Muitos acreditam. Os torcedores noroestinos têm manifestado apoio aos jogadores no Facebook e, sabedores da história alvirrubra de surpresas e viradas, não jogam a toalha. Alguns, inclusive, organizam-se para ir a Lins incentivar o Noroeste contra o Linense, na última rodada da primeira fase da Copa Paulista.
Recapitulando: o Noroeste (nove pontos) precisa vencer o Linense e torcer para o Monte Azul (11) perder para a já eliminada Francana. Um empate em Franca obriga o Norusca a vencer por dois gols de diferença.
Essa torcida pela classificação vai muito além do campo esportivo. A galera reconhece o esforço desses guerreiros de bolsos vazios. Que teriam motivo suficiente para tirar o pé, mas têm honrado o centenário manto alvirrubro. Classificar significaria chacoalhar a diretoria e colocaria a segunda fase da Copa Paulista coincidindo com a possibilidade de nova receita proposta por Toninho Gimenez. Aí, não haveria dispensa em massa e consequente “vá procurar seus direitos”, o que seria uma imoralidade com esse brioso elenco.
É por isso que torço também. Porque sair agora não significaria colocar a casa em ordem. Seria multiplicar a quantidade de ações trabalhistas, sem contar a mancha na já combalida credibilidade do clube. Ajeitar as contas noroestinas passa obrigatoriamente por acertar os salários atrasados. Que a cartolagem entenda que isso faz parte de um projeto de resgate.
Larry e Ricardo: ansiedade pela volta da dupla. Fotos: Caio Casagrande/Bauru Basket
“Com dois armadores, você brinca de jogar basquete”. Foi o que Guerrinha disse ao microfone do Jornada Esportiva em recente entrevista pós-jogo, comentando que a sobrecarga de Ricardo Fischer na armação estaria resolvida depois da volta de Larry Taylor.
Durante o segundo turno do NBB5, quando Ricardo havia se tornado titular da equipe, Jorge Guerra já havia comentado ao Canhota 10 que aquela situação era seu “sonho de consumo”. Com a dupla revezando na armação das jogadas, trocando passes e encontrando os pivôs em situação privilegiada, o leque tático do time havia aumentado. Para esta temporada, a expectativa é ainda maior, pois o garrafão com Murilo e Tischer é mais dinâmico e proporcionará outras tantas variações ofensivas.
Enquanto o Ligeirinho recupera o tornozelo direito, caberá a Larry conduzir o time, responsabilidade que ele já carregou por várias temporadas, antes de o camisa 5 chegar. O Alienígena ainda terá a companhia de Luquinha, recuperado de cirurgia no joelho, mas que deverá ser lançado aos poucos. Para descansar preciosos minutinhos, há ainda o sub-22 Rafael, que surpreende pela personalidade, mas ainda está aquém fisicamente do patamar adulto.
Se o Dragão passou com louvor pelo primeiro turno buscando o entrosamento e apanhando na saída de bola, no segundo será a vez de uma nova adaptação, agora durante a ausência de Ricardo, afinal, o ritmo de Larry é mais rápido. “O Ricardo gosta mais do jogo organizado, de perímetro. O Larry gosta mais do jogo de transição”, comentou Guerrinha a Rafael Placce no Papo com o Papa.
Portanto, amigo, o show da armação está adiado. Por enquanto, será solo, a cargo de Larry Taylor.
Zé Roni, autor do gol alvirrubro. Foto: Paulo Macarini/Agência Bom Dia
Pela primeira vez nesta Copa Paulista, o Noroeste alcançou o G-4 do grupo 1. Mas de forma provisória. Ao bater a Francana por 1 a 0, no Alfredão, o Alvirrubro chegou a nove pontos e agora torce contra o Monte Azul, que tem oito e recebe o líder Mirassol no domingo.
