O Paschoalotto Bauru terá merecido descanso para as festas de fim de ano, depois de um 2015 intenso, mas não há como negar que o panetone vai ter um gostinho azedo, depois das duas recentes derrotas no NBB 8, contra o líder Paulistano e o lanterna Liga Sorocabana. O Dragão já soma três derrotas em 13 jogos na competição e está na vice-liderança, com o Flamengo colado.
Não é clichê, perder faz parte, é do jogo. Sobretudo para um time arrumadinho como o do Paulistano, bom no papel e na prática — Caio Torres está fininho e deu uma aula de ‘pivotagem’ a Hettsheimeir. Por outro lado, ser derrotado para o lanterna, um time recém-saído de um W.O. e com nervos sempre à flor da pele… Também acontece, mas o que preocupa é COMO perdeu.
O diagnóstico foi dado pelo próprio time, nas entrevistas pós-jogo ao Chico José (Auri-Verde/Jornada Esportiva):
“Eles deram um banho de disposição em nós”, disse Léo Meindl.
“Faltou atitude de novo. Quem quer chegar na liderança não pode perder esse tipo de jogo”, cravou Ricardo Fischer.
“Vai demorar pra digerir essa derrota, que não estava nos planos. Mas temos que saber lidar com isso e ao mesmo tempo enaltecer a forma como Sorocaba jogou, com coração e disposição. Não entramos focados no que tínhamos que fazer. Serão férias de cabeça inchada para solucionar algumas situações”, lamentou o técnico Demétrius.
Imagino a opinião de Alex Garcia sobre esse momento e o tamanho da bronca que ele deve ter dado no vestiário, mas gostaria de ter ouvido o ponto de vista do CAPITÃO do time. Mas ele foi logo para o vestiário e no material de imprensa do time somente o treinador se manifestou…
Se a cabeça já estava nas miniférias ou não, o que importa é que 2016 vem aí, com Liga das Américas, mas sobretudo com a obsessão do NBB 8 no cangote dos guerreiros — lembrando que a palavra obsessão não surgiu na imprensa, é termo interno mesmo.
Que estejam obcedados pela vitória, pois, em cada partida, em cada bola disputada, em cada arremesso. Hoje, o Paulistano é quem pratica o melhor basquete e o Flamengo, já sabemos, está sempre à espreita, com um bote que costuma ser fatal. A temporada está em xeque.
Acaba, dezembro, acaba, 2015… Ô correria, eu de novo longe da Panela — mas ouvido sempre ligado no Jornada. Só não devo estar correndo mais do que correram os guerreiros do Paschoalotto Bauru no segundo tempo desta vitória sobre o Basquete Cearense, quando descolaram de um placar apertado e transformaram um jogo difícil num triunfo tranquilo, por 82 a 66.
Na verdade, até meados do último período os comandados do entusiasta Alberto Bial estavam no páreo, até que Felipe foi excluído com cinco faltas e seu chilique gerou um mal-estar que desestruturou seu time. Aí, foi a hora de Alex, Léo Meindl, Hett e Fischer deitarem, acertanto, juntos, 52% dos pontos que tentaram no quarto decisivo. O galope da contagem: 17 x 20 (1ºQ), 16 x 15 (2ºQ), 23 x 19 (3ºQ), 26 x 12 (4ºQ).
Com dez vitórias em onze partidas, o Dragão se mantém na liderança, agora de papel trocado: de perseguidor a perseguido. O Paulistano também venceu na rodada e está logo atrás. O tira-teima pelo primeiro posto será neste sábado (19/dez), na capital, às 17h30, com transmissão ao vivo da RedeTV! — aliás, nem havia me lembrado de publicar o famoso “conforme o Canhota 10 adiantou“, sobre o acordo da Liga com o canal de TV aberta.
