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Noroeste

Noroeste goleia, aproxima-se do acesso e convoca torcida!

retranca-bezinhaFalta um, diria o velho Zagallo. O Noroeste venceu o Lemense, fora de casa, por 4 a 0, manteve-se na vice-liderança do grupo 4 da Bezinha e está a uma vitória de retornar à Série A-3 do Campeonato Paulista. No próximo domingo, 25/out, às 10h, o estádio Alfredo de Castilho tem que ficar pequeno, tingido de vermelho, para a torcida empurrar o Norusca nessa última tarefa.A diretoria noroestina já articula conversas para que o futebol amador da cidade não tenha rodada no domingo de manhã, inclusive. Boa medida. O adversário, o Fernandópolis, já garantiu sua vaga, mas vai lutar pela classificação à final da competição, portanto, não vai dar moleza.

A goleada foi fundamental. O Alvirrubro, com 16 pontos, chegou a um saldo de sete, enquanto a Inter de Bebedouro (14 pontos), tem um de saldo. Se empatar com o Fernandópolis, o ECN chega a 17 pontos e mantém os sete de saldo. Já a Inter recebe o Lemense em casa e deve golear: chegará aos mesmos 17, com o mesmo número de vitórias (cinco) e precisará de sete gols de diferença para conquistar a vaga. Se ganhar de seis, aí as contas ficam no pente fino: se vencer de 6 a 0, mas o Norusca empatar em 1 a 1, o time de Bauru terá mais gols marcados (19 contra 18). Se empatarem nesse critério de gols pró, o próximo é menor número de cartões amarelos — item para o time ficar atento no último jogo.

Mas, quer saber? Com o Alfredão cheio e com sangue (rubro) nos olhos, o Esporte Clube Noroeste vai bater o Fefecê, garantir o acesso e ainda disputar o título da Série B. Fica a convocação de todos os noroestinos não marcarem nenhum compromisso no próximo domingo!

O JOGO
O primeiro tempo foi pegado, com o Lemense endurecendo a partida, com o brio que lhe restava… Entretanto, para ir para o vestiário com a tranquilidade necessária, o Alvirrubro abriu o placar aos 16min, com Ian (improvisado no meio-campo), que pegou rebatida na entrada da área e finalizou com precisão.

Na segunda etapa, o Lemense assustou com Murilo, atacante ciscador que, ainda bem para os rubros, foi expulso mais tarde. O alívio veio aos 24, quando o artilheiro Hygor Silva não negou fogo: encarou a marcação, driblou e bateu cruzado, marcando seu 21º gol na competição. Rendido, o time da casa não teve pernas para evitar a goleada, consumada no fechamento das cortinas com Sávio (de falta), aos 39, e Alisson Pirinha, o craque do time ao lado de Hygor, que complementou de chapa bela troca de passes aos 43.

ABRE APAS
Depoimentos ao repórter Jota Augusto, da Auri-Verde 760AM

“Conseguimos impor nosso ritmo e chegar ao resultado. Agora só depende de nós”, resumiu o volante Luiz Azevedo.

“Soubemos impor nosso jogo e o resultado está aí. Estamos com o intuito de conseguir a vaga dentro de casa e ir para a decisão”, avisou o lateral Sávio, que cresceu muito na reta final.

“Nós demos apenas uma chance para a equipe adversária, quase tomamos o gol. Mas, no geral, foi uma partida boa. Perdemos muitos gols, pois precisamos de saldo. Mas vamos pensar em vitória, o grupo assimilou o que temos trabalhado. Foi uma grande vitória, que nos coloca numa posição boa. Agora precisamos da torcida no domingo para fazer a festa em Bauru”, analisou o técnico Vitor Hugo.

O Noroeste goleou jogando com Aranha; Alisson Pirinha, Rafael Pontoli, Marcelinho e Sávio; Alison José, Luiz Azevedo, Ian e Léo Cunha (Gustavo Henrique); Edson Negão (Marcelo Santos) e Hygor Silva (Rafael Melauro).

