Depois daquela incômoda derrota para o Flamengo, o Paschoalotto Bauru acelerou e já engatou a quarta vitória seguida no NBB 8. Foi sobre o Pinheiros, responsável por aquele revés na Panela em novembro. Foi um troco bem dado, 100 a 88. Foi o 15º triunfo em 19 partidas do consolidado vice-líder da temporada regular, no retrovisor do líder rubro-negro.
A exemplo da vitória do último domingo, sobre Brasília, quem sobrou em quadra foi a dupla Ricardo Fischer e Rafael Hettsheimeir. O Maestro ligeiro fez duplo-duplo, o Canela foi o cestinha. Demétrius rodou bem o time — ninguém jogou mais do que 28min — e a defesa forçou os erros dos donos da casa, com apenas 40% de aproveitamento nas bolas para dois pontos.
No sabadão de Carnaval, a galera vai poder acompanhar o confronto com o Caxias, lá no Sul, na RedeTV! (às 17h30).
ABRE ASPAS “Pude pontuar bem e ajudar o grupo. Estamos focando para jogar com intensidade desde o primeiro momento do jogo, pois no começo da temporada começamos devagar”, comentou o ala Robert Day/Roberdei/Roberto Dias.
“Toda vitória vai dando confiança e moral pra equipe. Tivemos o controle ofensivo do jogo, mas precisamos melhorar umas situações defensivas. Foi um jogo que nos deu condições de revezar. Espero que a gente já tenha aprendido com as derrotas que tivemos, pois qualquer time pode ganhar de qualquer um, então vamos bem focados pra Caxias”, avisou o técnico Demétrius Ferracciú.
Apagão? Deficiência técnica? Erro tático? Difícil diagnosticar à distância e apenas na última rodada. O fato é que o Noroeste foi derrotado por 3 a 0 pelo Nacional, em partida disputada na capital paulista. Assim, estaciona com um pontinho em dois jogos, na metade de baixo da classificação.
Claro que a torcida está brava, ainda mais os que foram até o Nicolau Alayon tomar sol na cabeça. Mas, mesmo sabendo que o campeonato passa voando (quarta-sábado-quarta-sábado…), é cedo. Talvez os dois adversários até aqui sejam muito fortes e justifiquem os resultados. Talvez sejam fracos, o que significaria um Norusca beeem fraco… Por enquanto, o que temos de concreto: o 4-3-3 foi muito ousado para atuar fora de casa; e Lela demorou a fazer substituições.
Com dois minutos de partida, o Nacional já havia perdido um gol feito e aberto o placar, com Michel. Aos 12, Piraju ampliou. Ainda grogue, nas cordas, o Alvirrubro sofreu o golpe final, aos 31, gol de Emerson Mi — aquele mesmo de triste passagem pelo Alfredão em 2013. Só pra deixar a derrota mais doída.
No intervalo, o presidente Emílio Brumati desceu até o vestiário para “dar um chacoalhão no grupo”, segundo suas próprias palavras ao repórter Jota Augusto, da Auri-Verde 760AM/Jornada Esportiva. Por quê? “Porque não é segredo pra ninguém que não é o perfil do Lela fazer isso”, complementou. O Canhota 10havia comentado sobre o estilo pacato do treinador noroestino na crônica do primeiro jogo. Se isso será um problema ou não, também é difícil afirmar agora.
O papo quente nos bastidores pelo menos evitou uma goleada maior. “Combinamos que teríamos raça e íamos dar o máximo em campo, mesmo que perdêssemos ou tomássemos mais gols”, contou o lateral Guilherme ao Jota. O segundo tempo foi mais equilibrado mesmo, mas a verdade é que o Norusca não teve muito volume ofensivo, resumindo o perigo à meta adversária a uma cabeceio de Marcão na trave.