O Norusca se superou mais uma vez, depois de uma sexta-feira tumultuada. Houve uma nova (e legítima) reclamação dos jogadores pelos salários atrasados e jantar fornecido por dois torcedores (comida levada pelo jornalista Emerson Luiz, da rádio Auri-Verde, onde a doação foi entregue).
Em campo, não veio a esperada escalação com dois meias ofensivos. O técnico Edinho Machado preferiu apostar em Tobias ao lado de Márcio Luiz na armação. A exemplo da vitória anterior (e única até então), o gol veio em jogada de Cléberson, que desta vez encontrou Zé Roni para concluir — o tento veio aos 46 do primeiro tempo.
Na metade do segundo, Michel Neves finalmente entrou para dinamizar o setor ofensivo, mas o placar seguiu inalterado.
O Noroeste vai para a última rodada da primeira fase com mais um desafio. E difícil. Encarar o Linense, fora de casa. Invicto há quatro jogos e lutando contra tantas dificuldades, não duvide que esse grupo supere mais essa.
Aí, terá vencido o prazo de 20 dias que o empresário Toninho Gimenez pediu para levantar patrocinadores. O tão esperado divisor de águas dessa draga que vigora na Vila Pacífico.
O Noroeste venceu jogando com Yuri; Josimar Jr, Marcos Aurélio, Magrão e Douglas; Alex Bacci, Ruan, Tobias (Michel Neves) e Márcio Luiz; Cléberson (Marco Túlio) e Zé Roni (Aguiar).
Abaixo, mais fotos da partida, clicadas por Paulo Macarini (Agência Bom Dia)
Jogadores comemoram o gol da vitóriaMárcio Luiz, o cérebro alvirrubroCléberson, o garçom do dia, faz jogada pela direita
Ricardo Fischer, o nome do jogo, com 30 pontos e nove assistências. Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket
Finalizado o primeiro turno do Campeonato Paulista, vem à cabeça de muito torcedor: ah, aquela derrota para o Paulistano… Ela faz parte dessa caminhada e talvez tenha sido esse tropeço um dos motivos da evolução do time. E foi só essa. O Paschoalotto Bauru bateu Franca com propriedade, no ginásio Pedrocão, por 96 a 84 e cumpriu a metade inicial do torneio com dez vitórias em 11 jogos, folgado na liderança. O armador Ricardo Fischer foi o monstro da vez, com 30 pontos, com pontaria impressionante nos chutes de fora.
Sábado (7/set), os alvilaranjas encaram a Liga Sorocabana, em Sorocaba, às 18h.
Murilo: mais um duplo-duplo. Foto: Caio Casagrande/Bauru Basket
O jogo
No inflamado ginásio adversário, depois do tenso playoff nas quartas do NBB5, o Dragão se impôs logo no primeiro quarto para deixar o recado, com parcial de 28 a 22. Comandado pelos arremessos certeiros do ala Chris Hayes no segundo período, Franca venceu sua única fração, com boa diferença (12 a 25) e foi para o intervalo na frente: 40 a 47.
Na volta dos vestiários, quando Guerrinha pediu para o time se impor fisicamente, a defesa funcionou e os contra-ataques encaixaram. O trio Ricardo, Murilo e Tischer deitou e rolou, abrindo a maior diferença num quarto (25 a 11). A equipe bauruense seguiu voando, com as bolas de três do Ligeirinho, cravada do Diabo Loiro e Murilo entrando de vez no jogo. A dupla dinâmica do garrafão bauruense saiu com cinco faltas, mas quem ficou em quadra soube conduzir a vantagem e fechar a memorável vitória por 96 a 84, quando muito torcedor já havia deixado, desapontado, o ginásio francano.
Abre aspas* “Jogamos o primeiro quarto bem, nem parecia a mesma equipe no segundo. Vimos que eles estavam jogando com contato, encaixamos a defesa e vencemos o jogo. Ao longo desse primeiro turno, mostramos maturidade e não é à toa que estamos na liderança. Mas não temos que comemorar nada ainda. Não tem segredo, é trabalhando que a gente consegue nossos objetivos. E o Larry está chegando, um jogador espetacular, de Seleção…”, avaliou (e avisou) o craque Murilo.