 

Foto: Cristiani Simão/Jornada Esportiva

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Vôlei Bauru

Vôlei Bauru encerra boa campanha no Campeonato Paulista

retranca-paulista-voleiSe já seria difícil vencer o Sesi no ginásio da Vila Leopoldina, numa tarde em que o time jogou mal, a tarefa tornou-se impossível. O Concilig Vôlei Bauru perdeu por 3 sets a 0 (parciais de 25 a 16, 25 a 16 e 25 a 20) em 1h21 de jogo e se despediu do Campeonato Paulista dentro do planejado: ficar entre os quatro primeiros.

“Hoje a equipe não entrou em quadra, jogamos muito abaixo do potencial que temos e apresentamos ao longo do campeonato. Nossa recepção não funcionou em nenhum set e esse será o principal fundamento que terei de trabalhar com elas para a estreia na Superliga”, avaliou o técnico Chico dos Santos, via assessoria. De fato, os erros de recepção das gigantes saltaram aos olhos… O Sesi fechou os dois primeiros sets com tranquilidade e encaminhava o terceiro na mesma toada quando, finalmente, Bauru reagiu e colou no placar (22 a 20). Mas prevaleceu a força de Jaque e cia. para selar a classificação.

ABRE ASPAS
Depoimentos ao repórter Chico José, da Auri-Verde 760AM/Jornada Esportiva

“O desempenho poderia ser um pouquinho melhor de cada uma. Faltou experiência, tranquilidade. Mas ficamos entre os três e é o começo de uma grande jornada de Bauru”, disse a oposta Bruna Honório.

“Faltou a gente acreditar que podia, porque a gente trabalha dez vezes mais do que a gente apresentou nesses dois jogos. Mas tudo vale como aprendizado e tem muitos jogos pela frente. Vamos assistir a esses jogos e tirar proveito do que fizemos de bom e deixar o ruim para trás”, comentou a ponteira Nayara Félix.

CAMPANHA
O Vôlei Bauru fechou sua participação no Campeonato Paulista com cinco vitórias em dez jogos — quatro delas na Panela, mostrando a força das gigantes em seus domínios. O Concilig foi o terceiro colocado na fase de classificação e fecha também sua posição final em terceiro. Foram 18 sets conquistados e 18 perdidos.

Como tenho dito, o estadual foi fundamental para o time chegar fortalecido à Superliga, onde tem condições de chegar às quartas. Valeu para jogadoras alcançarem o ritmo ideal, sobretudo a levantadora Ana Tiemi. Para outras, o crescimento: Burna Honório, depois de tanto tempo no banco do Rio de Janeiro, mostrou seu valor por aqui, com tempo de quadra e sempre entre as maiores pontuadoras do time. E Natieli evoluiu muito na reta final.

No dia 13/nov, começa a caminha das meninas no principal campeonato do país, de cara contra Osasco, na Panela de Pressão.

 

Foto: Fábio Barbosa/Vôlei Bauru

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Bauru Basket

Guerrinha: “Meu substituto vai ter um desafio muito grande”

Nada de Panela de Pressão ou a frieza de uma sala de convenções. Guerrinha convidou a imprensa para uma coletiva no condomínio onde mora, à beira do lago onde, certamente, irá pescar com mais frequência nos próximos dias. O vento no rosto tentava amenizar o semblante, de visível tristeza. Apesar de sereno, Jorge Guerra embargou a voz por várias vezes. Continua tentando entender o que aconteceu, mas já está virando a página — deixou no ar que em breve estará de volta à ativa. A seguir, o resultado dessa conversa franca:

O fim
Pra mim é muito triste fazer essa despedida. Mas faz parte. Eu sou público, mexi com muitas pessoas aqui em Bauru e tem que ter explicações sim. Tenho que ter equilíbrio, pois tenho muitos anos de carreira sempre num alto nível de cobrança. Mesmo emocionado, o que faz parte do ser humano… Estou na mesma situação do torcedor: sem entender. Mas tenho que respeitar, sempre cobrei hierarquia. É muito difícil definir o que é certo e errado. O que posso falar é que também fui pego de surpresa. Estava tudo caminhando para treinar forte a partir de agora, depois de todos problemas que tivemos na pré-temporada. Agora espero que eu ajude, com a minha experiência e a minha entrega, outra equipe.”

