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Cláudio Zopone: “A ABDA é para todos”

Perdi um tempo pensando na melhor foto de Cláudio Zopone, presidente da ABDA (Associação Bauruense de Desportos Aquáticos), para abrir esta entrevista, mas estava fácil. Ele no meio de suas crianças, que ele “ama de paixão” — termo que carinhosamente repete muitas vezes durante a conversa. Nesse caso, com as meninas sub-17 do polo aquático, comemorando o título paulista na manhã de 30 de setembro.

Na tarde daquele mesmo sábado, ele abriu as portas de sua chácara para receber a imprensa, papear mesmo. Mostrou com orgulho a sala de troféus, os recortes de jornal devidamente enquadrados e uma coleção de DVDs com todos os jogos do polo aquático, seu esporte preferido, que ajudou a moldar seus valores e que serviu de pilar para a fundação do projeto que hoje dá oportunidade a 3.900 crianças em Bauru. É frequente a visita das crianças ao espaço (“É delas”), naquele sábado mesmo a molecada do polo que havia jogado à tarde iria jantar lá. Era o time sub-19, que havia vencido o Paulistano na Arena ABDA (o impressionante complexo erguido com recursos próprios). De olho na transmissão ao vivo no canal do Youtube da ABDA, Cláudio grita, vibra, ajoelha-se para comemorar gols. O olho brilha por essas crianças — ele se refere a elas assim, desde os cotocos até os jovens, e cumprimenta a todas com beijo na testa (“Sinal de respeito e de benção”).

Apesar de contar com várias parcerias (Lei de Incentivo ao Esporte, Ministério do Esporte, Grupo Multicobra, Semel, BTC, ADPM) e patrocinadores (CVC, Pernambucanas, BNP Paribas), a maior parte do investimento é próprio e carrega as marcas das empresas que administra com o irmão, Júnior (Zopone Engenharia e Comércio LTDA., Z-Incorporações). Mas ele não gosta de falar de dinheiro. Gosta de falar de suas crianças. E eu gostei de ouvir. Sendo assim, a entrevista abaixo está imperdível e dá a dimensão deste projeto que orgulha toda a cidade e que já é referência nacional — o Comitê Olímpico Brasileiro, recentemente, enviou um dirigente para conhecer de perto e propor parceria. Tenha uma boa e inspiradora leitura.

Vamos do início: quando você teve a ideia de criar a ABDA? Por que esse estalo?
Primeiramente, é bem simples: eu e meu irmão sempre fomos muito solidários. E solidariedade é diferente de caridade. Solidariedade é quando você tem uma ideia, um projeto para fazer a diferença na vida futura. Muito antes da ABDA, vínhamos trabalhando, montando creches, arrumando… Mas vimos que não estava sendo para o futuro. Eram situações que estavam simplesmente resolvendo problemas imediatos. Não tinha uma programação de futuro para melhorar a condição da criança, de como adulta promover a melhora de sua família. Então, fundamos a ABDA com três pilares fundamentais: educação, esporte e respeito. A partir do momento que tem os três, é para a vida toda. O respeito nunca mais você perde. E não existe respeito sem ética, sem decência, sem honestidade. Educação é uma coisa que ninguém te toma, é sua para o resto da vida. E o esporte é uma ferramenta para trazer a criança para o nosso lado e conseguirmos imbuir nela todos os outros pensamentos que nós temos: que ela se torne feliz, honesta, colaborativa, que tenha a noção de que pode fazer a diferença daqui pra frente.”



Aí, atraiu para uma modalidade que você tinha afinidade, o polo aquático.
E para a natação, porque o polo aquático não vive sem a natação. E meu irmão, como gosta muito do atletismo, trouxe. Depois começamos com a natação PcD [pessoa com deficiência] e, como temos muitas crianças que não têm uma aptidão para o esporte, criamos a orquestra e o coral. Tudo isso monta uma corrente muito positiva, que é o principal objetivo: resgatar as crianças para o bem, que elas tenham o direito de sonhar de novo, almejar algo melhor, ter pensamento positivo. Conquistar a felicidade num ambiente correto, onde o bem se propaga. São ferramentas que você trabalha por um bem maior, transformá-las em crianças melhores, cidadãos melhores.”