No sábado de Carnaval (16h), mesmo fora de casa, obrigação: o combalido Grêmio Barueri, que mal consegue montar um time e até sofreu WO na primeira rodada. Na boa: se não ganhar deles, não vai ganhar de ninguém.
O Noroeste perdeu jogando com Roni; Guilherme, Herick Samora, Victor Matheus e Hipólito; Sigmar, Rodrigo (Maicon Douglas) e Marcelo Santos (Vitor Visa); Cassiano (Ueslei), Marcão e Everton.
Mais um lance da partida dessa quente tarde de quarta. Fotos: Luciano Santoliv/Agência Nacional
(Direto da Panela) Esta partida teve vários personagens, mas é ilustrada pela imagem acima pelo cara que chamou a responsabilidade de ser decisivo: Ricardo Fischer. O Maestro não tem medo de furar defesas nos segundos finais. Assim, o Paschoalotto Bauru conquistou uma importantíssima vitória sobre o Brasília, 94 a 92, que ainda valeu o bicampeonato da Copa dos Campeões das Américas (Troféu Claudio Mortari), confronto entre os campeões da Liga das Américas e da Copa Sul-Americana de 2015. A boa vitória anima a torcida, que esteve em bom número (mais de 1,3 mil pagantes).
O Dragão chega a 14 vitórias em 18 jogos e está confortável na vice-liderança da temporada regular, na cola do líder Flamengo. Na próxima semana, pega a estrada (e os ares) de novo, para encarar o Pinheiros do dia 3 (20h30) e o Caxias no dia 6 (17h30, com transmissão da RedeTV!).
BOLA QUICANDO
Foi um jogão. Daqueles que é bom demais ganhar, porque mede a força e, principalmente, a capacidade de decidir. Alternância na dianteira do placar, muito contato físico no garrafão, pressão sobre a arbitragem, enfim, muitos ingredientes para uma noite bacana na Caverna do Dragão.
No primeiro quarto, os ataques se sobressaíram às defesas, numa alta contagem de 31 a 29 a favor dos bauruenses. O período seguinte, claro, cobraria fôlego e a contagem caiu pela metade: fração de 16 a 14 para o Paschoalotto, que foi para o vestiário com uma pequena vantagem, 47 a 43.
A festa do bi da “recopa” da Américas
No segundo tempo, a peleja seguiu pau a pau. Hettsheimeir jogava bem embaixo, mas fez uma bola de fora decisiva quando exigido — a cesta que recolocou Bauru à frente, já no quarto final. Alex também guardou um triplo precioso, além de explorar bem seu jogo interno. Atuações decisivas para conter o bom trabalho de Cipolini e a mão quente de Deryk Ramos. Mas ninguém foi mais ponta-firme do que o Ligeirinho. Ricardo, nessas horas, pega a bola, bota debaixo do braço e ninguém o para até a redinha balançar. Como joga. Assim, Bauru conseguiu abrir dois pontinhos a cinco segundos do fim e o Lobo-guará cedeu rebote em sua tentativa. Triunfo maiúsculo do Dragão.
GANHEI O DIA
A Panela estava cheia de ex-guerreiros. Em quadra, Pilar (entrevista logo abaixo). O coordenador do NBB, Fernando Fischer, fazia as honras ao professor Claudio Mortari, homenageado da noite. Thiago Aleo e Gui Deodato também estavam prestigiando os ex-colegas — cumprimentei o sempre simpático Batman. Já o pivô Thiago Mathias, hoje em Franca, que lidera o ranking de eficiência do NBB 8, fiz de longe a foto ao lado… Até que estou indo embora, chegando ao carro, ele me vê, pede para o taxista parar e desce para me dar um abraço. Digo a ele que espero que volte um dia, pelo que joga e pelo carisma. Ele sorri, se despede. Respeito e admiração mútuos é a melhor das relações entre um jornalista e um grande atleta. Sucesso, Balothias.
