Uma ducha de água fria a notícia (dada em primeira mão por Rafael Placce, no Papo com o Papa) do desfalque de Ricardo Fischer, com uma contusão na coxa direita. Afinal, a ascensão do time neste NBB passa pela afirmação do camisa 5 como titular e parceiro de Larry Taylor na armação.
Fischerzinho atuou em todas as partidas da primeira fase, tem média de 29 minutos em quadra (na reta final, entretanto, ficava praticamente o tempo todo), 12,1 pontos e 4,5 assistências. Números muito próximos aos de Larry (14,6 e 4,3). Vai fazer muita falta. A ponto de desequilibrar o confronto, passando o favoritismo para Franca, que está com elenco mais numeroso — mais revezamento, portanto — e, principalmente, porque dessarruma o padrão tático que vinha funcionando tão bem.
O desfalque também significá mais desgaste para o Alienígena, sem um reserva para a posição. Quando houver necessidade, conforme Guerrinha afirmou ao Papo, Pilar será improvisado na função. Ele e todo o elenco terão que se desdobrar para suprir mais essa ausência. E Ricardo, agora, fará companhia ao irmão Fernando roendo as unhas do lado de fora…
Demorou, mas aí está: terminada a fase regular do Novo Basquete Brasil 5, como Bauru Basket na inédita quarta posição, vejamos o que os números contam, começando por quem está no top10 em alguns fundamentos:
• O TIME – Tem o 5º melhor ataque do NBB5 (82,9 pontos por jogo); o Flamengo lidera (90,8)
– É o 5º em rebotes (31,7 por partida); Fla na frente: 34,6
– Em assistências, é o 6º (15,7); Uberlândia tem 17,6
• LARRY TAYLOR – 8º em assistências (43 por partida); Fúlvio (São José) na frente: 7,6
– 3º em aproveitamento de lances livres (89,5%); Jay Parker (Vila Velha) acertou 91,5% – considerando que tentou pelo menos dois por jogo (Mosso tentou 0,9 por jogo e alcançou bom percentual de 85,2%)
– 5º ladrão de bolas (1,8); Neto (LSB) está com 2,1 roubadas
• FERNANDO FISCHER – Segue entre os melhores aproveitamentos de chutes de três (é o sexto, com 45,4%); Manteguinha (Tijuca) continua o primeiro (53,7%) entre os que acertaram pelo menos duas de fora por partida
• GUI – 9º melor aproveitamento em chutes de três (42,7%)
• RICARDO FISCHER – 6º em assistências (4,8), à frente de Larry Taylor
Veja os números de todo o elenco até aqui:
Eficiência Como de costume, vamos ao quadro de eficiência do time, que mostra números do Paulista 2012, do primeiro turno do NBB5 e do final da temporada regular — lembrando que não são números do segundo turno e, sim, média de toda a primeira fase.. Compare:
A contrário do final do primeiro turno, quando os números caíram por conta de um comportamento mais coletivo, a diminuição do elenco, por saídas e contusões, obrigou alguns jogadores a puxarem o jogo para si:
– Larry Taylor voltou ao patamar de “solista” e recuperou o posto de mais eficiente do time
– Jeff Agba caiu por conta de ter voltado muito mal de uma contusão
– Escolhido pelo blog da Liga o melhor armador da primeira fase, Ricardo Fischer segue evoluindo
– Depois da saída de Jason Detrick, o pivô Coleman reagiu, mas ainda alterna picos de eficiência com partidas discretas
– Pilar caiu um pouco, mas porque tem se dedicado muito à defesa, desde que o revezamento diminuiu
– A exemplo de Ricardo, a curva de Gui é ascendente, atuando como titular do time
– Afastado para fazer cirurgia, Fernando Fischer estancionou na média que seu tornozelo permitiu
– Andrezão recuperou o patamar do Paulista, fez bons jogos, mas foi melho no NBB4
– Mosso segue útil e regular em seu pouco tempo de quadra
– A contusão no joelho tirou Luquinha precocemente do NBB5 e sua média pouco oscilou
(Jason Detrick saiu com eficiência 4,3, Sidão teve 5,1. Os meninos Kesley e Nandão, com quatro partidas cada, alcançaram eficiência 1 e 3, respectivamente)
Eficiência = [PT+RB+AS+BR+TO – (arremessos errados + BP)]
Mais números: vale destacar o excelente levantamento que Rafael Placce fez para o blog Papo com o Papa, analisando o desempenho dos guerreiros quarto a quarto.
Minas x Bauru, em BH. Foto: Tarcísio Badaró/GloboEsporte.com
A disputadíssima fase de classificação da quinta edição do Novo Basquete Brasil “terminou” (ainda falta Brasília cumprir tabela), como teria que ser, emocionante. No estouro do cronômetro, Uberlândia venceu Franca, no Pedrocão, por 75 a 73, o que significou o quarto lugar para o Bauru Basket, sua melhor colocação na história do NBB.