Cláudio e Júnior Zopone
Cláudio com o irmão, Júnior, na inauguração da Arena ABDA. Foto: Emerson Luiz/94FM

Nesse período todo, você deve ter vivenciado várias conquistas. Nem falo de títulos, que são consequência do envolvimento com o esporte, mas de ver a família buscar uma situação melhor a partir desses bons exemplos…
Tem uma criança lá que eu adoro de paixão. São sete irmãos. A mãe deles esteve em estado prisional. Dos sete irmãos, dois treinam com a gente. Quando ela saiu, não tinha condições de cuidar da família. Então, fora a alimentação que fornecemos às crianças no almoço, demos cestas básicas para poderem jantar. Num belo dia, ela liga: ‘Não preciso mais. Estou trabalhando, já me ajudaram o suficiente. Ajudem quem precisa’. Isso é uma prova de que o contexto muda as pessoas. Todo mundo quer ser do bem. As pessoas não são do bem, na grande maioria das vezes, por falta de oportunidade. Toda mãe, pai ou representante, avô, avó, quer ver uma criança bem encaminhada. Como esse exemplo há inúmeros. São duzentas crianças com pai ou mãe em estado prisional.”

E vocês criaram um ambiente sem muita vigília ou pressão, exatamente para um seguir o exemplo do outro…
A grande verdade é que criança tem que ser educada, não tem que ser reprimida. Tem que respeitar e ser respeitada. A disciplina é uma consequência da educação. Reprimir é fácil, educar é difícil. Quando educa é para sempre, quando reprime é para o momento. Claro que tem que ter penalidades, mas educativas. A diferença  pode parecer tênue, mas é grande. A criança sente quando você tem amor por ela e a respeita. Quando há distância, a repreensão se torna uma atitude péssima. Quando você é presente, a criança sente. Tem que ter amor.”

Falando em amor: na inauguração da Arena, no seu discurso muito emocionado, você disse às crianças: ‘Não me decepcionem’. Você não é um simples investidor, alheio ao dia a dia do projeto. Está totalmente imerso e são como seus filhos, né?
Eu vou à Arena uma vez a cada duas semanas e aos sábados. Há sábados que não vou. Mas minha presença se faz nos pequenos detalhes. Eu sei a nota de todas as crianças. Recebo a lista de presença no final de todos os dias: quem faltou, em qual piscina, qual campo de atletismo, se na música ou no coral teve mais ausência. Quero saber por que faltou, o que está acontecendo. Se o ônibus que estão usando é bom, se estão sendo bem alimentadas, se o restaurante está sendo dedicado como somos dedicados na hora de pagar a conta. Quero saber se estão usando uniforme, se o uniforme é bom. Se estão se comportando bem. Não precisa estar presente para sentir isso. Precisa estar dedicado. E quando tenho tempo de ir, aí é apaixonante.”

E você criou um estafe ao seu redor que comunga do mesmo espírito…
Exatamente. Nossos coordenadores e professores têm que ter essa comunhão, amar o que fazem. Se está por estar, não quero. Tem que estar por amor, não por obrigação. Por obrigação não quero ninguém. Um professor que não respeita aquilo que ensina não merece o respeito da criança, não merece estar com a gente. Se ele se dedica, vai ter nosso respeito.”

Eu sei que os resultados esportivos não são a prioridade, mas estão sendo uma grande consequência. Quando começaram a surgir?
Foi muito rápido. Quando você escolhe os melhores profissionais a que tem acesso, dá estrutura, faz com amor e não aceita que suas crianças não sejam bem treinadas, bem alimentadas, não aceita que não estudem, que melhorem como filhos, como irmãos, claro que vão ser boas em tudo! Não tem como, fechou o contexto. Bom aluno, bom filho, bom irmão… vai ser bom no esporte também. Vai ser disciplinado, comprometido, vai jogar coletivamente — mesmo no esporte individual, pois vai ser colaborativo no treino. As coisas não andam sozinhas.”