ABRE ASPAS
Falei com o Eclético, esse figura que deixa o sangue em quadra, se preciso. Trombou muito com Alex, não tem medo de cara feia, mas estranhou o calor da Panela:
Hettsheimeir sempre rende um papo bacana — “você é foda” tá no áudio, quando ele ri do meu elogio provocativo. Outro figura.
Alex Garcia fala da partida e do esforço de Murilo, a quem cedeu o privilégio de erguer o troféu:
Eu não sou apresentador de programa dominical, mas acho que é a terceira vez que faço Murilo chorar… Também… Vai saber encarar perrengue bem assim. Depoimento imperdível:
Por fim, a avaliação do técnico Demétrius Ferracciú:
(Direto do Alfredão) A partida vai ficar marcada pelo gol nos acréscimos, mas há muito mais a considerar desta estreia do Noroeste na Série A3 de 2016 — empate em 2 a 2 com o Grêmio Osasco.
Esses dois pontos perdidos podem fazer falta? Certamente. Mas para primeiro jogo, para o fôlego ainda incompleto, pela ansiedade, foi sim um bom começo. Até para já saber que há defeitos. Lembra-se em 2013, quando o Norusca sapecou 4 a 0 no Juventus (na Javari!) e animou a todos em vão? Pois é. Melhor começar sofrendo pra sorrir no final.
RESUMO DA PELEJA
Enquanto as equipes ainda se estudavam, o Osasco achou um gol logo a 13min, depois que o noroestino Everton errou um domínio de bola e permitiu que o lateral visitante encontrasse Matheus, livre na área, para abrir o placar. O menino que veio do Palmeiras não se abateu e no minuto seguinte fez o goleiro adversário trabalhar. A partir disso, o Norusca foi mais agressivo, sobretudo pelas pontas, com o próprio Everton e principalmente com o arisco Cassiano, que sofreu pênalti convertido por Rodrigo Menezes aos 28.
Vitor Visa entra no lugar de Marcão aos 24; 20 minutos depois, ele celebra seu gol
No segundo tempo, o GEO começou mais perigoso: acertou bola na trave aos 2min, com Castro e assustou a torcida alvirrubra num belo voleio de Bruninho, aos 32. Era nítido o buraco entre as linhas de defesa e meio-campo do Noroeste, onde o adversário articulava… O ECN devolveu a pressão em três boas descidas de Cassiano: numa, tentou encobrir o goleiro; sofreu outro pênalti, não marcado; e chutou forte sobre o gol. O camisa 11 ainda deu um belo exemplo: a torcida começou a chamar o técnico Lela de burro, quando o substituiu por Tuxa, mas o jogador fez o gesto de que tinha pedido para sair, cansado.
Outro atacante, Vitor Visa, havia entrado minutos antes, no lugar do esforçado Marcão. Mal havia tocado na bola até os 44, quando o bom lateral Guilherme cruzou na medida e ele, sozinho, teve tempo de dominar e tocar no canto. Festa no Alfredão, acaba logo, seu juiz. O Osasco abafou em busca do empate, chutando rente à trave com Bruninho, já aos 46, e valeu a insistência, aos 49min30, quando a bola sobrou para Juca, em cima da linha, após bate-rebate. Um empate com gostinho amargo, mas a torcida ficou satisfeita com o desempenho, sobretudo porque ainda tem muito a melhorar.
O Noroeste empatou jogando com Roni; Guilherme, Herick Samora, Victor Matheus e Maicon Douglas; Sigmar, Rodrigo Menezes e Marcelo Santos; Cassiano (Tuxa), Marcão (Vitor Visa) e Everton (Thiaguinho).
