Fazendo valer o apelido de ioiô, o Noroeste volta à Série A-2 apenas um ano depois de sair de lá. Há muito a dizer, repercutir, a semana é longa, os meses, aliás, serão muitos até o time profissional voltar a jogar. Dá tempo de digerir esse rebaixamento com cabeça fria… Pra começar, o texto publicado nesta segunda-feira, no Bom Dia Bauru. No final, para manter o histórico, a ficha da partida. Ah! Prometi publicamente numa transmissão do Jornada “prestar contas” do que escrevi, o que errei (muita coisa) e o que acertei. Em breve.
Em 2012, no fim do mundo
Coluna Papo de Futebol de 18 de abril de 2011, no jornal Bom Dia Bauru
O mundo pode não acabar em 2012, mas, para os noroestinos, o fim da linha já chegou. A Série A-2 afasta o Noroeste de mais visibilidade, mais competitividade, mais calendário. O torcedor sonhava com a Série D do Brasileiro, o primeiro degrau desse objetivo. Agora, na mais otimista das hipóteses, elite estadual e sonho nacional só em 2013.
Mas não foi ontem que o Norusca se perdeu no caminho. O clube se despediu desse sonho em 2008, ano de corte da Série C (de quinto a vigésimo colocados se manteriam na Terceirona, enxuta a partir do ano seguinte, com 20 clubes). Ali, perdeu a ambição. E começou sua derrocada já no semestre seguinte, quando Damião Garcia confiou a seu filho Fernando a gestão do futebol noroestino.
O clube virou parada para jogadores aprovados ou agenciados por ele. E, principalmente, se distanciou dos bauruenses. Com a lanterna em 2009, Fernando deixou de gerir o clube, mas deixou sua sombra…
De volta à elite, o Noroeste não aprendeu a lição. Entre outubro e novembro de 2010, dando a impressão de estar adiantado, contratou jogadores dispensados de seus clubes antes do fim da temporada, por deficiência técnica ou estado físico comprometido. São os casos de Cris, Matheus, Da Silva, Gleidson, Francis e Vandinho, por exemplo. O time demorou a engrenar. E a sombra de Fernando estava lá, com oito atletas de sua agência (LF Assessoria) no grupo. Era no mínimo duvidosa a insitência na escalação de atletas seus de mau rendimento, como o zagueiro Matheus e o meia Giovanni.
Reconheça-se que os jogadores tiveram boa estrutura para trabalhar. Grana em dia, hotel confortável. Mas, como apurou na altura da quinta rodada o colega do Bom Dia, Júlio Penariol, em conversa com um atleta do elenco, não havia cobrança por parte da diretoria. A boleirada, portanto, não se sentia pressionada a render mais, correr um pouco mais, entregar-se à causa alvirruba. Uma apatia que sequer a caravana de torcedores a Itu conseguiu liquidar. Cada um segue seu rumo, encontra outro time, e deixa o Norusca aqui, nesse fim de mundo que é a Série A-2.
Otacílio Neto
A derradeira passagem do atacante pelo Noroeste merece um capítulo à parte. Eu mesmo o defendi aqui, por tê-lo entrevistado em algumas ocasiões e sempre ter encontrado um interlocutor humilde e honesto. Espero ter nova oportunidade de ouvi-lo, pois o que fez ontem em campo foi lamentável. Desfecho, aliás, de um desempenho desastroso dele em todo o campeonato. Otacílio Neto deve, sim, satisfações à torcida alvirrubra.
Comoção?
Não consigo identificar uma comoção coletiva em Bauru, com a queda do Noroeste. O clube vem perdendo a identidade com a Sem Limites, o Alfredão não enche mais… A velha Maquininha Vermelha já não é, faz tempo, a primeira pele dos bauruenses. Tentando correr atrás desse tempo perdido, o marketing alvirrubro tentou, tentou e só bateu cabeça. Emendou uma promoção atrás da outra, cada vez mais confusa. A cada comunicado que eu recebia, precisava ler minuciosamente para entender tantas condições. Os ingressos pouquíssimas vezes foram baratos e, quando isso aconteceu, havia uma amarração de situações para se chegar a esse preço. Uma complicação sem fim. Sinal de que o Norusca estava perdido, também, fora de campo.
Fim de feira
Imperdoável a Globosat prometer TODOS os jogos do Paulistão em seu Premiere Futebol Clube e, na última rodada, ignorar a partida entre Ituano e Noroeste. Por mais fundão que fosse a peleja, havia clientes que adquiriram um pacote e, no momento decisivo, ficaram na mão.