Tatiana Moraes e Cláudio Zopone
Cláudio homenageia os atletas com um cheque de mil reais quando são convocados para seleções brasileiras. Na foto, Tatiana Moraes, da ABDA Atletismo, campeão brasileira sub-20 na marcha atlética. Foto: Divulgação ABDA

Eu já imagino que isso vai acontecer um dia. Mas você consegue visualizar o que você vai sentir quando uma dessas crianças se tornar medalhista numa Olimpíada?
Vou amar de paixão, óbvio. Mas minha maior conquista vai ser daqui dois anos, quando vão se formar os primeiros engenheiros. Vai ser a maior conquista da ABDA, a primeira leva que começou com a gente, com bolsa universitária. Isso vai se propagar de uma maneira para nossa cidade, nosso ambiente, que uma medalha olímpica vai ser simplesmente consequência.”

Você conta com esses ‘veteranos’ como multiplicadores? Com essa responsabilidade de serem exemplos para os mais novos?
“Lógico. Tanto que os mais velhos — que são um custo maior, faculdade não é barata — são responsáveis pela disciplina, pelo ensinamento e por cuidar dos mais novos, por protegê-los. E por não deixar que qualquer tipo de droga entre na ABDA. Essa é a responsabilidade dos mais velhos. Eles sabem disso e cumprem integralmente. Tanto que hoje não temos problemas com isso.”

Por tudo que vocês fazem, merecem mais apoio. A Prefeitura poderia ajudar mais? Novos patrocinadores…
Acho que todo mundo ajuda até onde dá. Nossa estrutura, de cabo a rabo, do federal ao municipal, tem que ser mais elaborada. Todo mundo tenta muito. Alguns da maneira errada, outros do jeito certo. Vamos falar de quem tem boa índole, pois quem não tem não me interessa. Quem tem boa índole às vezes fica engessado. O Brasil tem muito dinheiro para o esporte, muito mais do que o suficiente. Nossa base de crianças é absurda, mas tem que haver um plano estratégico de unir poder federal, estadual, municipal, as escolas, a iniciativa privada e montar projetos para todos os poderes trabalharem de uma maneira unida. Sem uma escola boa, não adianta tudo o que fizermos no esporte. O esporte tem que andar de mãozinha dada com a escola, senão não vamos para lugar nenhum. Nunca. Quando a criança faz esporte, ela tem que ser competitiva — em campeonatos internos, municipais, escolares. No estadual ela não vai? Não tem problema.”

Ela vai superar a si mesma.
Exatamente. Vai ser colaborativa. Se não for boa no esporte, vai aproveitar a estrutura que a escola tem, vai crescer. Temos que nos unir mais, não dividir. A Prefeitura ajuda, sim. Não gosto de reclamar de ninguém. Minha postura é de esperar o que vem de bom. Quando você vai fazendo o bem, as pessoas vêm junto. É muito fácil ficar reclamando, é cômodo… Nós, brasileiros, somos muito reclamões. Ninguém gosta muito de fazer, mas quando alguém faz: ‘Vou fazer também!’. Vamos juntos! Ficar falando que governo não ajuda é papo furado. Vamos fazendo, atropelando, que o governo vem junto.”

O negócio é conquistar o incentivo depois de provar que dá certo?
Vem cá: com tanta coisa errada que tem no Brasil, quem vai apoiar alguma coisa que não seja sólida? É difícil, concorda? Temos um monte de problemas. Estruturas malfeitas, sacanagens, gente querendo tirar vantagem… Como uma empresa séria vai apoiar sem ver o resultado? Vai manchar a imagem dela? Não dá para julgar essa empresa. Tem que conquistar o respeito. É justo.”