(Parêntese, que ontem não consegui repercutir a vitória do Dragão sobre o Minas, em BH — a que valeu o G-4. Rapidinho: Bauru começou mal o jogo, permitindo que os mineiros abrissem 21 a 6, e corrigiu o prejuízo um pouquinho, fechando o quarto em 22 a 11. No segundo, o pivô Mosso foi fundamental. Seus 13 pontos diminuíram a vantagem dos mandantes, levando para o intervalo uma diferença de apenas quatro pontos, 37 a 33. Na volta, a defesa funcionou, as bolas começaram a se multiplicar na redinha e a fração de 13 a 28 colocou os bauruenses na frente (50 a 61). Aí, foi só administrar e fazer valer a superioridade técnica. O menino Kesley até pôde entrar em quadra para fazer a alegria de mais de 20 familiares, que sacudiram o ginásio da Rua da Bahia quando os dois pontinhos dele caíram. Final tranquilo, 64 a 77, 21 pontos de Ricardo Fischer, 13 de Mosso e outros 13 de Gui, com Jeff voltando à forma. Dever cumprido. Era comprar a pipoca e torcer por Uberlândia.)
Voltando ao Pedrocão. Bela homenagem dos francanos a Hélio Rubens. Ele prometeu a todo o ginásio que ali, apesar de adversário, estavam todos do lado do basquete. Isto é, honrariam o jogo. Nada de corpo mole, apesar do terceiro lugar garantido. Até seria legítimo poupar jogadores ou relaxar subconscientemente — aconteceu isso com São José, sem demérito para o time de Régis Marrelli.
E Franca começou acelerado, abrindo vantagem que chegou a 15 a certa altura do segundo quarto. Mas os mineiros estavam ali, à espreita, e viraram o jogo quando os francanos cometeram o equívoco de errar seguidas bolas de três, mesmo tendo um incrível Lucas Mariano embaixo da cesta. Os dois minutos finais liquidaram minhas unhas, exaltaram o basquete e, por consequência, Bauru comemorou sua inédita classificação no G-4, ganhando o direito de “descansar” (de viagens, porque vão treinar muito!).
Foi um jogaço no Pedrocão. Foto: Newton Nogueira/Franca Basquete
Entretanto, é bom salientar que papo de vaga cair no colo, ou dizer que Uberlândia deu o quarto lugar a Bauru, é um raciocínio muito limitado. E culpa da tabela, que deveria ter agendado os jogos da última rodada de forma simultânea. Foi uma classificação construída em 34 rodadas. Uma brilhante recuperação depois de um início em frangalhos, depois dos insucessos no Paulista e nos Abertos. As derrotas para Uberlândia e Franca, na Panela, foram exatamente naqueles dias de ressaca. Do contrário, esse G-4 teria vindo de forma mais tranquila — mas sem o sabor da superação.
Bauru teve 24 vitórias, Franca, 23. Foi melhor. Ponto. Agora é treinar pesado, estudar Franca e encher a Panela de Pressão. Por enquanto, parabéns para:
– os guerreiros de Bauru, pela excelente e histórica campanha
– os meninos de Franca, que surpreenderam e muito até aqui, que belo trabalho de Lula Ferreira!
– o Pinheiros, de carona, que nesta sexta sagrou-se campeão da Liga das Américas (e Bauru bateu o time da capital duas vezes na primeira fase do NBB5…)
Uberlândia não precisa de parabéns, só pelo bom jogo. Pela luta em quadra, fez o que tinha que fazer. No Brasil, elogia-se honestidade, mas isso é obrigação. E não se esperava outra coisa de Hélio Rubens e companhia.
Coleman trama jogada com Larry. Foto: Reprodução/TV Gazeta/GloboEsporte.com
O que era inimaginável no início do campeonato, agora está perto de se realizar: o Bauru Basket terminar a fase de classificação entre os quatro primeiros. E não é por fragilidade dos adversários, pois esta quinta edição do NBB5 está muito disputada. Se levarmos em conta o desdobramento de um elenco reduzido, a façanha é ainda maior. Gosto de ponderar antes porque, se não conseguir, merece elogios do mesmo jeito.
Lá no Espírito Santo, vitória daquelas obrigatórias, mas não sem dificuldades, pois Vila Velha já aprontou algumas em seu ginásio. Mas foi um triunfo maduro, comandando o placar o tempo todo. Quando os capixabas encostavam, Guerrinha pedia tempo e recobrava o foco.
