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Confira principais pontos da entrevista do presidente do Noroeste à Auri-Verde

retranca-ECNNa noite dessa terça-feira, 30/ago, o novo presidente do Noroeste, Estevan Pegoraro (no cargo há 45 dias), concedeu relevante entrevista à rádio Auri-Verde, no programa Jornada Esportiva. Em conversa com Rafa Antonio, Lucas Rocha e Luiz Lanzoni, o mandatário alvirrubro respondeu aos principais pontos que afligem os torcedores no momento. A seguir, transcrevo os principais trechos da conversa. Sou ouvinte assíduo dos colegas e tomei a liberdade dessa reprodução para levar ao conhecimento daqueles que não puderam ouvir, além de deixar registrado esse bom trabalho nesse mundão que é a internet.

Início do mandato
Não é fácil, já assumi já sabendo das dificuldades. Passei um tempo como tesoureiro para entender e não cair de paraquedas. Mas as surpresas continuam surgindo. As dívidas com governos federal, municipal e as trabalhistas são as mais significativas. Fizemos uma audiência na Justiça Trabalhista com todos os credores e chegou-se a quase 15 acordos, falta apenas chegar a um acordo com os clientes dos advogados Filipe e Thiago Rino. Não é por causa deles, mas pelo grande volume. Estamos dialogando e acredito que vamos chegar a um denominador comum com eles. O débito federal estamos acertando via Profut.

Importância da base
O projeto da Tel [Telecomunicações, que investe R$ 60 mil mensais no clube via incentivo fiscal] é destinado via prefeitura e específico para a base. Hoje, atende mais de 500 crianças, é bom que as pessoas tenham consciência disso. O trabalho com a base, tocado pelo Emerson Carvalho, tem ainda o apoio dos irmãos Mandaliti. É um trabalho muito importante. Eu vejo como futuro do Noroeste o fortalecimento na base. Hoje, não temos como disputar a A-3 com a base. Mas o Noroeste tem condições de dar estrutura a escolinhas da cidade e da região. Há jogadores de Bauru espalhados pelo Brasil e pelo mundo que nunca jogaram no Noroeste. Num curto espaço de tempo, a médio prazo, poderemos disputar competições com frutos da base.

A polêmica saída do zagueiro Foguinho
O Foguinho, como todos os jogadores da base, não tem contrato. Estão apenas inscritos. Porque o Noroeste ainda não tem o selo de clube formador, regularizado na Federação. A única forma de vincular os jogadores com o clube é fazer contrato profissional de no mínimo três anos, o que é totalmente inviável. Assim, é claro que ficamos expostos ao interesse de clubes grandes. O Foguinho foi esse caso. Ainda bem que o Palmeiras teve uma atitude louvável. E fizemos um acordo de que o Noroeste tem direito a 30% numa negociação que ocorrer nos próximos dois anos, além de R$ 300 mil pelos 70% do Palmeiras. Se o Palmeiras não tivesse essa decência, teríamos saído de mãos abanando nesse negócio.

O sonho da elite
Falando com muita sinceridade ao torcedor, não sei se o patamar do Noroeste hoje é a primeira divisão. Não é a nossa realidade. A meta tem que existir, mas se disputar segunda do paulista e pensar numa Série D do Brasileiro, o calendário é muito mais interessante. A gente sabe que a gestão do futebol, por mais que demande profissionalismo, não dá pra desvincular da paixão. Meu sonho é daqui três anos entregar o Noroeste a um novo presidente na primeira divisão paulista e sem dívidas. Vou trabalhar pra isso, mas vai ser difícil.

O imbróglio do aluguel da Panela de Pressão
Falta a grana [para resolver o assunto]. Estamos negociando. A Semel [Secretaria de Esportes e Lazer] já fez uma avaliação, mas com retração do valor do aluguel. A Panela estava alugada por quase R$ 20 mil e a proposta foi de R$ 15 mil, que considero insuficiente, pois está abaixo do valor de mercado, não há outro ginásio desse porte na cidade e porque não ajuda o Noroeste a pagar as contas.

Noroeste e Prefeitura
Não há impasse algum entre Estevan e Rodrigo Agostinho. A conversa está no mais alto nível, o Rodrigo tem se mostrado um grande noroestino. Mas o prefeito não pode pagar mais do que a avaliacão da Seplan [Secretaria de Planejamento] diz. Quando o torcedor do Noroeste me cobra que tem que fechar a Panela, gostaria de dizer que isso só não foi feito em respeito aos torcedores do basquete e do vôlei, porque muitos deles são noroestinos também. Vamos tentar esgotar todas as possibilidades nesse assunto para fazer dar certo.