Cláudio Zopone
Longe e perto: assistindo a suas crianças. Foto: Fernando Beagá/Canhota 10

Falando especificamente da Arena, que é um projeto espantoso. São duas piscinas olímpicas de padrão internacional, ainda vem uma terceira etapa. Já é um centro de excelência para treinar as crianças, mas dá para receber muitos eventos de grande porte…
Nós disponibilizamos a Arena tanto para a Federação Aquática Paulista, quanto para a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos. Aqui é a casa deles. Qualquer seleção que montarem será bem-vinda, está aberto. A ABDA é para todos, sem exceção. Não paga para nadar, não paga para treinar, só tem que cumprir nossas regras. Temos código de conduta, regras para haver convivência pacífica e decente. Mas a Arena é para todos, não importa de onde venha.”

Inclusive do exterior…
A Hungria veio fazer aclimatação para a Olimpíada aqui em Bauru. Seleção brasileira também. Amaria ser sede de todas as seleções brasileiras. E vamos receber todos os campeonatos que pudermos. Embora seja custoso: estrutura, ambulância, socorrista, segurança… Mas é muito importante. Vem o torneio do Thiago Pereira [dia 8 de outubro], o treinador Alex Pussieldi vai palestrar para nossos educadores e para as crianças. Investimos muito em treinamento, em tecnologia, queremos saber o que está acontecendo no mundo. Para todos os nossos treinadores há verbas destinadas para cursos, para a faculdade. Pagamos 40% da mensalidade da faculdade de todos os profissionais que trabalham com a gente — e para os cursos de aprimoramento que tiverem afinidade com o que fazem. Incentivamos aqueles que treinam nosso bem maior, que são as crianças.”

Insistindo num ponto que abordei lá no começo. A sua satisfação é mudar a vida de muitas pessoas? Lembro-me da sua emoção, ao lado do seu irmão e da sua mãe, no dia da inauguração da Arena…
Você lembrou bem. Meu irmão é mais velho e sempre me protegeu. Sentir-se protegido é muito bom. Como tive muitas bênçãos, meu dever, minha obrigação, é proteger quem não tem proteção. É simples. Só devolver aquilo que você recebe. Recebeu muito, dá muito. Acabou.”

E o que você imagina para o futuro, daqui algumas décadas?
Espero que os que estão se formando sejam excelentes profissionais e voltem para me ajudar. Se Deus quiser. Falo para eles: ‘Quando vocês se formarem, sumam da minha frente, vão trabalhar, ajudar a família de vocês. Vão comprar casa, carro, ser bons engenheiros, fisioterapeutas, advogados, professores de educação física etc. Sejam muito competentes. E, quando puderem, voltem para ajudar a ABDA'”.

O que você está plantando é para ter uma vida longa? Para não ficar personificado em você?
Você tem razão. Não pode toda essa estrutura ficar na mão de uma pessoa. Tem que ter continuidade. Você tem que propagar a sua imagem, o seu pensamento, o seu sonho. A grande maioria das crianças comunga com o sonho que tenho. Inclusive meu filho mais novo, que já falou pra mim que quando eu vier a faltar ele vai tocar.”

Você me deu a deixa: tem dois filhos, mas tem outros 3.900. É curioso, porque eles poderiam até ter ciúme. Mas imagino que tenham orgulho.
É zero ciúme. Eles são amigos. Claro que sei separar. Tenho o dia de ficar com a família e o dia de conviver com meus outros filhos, o pessoal da ABDA. E quando eu vou, meu caçula vai comigo. Ele tem os amigos lá, os companheiros de almoço, de futebol. Meu filho não faz nenhum esporte vinculado à ABDA. Joga tênis, é bom jogador. Adora o que faz, ainda bem. Porque tudo o que eu faço não é para ele. É para todos. E ele já falou pra mim: ‘Papai, a ABDA toco eu!'”