A obsessão do NBB8 pode ter sido a motivação desse desligamento?
Seria a única coisa. Mas tomar uma decisão desse porte é falta de planejamento, falta de respeito com quem está trabalhando. Quer mexer com o jogador? Dispense o jogador… Não é porque estou falando em causa própria, mas sempre fiz o máximo. E falar que meu perfil é de trabalhar com jogador mais velho. Eu já trabalhei com jogador bom, ruim, mediano, já tirei leite de pedra e fiz vários jogadores. Quem fez o Gui? Quem estava fazendo o Ricardo? Leandrinho? Murilo? Falar que vai trazer um treinador que trabalha com jogadores jovens… Respeito, mas mostrei que meu perfil é para trabalhar com qualquer tipo de elenco. E, principalmente, ter o controle, pois não é fácil dirigir um time. Dentro desse raciocínio, se precisar dispensar um treinador com a história que eu tenho no basquete brasileiro pra motivar um elenco desse nível… Não é um raciocínio lógico. Eu posso falar como profissional de basquete. Tem muita gente que é torcedor e acha que entende. Uma vez o Muricy Ramalho disse uma frase fantástica, de que jogador que joga em time grande e ganha bem não precisa de motivação. Tem é que agradecer. Se precisa de motivador, tem que contratar uma psicóloga e não demitir o técnico.”

entrevista-2Como os investimentos vão diminuir e esta é uma temporada-chave, foi uma medida até desesperada para ganhar o NBB8?
Mas qual a certeza que tem de que vai ganhar? Nem o Flamengo tem. Profissionalismo pra mim é planejar, cumprir, avaliar e fazer mudanças no fim da temporada. Se não conseguiu, estou de pleno acordo. Quando falam que mandaram tal jogador embora, não é bem assim, apenas não renovaram o contrato. Mandar embora é o que estão fazendo comigo. Isso se faz ou pelo desespero que você comentou ou por problemas disciplinares. Já houve situações muito mais complicadas no passado e que foram relevadas. Mas quem pode responder são eles.”

Reação do jogadores
Ficaram surpresos como todos. Tive total apoio deles, mas são profissionais e têm que seguir trabalhando.”

Começo do fim da Associação?
Torço para não acontecer nada, como torci para não acabar um adversário como Limeira. Não é bom para o basquete.”

Alguma interferência externa ao trabalho pode ter contribuído?
Não… Sempre respeitaram muito a comissão técnica. Lógico que a decisão final era minha, mas tínhamos uma dinâmica legal de decisões. A diretoria tem todo o direito de participar e colocou os objetivos da temporada: essa primeira parte era para curtir, mas nós não levamos para esse lado e fomos para ter resultados. O objetivo era claro: NBB e Liga das Américas. Sempre foi muito legal o jeito de trabalhar, de forma alguma teve atrito. A gente só cobrava execução e os jogadores mesmo se cobravam. E nada mudou do ano passado para este. Pode haver acomodação? Faz parte. Mas só o técnico tem responsabilidade?”

Se vão ter que cumprir seu contrato, não foi uma decisão financeira…
No meu contrato diz que têm que pagar até junho se fosse uma decisão deles. Se fosse minha, não. Eu pedi um jogador a mais e não tinha orçamento. Agora, vão ter que achar no orçamento para pagar outro treinador. Mas Bauru pra mim já é passado. Um passado muito feliz.”

Vai frequentar a Panela?
Não… Posso incomodar muitas pessoas, atrapalhar… Não quero atrapalhar ninguém. Gosto de assistir basquete, mas pra mim seria muito difícil. Para a equipe também saber que estou no ginásio. Tem que pensar um pouquinho…”

Substituto
Olha… Eu não aceitaria esse desafio. E olha que eu gosto de desafios! Vai ser um desafio muito grande pra quem entrar.”