Cessão do Complexo Damião Garcia
Existem mecanismos para tentar viabilizar um acordo com a Prefeitura. Alguns noroestinos rechaçam, mas não podemos desconsiderar. Até porque, por conta das ações trabalhistas, se um juiz decidir penhorar a Panela, ela pode cair nas mãos de uma construtora… É isso que estamos tentando evitar. Se o Noroeste tiver que dispor do seu patrimônio para quitar dívidas, que seja para as mãos da Prefeitura, que vai priorizar o esporte. Muito melhor do que cair nas mãos da iniciativa privada.

Parceria com o Talentos 10
Nós alugamos o Alfredo de Castilho para o Talentos 10 mandar seus jogos em Bauru. É um time da cidade e entendo que podemos proporcionar esse lazer para os torcedores locais. O aluguel tem uma taxa simbólica de R$ 1 mil e eles bancam as despesas dos jogos. E o Talentos 10 pode ser um celeiro para o próprio Noroeste. O torcedor não precisa se preocupar, nem comparar. Nem nos próximos duzentos anos, com todo o receito, o Talentos 10 vai ter a grandeza do Noroeste. Tem espaço e estendemos a mão para um clube da cidade. Foi feito com o mesmo princípio que cedemos hoje para o basquete e o vôlei.

Projeto para a Série A-3
Eu tenho sido persistente na questão dos patrocínios. Não tenho nada para oferecer no momento. Não existe pedir ajuda. O investimento exige retorno, que hoje é zero porque o Noroeste não disputa nada. Somente a partir de janeiro. A gente tem conversado com muitas empresas, mas nada de concreto. Há boas perspectivas, mas não há nada de concreto para a Série A-3 ainda. O que mais recebo é ligação de jogador, treinador e empresário se oferecendo… Mas empresa oferecendo dinheiro, nada…

Formação do time
Temos conversas com profissionais da área, não descartamos parcerias com grandes clubes, foi falado do Alecsandro, que é meu amigo pessoal e conhece muita gente no mundo da bola, posso ouvi-lo também… Vai ser feito o trabalho, mas estou deixando mais pra frente. Estou pensando primeiro em colocar a casa em ordem.

Marketing e sócio-torcedor
Vamos ter um trabalho de sócio-torcedor. Minha função é proporcionar ao bauruense, ao noroestino, a possibilidade de ajudar. Vamos soltar o programa de sócio-torcedor, além do projeto ‘Trave de Ouro’, uma trave que sobrou da época do incêndio do estádio [em 1958, no antigo estádio na rua Quintino Bocaiúva]. Ela está lá em Alfredo de Castilho, queremos fazer um memorial em homenagem a quem apagou aquele incêndio e buscar empresas que colaborem com R$ 1 mil por mês para colocar essa trave na entrada do estádio.

Parceria com Associação Avante, Rubro!
Eu não tive tempo de adentrar na situação da parceria com a Associação. No dia 3, vamos ter uma oportunidade, a exposição das camisas, iniciativa dos torcedores.Temos que ter sim um elo de proximidade. Concordo que a família Garcia errou nessa relação. Seo Damião merece um busto, pelo grande noroestino que foi, mas ficou essa rusga de ele ter se isolado. Temos que nos aproximar dos bauruenses para fatiar a receita, porque não vamos conseguir R$ 200 mil de nenhuma empresa. Mas podemos conseguir 200 apoios de R$ 1 mil.

 

Foto topo: Bruno Freitas/EC Noroeste

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Base do Noroeste estreia mal na segunda fase do Paulista

retranca-ECNEm suas primeiras partidas da segunda fase do Campeonato Paulista, o Noroeste sofreu duas derrotas — tanto no sub-15, quanto no sub-17. Agora, restam cinco partidas para a molecada alvirrubra se reabilitar em busca da próxima etapa.

SUB-17
Atuando no Alfredão, o Norusquinha foi surpreendido pelo Atlético Araçatuba por 4 a 2. Surpreendido sobretudo pela expulsão do goleiro Mateus logo a 5min — entrou o reserva Weslei, de apenas 14 anos. Com um a menos, levou 3 a 0 na primeira etapa. Após mexidas do técnico Du Itapuí, o Alvirrubro conseguiu reagir, fez dois gols (um contra, outro de Kaue), mas acabou sofrendo o quarto. “Nós perdemos o jogo no último minuto do primeiro tempo onde tomamos dois gols por detalhes. Apesar dos desfalques e a expulsão no início do jogo, a entrega do Noroeste foi total e os meninos estão de parabéns. Vimos aqui uma evolução muito grande. Eu não vou cobrar resultados deles, mas sim a conduta, a personalidade e a entrega. E quem entende de futebol e viu esse jogo aqui hoje percebeu que nós temos um time muito bom e aguerrido”, disse o treinador, via assessoria.