 

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Coluna

Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo de Bauru

Em 2010, após anos de discussão sobre o assunto, o Prefeito Rodrigo Agostinho sancionou a Lei nº 5868/10, que criou o Conselho Municipal de Esportes (CME) e o Fundo Municipal de Desenvolvimento Esportivo, destinados a dar apoio financeiro a programas e projetos de caráter esportivo.

À época, essa lei foi apelidada de Lei Rouanet Municipal, pelo objetivo de beneficiar os esportistas da cidade, cujos projetos são inscritos e avaliados para concorrerem aos recursos disponíveis.

Ano após ano, porém, o assunto volta à discussão quando o CME divulga qual o valor da verba a ser destinada às modalidades e associações inscritas.

Essa discussão, inclusive, ocorreu no final do mês de abril, quando foi divulgada a tabela de destinações, contendo, por exemplo, o valor anual de R$ 15 mil ao Noroeste, montante muito menor que o destinado a categorias com menor expressão.

Diante disso, muitos leitores indagaram: como é feita essa divisão e a classificação das entidades beneficiadas? Vamos tentar explicar.

Primeiramente, é importante esclarecer que os valores que compõem o Fundo são provenientes de várias fontes, como dotações da Lei Orçamentária, doações, cessão de espaço publicitário em espaços esportivos, patrocínios, etc.

Pela Lei, esses recursos devem privilegiar políticas e trabalhos governamentais, podendo ser destinados ao desporto profissional ou não, bem como ao paradesporto.

Todos os anos, o CME apura o valor disponível e determina, após criterioso estudo, quais as modalidades e entidades beneficiadas. Depois de apresentada a proposta, esta vai para aprovação da Câmara Municipal e, em seguida, à sanção do prefeito.

A ideia principal do legislador foi destinar o Fundo para o desenvolvimento das atividades que não contam com amplo apoio privado, visando, primeiramente, a representação da cidade em Jogos Regionais e, após, a revelação do atleta para o cenário nacional, sempre com o carimbo de origem bauruense.

Por esse motivo, algumas entidades mais conhecidas como o Noroeste, o Bauru Basket e o Vôlei Bauru acabam recebendo um valor pequeno perto do tamanho de suas necessidades, o que se dá pela possibilidade de obterem com maior facilidade receitas advindas do setor particular, dada a exposição que possuem nas mídias nacionais.

Em sentido inverso, as categorias menores sofrem com a falta de patrocínio e mantêm suas atividades praticamente apenas com a verba vinda do Fundo, motivo pelo qual recebem um maior aporte.

Como cidadão bauruense, é gratificante ver os trabalhos realizados por entidades que recebem esses repasses, como a Associação Nova Era de Tênis de Mesa e a ABDA, já reveladoras de enormes sucessos.

A nós cabe, portanto, fiscalizar de perto a divisão e o repasse dessas verbas para que o escopo da lei seja sempre respeitado.

De igual modo, batalhar para que o Fundo possa aumentar ano a ano, com a possibilidade de auxiliar um número maior de projetos e atletas, inclusive os de maior expressão, fazendo com que Bauru seja sempre reconhecida pelo desenvolvimeto de seu esporte.

 

CARLOS ALBERTO MARTINS JÚNIOR é advogado, especialista em direito desportivo e atua no Freitas Martinho Advogados

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Esporte de Bauru

Pra cobrar depois: o plano do prefeito eleito de Bauru, Gazzetta, para o esporte

Clodoaldo Gazzetta mal se refez da merecida ressaca da festa da vitória e já atua como prefeito eleito de Bauru. Nessa segunda (30/out), reuniu-se com o prefeito Rodrigo Agostinho para combinar como será feita a transição. Aliás, fui testemunha do primeiro abraço entre os amigos celebrando o resultado, nos estúdios da 94FM. Entrevistávamos o atual gestor da cidade quando o próximo chegou. Dava pra ver na cara de Rodrigo a satisfação de para quem estava passando o bastão.