Lela: estilo tranquilo, paizão
IMPRESSÕES
O goleiro Roni bateu roupa uma vez, mas foi pouco exigido e seria covardia avaliá-lo por uma partida. Gostei muito do lateral-direito Guilherme, que compõe bem a defesa, só desce na boa e bem: deu a assistência do segundo gol. A dupla de zaga se antecipou em várias jogadas, é esperta para rebatidas, mas passou sufoco quando chegavam tabelando. Herick Samora é o xerifão, paga geral. Deu para perceber que Maion Douglas estava quebrando galho na lateral-esquerda. A dupla de volantes tem boa saída de bola, mas precisa preencher melhor o espaço de marcação quando atacada. Marcelo Santos, sozinho na armação, não vai conseguir jogar 90 minutos dos 19 jogos, tomara que haja outro meia cadenciador à disposição — o argentino Hernández pode fazer esse papel. Os pontas já comentei, fizeram boa fumaça na defesa adversária. E o centroavante Marcão é mais pivô, preparador, do que finalizador. É raçudo, mas a bola tem que chegar redondinha pra ele. E o técnico Lela é bem pacato à beira do gramado, tem um jeito de conversar paternal com os jogadores, não bota pilha, tomara que seja um estilo que o grupo assimile e se mate pelo chefe em campo.
ABRE ASPAS
Breve conversa com o treinador, Lela:
Entrevista com o lateral Guilherme:
PÉ NA PORTA
O árbitro Eduardo Pereira de Araujo relatou na súmula o fato ocorrido após o final da partida, quando foi hostilizado. “Quando já nos encontrávamos no vestiário, uma pessoa não identificada chutou a porta por várias vezes, dizendo as seguintes palavras: ‘Seus filhos da puta, vou esperar vocês aqui fora'”. Um destempero que pode complicar o Norusca no tribunal desportivo…
GUIA DA SÉRIE A-3
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O placar (94 a 81) sugere facilidade, mas o Paschoalotto Bauru precisou de foco e trabalho coletivo durante os quarenta minutos de jogo para superar o Minas, na Panela de Pressão, e alcançar sua 13ª vitória em 17 jogos, fixando-se na vice-liderança do NBB.
Em sua primeira partida em Bauru em 2016, o Dragão recebeu a cascuda equipe de Belo Horizonte, que tem um interessante tempero de molecada, gringos e o tiozão Shilton — que seria ainda mais complicada não fossem os desfalques de Henrique Coelho, Danilo Siqueira e Sosa.
O ex-bauruense Carioca assumiu a armação e fez bom papel, com 12 pontos e 5 rebotes em 31min em quadra — agressivo como é, só deu uma assistência. Valeu, Predador.
Não posso me atrever a comentar o galope do placar, porque nem ouvi a partida. Motivo dos mais nobres: estava participando da integração de calouros de Jornalismo da Universidade do Sagrado Coração (USC), a convite da coordenadora do curso, Mayra Fernanda Ferreira, em companhia da colega Camila Fernandes, competente repórter da TV Preve. Convidado também por ser editor-chefe da Alto Astral, mas não desconsideremos o que este Canhota 10 conquistou de espaço, que pede o tempo do próprio ofício deste meu amado espaço digital para compartilhar essa deliciosa vivência com a molecada.
Portanto, resta a mim repercutir o que os parceiros da Locomotiva Esportiva viram na Panela (aqui) e reproduzir as declarações enviadas pela assessoria de imprensa e os números da partida. Domingão estarei lá, cobrindo o confronto direto contra o terceiro colocado, Brasília, que chega com oito vitórias seguidas para disputar, também, o Troféu Cláudio Mortari, embate dos campeões das Américas e sul-americano de 2015.
ABRE ASPAS “A gente sabia da dificuldade do time do Minas, é um time novo que corre e marca muito, briga o tempo todo pelos rebotes e conseguimos em alguns momentos conter isso e sair com essa importante vitória”, comentou o ala Léo Meindl, craque do jogo, via assessoria.
“Uma vitória coletiva, o time trabalhou em conjunto. Todos fizeram suas respectivas funções e isso fortalece a equipe, fortalece a confiança e hoje especialmente contribuiu para uma grande vitória”, comemorou o técnico Demétrius Ferracciú.