em casa. O início do Norusca na Copa Paulista não é animador, mas é cedo para concluir um futuro sombrio na competição — sabidamente encarada como parte do planejamento para a Série A3 de 2019. O que vale, nesse primeiro momento, é detectar características da equipe comandada por Betão Alcântara, treinador que chegou como unanimidade e, portanto, a ele devem ser dados crédito e paciência.

Apesar da chuva que caiu durante a partida contra o XV de Piracicaba na última quarta, deu jogo. Muitas chances de gol — de ambos os lados, diga-se — justificaram o ingresso dos pouco mais de quinhentos torcedores que encararam o frio. E essa é uma primeira e animadora impressão sobre o Noroeste de Betão: um time que ataca. Falta melhorar a pontaria, ficou evidente, mas não há nada mais frustrante do que ir ao estádio e não ver o goleiro adversário trabalhar. O goleiro Leonardo, do XV, sujou o uniforme. Mas há o outro lado: a defesa alvirrubra passou sustos, levou bola na trave e pelo segundo jogo seguido sofreu gol nos acréscimos. Saudades, Marcelinho.

Taticamente, o Norusca defende no 4-4-2: Daniel Bueno e Leandro Oliveira marcando a saída de bola, Gindre e Renatinho pelas pontas em linha com a dupla de volantes. Quando ataca, é um 4-3-3 com uma particularidade: Gindre poucas vezes faz o corredor pela direita, pois não é um atacante agudo, velocista; quem cai por aquele lado é Leandro Oliveira. E aí mora o problema: o meia criativo ficando limitado a aguardar um passe, quando deveria ser o autor de passes decisivos.

Nas laterais, imagino que Pacheco e Cazumba não estejam fisicamente plenos, afinal, estiveram jogando a Série D por empréstimo. Eu tinha muita expectativa por desempenhos diferenciados dos dois, o que ainda deve acontecer. Cazumba, entretanto, ganhou a concorrência de Thiago Feltri, jogador que, como ele, tem DNA de time grande na base (Atlético Mineiro).

A dupla de volantes foi bem contra o XV. Alê passa segurança, Rogério Maranhão tem bom passe. E ainda descobrimos que ele chuta bem — um golaço no primeiro tempo, uma defesa difícil do goleiro no segundo. Entre alguns cochilos, a zaga noroestina dá impressão de que vai entrosar. E de goleiro (Cairo), definitivamente, estamos bem servidos.

Finalizo repetindo frase do primeiro parágrafo: crédito e paciência, moçada.

 

 

Foto: Bruno Freitas/Noroeste