Ao que compete a este Canhota 10 e seus leitores, temos que ficar ligados no que Gazzetta irá fazer pelo esporte da cidade, desde as atividades de lazer até o alto rendimento competitivo. Planejamento há, detalhado em seu Plano de Governo — clique aqui para ler todo o conteúdo.

Arena municipal ainda é só um sonho... Imagem: Divulgação
Arena municipal ainda é só um sonho…

De cara, o candidato eleito pelo PSD fala em esporte e lazer como “fatores determinantes de qualidade de vida, com espaços públicos acolhedores, de encontro e vivência coletiva”, avisando que o objetivo é alcançar resultados a médio prazo. Ao contrário de seu adversário, Raul, não prometeu novos estádios distritais ou outras praças esportivas, preferindo falar em aproveitar estruturas existentes. Para nossa tristeza, não cita a Arena Bauru (foto), projeto que já está no papel e não foi viabilizado pelo governo Rodrigo. Fala em construir um Centro Olímpico e um de iniciação ao esporte, mas não fica claro se seriam espaços integrados a um ginásio poliesportivo. Fica a esperança do trechinho que fala em aproveitar “oportunidades de captação de recursos”.

O plano ainda fala que os equipamentos esportivos serão geridos de forma compartilhada e autossustentável, isto é, ele conta com a própria comunidade para ajudar a cuidar. Cogita-se fortemente que o secretário de esportes será o demista Neto Ranieri, atual gestor do futsal da FIB.

A seguir, a lista de propostas de Gazzetta para a Semel, pra gente guardar e cobrar:

• Rever a estrutura de cargos da Semel.

• Mapear todos os equipamentos esportivos públicos e fazer um inventário de todos os equipamentos da Semel.

• Desenvolver atividades físicas para grupos de risco (obesos, cardiopatas, idosos, etc), acompanhados por profissionais contratados que atuarão em espaços públicos já existentes.

• Definir um Plano Municipal de Desenvolvimento do Esporte para otimizar recursos, após diálogo com setores públicos e privados ligados ao esporte.

• Intensificar parcerias com universidades e oferecer estágios para desenvolvimento de atividades nos bairros, nas estruturas já existentes.

• Promover integração mensal para trocas de experiências, equipamentos e serviços entre as secretarias de Esporte, Educação, Obras, Assistência Social e Cultura.

• Resgatar o Programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, em Bauru, que promove inclusão social a crianças a partir de 6 anos.

• Implementar em Bauru o PELC (Programa Esporte e Lazer da Cidade), do Ministério do Esporte.

• Fomentar parcerias público-privadas para garantir investimentos em equipamentos esportivos e melhorar a participação de Bauru nos Jogos Regionais e nos Jogos Abertos.

• Colocar Bauru sempre como alternativa para realização dos Jogos Regionais, fortalecendo a visão de Bauru como centro regional do esporte.

• Construir o Centro Olímpico de Bauru, que vai funcionar como uma “oficina de campeões” para desenvolver o potencial de atletas que se destacam em diferentes modalidades em clubes e escolas

• Construir o CIE (Centro de Iniciação ao Esporte), conveniado ao Ministério do Esporte.

• Recuperar e revitalizar estádios distritais, ginásios e quadras.

Capacitar ligas e associações esportivas para elaborarem projetos técnicos e acompanhá-los, para estimular a automonia dessas entidades — aqui um trecho que remete aos times de alto rendimento (Bauru Basket, Noroeste, Vôlei Bauru, FIB). O outro, logo abaixo:

• Promover estudo de viabilidade financeira pare rever e ampliar a lei que destina 5% de isenção do ISS.

• Implantar o projeto Desporto de Base nas escolas municipais, para crianças e jovens de 6 a 15 anos.

• Analisar juridicamente a possibilidade de transferência direta de verba para modalidades esportivas e do Bolsa Atleta.

• Implementar o Passe Atleta, visando menor desgaste dos meios de transporte próprios da Semel.