Cobranças
A melhor coisa é ter o ginásio lotado e as pessoas cobrando do que atuar em ginásio vazio. Entrei no basquete em julho de 1975, há 40 anos! Quando eu jogava em Franca, não podia nem ir a festa de família quando perdia um jogo… Então, lido bem com pressão. Posso não concordar, como quando questionam taticamente um time com um potencial de bolas de três. Meu amigo Oscar já sabia há muito tempo que o bom aproveitamento nesse quesito traz muitos títulos. Eu fiz um levantamento: tivemos o mesmo percentual de aproveitamento da temporada passada. A passada foi boa? Alguém reclamou? Muita gente questiona os chutes de três do time, mas o foco não é o ataque. O que íamos trabalhar forte era a defesa. Precisa voltar a bola de dois, mas com contra-ataque. O time estava sem saúde para fazer isso no início. Agora sim pode começar um trabalho tático.”

Impacto da saída para o basquete brasileiro
“Falei para o Rodrigo [Paschoalotto]: da mesma forma que a gente constrói, a gente destrói. Tenho recebido inúmeros telefonemas de técnicos, dirigentes, pessoas da imprensa me falando desse impacto. É maior negativamente. Mas pode ser passageiro. De repente a decisão é ótima, continuam ganhando e a vitória é a melhor resposta para tudo. Se continuar ganhando, continuará como estava, só trocou o nome.”

entrevista-3Futuro: gestor ou treinador?
Essa parte de gestão é complicada de existir em equipes. Geralmente, é um administrador da própria cidade, um ex-jogador que não conseguiu virar profissional e não vivenciou o que a gente vivenciou na quadra. O Brasil não tem essa cultura, não tem estrutura. Deveria. Eu tive vários convites para ser gestor, o Rodrigo me convidou. Mas eu não quis por causa do Vitinho, que sempre foi um cara comprometido. Achei que seria uma falta de ética da minha parte, tive essa leitura. E tem tempo ainda, apesar da minha idade, eu tenho muita saúde. Falo muito com o Lula [Ferreira, treinador de Franca] e ele me disse ‘Você está no meio da sua carreira, tem um vigor físico muito grande, um raciocínio muito rápido, porque traz isso de armador e sabe se adaptar a situações e tirar o melhor de um jogador’. Ouvir coisas assim do Lula… Outros técnicos me ligaram, como o Rinaldo [da Liga Sorocabana], a gente briga muito, mas ele me ligou completamente alucinado. Quando eu parei de jogar, me disseram que eu tinha mais três anos, mas eu queria parar assim. Como técnico, a mesma coisa. O dia que eu não tiver capacidade, eu paro. Mas pra falar da minha capacidade, hoje, é só falar o que fiz oito anos em Bauru, tantas coisas que passaram na minha mão. Um time com a incerteza de jogar um Torneio Novo Milênio e chegar à NBA… Que até fez Marília torcer por Bauru! Não preciso provar nada pra ninguém e acho que ainda posso, como técnico, ajudar muitas equipes.”

Seleção? Clube no exterior?
Seleção não faz parte dos meus planos hoje. Não se pode falar nunca, mas hoje não faz parte. É muito desgastante. Quando estive lá, foi um reconhecimento pior do que tive aqui [risos]. Em clubes, é muito difícil trabalhar no exterior, é muito fechado. Só na Venezuela, e um agente já me ligou, mas já estive lá e é muito complicado.”