SUB-15
Jogando fora de casa, os meninos perderam para o Diadema por 3 a 0. A partida foi disputada na grama sintética do estádio Baetão, em São Bernardo do Campo. O técnico Elton Carvalho explicou a derrota: “Não tivemos um bom rendimento. Eles possuem uma equipe muito forte fisicamente pra idade e conseguiram tirar proveito desse fator e conseguiram a vitória, merecidamente”.

PRÓXIMOS JOGOS
O sub-17 do Noroeste encara o Água Santa, dia 6/ago, às 11h, em Diadema. No mesmo dia, mais cedo (9h), o sub-15 recebe o Flamengo de Guarulhos, no Alfredão.

 

Foto da partida de hoje no sub-17: Bruno Freitas/EC Noroeste

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Em sua primeira ação na presidência do Noroeste, Pegoraro refaz adesão ao Profut

retranca-ECNEleito no último dia 15 de julho prometendo colocar as finanças do Noroeste em ordem antes de começar a atuar na montagem do time para 2017, o novo presidente Estevan Pegoraro (foto acima) divulgou suas primeiras ações no cargo.

A prioridade era refazer a adesão ao Profut (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), cujo prazo final era hoje. E assim foi feito. “O Noroeste foi readmitido ao Profut e as parcelas atrasadas serão pagas da seguinte forma: todo mês efetuamos o pagamento de duas parcelas, sendo uma do mês vigente e uma dos meses vencidos”, disse Pegoraro, via assessoria, informando que todas as documentações junto à Receita Federal e à Caixa Econômica Federal foram regularizadas.

Os clubes que aderem ao Profut têm até 240 meses para quitar suas dívidas. Parcelar os débitos pelo programa resulta em 70% de desconto em multas, 40% nos juros e 100% dos encargos legais. “Estamos adimplentes com a Prefeitura e começamos a negociar os débitos com a Justiça do Trabalho. Nos próximos dias, teremos todas as certidões negativas em mãos e, a partir daí sim, começaremos a pensar no futebol”, anunciou o presida alvirrubro.

IPTU
Durante esta semana, Pegoraro se reuniu novamente com o Poder Executivo. As conversas, sobretudo com a Secretaria de Finanças, resultaram em acordo sobre a dívida do IPTU do ginásio Panela de Pressão, parcelada em 60 vezes. Assim, o clube novamente tem condições jurídicas de alugar o espaço para a própria Prefeitura, via Secretaria de Esporte e Lazer (Semel).

O advogado Filipe Rino:o otimismo. Foto: Reprodução Sportv
O advogado Filipe Rino: otimismo. Foto: Reprodução Sportv

AÇÕES TRABALHISTAS
Outra visita relevante do novo presidente noroestino foi à Justiça do Trabalho, para negociar as pendências trabalhistas. “Dentro das possibilidades do Norusca”, diz o comunicado. Este movimento é uma oportunidade de, uma vez por todas, haver dias melhores tanto pra credores (que hoje são 58), quanto para o devedor, o Norusca. É o que também espera o advogado Filipe Rino, do Sapesp (Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo). “O Estevan é uma pessoa muito preparada, um profissional da área jurídica que conhece bem as áreas administrativa e desportiva. Não tenho dúvida de que dias melhores virão. Em conversas comigo, ele reforçou que há um interesse muito grande em sanear o clube para aos poucos se reerguer. Nos últimos anos, diziam que as dívidas estavam sendo pagas, mas não estavam. As dívidas trabalhistas saltaram de R$ 600 mil para R$ 2,2 milhões. Agora, foram reunidos todos os processos, que estão prosseguindo numa execução coletiva. A Justiça cobrou do Noroeste um plano de pagamento, pois todos os prazos e negociações foram esgotados. Mas tenho convicção de que o Estevan conseguirá colocar a administração na linha, pois tem credibilidade”, disse Rino.

Melhor assim. O que todos os noroestinos querem é paz na trajetória alvirrubra. Que os trabalhadores recebam seus direitos e que o clube possa caminhar.

 

Foto topo: Bruno Freitas/EC Noroeste

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Sub-15 e sub-17 do Noroeste vencem e lideram Paulista

retranca-ECNAs equipes sub-15 e sub-17 do Noroeste seguem em ótima fase neste início de Campeonato Paulista. Ambas venceram suas partidas válidas pela quarta rodada, seguem invictas e lideram seus grupos, com campanhas idênticas (dez pontos: três vitórias e um empate).