“Sabíamos da pegada de Franca, mas conversamos no vestiário, nos unimos e partimos pra cima deles. Conseguimos o resultado. O Larry vai compor bastante, vamos ver se ele entra no nosso ritmo rápido”, comentou o pivô Andrezão.
“Foi um jogo forte, soubemos retomar o jogo depois do intervalo. Tivemos o Ricardo espetacular ofensivamente. Em jogos difíceis fora, é preciso mesmo ter um jogador com atuação diferenciada. A equipe está balanceada, estamos trabalhando a parte mental de que já é uma preparação para o playoff, pois estamos classificados, se nada der errado até lá. O que temos que trabalhar é crescer para encarar jogos desse nível. A gente pode evoluir mais. A tendência é essa. Ter mais opções de jogo, com a chegada do Larry, que vai encaixar”, disse o técnico Guerrinha, em sua habitual análise pós-jogo.
Não que tenha sido uma notícia surpreendente, a tendência é que aos poucos os jogadores trazidos pelo ex-gestor Fabiano Larangeira saiam do clube — bem que Marcos Aurélio e Márcio Luiz poderiam ficar! –, mas às vésperas de um jogo decisivo para a sobrevivência na Copa Paulista… Nessa terça, o lateral-esquerdo Jorginho Paulista e o volante Rafael Muçamba se desligaram do Noroeste. As rescisões, inclusive, já foram publicadas no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
A pressa se deve à busca por oportunidade em alguma divisão do futebol nacional. O prazo de inscrição da Série D já se encerrou (em 30 de agosto). Mas resta a chance na B (30 de setembro) e na C (18 de outubro). E caso sonhem alto, o prazo na elite nacional se expira em 4 de outubro. Outra opção para os agora ex-noroestinos são os torneios estaduais semelhantes à Copa Paulista, caso encontrem algum clube que esteja pagando em dia, já que aqui pouco (ou nada) viram a cor do dinheiro.
Mas, cá entre nós, farão falta ao Noroeste?
Jorginho Paulista, certamente, não. Além do fôlego duvidoso (quando avançava, não voltava para marcar e só se recompunha na jogada seguinte), pegou mal a declaração que deu após a partida em Franca, sobre a qualidade do elenco, questionando seus colegas. E sua saída traz boa notícia: o bom menino Douglas (que sabe-se lá havia sido sacado) volta à lateral-esquerda.
Rafael Muçamba já é o outro caso. Era o capitão da equipe e vinha se configurando num bom cão de guarda. Entretanto, por ter deficiência técnica na saída de bola, não ganha o rótulo de insubstituível. Ainda mais num momento em que o Norusca precisará abrir mão de um dos volantes na escalação.
Que tenham sucesso no novo rumo de suas carreiras.
Michel no ataque! Fica a sugestão, aliás já dada na crônica sobre o empate em Rio Preto. Michel Neves foi titular em boa parte da campanha do Internacional campeão da Libertadores 2006 jogando de meia-atacante. Pode, portanto, atuar perfeitamente como segundo homem na frente, no luga do esforçado Cléberson.
Edinho Machado esboçou em coletivo formação ofensiva até demais, com um volante, três meias e dois atacantes: Yuri; Josimar Jr, Marcos Aurélio, Magrão e Douglas; Alex Bacci, Michel Neves, Marco Túlio e Márcio Luiz; Cléberson e Zé Roni. Numa opção mais segura, Neves ou Túlio dá lugar a Ruan.
Melhor seria se Bacci ganhasse a companhia de Ruan (ou Pedro) e Neves ficasse ao lado de Zé Roni no ataque — ou mesmo o menino Aguiar.