Desabafo
Permanecer muito tempo no mesmo time, na mesma cidade, incomoda muito as pessoas. Mas deveria ser de reverenciar, como um Pelé que joga só no Santos, um Ademir da Guia que joga só no Palmeiras. Mas hoje tudo ficou simples, tudo rápido, e eu sou meio antigo ainda… Eu tenho sim projetos para continuar no basquetebol brasileiro, que eu ajudei a fazer parte do crescimento, em reuniões do comitê da Liga. Naturalmente, haverá outros ciclos. Se aparecer um convite, vou analisar. A parte financeira é a menos importante. O mais importante é trabalhar com as pessoas, a cidade, os objetivos. Não preciso de nada pra me motivar, sou muito competitivo, gosto de tirar o máximo. Gosto de viver cada dia como se fosse o último. Por isso as pessoas confundem quando me emociono muito. Mas eu faço as coisas com emoção mesmo.”

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Bauru Basket

Guerrinha: “Dever cumprido. Criei um filho muito bonito”

Essa foi a frase que Guerrinha respondeu para mim, em rápido áudio no whatsapp, em meio ao turbilhão de ligações que tem recebido durante a tarde – ele prometeu uma nota oficial ainda hoje e, em breve, uma coletiva. Todos, claro, atônitos e surpresos com a notícia de que ele não é mais técnico do Paschoalotto Bauru. De fato, o Dragão era um filhotinho, oito anos atrás, quando ele, Jorge Guerra, chegou com a pastinha debaixo do braço, recomeçando do zero.

Atualizado: saiu a nota oficial de Guerrinha: “Gostaria de agradecer todas pessoas que fizeram parte dessa minha jornada na cidade d Bauru. Na primeira parte, os 5 anos com o Tilibra e a segunda parte, os 8 anos com o Bauru Basketball Team. Nos dois ciclos tive a felicidade de não só ter feito um trabalho com filosofia de comprometimento, dedicação, superação e entrega como também de ter trazido resultados vitoriosos para a cidade de Bauru com mais de 800 jogos. Hoje recebi a notícia, por decisão do comitê gestor e diretoria, que estaria encerrado meu ciclo na equipe de Bauru por motivos de troca de filosofia de trabalho. Fico profundamente decepcionado da forma como fui surpreendido, sendo punido pelo sucesso de um time, mas ao mesmo tempo feliz por ter sido com um projeto do zero e colocando o nome dessa cidade que mora no meu coração e que me adotou como cidadão bauruense, definitivamente no cenário do basquete mundial.
Nós escolhemos nossos caminhos, tomamos decisões e traçamos nossos objetivos, mas Deus sabe sempre o melhor para nós.”

Esse perfil faz-tudo, aliás, foi forjado antes de Bauru. Guerrinha está diretamente ligado à criação do COC/Ribeirão Preto, que fez história no basquete entre 1997 e 2006. Em sua primeira passagem por Bauru, entre 1998 e 2003, esteve sempre envolvido com questões extra-quadra, o que se intensificou na nova Associação, que é inegavelmente fruto direto de sua entrega. Criou o dragãozinho com zelo, superproteção até, brigando por cada ferida aberta até que ela cicatrizasse. Até o timaço atual sair cuspindo fogo e pescando medalhas.

guerrinhaDedico alguns tópicos de lembranças da passagem de Guerrinha, uma homenagem das muitas que ele merece receber. A comoção nas redes sociais na tarde desta sexta-feira mensura sua importância para o esporte de Bauru. Claro que não era perfeito, nem unanimidade, mas creio que o momento seja de gratidão e reverência, enquanto se apura o que houve — e para sempre. O comunicado oficial fala em “fim de ciclo”, mas os torcedores exigem detalhes, satisfações mesmo. Que havia desgastes, numa relação de tantos anos, certamente. Que o momento financeiro do time é delicado e pode ter havido alguma decisão nesse sentido, também. Guerrinha falou em sua nota de “mudança de filosofia”. Mas nenhuma rusga há de apagar o que ele fez pela Cidade Sem Limites. Como ele mesmo disse em recente entrevista ao Canhota 10, quando recebeu o título de Cidadão Bauruense: “Já ganhei bastante coisa, mas o prêmio que mais fica é o respeito e a gratidão. O que mais fica é o dia que eu estiver fora daqui e lembrarei o legado que eu deixei. Isso não tem prateleira, está na mente e no coração das pessoas. Aos que acham que faço algo errado, faz parte. Mas será que, se eu não tivesse voltado aqui em 2007, haveria basquete em Bauru? Quem fez mais pelo basquete masculino em Bauru do que o Guerrinha?” — até meio profética essa fala, lendo hoje.