• Realizar Jogos Escolares municipais em parceria com associações e ligas, selecionando os destaques para o Jogos da Juventude e para competições organizadas pela secretaria estadual.

• Viabilizar, em parceria com instituições de nível superior, tratamento fisioterápico gratuito para atletas de alto rendimento da cidade, incluindo os exames necessários.

Gazzetta e Toninho: obrigação moral de olhar para o Norusca
Gazzetta e Toninho: obrigação moral de olhar para o Norusca

NOROESTE
Depois do recente perrengue para renovar o aluguel do ginásio Panela de Pressão, via Semel, espera-se que a relação Noroeste/Prefeitura seja mais harmoniosa e que as decisões não se arrastem. Por um motivo simples: o vice-prefeito eleito, Toninho Gimenez, diretamente envolvido na vida política do clube há quase duas décadas. Por isso, é praticamente uma obrigação moral da futura gestão municipal olhar com carinho para o Norusca. Sobretudo somando-se o fato de que o presidente alvirrubro, Estevan Pegoraro, apoiou publicamente a dupla Gazzetta/Toninho.

É sabido que as leis restringem muito a ajuda do poder público a um clube profissional, mas, pelo menos, que não causem transtorno ao time. A sempre comentada possibilidade de repassar o Complexo Damião Garcia à Prefeitura, por exemplo, só pode virar realidade com muita cautela e a garantia de que naquele espaço se perpetuará o maior patrimônio esportivo da cidade.

Bom trabalho a eles!

 

Fotos: Divulgação

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Chutão 2012: faça suas apostas!

A brincadeira começou como um bolão na empresa, para ver quem acertava mais resultados nos principais eventos esportivos do ano. Uma graninha simbólica para estimular e pronto: o chutão virou tradição. Agora, ganhou a rede. Não há premiação, mas é diversão garantida. Trabalho caprichado dos amigos Thompson e Paulão.

Acesse o CHUTÃO 2012, cadastre-se e mostre se você é fera em palpite.

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Quem é quem no futebol brasileiro: balanço dos pontos corridos

Por Arthur Sales

A era dos pontos corridos modificou a organização dos clubes no Brasil. Melhor planejamento e regularidade passaram a ser premiados e, enquanto antes da nova fórmula era muito difícil fazer prognósticos, agora podemos tentar escolher os cinco, seis candidatos sem dar um total tiro no escuro. No Brasil, existem no mínimo 12 grandes equipes (quatro paulistas, quatro cariocas, duas mineiras e duas gaúchas) que em uma fórmula de mata-mata podem crescer e faturar o caneco. Nos pontos corridos, a situação é outra e o que já se pode enxergar nesses oito anos de disputa (estamos prestes a conhecer o nono campeão dos pontos corridos) é que alguns desses grandes se consolidaram entre a real elite do futebol brasileiro:

Os seis melhores ano a ano desde os primeiros pontos corridos

2003200420052006
1º Cruzeiro SantosCorinthiansSão Paulo
2º SantosAtlético ParanaesnseInternacionalInternacional
3º São PauloSão PauloGoiásGrêmio
4º São CaetanoPalmeirasPalmeirasSantos
5º CoritibaCorinthiansFluminenseParaná
6º InternacionalGoiásAtlético ParanaenseVasco
2007200820092010
1º São PauloSão PauloFlamengoFluminense
2º SantosGrêmioInternacionalCruzeiro
3º FlamengoCruzeiroSão PauloCorinthians
4º FluminensePalmeirasCruzeiroGrêmio
5º CruzeiroFlamengoPalmeirasAtlético Paranaense
6º GrêmioInternacionalAvaíBotafogo

São Paulo, Internacional e Cruzeiro são os mais regulares desde 2003. O Tricolor tem seis aparições no top 6, ficou de fora em 2005 (ano do título da Libertadores) e no ano passado. Inter e Cruzeiro têm cinco aparições, ficaram apenas três vezes fora do top 6. Nesse período, além da regularidade no Brasileirão, o Inter trouxe duas Libertadores para casa.