O cestinha bauruense, Gui, voltou a pontuar em dois digítos depois de três jogos. Ótima notícia, pois a equipe precisa muito que todo o cinto de utilidades do Batman funcione. Ele vinha bem na defesa, mas tímido no ataque. Hoje, voltou a arrepiar, guardando cinco bolas de três (de sete tentadas).
O Dragão encerra sua participação na temporada regular do nacional jogando em Belo Horizonte, contra o Minas, dia 11. Páreo duro, mas novamente vencer é única condição para perseguir o inédito quarto lugar — que virá, além de passar pelos mineiros, se Franca perder um de seus três últimos jogos.
Números, além dos 23 pontos de Gui
– Larry Taylor: 18 pontos, 4 rebotes
– Ricardo Fischer: 13 pontos, 4 rebotes, 5 assistências
– Coleman: 11 pontos, 6 rebotes
– Pilar: 10 pontos
– Andrezão e Jeff Agba: 7 pontos cada
Aspas (entrevistas ao onipresente Rafael Antonio, do Jornada Esportiva)
“A gente treinou a semana inteira forte. Eles não têm mais objetivos, mas nós temos. Focamos o jogo inteiro e conseguimos sair com essa vitória importante”, comemorou Ricardo Fischer.
“Falta mais um jogo. Queremos terminar no G-4 e temos que ganhar do Minas. O jogo não foi fácil, eles ganharam de Uberlândia e Brasília aqui…”, comentou Larry Taylor.
“Consegui fazer minha função e ajudar o time a ter tranquilidade no último quarto. Agora é trabalhar forte para vencer em Minas e torcer para Franca perder um”, disse o pivô Andrezão.
“Foi uma vitória tão importante quanto ganhar do Flamengo no Rio. Quem tem uma derrota nesse momento, paga caro. Se não abríssemos 15 pontos no segundo quarto, teríamos dificuldades. Eu acredito muito que podemos sair com uma vitória de Minas. Se vamos ficar em quarto ou não… Vamos cuidar da nossa casa e deixar os vizinhos com os problemas deles. Essa briga mostra o equilíbrio do campeonato”, avaliou o técnico Guerrinha.
Clínica
Guerrinha passou sua experiência à molecada do clube Cetaf, em clínica realizada na tarde dessa quinta. O projeto “Arremessando para o futuro” já havia contado com a colaboração de Lula Ferreira, treinador de Franca. Mais uma iniciativa pelo futuro do basquete.
Ricardo Fischer conduziu a vitória bauruense. Foto: Sergio Domingues/HDR Photo
Tem sido assim nas últimas partidas: com elenco reduzido e a fase de classificação se afunilando, o Bauru Basket tem caído de produção. Mesmo assim, consegue se manter no G-4, com boa dose de raça e, claro, fazendo valer sua superioridade técnica. Dessa vez, venceu o Paulistano por 66 a 64, com direito a bola adversária no aro, no estourar do cronômetro. A vitória mantém o Dragão na quarta posição, a dois jogos do fim da temporada regular.
A exemplo da partida contra o Pinheiros (67 a 62), a defesa funcionou, mas o ataque ficou devendo — o que é sintomático nas atuações de Gui (apenas oito pontos, terceira pontuação discreta do Batman), Coleman e Jeff (quatro cada). O camisa 42, por outro lado, voltou a fazer número significativo no garrafão, com 11 rebotes.
Larry também ficou aquém de sua média, ao contribuir com dez pontos. Em grande fase, Ricardo Fischer guardou 21. E Pilar igualmente se destacou, com 14 pontos e cinco assistências.
O jogo
Depois de um passeio no primeiro quarto (24 a 10) e manter diferença na casa de 15 pontos até a metade do segundo período, Bauru desacelerou ao ficar sem Pilar, poupado por já ter feito duas faltas. O Paulistano teve uma reação impressionante (parcial de 16 a 24) e foi para o vestiário apenas seis pontos atrás (40 a 34). Na volta, jogo pegado, diferença mantida na terceira fração (15 a 15) e decisão para os segundos finais, num quarto vencido pelos comandados de Gustavinho de Conti (11 a 15). A última bola, de três, ironicamente na mão do ex-guerreiro Alex, chorou no aro, para alegria da numerosa torcida (ótima iniciativa a de baixar o preço do ingresso!).
O camisa 10 rival, que saiu de Bauru de uma forma que desagradou o clube, teve que ouvir uma sonora “homenagem” de tomate cru após o zerar do cronômetro. No sufoco, deu Dragão, que segue firme buscando o G-4, confirmando suas vitórias — falta a secada em Franca funcionar.
Aspas “A gente já esperava um jogo duro. Vacilamos depois de conseguir abrir, mas o que importa é a vitória. Faltam duas para entrar no G-4”, comemorou Ricardo Fischer, o craque do jogo.
“Todos os jogos agora já têm clima de playoff e foi importante vencermos”, comentou Larry Taylor.