Lágrimas na histórica classificação na Liga das Américas 2012, na volta da Panela
Lágrimas na histórica classificação na Liga das Américas 2012, na volta da Panela

A VOLTA DA PANELA
Todo o imbróglio da reforma do ginásio da Panela de Pressão, por exemplo, só se desenrolou pra valer quando ele deu uma dura entrevista à rádio Unesp, que repercutiu em todos os veículos da cidade. Esse foi apenas um dos vários posicionamentos políticos do treinador, sempre na linha de frente dos assuntos do time. Recordo-me quando não foi à cerimônia de Cidadão Bauruense para Larry Taylor, por não concordar com o tom eleitoreiro que o evento ganhou, ao ser agendado na última sexta-feira antes das eleições de 2012, quando o vereador Batata, propositor do título, concorria à reeleição. O mesmo Batata que sofreu duras críticas de Guerrinha enquanto secretário de esportes.

guerrinha-larryFICA, LARRY
Ainda sobre Larry Taylor, Jorge Guerra teve atuação determinante para a permanência do jogador em 2012, seduzido por uma suposta proposta do Flamengo. O comandante ligou para o diretor do clube carioca na frente de Larry para desmentir a negociação. E pediu ao armador que assinasse a renovação, pois era uma temporada fundamental, a da chegada da Paschoalotto. E o gringo-brasuca assinou.

Festa no avanço à semifinal do NBB5. Foto: Caio Casagrande/Bauru BAsket
Festa no avanço à semifinal do NBB5. Foto: Caio Casagrande/Bauru BAsket

ESPIRITUOSO
Dono das melhores aspas do basquete brasileiro, com suas broncas, metáforas e sinceridade, Guerrinha disparou falas inesquecíveis. Das que me lembro, quando conquistou a então inédita semifinal do NBB5, e a imprensa querendo saber do próximo adversário: “Estamos comemorando, falo com vocês sobre Uberlândia na segunda-feira…”, e logo depois fez coraçãozinho para a torcida de Franca, enquanto o xingavam. Outra boa, muito bravo depois de uma derrota que tirava chances de título paulista: “Copa TV Tem não é título”, referindo-se à taça conquistada pelo time em 2008, querendo dizer que a ambição em quadra deveria ser pelo primeiro título do projeto. Outra: “Jogador chinelinho não joga no meu time!”, após derrota para Franca no NBB4. Vale clicar no link e ver o diálogo entre ele e João Paulo Benini. Impagável!

CAIR A FICHA
A notícia pegou a todos de surpresa. Eu era um dos que faziam coro de que não existe Bauru Basket sem Guerrinha. A vida segue e vamos nos acostumar. Mas convido o leitor a clicar em mais este link, talvez o melhor texto que eu já tenha dedicado a ele. Só resta a todos dizer OBRIGADO. De fato, o Dragão é seu filho, Guerrinha.

SUBSTITUTO
Apesar da comoção, claro que há grande curiosidade sobre o novo treinador — enquanto isso, Hudson Previdelo dirige o time. O GloboEsporte.com falou em Demétrius (que tem boa relação com o diretor técnico Vitinho Jacob), mas ele tem contrato em vigor com o Minas. Até onde apurei, caso Hudson não seja efetivado, está mais para Dedé, ex-Limeira, eleito melhor treinador do NBB7 — e que recentemente colaborou e foi “ouvinte” da comissão técnica bauruense nos duelos contra o Real Madrid. Mais um gesto de Guerrinha, aliás.

