Faggiano, novo armador do Bauru: “Desejava me desafiar em outro país”

Lucas Faggiano

O tão esperado primeiro anúncio de reforço do Sendi Bauru Basket para a temporada 2018/2019 veio na última quinta (6/jun), com sotaque: o armador argentino, 30 anos, vindo do San Martín, de seu país — informação antecipada pelo colega Lucas Rocha, da Jovem Pan News Bauru. O jogador já havia negociado com o Dragão em 2015, quando atuava no Boca Juniors. Chega à Cidade Sem Limites com médias de 12,8 pontos, 4,4 assistências e 3,2 rebotes em 30min em quadra, nas 42 partidas que disputou na última liga argentina.

Nesta sexta-feira, o CANHOTA 10 falou com exclusividade com Faggiano sobre o que o motivou a vir para o Brasil — sua primeira experiência profissional fora de seu país. “Eu desejava me desafiar em outra liga, em outro país. E o interesse que o Bauru demonstrou me convenceu”, conta  o camisa 3.

Faggiano se informou com colegas que tiveram experiência no Novo Basquete Brasil: “Conversei com Enzo Ruíz, Franco Balbi e Nicolás Laprovittola, que me deram boas referências da organização das equipes e da força da liga brasileira”.

Lucas Faggiano
Caiu bem o manto bauruense? Foto: Comunicação Bauru Basket. (Foto topo: FIBA)

Sobre sua chegada a Bauru, el base argentino acredita que estará aqui no início de julho — a não ser que haja uma convocação da seleção argentina para disputar uma Copa do Mundo. “Aí não sei ainda como será. A convocação é o ponto máximo de um jogador. Vamos ver o que vai acontecer”, comenta Faggiano, que já teve contato com o técnico Demétrius Ferracciú. “Falei com ele de forma breve, uma conversa de boas-vindas. Disse que estava contente com a minha chegada.” O gringo finalizou a conversa se desculpando por falar espanhol, afirmando estar disposto a aprender o português.

Faggiano chega com currículo pesado para causar impacto no NBB. Para conhecer um pouco mais sobre o novo armador do Dragão, sugiro ler esse perfil publicado no site da FIBA.

Fernando Beagá

Em ação inédita, Bauru Basket faz reunião de transparência

Reunião Bauru Basket

Quebrei a cabeça para encontrar termo melhor. “Lavagem de roupa suja” seria um exagero — apesar de que, de fato, houve diálogo sobre temas polêmicos —, então parece-me de bom tamanho que houve uma reunião de transparência. Afinal, foi uma iniciativa do Bauru Basket convidar imprensa, torcedores, colaboradores e apoiadores a falar sobre o que pensam da associação e sobre que rumos ela pode tomar para ser um produto ainda melhor para seu público e, consequentemente, para patrocinadores. “Estamos humildemente pedindo a opinião de vocês”, disse o ainda presidente Beto Fornazari, que compôs a mesa com o gestor Vanderlei Mazzuchini e o futuro presidente, André Goda.

Elogiável movimento, é necessário destacar — algo inédito em agremiações bauruenses. A palavra foi dada a todos. Só não se manifestou quem não quis. Eu mesmo falei sobre a construção de um time simpático (que independe de troféus), a função do comitê gestor e preços de ingressos e sócio-torcedor. Nenhum questionamento ficou sem resposta. Foi uma conversa bastante franca, inclusive sobre bastidores que, de fato, não caberiam no noticiário, mesmo em alguns casos que poderiam diminuir impressões negativas sobre o clube.

O Dragão queria mais ouvir do que falar, mas era inevitável que o encontro se tornasse um tira-dúvidas. A promessa é que haja outros, para que os envolvidos tragam impressões da comunidade basqueteira. Tomara. Boas ideias devem sempre prosperar.

Bauru Basket reunião
Reunião contou com diretores, colaboradores, apoiadores, imprensa e torcedores. Fotos: Fernando Beagá/Canhota 10

Fernando Beagá

Eleições do Bauru Basket: o que diz o estatuto

Com o fim  da temporada 2018/2019 para o Bauru Basket, o cenário político do clube já emergiu, por conta das eleições da diretoria executiva. Pela primeira vez, há a possibilidade de não haver uma escolha por aclamação. Duas chapas se organizam para o pleito. Uma delas, capitaneada pelo vereador Roger Barude, segundo noticiou Emerson Luiz, na 94FM; outra, provavelmente pelo advogado André Goda, segundo Lucas Rocha, da Jovem Pan News Bauru — ambos nomes não divulgados oficialmente.

Diante dessa novidade, fala-se de antecipar as eleições para que o planejamento da próxima temporada não seja prejudicado. O atual presidente, Beto Fornazari, disse ao Jornal da Cidade que “até gostaria de antecipar a eleição, mas o estatuto não permite“.  Disse ainda: “a princípio não devo ser candidato. Como o Campeonato Paulista começa no dia 13 de julho, ele já trabalha na montagem do elenco da próxima temporada e na renovação e prospecção de patrocinadores.

Diante desse cenário, consultei o estatuto (neste link, é um documento público). Para as duas questões cruciais, a resposta é NÃO, mas… Confira:

É possível antecipar as eleições?

