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Bem amargo: Brasil 0, Camarões 1

Nem o clichê de que perdeu na hora certa — pois a derrota para Camarões por 1 a 0 não tirou a liderança do Brasil no grupo G — tira o gosto amargo de ser derrotado em uma Copa do Mundo. Nem o fato de França, Espanha e Portugal também terem perdido nesta terceira rodada consolam. Afinal, a partir de agora a seleção joga contra um tabu: sempre foi campeão invicta.

Não condeno a escolha de Tite — e a mencionei no último post. Os problemas físicos que se acumulam (Alex Telles e Gabriel Jesus são as novas preocupações) justificam a cautela. O espanto foi ver o qualificado time reserva desperdiçar uma excelente oportunidade de impressionar o treinador. Sejamos justos: Ederson, Fabinho e Martinelli foram muito bem. Alguns medianos, como Dani Alves (sim!, ofensivamente, mas vulnerável na defesa), Militão e Rodrygo. Mas Bruno Guimarães e Antony, que alguns clamam por titularidade, foram mal. E Jesus segue zerado em mundiais.

Houve volume ofensivo, chances desperdiçadas, defesas difíceis do goleiro camaronês. Tudo isso é verdade. Mas merecer ganhar não garante uma Copa do Mundo.

Para as oitavas, contra a Coreia do Sul, anuncia-se o retorno de Danilo — sem Alex Sandro e Alex Telles, talvez seja improvisado na lateral-esquerda, onde já jogou nos tempos de Manchester City; e Militão voltaria a atuar na direita. Fica a dúvida no meio (se Paquetá ao lado de Casemiro, com Rodrygo na frente, ou adiantado, com Fred e Guimarães disputando vaga).

Provável escalação: Alisson; Militão, Thiago Silva, Marquinhos e Danilo; Casemiro, Paquetá e Rodrygo (Bruno G. ou Fred); Raphinha, Richarlison e Vini Jr.

Não se deveria temer a Coreia do Sul, goleada recentemente pelos brasileiros em amistoso. Mas a pulga está instalada. E quem festejou a ausência de Neymar não deve estar a fim de ganhar o hexa.

 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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O rumo do hexa: Brasil 1, Suíça 0

É Casemiro, o autor do gol da vitória sobre a Suíça (que garantiu ao Brasil vaga antecipada nas oitavas da Copa do Mundo de 2022), a referência do time canarinho. Ou, metaforizando a partir de sua posição, volante, é quem dá o rumo. O rumo do hexa.

Não pelo gol de hoje, que apenas enriquece a história. O camisa 5 é onipresente. Está nos desarmes, nas coberturas, na construção das jogadas e… na conclusão delas. Da bola na trave da estreia ao belo tento, suas investidas têm sido cruciais como alternativa contra defesas vigilantes como a da Suíça — que impôs mais dificuldade ainda do que a Sérvia.

Foi um jogo de paciência, resolvido apenas aos 38 minutos do segundo tempo. O termo sufoco, entretanto, só cabe na percepção de que o ataque brasileiro finalizou menos do que deveria e um eventual empate poderia ser traiçoeiro para a definição do grupo G. Defensivamente, não houve susto algum. O goleiro Alisson não sujou o uniforme.

Não sofrer gols — e é difícil vazar a equipe de Tite, que teve Militão muito bem na lateral-direita — é quesito fundamental para, no mínimo, levar um mata-mata para a disputa de pênaltis. Para evitá-la, porém, é preciso balançar a rede. A apresentação desta segunda preocupou nesse sentido. Apenas nove finalizações, com Richarlison desta vez apagado, Raphinha discreto e Vini Jr., apesar de criativo mais uma vez, fominha além da conta. Neymar? Fez falta, sim.

A opção inicial de Tite por Fred, adiantando Paquetá, não funcionou. Apesar de a Sérvia ter defendido com linha de cinco, a Suíça parecia muito mais compactada e recuada (com suas duas linhas de quatro) e ofereceu pouco perigo para justificar dois volantes brasileiros. Mas o treinador não desfez a ideia no intervalo, apenas trocou Paquetá por Rodrygo, mais inventivo — como foi, de fato, com sua assistência. Já a troca seis-por-meia-dúzia de Fred por Bruno Guimarães valeu para o camisa 17 passar na frente na fila de oportunidades.

Apesar de ainda não ter garantido a primeira posição do grupo, é provável que Tite poupe boa parte da equipe contra Camarões. Afinal, as oitavas já serão 72 horas depois. Arrisco até a escalação:

Ederson; Dani Alves, Militão, Marquinhos e Alex Telles; Fabinho, Bruno Guimarães e Rodrygo; Antony, Richarlison e Vini Jr.