 

Foto do topo: Caio Casagrande/Bauru Basket

 

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Bauru Basket

Paschoalotto Bauru se despede da NBA com placar centenário

bauru-nbaO Paschoalotto Bauru encerrou seu compromisso na NBA com mais uma participação interessante, alcançando placar centenário na derrota para o Washington Wizards, por 134 a 100. As derrotas e as diferenças são o que menos importam na bagagem de volta, mas tudo o que jogadores e comissão técnica vivenciaram nos últimos dias. Certamente um acréscimo que deve se refletir no restante da temporada. “Vivenciar o dia a dia de treinamento, jogos, troca de informações foi fantástico para nossa equipe. Agora é trabalhar para levar essa bagagem internacional para a nossa temporada”, celebrou o técnico Guerrinha, via assessoria.

Apesar da nítica diferença técnica, o desempenho bauruense chamou a atenção do técnico rival, Randy Wittman, que ficou satisfeito com a forma como seu time foi exigido. “Foi bom para nós ver como eles jogam e nos forçaram a fazer muitas trocas pela primeira vez nas três partidas que jogamos até agora. Tivemos que defender cem pick-and-rolls e precisávamos disso para continuar melhorando. Então, foi realmente bom, precisávamos jogar com um time como esse”, disse o treinador dos Wizards, ao site oficial da NBA.

O brasileiro Nenê, titular absoluto do time da capital ianque, ficou feliz de encontrar compatriotas. “Quando era pequeno, jamais imaginaria uma oportunidade dessas acontecendo. Ver um time brasileiro jogando contra um time da NBA é uma grande honra”, comentou o colega de Seleção de Alex e Hett.

AÍ SIM
Depois de atuar apenas 3min na partida contra o New York Knicks, o pivô Wesley Sena desta vez atuou por 28min, sendo o terceiro bauruense que mais ficou em quadra. E não fez feio, pontuando em dois dígitos. No segundo período, ele protagonizou duas belas tramas com Léo Meindl. Carioca também teve mais tempo. Já Léo Eltink e Gabriel não devem ter dormido, após a primeira oportunidade em uma quadra de NBA.

ZEROU
Jefferson William ainda procura a forma ideal, já comentei isso. A exemplo dos duelos contra o Real Madrid, quando zerou no jogo dois, nesta segunda partida de NBA o ala-pivô também passou em branco. Certamente na estreia do NBB, contra o Flamengo, estará inteiro. O time precisa muito dele.

day-bauru-wizardsANOTHER DAY’S NIGHT
Robert Day aproveitou muito bem os duelos em seu país natal para mostrar seu valor, depois de uma primeira temporada irregular. Foi cestinha do time nas duas partidas e com excelente aproveitamento em sua especialidade. Fez 5-7 nos triplos. É outro jogador que, no seu máximo, elevará o nível do Dragão.

LIGEIRINHO
Depois do triplo-duplo contra os Knicks, Ricardo tem mais uma bola lembrança na bagagem. Permita-me o trocadilho, foi uma parede diante de John Wall, roubando a bola do armador dos Wizards e partindo para a bandeja sem medo de toco.

NUMERALHA
Léo Monstro: 17 pontos, 7 rebores
Roberdei: 17 pontos, 4 rebotes
Canela: 16 pontos, 4 rebotes, 2 roubos de bola
Ligeirinho: 11 pontos, 7 rebotes, 3 assistências, 2 roubos
Wesley Sena do Brasil: 11 pontos, 5 rebotes, 2 assistências
Magic Paulo: 10 pontos, 4 assistências
Brabo: 6 pontos, 7 rebotes
Rafael Mineiro: 6 pontos, 2 rebotes, 2 roubos
Carioca, o Predador: 4 pontos, 3 assistências
Léo Eltink: 2 pontos, 2 rebotes, 1 roubo
Gabriel: 2 rebotes
Jé: 2 rebotes

 

Fotos: Caio Casagrande/Bauru Basket

Quem imaginou que um dia o Dragão estaria estampado num telão de jogo da NBA... Foto enviada pelo Rodrigo Paschoalotto
Quem imaginou que um dia o Dragão estaria estampado num telão de jogo da NBA… Foto enviada pelo Rodrigo Paschoalotto