NÃO, porque o Artigo 15 do estatuto diz que a Assembleia Geral Ordinária do Conselho Deliberativo deve ocorrer na primeira quinzena de julho de anos ímpares. É nessa reunião que o Conselho Deliberativo é eleito (pelos associados com pelo menos um ano de filiação adimplente) e empossado. E novo conselho tem até cinco dias úteis, após a posse, para escolher a diretoria executiva.

O presidente Beto Fornazari pode se reeleger?

NÃO, porque o parágrafo 3 do Artigo 29 diz que só é permitida “a recondução dos dirigentes por apenas uma vez consecutiva” — ele assumira o posto de Sandro Fabiano em 2016 e foi eleito em 2017. Como o texto fala em “recondução” e não em reeleição, não há brecha de interpretação nesse caso. Tampouco Beto pode ser vice-presidente, tesoureiro ou suplente, pois o parágrafo 4 do mesmo artigo diz que não podem ser eleitos “membros da Diretoria imediatamente anterior”.
Atualizado: o presidente Roberto Fornazari se manifestou na caixa de comentários (logo abaixo), afirmando que não pretende se reeleger, mesmo se houvesse a possibilidade.

MAS…

… para ambas as questões, há uma saída: reformar o estatuto. Como? Em uma Assembleia Geral Extraordinária, que pode ser convocada pelo Conselho Deliberativo ou pelo próprio presidente da diretoria executiva. O novo estatuto passa a valer a partir do momento em que a ata dessa reunião for registrada e ele for revisado e publicado. Isto é: na prática, é possível redigir um novo texto que permita antecipar eleições e também autorize pleitear um terceiro mandato.

Entretanto, um processo que sugere celeridade (para antecipar o que aconteceria um julho) pode ser demorado. Uma comissão formada  para revisar o estatuto reformado tem prazo de seis meses para essa tarefa — prazo que também pode ser alterado. Isto é: tal artifício só ocorrerá sob forte consenso. Do contrário, fica para julho mesmo.

IMPORTANTE: a versão do estatuto consultada é a mais recente que consta nos arquivos digitais de transparência da prefeitura de Bauru.


Fernando Beagá

Bauru 0, Franca 3: enfim, férias

Bauru 0, Franca 3: férias

Em basquete, é prudente não bancar o vidente. Ainda mais em um clássico e um ano depois daquele surpreendente 3 a 0 nas mesmas quartas de final. Mas, com racionalidade, é compreensível dizer, agora, que as férias chegaram no momento certo para o Sendi Bauru Basket. Como teriam chegado nas oitavas, mas lá houve um lampejo contra o Minas que até criou certo otimismo para a série contra Franca. Mas o 90 a 68 — e a consequente varrida — foi categórico. Venceu o melhor time, sucumbiu a equipe que fez uma temporada muito irregular.

Houve muitas lesões, é verdade, mas não é fator que explique sozinho o mau desempenho. Mas vale uma observação: muitos sempre criticaram disputar o início do Paulista com molecada. Desta vez, os adultos foram para o pau desde o início e deu no que deu.

Independentemente disso, o elenco não encaixou, a arquibancada não se empolgou. Não me recordo de ver uma desclassificação tão melancólica. Em outros tempos, a derrota ainda trazia aplausos aos gritos de “guerreiros” — que fosse pela resignação por ser um time menos qualificado que chegava longe. Curioso: cair para o Sesi Franca, inegavelmente superior e candidatíssimo ao título, não diminui o incômodo do torcedor. E não é somente por ser derrotado (e varrido) por um rival. Tem a ver com a questionável produção do time em toda a temporada.

Hora de baixar a poeira e logo ali na frente replanejar. A princípio, por contrato, Larry e Gabriel Jaú ficam. E Demétrius, que há um ano teve sua permanência comemorada como grande reforço, depois de uma expectativa que parou a cidade. Não emburreceu em doze meses e seria incoerente pedir sua cabeça.

Mistura-se ao frisson do mercado — ainda mais pela provável nova remontagem de elenco — a dúvida sobre o cenário político, como será a sucessão de Beto Fornazari. O NBB 11 acabou, mas o Dragão já tem novas batalhas pela frente.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Divulgação NBB

O aviso de Estevan: Noroeste em modo de espera

Estevan Pegoraro

A palavra é stand by, mas fiquemos com a língua portuguesa. Mais uma vez, o momento noroestino é de roer as unhas, de indefinição. O presidente Estevan Pegoraro, com mandato até 14 de julho, não renovou contrato com a comissão técnica capitaneada por Betão Alcântara para não deixar uma “herança” à próxima gestão — mesmo que seja dele mesmo.

Sim, Estevan deixou no ar que pode sair de cena, mas igualmente sua permanência é possível. O comunicado do clube é bem claro sobre essa condicional, reforçando que é permitida sua reeleição, que “pode entregar o cargo, caso um interessado queira assumir a gestão (…) desde que reúnam condições para isso”. A nota oficial também fala sobre antecipar as eleições, já que é preciso montar o time para a Copa Paulista. Ou não. Estevan fala que, “se o eventual novo gestor quiser cancelar a participação do time na Copinha, cabe a ele comunicar a Federação.”

Aquele momento conhecido — e compreensível — de sensibilizar a cidade. E de pressionar a prefeitura, cuja cobrança de dívidas de tributos inviabilizaria a sobrevivência alvirrubra.

Enfim, em breve o Conselho Deliberativo removerá a poeira para receber alguns votantes.

Que as unhas sobrevivam até lá.


Fernando Beagá

 

 

Foto: Bruno Freitas/ECN