O adversário nas duas categorias foi a Matonense, no estádio Dr. Hudson Buck Ferreira, em Matão. Primeiro, a molecada até 15 anos goleou por 4 a 0, gols de Richard, Vitinho, João e Pedro. Na partida de fundo, o sub-17 venceu por 1 a 0, gol do artilheiro Rafinha (já soma quatro).

FUTURO
Sistema de jogo unificado, que deve se estender até o profissional, e intenção de que esses garotos cheguem à equipe principal para efetivamente jogarem e gerarem receita para o clube. Esta é a intenção do diretor de futebol, Émerson Carvalho. Trata-se de um projeto de médio/longo prazo, que precisa de perseverança, organização e, principalmente, não deve haver ambição. Porque empresários vão sobrevoar o clube com suas garras por todo esse tempo…

Foto: Bruno Freitas/EC Noroeste
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Cronologia da Era Damião no Noroeste

retranca-ECNConforme prometido, vamos nos aprofundar um pouco mais nas memórias da passagem de Damião Garcia (que morreu no último dia 22, aos 85 anos) pelo Noroeste. Neste texto, os passos mais importantes, entre muitas alegrias e algumas tristezas, da marcante atuação do dirigente durante exatos dez anos.

A chegada • out/2002
O Noroeste apanhava de todo mundo em campo na Copa Estado (atual Copa Paulista) e fora de campo devia bastante na praça. Beirava o caos. Vinha de duas renúncias recentes na presidência (Valdomir Mandaliti e Sidnei Florenzano), quando Toninho Gimenez assumiu um mandato-tampão, apoiado pelo aporte financeiro de Damião Garcia. A prioridade era colocar as contas em ordem. O complexo, sucateado, torna-se um canteiro de obras para ser revitalizado — um processo capitaneado por Celso Zinsly, cronista esportivo de estilo enérgico, de arregaçar as mangas. Ele era o braço direito de Damião em Bauru.

Presidente • abr/2003
Após uma discreta participação na Série A3 — a prioridade era investir no extracampo, recolocar o clube nos trilhos, financeiramente e na estrutura —, Damião Garcia assume a presidência. Concretiza-se, na prática, o que já vinha acontecendo nos bastidores: ser a figura central da reconstrução do Noroeste. “O nosso clube será fortalecido e voltará a disputar a primeira divisão. E não será num futuro tão distante”, prometeu na ocasião — e cumpriu.

O primeiro acesso • jun/2004
Depois de uma campanha conturbada, o Noroeste consegue o prometido acesso à Série A2, após um dramático empate em 0 a 0 contra o XV, em Piracicaba. O elenco era comandado em campo pelo experiente goleiro Maurício e pelo atacante Gileno. Vitor Hugo, sempre ele, foi convocado para treinar o Norusca nas três últimas partidas. Ele fizera um acordo “no fio do bigode” para aquela reta final.

A volta à elite • jun/2005
Meses após a histórica campanha na Copa SP de juniores — o time chegou às oitavas, lotando o Alfredão, e teve Borebi artilheiro da competição —, o Noroeste cumpria em campo a promessa de Damião: retornava à elite estadual. Treinado por Paulo Comelli, o elenco alvirrubro tinha nomes de peso (Maurício, Gilmar Fubá) e fez a festa do acesso para mais de 15 mil pessoas no Alfredão, na goleada sobre o Bandeirante de Birigui. Ainda fez a final da Série A2 contra o Juventus, na Rua Javari, mas ficou com o vice.

A primeira taça • nov/2005
Com uma boa mescla de jovens e veteranos, treinados por Carlos Alberto Seixas (o comandante na campanha da Copinha), o Noroeste venceu a Copa Federação (atual Copa Paulista), vencendo as duas partidas finais contra o Rio Claro. Daquele elenco, Bonfim, Luciano Bebê e Otacílio Neto seriam assíduos no time que faria história no Paulistão 2006. A conquista ainda significa a então inédita vaga na Copa do Brasil.

Paulistão inesquecível • abr/2006
Até aquele momento, a melhor campanha noroestina no estadual era o quinto lugar em 1960, daquele timaço de Julião, Pierre, Zé Carlos Coelho e Toninho Guerreiro. Até que vieram outros nomes para a história: Mauro, Paulo Sérgio, Luciano Santos, Hernani, Lenílson e Rodrigo Tiuí e companhia. O quarto lugar, no campeonato de pontos corridos em turno único, deixou a sensação de que o título não era impossível, mas foi notória a desacelerada do time depois da fatídica morte do diretor Celso Zinsly, vítima de infato fulminante em pleno Alfredão, na partida contra o Palmeiras. Foram muitos os gestores de futebol que sucederam Celso (Fabinho, Vitor Hugo, Ricardo Occhiuto, Joice Queiroz, Beto Souza), mas nenhum deles conseguiu aproximar Bauru do Noroeste.