No segundo pelotão do futebol brasileiro, na era dos pontos corridos, aparecem Santos, Grêmio e Palmeiras. Destaque para o Alvinegro praiano, que além de ter quatro presenças no topo da tabela, conquistou uma Copa do Brasil e uma Libertadores.

Flamengo, Corinthians e Fluminense estiveram entre os seis melhores em três ocasiões e foram campeões da Copa do Brasil. Outro que esteve três vezes na parte de cima da tabela foi o Atlético Paranaense.

O Goiás, que está na Segundona, apareceu em 2004 e em 2005, enquanto Paraná, Avaí, São Caetano e Coritiba tiveram seus 15 minutos de fama com uma aparição. Vasco e Botafogo que ressurgem de dois anos para cá, também chegaram no top 6 uma vez nos últimos oito Brasileiros.

Número de presenças no top 6:
6  São Paulo (+ 1 Libertadores)
5  Internacional  (+ 2 Libertadores) e Cruzeiro (+ 1 Copa do Brasil)
4  Santos (+ 1 Libertadores + 1 Copa do Brasil), Grêmio e Palmeiras
3  Fluminense (+ 1 Copa do Brasil), Flamengo  (+ 1 Copa do Brasil), Corinthians  (+ 1 Copa do Brasil), Atlético-PR
2  Goiás
1  Vasco (+ 1 Copa do Brasil), Botafogo,Paraná, Avaí,São Caetano e Coritiba

São Paulo, incontestável
O São Paulo é o grande clube brasileiro da era dos pontos corridos, quando não ganhou estava ali e, quando não esteve ali, é porque estava lá, em Yokohama, conquistando o mundo. Nunca terminou um Brasileiro, desde 2003, na metade de baixo da tabela.

Internacional, o segundo
O Inter segue a mesma linha do São Paulo, sempre com bons times, com um pequeno desvio de rota em 2007, quando foi o 11º. Lembrando que o Inter foi o único brasileiro duas vezes campeão da Libertadores nesse período.

Palmeiras e o jejum de títulos
Santos, Grêmio, Palmeiras, Corinthians, Flamengo e Fluminense são os outros grandes que fazem bem o seu papel, nem sempre estão por lá, o que é absolutamente normal em um cenário com muitos outros fortes adversários – a oscilação é inevitável. Se analisarmos que o Palmeiras esteve tantas vezes entre os seis melhores quanto Santos, mais do que Corinthians, Flamengo e Fluminense e MUITO mais do que o Vasco (esses todos já puderam gritar É CAMPEÃO de 2003 para cá), é de se estranhar que o Alviverde esteja tanto tempo sem ganhar nada. Estar entre os seis melhores do Brasil significa ter uma equipe de respeito que faz frente a qualquer outra do país e da América do Sul. Ou falta sorte e competência na hora de decidir ou o extracampo atrapalha muito os jogadores do Palestra. Se tiver que escolher uma, fico com a segunda.

A verdade sobre os Atléticos
O maior Clube Atlético do Brasil é o Paranaense, não o Mineiro. O Furacão vira e mexe esta aí, foi vice em 2004, chegou à final da Libertadores em 2005 e foi quinto colocado no brasileiro do ano passado. Tudo bem que briga diretamente com o Galo para não cair em 2011, mas isso não é nenhum absurdo, e diga-se de passagem já aconteceu com o Alvinegro em 2005. Além do rebaixamento em 2005, o Alético Mineiro não tem sequer uma presença entre os seis melhores do país desde que a era dos pontos corridos começou. É um time que se consolida ano a ano como não-força do futebol brasileiro, apesar da apaixonante torcida.

Arthur Sales é estudante de Jornalismo da Unesp/Bauru, colaborador da webrádio Jornada Esportiva e edita o blog Doente 91