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Noroeste fora: apenas um retrato do futebol brasileiro que não faz gols

Se São Paulo e Corinthians não conseguem balançar as redes uma vez sequer na decisão da primeira divisão, no subsolo do futebol brasileiro não seria diferente

“Não faltou empenho, não faltou dedicação, não faltou hombridade, não faltou profissionalismo”, disse o capitão Richarlyson, após a eliminação do Noroeste. Tenho certeza de que não faltaram. Faltou bola na rede mesmo. A Série A3 é só um retrato mais profundo do piorado futebol brasileiro. O sofrível zero a zero entre São Paulo e Corinthians, na decisão da primeira divisão, é recente e grande exemplo.

O atrevimento perdeu para o pragmatismo. E o Norusca venceu apenas três dos nove jogos que disputou no Alfredão. O drible cedeu lugar para o cruzamento ainda da intermediária. E o Alvirrubro fez apenas dezessete gols em dezessete partidas, unzinho por jogo. Raríssimos jogadores treinam cobranças de falta e anotam tentos desse jeito. E o Noroeste venceu apenas uma vez nas últimas sete pelejas. Hoje, valoriza-se o “saber sofrer” em campo, no lugar de fazer sorrir a arquibancada. E o torcedor sofre mais uma vez.

Segue o jogo. Louvável a decisão de disputar a Copa Paulista. Que o Norusca não desista, pois sua torcida, mais uma vez, mostrou o tamanho de sua paixão. Existe trabalho e vontade de vencer, inegavelmente — houve tentativas contra o Barretos, mas para balançar as redes, atualmente, boa intenção não basta. Falta tirar o peso dessa vontade e colocar um time para se divertir em campo. Não subir com equipe pragmática, já sabemos como é. Que tal se a próxima tentativa for mais boleira? Não falo de bagunça. Mantenha-se o comprometimento e tudo o que deu certo. Mas com uma pitada de ousadia. Quem sabe, assim, a alegria vem.


Fernando Beagá

 

Foto: Bruno Freitas/ECN

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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