Alfredão lotado na volta à elite, em partida contra o Corinthians. Foto: Juliana Lobato
Alfredão lotado na volta à elite, em partida contra o Corinthians. Foto: Juliana Lobato

Fim do sonho nacional • set/2008
Em sua terceira participação seguida na Série C do Campeonato Brasileiro, o Noroeste se despedia do sonho da Série B, um degrau compatível com a estrutura alvirrubra, que garantiria calendário cheio e visibilidade para as ambições de Damião — a elite nacional, por que não… Mas aquela Terceirona de 2008 tinha uma “nota de corte”, pois a partir de 2009 haveria a Série D. Estaria garantido quem avançasse à terceira fase, mas o Norusca falhou.

A primeira queda • abr/2009
Com um elenco formado por Fernando Garcia, desembarcaram em Alfredo de Castilho muitos medalhões acima do peso. Resultado: lanterna e primeiro rebaixamento da era Damião. Foi o primeiro passo do filho do presidente como agente de jogadores. Salvou-se daquele plantel o meia Bruno César, que rendeu bons dividendos ao cartola. O ano de 2009 também foi marcado pelo “fica-não fica” de Damião. Em seus dez anos de gestão, por mais de uma vez o dirigente anunciou a renúncia e voltou atrás — sempre com a intenção, em vão, de sensibilizar o empresariado local.

Acesso no centenário  • abr/2010
Um dos motivos de Damião voltar atrás na renúncia é que prometera devolver o Noroeste à primeira divisão. E o fez logo de cara. Não foi fácil, pois o time era inconstante e dependente do centroavante Zé Carlos. Aos trancos e barrancos, subiu, coroando o ano do centenário do clube. Um ano, aliás, de rocambólicas e ineficientes estratégias de marketing. Este, um dos pontos de crítica da era Damião: ele falhou em reaproximar de forma definitiva o time dos bauruenses.

Nova queda  • abr/2011
Fora da diretoria, mas influente nos bastidores, Fernando Garcia emplacou oito atletas no elenco noroestino para o Paulistão. A partir de outubro de 2010, dando a impressão de estar adiantado, o clube contratou jogadores dispensados de suas equipes antes do fim da temporada, por deficiência técnica ou estado físico comprometido — como Cris, Matheus Ferraz, Da Silva, Gleidson, Francis e Vandinho. Deu no que deu: mais um rebaixamento.

A última eleição • fev/2012
Depois de passar intermináveis semanas em silêncio no final de 2011, deixando cidade e torcedores apreensivos, Damião Garcia reaparece, decide seguir no clube e é reeleito presidente. Debilitado, delega o comando a seu neto, João Paulo, eleito vice-presidente. O time faz boa campanha na Série A2, chega à fase decisiva e por pouco não sobe. O fortalecimento das categorias de base sinaliza uma preocupação com o futuro, mas…

Saída repentina • set/2012
Diz a lenda que uma faixa da torcida, de cabeça pra baixo, foi a gota d’água. A família Garcia já estava magoada há tempos com as críticas. Com Damião bastante debilitado, somado ao abalo da perda recente da esposa, não havia porque ter mais um desgosto. O problema é que uma das críticas se concretizou: a transição não foi preparada. Do dia para a noite, o clube não tinha um tostão — cerca de 90% da receita vinha do próprio bolso de Damião… Com mandato tampão de Toninho Gimenez, ainda com patrocínio mensal de R$ 50 mil da Kalunga, o Noroeste conquistou a Copa Paulista e sonhou com um novo mecenas (Toninho Alencar, da Mariflex, que refugou), mas acabou mergulhando numa crise profunda, que chegou ao ponto de levar o clube à quarta divisão paulista. Dos R$ 14 milhões devidos aos Garcia, R$ 8 milhões referentes às pessoas físicas da família foram perdoados. Restam R$ 6 milhões devidos a uma pessoa jurídica que constam no balancete de 2015. O de 2016 mostrará se também será perdoada.

Conforme já citei em mais de um texto no Canhota 10, Damião Garcia merece ser reverenciado, Bauru e o Noroeste devem ser gratos a ele. As críticas aos aspectos negativos de sua gestão, entretanto, foram necessárias e acabaram por ser proféticas — ninguém do universo político do clube se preparou para viver sem o mecenas.

 

Foto topo: Arquivo/jornal Bom Dia