Manterá os mais saudáveis e fominhas. Descansará gente fundamental como Thiago Silva e Casemiro. Everton Ribeiro e Pedro ainda aguardam suas oportunidades. Talvez no segundo tempo.

A exemplo de 2002 e 2006 (quando goleou Costa Rica e Japão, respectivamente, na terceira rodada), possibilidade de um jogo divertido, cheio de gols. Ainda que protagonizado por reservas, uma oportunidade para destravar o ataque brasileiro.

 

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

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Pombo com asas: Brasil 2, Sérvia 0

No linguajar do futebol, o “pombo sem asa” é aquele chute distante, rasante, como se a ave recolhesse os membros para diminuir a resistência do ar e ganhar velocidade — como a bola que alcança a rede como um alvo bélico. O termo descreve arremates de fora da área, mas o Pombo brasileiro atua lá dentro, de asas abertas, e trouxe paz à estreia da seleção na Copa do Mundo de 2022. Richarlison anotou os dois gols contra a Sérvia, o segundo com um voleio maravilhoso, que exige braços abertos para executar o movimento.

O camisa 9 notabilizou o apelido pela comemoração de gols na coreografia da “Dança do Pombo” (MC Faísca e os Perseguidores). Além da irreverência, o atacante destaca-se pelo seu posicionamento político, mais pelas causas pelas quais engaja do que apoiando nomes do meio. É pró-vacina, antirracista, preocupado com o meio ambiente e mantém uma casa em Barretos para acolher pessoas carentes em tratamento contra o câncer. Certamente, deve ser louvado. Craque dentro e fora de campo.

Seu feito de hoje, claro, não ficaria alheio ao rescaldo das recentes eleições, com cenário ainda mais polarizado. Foi celebrado pela deputada Gleisi, uma das protagonistas da transição do futuro governo Lula, em ambiente protocolar. Mas, pergunto: houvesse Neymar cumprido a promessa de homenagear o ainda presidente Bolsonaro em seu primeiro gol (que não veio), o que ela diria? Daria de ombros para a vitória canarinho?

Não sou adepto do discurso de que futebol e política não se misturam — afinal, o futebol é o espelho do mundo. Mas apropriações oportunistas e até ingênuas não enriquecem o debate. Richarlison estava sorridente, colado ao ombro de Bolsonaro, na celebração da Copa América de 2019. Estar ao lado do chefe de estado numa entrega de troféu (consequência do feito esportivo) não o tornou menos progressista. Assim como a relevância de Neymar para a seleção não pode ser desprezada por quem discordou de sua dancinha ostentando o 22 com os dedos. Espanta ainda que gente clamando por um golpe nas portas de quartéis opte por boicotar a Copa… vestindo a camisa da CBF!

Vou além: tivéssemos que ser intransigentes com as mazelas por baixo do tapete do futebol — e está aí o Catar, inimigo dos Direitos Humanos —, teríamos que boicotar a Copa. Mais: não assistiríamos a evento nenhum, refém de quem pode pagar mais. Mas o esporte é exatamente a vitrine que exibe a excelência de corpos e a imperfeição de almas. Para nos lembrar que a existência é complexa.

Viva o Pombo! (e que o tornozelo de Neymar melhore logo)

 

Foto: Justin Setterfield em Fifa.com

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Adeus, Maradona!

A morte de Diego Armando Maradona, aos 60 anos, neste 25 de novembro de 2020, comoveu o mundo da bola. Um dos personagens mais ricos do futebol não resistiu a si mesmo. Merece as inúmeras reverências, foi um gigante no gramado e um cidadão do mundo, com suas qualidades e defeitos. Fernando Beagá comenta:

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Como o Santo André calou o Maracanã em 2004

Outro time de azul, 54 anos depois, repetiu o feito de silenciar o Maracanã: o Santo André, campeão da Copa do Brasil de 2004 ao derrotar o Flamengo por 2 a 0. Os bastidores daquele título improvável agora são revelados pelo excelente livro-reportagem Eles calaram o Maracanã, do jornalista Vladimir Bianchini, da ESPN Brasil.

Ele entrevistou os heróis do Ramalhão, compôs uma narrativa agradável demais e entrega um trabalho primoroso, obrigatório para os andreenses e para quem mais gostar de um bom documentário. Nesta entrevista a Fernando Beagá, Vladimir conta alguns detalhes e fala também de sua carreira no jornalismo esportivo, principalmente na sua especialidade: encontrar e contar boas histórias no futebol.

Ele comenta, por exemplo, que fez quase uma centena de reportagens sobre Jorge Jesus, o que renderia outro livro…