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No embalo do carisma de Labbate, Paschoalotto Bauru bate Vitória e alcança liderança do NBB

Paschoalotto Bauru chega à nona vitória em dez jogos e alcança a ponta do NBB em noite de ovação para o pivô Labbate, o ídolo improvável

retranca-NBB(Direto da Panela) Se a gente vai aos poucos descobrindo o que o atual Paschoalotto Bauru tem de diferente sob o comando de Demétrius, o triunfo sobre o Vitória por 94 a 68 trouxe uma dessas evidências: uma minutagem diluída contra um time mais fraco. Quem mais jogou (Ricardo) não passou dos 23min em quadra. Alex praticamente assistiu à partida e o jovem Eltink ficou 14min em quadra. E mais: os atletas que ganharam oportunidade a tiveram de forma sólida, atuando quartos inteiros.

Com o fim da invencibilidade do Paulistano, os guerreiros assumiram a liderança do NBB e, pelo visto, para não saírem mais. O personagem da partida foi o pivô Labbate, como explico melhor na crônica abaixo, no parágrafo do último período. Nesta quinta, às 20h, de novo na Caverna do Dragão, o líder recebe o Basquete Cearense.

BOLA QUICANDO
Início da partida como esperado, aquele voo rasante do Dragão antes que o Leão ousasse rugir. Impondo 10 a 0 no placar, os guerreiros acumulam tranquilidade para conduzir o primeiro quarto. Com Hett bem embaixo da cesta e Jé com a mão quente de longe, o placar estica ainda mais, sendo a maior diferença em 29 a 13. No minuto final, entretanto, os pratas-da-casa Jairo e Nilson ajudam o Vitória a tirar cinco pontinhos de prejuízo, fechando a parcial em 31 a 20.

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Léo Meindl entrou bem mais uma vez

O segundo período é mais burocrático, quando Demétrius prioriza diluir a minutagem. Enquanto Canelaimeir e Brabo descansam, Paulinho, Sena e Meindl correm ao lado de Day. O menino Eltink também aproveita seus minutos e guarda um triplo. Mas o garrafão bauruense cede 12 rebotes aos novos baianos, que jogam o quarto de igual para igual (16 a 14). O papo do vestiário é sob uma contagem de 47 a 34.

Na volta, é a vez de Jefferson e Roberdei descansarem. Vendendo saúde, Wesley e Léo Monstro ficam toda a fração em quadra. Enquanto ao pivô cabe o jogo sujo de garimpar espaço entre trombadas, ao camisa 23 a tarefa de balançar a redinha, ajudado por Ricardo — e uma infiltração de driblar fotógrafo — e Hett. Período seguro (23 a 14) e boa diferença, 70 a 48, para fechar a partida.

O último período é dele. O Mito, o Superman da Panela: Labbate. A corrida desengonçada e o lance livre, digamos, peculiar evidenciam as limitações do pivô, que é ovacionado quando acerta exatamente porque sempre deixa um rastro de suor por onde passa. Ricardo, Alex, Hett e Wesley assistem todo o quarto, do banco, aos 10min de entrega do camisa 33. Uma enterrada, um lance livre convertido, dois rebotes, dois roubos de bola e um êxtase vindo das arquibancadas e dos colegas. Há um tom de brincadeira, mas não é jocoso, pelo contrário, é carinhoso. Ah, Bauru venceu a parcial por 24 a 20, puxado por Paulinho e Jé, mas todos (sobretudo todas) só tinham olhos para o ídolo improvável, o Príncipe do Garrafão. E o Dragão ganha tranquilamente, no embalo de seu galã, bonito parado, ogro jogando, mas, sobretudo, humilde e feliz, como você pode conferir na entrevista logo abaixo.

ABRE ASPAS
Labbate fala da chance de sua vida, do carinho do elenco e da torcida:

 

O técnico Demétrius avalia a partida e fala sobre a entrega de Labbate:

 

Day, personagem do meu último texto, comenta sua boa fase:

 

NUMERALHA
Jé, o Definidor: 20 pontos, 5 rebotes
Paulinho, o Mágico: 15 pontos, 3 rebotes
Hett, o Canela: 13 pontos, 7 rebotes
Léo, o Monstro: 13 pontos, 5 rebotes, 4 assistências
Ricardo, o Maestro: 10 pontos, 4 rebotes, 6 assistências
Roberdei, o Especialista: 7 pontos
Alex, o Brabo: 4 pontos, 3 assistências
Wesley, a Joia: 4 pontos, 4 rebotes
Léo, o mais novo: 3 pontos, 3 assistências
Labbate, o Mito: 3 pontos, 5 rebotes, 2 roubos de bola
Felipe: 2 pontos, 1 rebote, nenhum apelido
Gui Santos: 2 rebotes, idem

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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