Nas entrevistas pós-jogo à transmissão Auri-Verde 760AM/Jornada Esportiva, bons papos conduzidos pelo MEU CARO colega Luiz Lanzoni. O técnico Demétrius comentou que o time soube compensar na defesa os erros ofensivos, erros esses, no primeiro quarto, que Ricardo Fischer atribuiu à pontaria, não às jogadas, que segundo ele foram bem executadas. Melhor em quadra, Léo Meindl celebrou não só sua atuação, mas o poder de reação do time. E o melhor papo da noite foi com o pivô Murilo, num franco depoimento de que ele nem sabe, ao certo, se vai voltar a jogar basquete — descolamento de retina é coisa muito séria… Enquanto espera seu organismo responder positivamente, mata o tempo fazendo o bem, na bela campanha de Natal que vai atender centenas de crianças.
Toda a sorte do mundo ao Murilaço, que volte logo.
(Direto da Panela) Se a gente vai aos poucos descobrindo o que o atual Paschoalotto Bauru tem de diferente sob o comando de Demétrius, o triunfo sobre o Vitória por 94 a 68 trouxe uma dessas evidências: uma minutagem diluída contra um time mais fraco. Quem mais jogou (Ricardo) não passou dos 23min em quadra. Alex praticamente assistiu à partida e o jovem Eltink ficou 14min em quadra. E mais: os atletas que ganharam oportunidade a tiveram de forma sólida, atuando quartos inteiros.
Com o fim da invencibilidade do Paulistano, os guerreiros assumiram a liderança do NBB e, pelo visto, para não saírem mais. O personagem da partida foi o pivô Labbate, como explico melhor na crônica abaixo, no parágrafo do último período. Nesta quinta, às 20h, de novo na Caverna do Dragão, o líder recebe o Basquete Cearense.
BOLA QUICANDO
Início da partida como esperado, aquele voo rasante do Dragão antes que o Leão ousasse rugir. Impondo 10 a 0 no placar, os guerreiros acumulam tranquilidade para conduzir o primeiro quarto. Com Hett bem embaixo da cesta e Jé com a mão quente de longe, o placar estica ainda mais, sendo a maior diferença em 29 a 13. No minuto final, entretanto, os pratas-da-casa Jairo e Nilson ajudam o Vitória a tirar cinco pontinhos de prejuízo, fechando a parcial em 31 a 20.
Léo Meindl entrou bem mais uma vez
O segundo período é mais burocrático, quando Demétrius prioriza diluir a minutagem. Enquanto Canelaimeir e Brabo descansam, Paulinho, Sena e Meindl correm ao lado de Day. O menino Eltink também aproveita seus minutos e guarda um triplo. Mas o garrafão bauruense cede 12 rebotes aos novos baianos, que jogam o quarto de igual para igual (16 a 14). O papo do vestiário é sob uma contagem de 47 a 34.
Na volta, é a vez de Jefferson e Roberdei descansarem. Vendendo saúde, Wesley e Léo Monstro ficam toda a fração em quadra. Enquanto ao pivô cabe o jogo sujo de garimpar espaço entre trombadas, ao camisa 23 a tarefa de balançar a redinha, ajudado por Ricardo — e uma infiltração de driblar fotógrafo — e Hett. Período seguro (23 a 14) e boa diferença, 70 a 48, para fechar a partida.
O último período é dele. O Mito, o Superman da Panela: Labbate. A corrida desengonçada e o lance livre, digamos, peculiar evidenciam as limitações do pivô, que é ovacionado quando acerta exatamente porque sempre deixa um rastro de suor por onde passa. Ricardo, Alex, Hett e Wesley assistem todo o quarto, do banco, aos 10min de entrega do camisa 33. Uma enterrada, um lance livre convertido, dois rebotes, dois roubos de bola e um êxtase vindo das arquibancadas e dos colegas. Há um tom de brincadeira, mas não é jocoso, pelo contrário, é carinhoso. Ah, Bauru venceu a parcial por 24 a 20, puxado por Paulinho e Jé, mas todos (sobretudo todas) só tinham olhos para o ídolo improvável, o Príncipe do Garrafão. E o Dragão ganha tranquilamente, no embalo de seu galã, bonito parado, ogro jogando, mas, sobretudo, humilde e feliz, como você pode conferir na entrevista logo abaixo.
