Difícil algum aficionado pelo Bauru Basket ainda não ter visto, mas não custa deixar registrado, ainda mais porque o Basketeria está fazendo um trabalho brilhante e vai dar o que falar nesse NBB 4.
É que nos últimos dias, Larry Taylor foi o cara do site, protagonizando vários posts:
• Topou bancar o repórter na festa de lançamento da competição, quando soltou a melhor das frases: “Em português, claro, sou brasileiro”, quando o presidente da Liga, Kouros Monadjemi, questionou em que idioma conversaria com o armador.
• Foi eleito pela equpe do Basketeria o melhor estrangeiro do NBB 4 (uma espécie de “ranking de expectativa”)
De quebra, o técnico da Seleção Brasileira, Rubén Magnano, deixou ótima pista em entrevista no dia 11 que conta com o jogador do Itabom/Bauru para a Olimpíada – e Gustavo Longo, do Bom Dia, contou que falta pouco, só a prova técnica, pois já saiu o visto permanente.
• A Liga Nacional de Basquete, agremiação formada PARA E PELOS clubes, coloca-se ao lado deles o quanto pode, literalmente até o fim.
• A consequência disso, porém, é um baita arranhão na credibilidade do basquete brasileiro, que vinha recuperando sua imagem. Não se pode, a menos de cinco dias de seu início, uma competição ficar desfigurada, com lacunas na tabela. Aliás, a Liga não cumpre à risca o Estatuto do Torcedor, no que diz respeito a publicação de tabela e regulamento dentro do prazo e também dos borderôs das partidas.
• É uma pena uma equipe não-paulista sair, deixando a competição ainda mais concentrada regionalmente. E como faz falta uma força do Sul e outra do Nordeste…
• A desistência adia a estreia do Bauru Basket, que pegaria Vitória em seu primeiro jogo. O time bauruense, aliás, não divulgou nenhum plano de sócio-torcedor, um desejo antigo de seus fiéis seguidores. Estará esperando a conclusão da reforma do ginásio Panela de Pressão?
Texto publicado na edição de 7 de novembro de 2011 do jornal BOM DIA BAURU
Coluna aborda a grande interrogação noroestina e atualiza sobre o que se tem dito do Bauru Basket
Incerteza alvirrubra
A interrogação toma conta do Noroeste como uma gigante bola de neve: o presidente Damião Garcia não se manifesta, o diretor executivo Beto Souza vai buscar a bênção do mecenas em São Paulo e fica indisponível, deixando os bauruenses ansiosos por definições para o clube em 2012. É sempre assim: quando o diretor vai atrás do presidente, o Norusca se muda de Bauru…
Enquanto isso, o treinador Jorge Saran fala muito, em tom de ultimato sobre sua situação – já avisou pelo BOM DIA que não volta a comandar a base e quer uma definição hoje. Ele deixou no ar a possibilidade de Damião sair do clube – ou pelo menos a fonte do patrocínio master da Kalunga secar. Pode sim haver fogo onde há fumaça, pois Saran é funcionário do clube, deve ouvir rumores aqui e ali.
O certo é que a luz amarela se acendeu no Alfredo de Castilho. Se a coluna defende que anunciar reforços é precipitado agora – deve, no máximo, apalavrar acordos – acha por outro lado que o planejamento está atrasado. Quem será o treinador? Como será o aproveitamento da base no elenco principal? Onde ocorrerá a pré-temporada?
Outro questionamento importante: o gramado do estádio vai ser reformado? No último final de semana, recebeu competição envolvendo os garotos da parceria com a Semel. Louvável, mas, quando o judiado palco noroestino vai descansar? Não é porque o clube está na Série A-2 que precisa atuar em um campo de várzea, todo remendado de areia.
A pauta é extensa, janeiro é logo ali. Que esta segunda seja mesmo o “dia D”, não só para o futuro de Jorge Saran, mas para se conhecer os rumos que o Noroeste vai tomar para dar início a mais uma subida do ioiô. E, convenhamos, está passando da hora do presidente Damião Garcia reaparecer no clube e se manifestar – para acabar com a instabilidade ou botar mais lenha na fogueira…
Kalunga
O gerente comercial da Kalunga, Hoslei Pimenta, negou em entrevista ao jornal Valor Econômico que a rede varejista esteja à venda, conforme a revista Exame publicou em sua edição de outubro – que os irmãos Beto e Paulo Garcia estariam dispostos a vender a empresa por cerca de R$ 700 milhões. No mundo dos negócios, desmentir e despistar faz parte do jogo de mercado. Uma possível venda da Kalunga decretaria o fim da era Garcia no Noroeste? Acho que não há essa ligação direta. O que me preocupa é se a pessoa jurídica “D. Garcia Gráfica Brasil” (que não é a razão social da Kalunga) faria parte do pacote – pois aí o novo dono poderia cobrar os cerca de R$ 6,1 milhões que o Alvirrubro deve.
Papo de basquete
Precipitado especular se Guerrinha pode ser convidado a comandar Franca, que vive instabilidade após o presidente Luís Carlos Teixeira marcar a despedida do técnico Hélio Rubens para o fim do NBB 4 – o que o treinador francano desmentiu. Mais precipitado ainda é especular se Guerrinha aceitaria, focado que está na preparação do time para o nacional. Não seria a primeira vez que o treinador do Itabom/Bauru receberia uma proposta tentadora, mas é difícil imaginar que deixe o time de guerreiros, pelos menos enquanto a atual diretoria permanecer – e ela sinaliza continuar por um bom tempo. Guerrinha é a alma do Bauru Basket, é quase impossível imaginar o projeto sem ele.
Papo de basquete 2
O Canhota10.com publicou em primeira mão na última semana – e o BOM DIA multiplicou em seu portal – que o ala Weliton (do Regatas de Campinas), que defendeu Bauru no NBB sub-21, irá disputar o NBB pelo Itabom. Conforme escrevi na ocasião, a formalização é uma questão de tempo. Até o fim do ano, o jogador tem que concluir os estudos e a diretoria, levantar os recursos para sua chegada. Assim, é provável que venha compor o grupo a partir de janeiro.
Huertas, principal jogador brasileiro: pressão de 16 anos de espera. Foto de José Jiménéz/Fiba Americas
O Brasil terminou a primeira fase do Pré-olímpico das Américas em segundo de sua chave. Nesta segunda (5/9), começa a segunda fase e a Seleção precisa terminar em segundo ou terceiro lugar para não cruzar com a favorita Argentina, pois o duelo da semifinal é o que decide a vaga em Londres-2012. Para falar um pouco da situação brasileira na competição e como tem jogado, o Canhota 10 falou com dois treinadores que têm vasto currículo a serviço do Brasil. Guerrinha, do Itabom/Bauru (ex-armador e ex-auxiliar técnico da Seleção), e Antonio Carlos Barbosa, do Ourinhos (ex-treinador da Seleção feminina), comentaram o trabalho de Rubén Magnano.
AS DIFICULDADES “O Pré-Olímpico é a competição mais difícil, pelo lado emocional, porque existe uma pressão em cima de todos. É que não dá muita chance de erro. O que define é uma situação de momento, uma bola que cai, um erro de lance livre. É bem cirúrgico mesmo, no detalhe. Nesse campeonato, o importante não é jogar bem, é vencer.”
“A disputa é bem equilibrada, de difícil prognóstico. A pressão é igual para todos. Agora, um atleta que faz parte de uma seleção nacional, que disputa um Pré-olímpico, se não conseguir administrar essa pressão, então não tem mesmo que se classificar.”
RUBÉN MAGNANO “Com o currículo que tem, o Magnano conseguiu barrar a imprensa e blindar o time. Ele conseguiu deixar a imprensa fora, que criticava tanto o trabalho dos treinadores brasileiros. Não puderam assistir a treinos. A imprensa não pode interferir em nada, não opinou.”
“O maior problema do técnico brasileiro é a própria imprensa, que desmoraliza, deprecia, ridiculariza os nossos técnicos, poupando quase sempre os jogadores pelos resultados. Algumas vezes, sem condições para tal, queremos transformar em realidade nossos sonhos, que às vezes estão em um patamar bem acima do que podemos. Aí sobra para o técnico brasileiro. O Magnano está tendo moral com a imprensa especializada. Sempre se agrega valores, mas não o vejo como salvador da pátria.”
O TIME “O time brasileiro não está melhor com o Magnano. Mas ele trouxe, sim, alguns valores. Passou valores defensivos, muito em função da ausência dos jogadores da NBA. Não melhorou tecnicamente, mas o espírito de Seleção, com atletas que estão ali porque querem. A circunstância ajudou o Magnano a criar esse espírito na equipe. A defesa melhorou, mas o ataque piorou. O revezamento está sendo melhor para a defesa funcionar, mas como o brasileiro não tem a cultura do revezamento, não consegue definir as jogadas lá no ataque se estiver pouco tempo em quadra.”
“Falam que o Brail melhorou sua defesa. Não vejo melhora tática, vejo mais disposição, mais empenho. Se buscarmos os resultados do Brasil nas últimas competições antes do Magnano, vamos ver que a média de pontos sofridos pouco ou nada mudou. Ofensivamente, houve uma melhor rotação de bola, em alguns momentos, mas de resto pouco mudou.”
CHAMARIA NENÊ E LEANDRINHO PARA A OLIMPÍADA? “Se fosse o técnico da Seleção, não chamaria. Trabalharia com a garra e os valores desse pessoal que nunca deixou de comparecer, jogadores de muito caráter e que sempre estiveram à disposição.”
“Tem que analisar caso a caso, os reais motivos para não atenderem a convocação. Sou contra a vitória a qualquer preço, devemos presevar a disciplina e os objetivos do grupo.”
O Canhota 10 aproveitou para perguntar ao bauruense Barbosa como está seu momento no time de Ourinhos, pentacampeão brasileiro de basquete feminino (2004 a 2008) e vice nas duas últimas edições: “O momento é gratificante, gosto de desafios e de renovar objetivos. E Ourinhos surgiu em um momento muito imporante para mim, pessoalmente. Conseguimos, com uma equipe que não estava realizando um bom campeonato, chegar a uma final. Este ano, com a manutenção de todas as jogadores do ano anterior – mais a Kelly, já com reforços da Silva Gustavo e da Camila – e com mais tempo para um trabalho individualizado, em que preparação física e técnica (fundamentos) estão sendo priorizados, com certeza estaremos em condições de disputar o título da Liga Nacional”, contou Barbosa.
Guerrinha fala ao Canhota 10 sobre treinos sem Larry e Douglas
O treinador Guerrinha, do Itabom/Bauru, esteve descansando alguns dias, após período de amistosos na China, comandando um combinado brasileiro. Enquanto isso, o mercado do basquete se agitou, a Seleção Brasileira foi convocada e isso refletiu no time bauruense, sobretudo porque, com Larry Taylor e Douglas Nunes na Seleção, não é possível, hoje, completar um coletivo. Em entrevista por e-mail ao Canhota 10, o técnico também falou das dificuldades financeiras e da necessidade de patrocínios. E, como sempre faz, salientou que este canal é uma oportunidade de falar com os amantes do basquete. “Agradecido pela oportunidade de sempre poder esclarecer e colocar os assuntos pertinentes, de uma forma bem transparente, da nossa equipe à nossa torcida, que merece esse respeito e atenção”, disse Guerrinha. Confira:
O que muda sem Larry e Douglas nos treinos “Muda muita coisa, mas o Bauru Basket não tem como deixar de atender a convocação dos seus jogadores. Ganhamos publicidade por um lado, mas perdemos fisicamente os jogadores no dia a dia da equipe, ou seja, são dois titulares a menos até a volta. Precisamos lembrar que já estamos iniciando a temporada sem dois titulares da temporada passada, o Jeff e o Alex. No caso do Jeff, ainda não conseguimos repor no nível de titular, mas temos para o revezamento melhor do que do ano passado. No lugar do Alex, temos o Pilar, que fará muito bem essa função até conseguirmos orçamento para trazer um especialista na função.”
Mais reforços “Em relação aos treinamentos, precisamos urgentemente de mais dois jogadores para completar dez para termos treinos na parte coletiva – uma necessidade física para termos dez sem as presenças do Larry e do Douglas, por atenderem a convocação. O Bauru Basket é uma equipe jovem e precisa de treinar, o problema todo passa pelo orçamento. Hoje estamos 30% abaixo do final da temporada passada, ainda não renovaram alguns Amigos do Basquete (Nutrisaúde, Claro), isso nos deixa muito complicados para poder administrar a equipe atual sem reforços.”
À procura de patrocínio “Nos próximos dias, iremos apresentar à nossa comunidade, principalmente aos pequenos e médios empresários, uma campanha para adesão a nossa equipe para participar de uma forma mais direta, ou seja, as empresas – através de cotas de todo valor que ajuste as suas possibilidades – dariam à equipe condições de, no mínimo, iniciar a temporada sem pendências. Conforme forem aumentando as adesões, poderemos pensar em reforçar nas posições que perdemos os jogadores titulares. Temos várias boas opções já conversadas, mas precisamos da parte financeira para poder viabilizar.”
Pré-temporada na China “Estamos aguardando a proposta da viagem em forma de contrato, datas que serão os jogos, para dar a resposta. Estamos também aguardando de uma forma oficial a data do início do Paulista, para nos organizarmos para uma possível viagem de dez dias, como nesse caso.”
Copa EPTV “Se tivermos no nosso calendário condições de atender, iremos participar para defender o título do ano passado e preparar a equipe para o Paulista.”
Um pedido e um recado “Vamos ver se aparece uma luz nas pessoas que decidem em Bauru para fora da quadra. Termos, no mínimo, uma estrutura justa com as nossas necessidades para fazer a equipe brigar de igual contras as demais, que tem estrutura e estão sempre melhorando e se reforçando dentro e fora da quadra, a cada temporada. Temos como filosofia de trabalho o que o basketball oferece para quem se apaixona por ele: emoção e sempre ACREDITAR… É o único esporte que TERMINA mas não acaba… O cronômetro zerado, a bola ainda está no ar para definir o jogo… Essa é uma prova de que devemos sempre acreditar na vitória ou, no nosso caso, em melhorias fora da quadra para seguirmos trabalhando da forma que sempre trabalhamos.”