ABRE ASPAS Labbate fala da chance de sua vida, do carinho do elenco e da torcida:
O técnico Demétrius avalia a partida e fala sobre a entrega de Labbate:
A fase de Robert Day é muito boa. Há algumas semanas o Especialista merece um post sobre seu momento no Paschoalotto Bauru — o melhor, disparado, desde que chegou, há mais de um ano. São vários os motivos, entre melhor condição física, maior adaptação, nova postura tática… Mas penso que um fator é determinante: o último ano de contrato.
Muito amigo do elenco e com a família adaptada à Sem Limites, certamente o gringo adoraria permanecer por aqui e está com sangue nos olhos. E tem números consistentes até a nona rodada para negociar uma renovação. Com isso, o camisa 31 é:
• o jogador mais eficiente do time até aqui (e o terceiro do campeonato)
• o segundo cestinha, o terceiro reboteiro e o terceiro em assistências do Dragão
• quem mais guarda bolas de três por jogo (3,5) no torneio
De quebra, este ano o pai da Lainey e do Cooper entrou para o Hall da Fama da West Oregon University — ele é o maior pontuador da história de sua universidade.
No NBB 8, seu escaute está bem próximo de sua média histórica na competição, sobretudo nos tempos de protagonismo com a camisa do Uberlândia — alguns números, inclusive, superiores:
médias
NBB 7
NBB 8
histórico NBB
Minutos em quadra
25
25
31
Pontos
10,7
14,6
16,4
Rebotes
2,7
4,9
4,5
Assistências
1,2
2,2
2,4
Aproveitamento em chutes de 3
41,3%
54,2%
44,1%
Eficiência
10,0
17,7
16,8
Contra o novato Vitória, nesta terça (15/dez), às 20h, na Panela — na arquibancada todos pagam meia, R$ 15 —, Day tem mais uma oportunidade de mostrar que seu arsenal, além de calibrado, está mais diversificado. No passeio contra o São José, campeão paulista, na última rodada (não cobri o jogo, confira a cobertura dos parceiros da Locomotiva), ele foi sensacional, fazendo 12 pontos de 12 tentados no terceiro quarto.
Acho que vale, no mínimo, deixar o contrato redigido, hein?
(Direto da Panela) Quando conversei com Larry Taylor quando ele saiu do Bauru Basket, em junho, ele avisou que ia chorar quando voltasse à Panela. E chorou. Pudera: além da emoção natural de retornar ao palco que o consagrou, uma surpresa no intervalo, a eternização de sua camisa 4. Ninguém mais a vestirá, a não ser que ele volte a defender a Cidade Sem Limites.
Por mais importante que tenha sido a vitória do Paschoalotto Bauru sobre Mogi (90 a 74), a sétima em oito jogos, nada foi mais relevante do que esse reencontro. O do cara que ralou, roeu o osso, conquistou uma cidade com seu carisma e seu profissionalismo. A diretoria do Dragão merece aplausos por valorizar o maior ídolo da história do basquete bauruense. Sim, o maior, não há discussão sobre isso. Vanderlei, Josuel e Fernando Fischer certamente concordam.
Depois de alguns dias preciosos de lacuna no calendário e muito treinamento, os guerreiros voltam à quadra na próxima sexta (11/dez), de novo na Panela, contra o São José, campeão paulista.
O adversário deverá ser mais difícil, porque Mogi se tornou um rascunho do que era e poderia ser. Depois de perder a final do estadual no Hugão, ver o técnico Paco sair e cair na Sul-Americana (vencida por Brasília nesta mesma noite), a equipe de Larry definhou. Não ameaçou o galope bauruense no placar e está com nervos à flor da pele (o experiente Filipin perdeu a boa com o jovem Lersh, seu colega).
Enfim, mais uma. Mas só tinha olhos para Larry, confesso. Unanimidade não se vê todo dia. Não há ninguém que não goste dele! Ele merece cada reverência. Falei com ele ao fim do jogo, também com o técnico Demétrius, além do treinador da Seleção Brasileira, Rubén Magnano, que acompanhou a partida in loco.
ABRE ASPAS
Fala, Larry:
Demétrius comenta o momento do time e fala sobre o merecimento de Larry:
Rubén Magnano fala de sua visita, do trabalho de seu auxiliar Demétrius e de seu relacionamento com Larry após o pedido de dispensa do gringo-brasuca: