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Tuca Guimarães: “Vamos fazer uma grande competição”

Um profissional seguro e ambicioso — na melhor concepção dessa palavra. Foi a impressão que tive de Tuca Guimarães, treinador do Noroeste desde agosto de 2017, quando lhe foi confiada a missão de montar a equipe que vai disputar a Série A3 com objetivo declarado de buscar o acesso. À beira do gramado de Alfredo de Castilho, enquanto o gramado era aparado e outros ajustes eram feitos no palco alvirrubro, Tuca conversou com o Canhota 10 sobre o padrão de jogo que deu ao time , sobre o calendário apertado que exigiu a montagem de um elenco qualificado e anunciou que vai fazer rodízio de capitães. Também comentou passagens de sua carreira, revelou um arrependimento e deixou claro que mira a elite nacional a curto prazo. As linhas abaixo são uma boa oportunidade de o torcedor do Norusca conhecer Tuca e ter uma boa ideia do que esperar de seu trabalho.

Você teve tempo para trabalhar o time e seus conceitos. Está satisfeito com o que foi realizado?
A princípio, a satisfação é grande. Realizamos o que havia sido planejado. Era o primeiro ponto na nossa caminhada. Outra situação importante é que não tivemos nenhuma lesão muscular. O time está inteiro. Isso mostra que o trabalho foi bem realizado, as etapas foram bem executadas. Vamos começar com um nível bom para estreia, pois sabemos que o ritmo de competição é diferente do de amistosos. Mas nosso ritmo vai ser forte.”

Por serem muitos jogos em pouco tempo, você vai precisar repor peças durante o campeonato. Todos estão prontos e alinhados com um padrão tático?
Temos 25 jogadores de linha que qualquer um deles pode ser titular. Qualquer um que for designado está em condições de entrar e jogar. Conseguimos montar uma equipe homogênea. Quanto ao formato da competição, vai se sair melhor quem conseguir oxigenar a equipe. Nós vamos poder fazer isso, em função da qualidade do elenco. A partir da terceira rodada, quem tiver de quatro a cinco peças frescas vai levar vantagem no segundo e terceiro quarto da partida [metade final do primeiro tempo e metade inicial do segundo], que é quando tudo acontece.”

São muitos jogadores experientes no elenco, com perfil de liderança. Já definiu o capitão? Além disso, nem todos vão ser titulares, mas serão importantes para incentivar o grupo. Como lidar com esses medalhões?
Tínhamos a opção de montar um time com dezoito atletas e complementar com meninos com fome por um espaço. Corri disso. Preferi montar um time para brigar por título, que conta com 25 jogadores de linha, todos com condição de ser titular em qualquer time da A3. E talvez alguns fiquem até fora da relação do jogo, mas vão ter que entender que isso é a caminhada de uma equipe vencedora. Em relação ao capitão, a faixa vai ser transitória. Vou variar bastante, cada hora num braço. Vamos entender momento, jogo, adversário e vou buscar ter 25 líderes no meu time.”



Qual o estilo de jogo de um time do Tuca?
Equilibrado. Não acredito em nenhuma situação que perdure por noventa minutos. Temos que variar bastante as ações e estamos treinando para isso. Mas é uma equipe compacta, que tem bastante jogadores pisando no terço do campo onde o jogo estiver se desenrolando. É dessa forma que conceituo o jogo e que vamos atuar. Uma equipe muito sólida para defender, mas que consiga atacar com bastante gente pisando na área adversária. Esse é o conceito do futebol moderno. ”

Você tem muitas opções do meio para a frente com diferentes características. Independentemente dos números do esquema, vamos ver variações ofensivas?
Exatamente. Não me apego muito na plataforma tática. Isso varia bastante durante a partida e, se treinamos, podemos variar. E sem dúvida que a característica conta muito. Temos meia de armação, atletas de velocidade com profundidade, homens de área de referência, homens de área com mais mobilidade. Isso dá para variar de acordo com o momento da competição e com o adversário. Até com relação ao desgaste dos atletas. Temos que levar em consideração, e isso vale para todos os times, que são jogadores de uma prateleira de mercado que não têm lastro de jogos o ano todo. São jogadores de uma média de vinte e poucos jogos por ano e que de repente ficam expostos a dezenove partidas em praticamente sessenta dias, um volume muito maior do que estão acostumados. Então, se não tiver um giro de elenco, a tendência de ter problemas de lesão ou quedas acentuadas de produção aos vinte do segundo tempo é muito grande. Vamos minimizar isso com a qualidade do grupo.”

Com remanescentes da Copa Paulista e reforços que você teve a oportunidade de escolher a partir de uma convivência anterior, você conseguiu dar a cara do time que pretendia?
Sem dúvida. Extraímos o que era melhor do grupo anterior e qualificamos. Melhor, impossível. Temos um grupo muito competitivo para a Série A3. Nem falo em conter a euforia da torcida. Isso é natural e vai nos ajudar bastante. A busca é pelo acesso. Mas temos que pautar nossa caminhada por degraus. Nosso primeiro degrau é nos mantermos no G-4 para poder planejar a segunda fase, que é mata-mata.”

Tuca Guimarães - Noroeste
Orientando os jogadores: Tuca quer todos de prontidão para as oportunidades. Fotos: Bruno Freitas/Noroeste

São duas situações. Tem que preparar o time para se comportar em pontos corridos, depois reagir rápido para sobreviver em mata-mata. Como a sua vivência de atual campeão da A3 pode ajudar?
São duas competições. Primeiro, acumular gordura, estabilidade no G-4, para ter paz nas últimas rodadas. Aí, planejar o mata-mata, quando não se pode errar. Haja vista o Olímpia, que foi perder seu primeiro jogo justamente no jogo do acesso, dentro de casa, para nós [Nacional]. Acaba apagando tudo o que foi feito durante a competição por aquele momento. Mas vamos com certeza chegar fortes no mata-mata, só que antes temos que viver intensamente os pontos corridos e garantir o quanto antes a vaga no G-8.”

Pelo que observou na montagem dos elencos dos adversários e pelos trabalhos, viu times que despontam como principais oponentes do Noroeste?
É uma divisão que é difícil mensurar forças antes de ser dada a largada, principalmente em função dessa falta de lastro. A maioria das equipes com jogadores que estavam parados desde a primeira fase da Copa Paulista, por exemplo. Então, até essa equipe mostrar o que vai fazer, são três ou quatro rodadas. Claro que temos informações pontuais que ajudam, mas os primeiros vinte minutos dos jogos é que vão ser fundamentais para tomar decisões.”

Há uma discrepância entre a Série A do Brasileiro e a Série A3. O que você tirou de aprendizado da sua passagem pelo Figueirense que pode aplicar nesse momento?
O Figueirense foi um divisor de águas para mim pela forma como fui acolhido pelos atletas. Minha ida para o futebol de campo foi complicada por conta de conceitos, trouxe muita coisa do futsal. E como isso seria recebido era uma coisa que me incomodava bastante. Peguei jogadores experientes, como Carlos Alberto, Rafael Moura. Mas tudo foi bem aceito, me abraçaram de uma forma… Isso me deu muita segurança para dar sequência, entender que estava trilhando um caminho diferente, mas correto. Na minha carreira, talvez eu tenha errado de não ter assumido o Boa Esporte [no início de 2017] para ir para a Portuguesa. Apostei num gigante, mas não sabia como era a Portuguesa internamente e me deparei com uma situação complicada. Tive doze dias para montar um time e acabei tendo problemas. De lá, assumi o Nacional na A3 em décimo lugar, com risco de rebaixamento, e acabamos tendo uma campanha fantástica. Aí veio o Noroeste. Costumo encarar os desafios com a mesma intensidade, aqui ou no Figueirense é igual. Quero de coração que a imprensa, a cidade, a torcida criem uma atmosfera para que o Noroeste seja muito forte dentro de casa. E que eu coloque o meu nome nessa página de reconstrução de um grande clube. Que o clube volte para a A2, depois A1, tudo degrau por degrau. Estou encantado com a mobilização das pessoas. Tudo isso é pautado em paixão, temos que ter cuidado com isso, mas tenho certeza de que a resposta em campo vai ser boa e o Noroeste vai voltar a ser forte.”

Já que mencionou a carreira: sua passagem pelo futsal é bem-sucedida. O que trouxe de lá, de conceitos para aplicar nesse campo maior?
Trago tudo. Minha linha de trabalho foi montada em dez edições de liga nacional, dois anos de seleção peruana, Copa América, seletiva de mundial, fui vice-campeão da Libertadores de futsal em 2009. Trouxe essa experiência para o campo. Em 2003, quando estava na seleção peruana, o treinador do campo era o Paulo Autuori. Treinávamos no mesmo lugar e um dia comentei com ele que tinha vontade de migrar para o futebol. Ele me disse que eu tinha uma ferramenta que poucos tinham, que se eu soubesse aplicar, iria abreviar a fila. Foi a partir dali que comecei a criar minha relação com o futebol, esperando minha oportunidade. O começo foi duríssimo, tomei muita pancada em time que não pagava, estruturas ridículas. Mas nunca recuei. Tive propostas para voltar a futsal, pela credibilidade que construí lá, mas sabia onde queria chegar. Acredito que o futsal é um divisor de águas. O PC [Oliveira, ex- treinador da seleção de futsal] já começou com sucesso [campeão da Copa Paulista 2017 pela Ferroviária]. É uma modalidade que pode acrescentar muito ao futebol, como o vôlei e o basquete nos exemplos de gestão. São modalidades com menos esquemas, menos meandros. Espero conduzir minha carreira assim para voltar a uma prateleira de mercado onde já pisei. E num futuro não muito distante.”



Quais são suas referências na profissão? Além do Branco (lateral-esquerdo campeão do mundo em 1994), de quem foi auxiliar, quem mais o ajudou a formatar o seu jeito de ver o futebol?
O Branco é um pai que eu tenho. Falo com ele a cada três dias. É um ídolo que virou amigo. Tenho um respeito enorme, pela pessoa que é. Quando fui efetivado no Figueirense [setembro de 2016], foi na mesma época que surgiram Jair Ventura, Zé Ricardo, Marcelo Cabo… Formamos um grupo, conversávamos muito, temos uma linha parecida na qual acredito. Claro que cada um pode ‘chegar ao Japão’ por caminhos diferentes, mas acredito no trabalho equilibrado, na quantificação de treino, em criar situações de jogo no treinamento… No futsal, o PC me ajudou demais. Em 2000, quando assumi o juvenil do Corinthians, ele era treinador da GM e permitiu que acompanhasse os treinos dele. Segui a linha dele fielmente, depois fui criando minhas ramificações. Mas foi um cara que pautou meu início de uma forma fantástica. Em gestão, sou fã de carteirinha do Bernardinho, da forma como ele conduz pessoas. Construo com um pouquinho de cada um e dou a minha cara para buscar um futuro promissor.”

Para ajudá-lo nessa missão, você tem duas pessoas na comissão técnica muito identificadas com o clube: Marcelo Santos e Diego Kami Mura. Como tem sido esse trabalho conjunto?
O Marcelo já foi meu capitão quando fui seu treinador. Já tinha uma identificação. Eu e o Kami Mura temos uma linha de trabalho muito parecida. Isso se afinou com muita tranquilidade. É um relacionamento excelente, são pessoas por quem tenho muito carinho. Estamos conseguindo colocar uma linha de trabalho que vai ser difícil achar alguém melhor preparado. Podemos nos deparar com adversários que estejam tão preparados quanto nós, mas mais preparados vai ser difícil. Vamos fazer uma grande competição.”

Tuca Guimarães - Noroeste
Kami Mura (à esquerda) e Marcelo Santos: afinidade
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Ambição de público do Noroeste faz sentido e boa campanha pode melhorar média de torcida

Em plena campanha para receber torcida acima de cinco mil pessoas na estreia da Série A3 (contra o Mogi Mirim, dia 17, às 20h), o Noroeste tem o bom histórico de 2017 para acreditar no sucesso da empreitada. Ano passado, em estreia também no Alfredão, levou 4.319 torcedores à vitória por 1 a 0 sobre o São Carlos. E mais: se cumprir a expectativa de boa campanha — pelas contratações e antecipada preparação —, deverá ultrapassar a média de 2.029 pagantes por jogo da A3 passada.

Como sabido, os resultados atraem público — ou repelem. A tortuosa caminhada de 2017 é prova disso. Acompanhe:

• Depois da estreia com vitória sobre São Carlos, o Norusca trouxe três pontos de duas partidas fora, o que manteve o ânimo do torcedor: 3.756 pessoas na quarta rodada (2 a 2 contra a Inter de Limeira).

• Ao vencer o Independente longe de Bauru, manteve a chama acesa e na sexta jornada 3.085 pagantes foram à partida contra o Atibaia. Aí, começa o declínio…

• Empate com o Comercial, em Ribeirão Preto, apesar de relevante, diminui o ímpeto da galera, sobretudo numa ressaca pós-Carnaval: o público cai dois terços e 1.092 assistem à derrota para o Rio Branco (1 a 2).

• Duas derrotas seguidas fora (Paulista e MAC) e 1.141 alvirrubros acreditam na reação contra a Portuguesa Santista. Nova derrota (0 a 2), somada a outro revés fora, na 12ª rodada, contra o Olímpia. Aí…

• Apenas 792 testemunham a melhor vitória do time, comandado pelos auxiliares Du e Elton: 3 a 0 sobre o Nacional. Curiosamente, o resultado derruba o técnico Alex Alves e abre o caminho para Tuca Guimarães (hoje noroestino) assumir o Naça rumo ao título.

• A volta de Vitor Hugo ao comando devolve um dígito à bilheteria noroestina, levando igualmente 1,3 mil pagantes nas rodadas 14, 17 e 18, aquele empurrão final pela sobrevivência na divisão.



Esse breve histórico mostra que o Noroeste segue tendo seus mil e poucos fiéis e que mesmo alguns deles desistem no fundo do poço (13ª rodada). E na boa fase (as primeiras rodadas), quem é que não gosta da combinação arquibancada, amendoim e esperança de vitória?

Alô, torcida! Onde comprar ingressos para a estreia

• Secretaria do clube: Benedito Eleutério, quadra 3
• Merci Collections: Araújo Leite, 35-73
• Loja Adidas: Boulevard Shopping
• Banca Topázio, no Supermercado Tauste
• Banca do Adilson: Treze de Maio com Primeiro de Agosto
• Pé Quente Calçados: Marcos de Paula Raphael, 13-08
• Stillo Materiais para Construção: Lindolpho Silva Sobrinho, 1-40
• Jornal da Cidade: Xingu, 4-44
• Vitta Residencial: Getúlio Vargas, 21-60
Arquibancadas a preço promocional de R$ 15 para todos (a inteira custará R$ 30 no dia do jogo)

 

Foto: Bruno Freitas/Noroeste

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Tuca Guimarães: sangue novo no comando do Noroeste

retranca-ECNDias agitados em Alfredo de Castilho depois da vitória do Noroeste sobre a Penapolense (2 a 1), a primeira nesta Copa Paulista. Fim de jejum no sábado, entrada no G-4, e o início da tarde de segunda-feira anuncia a saída do técnico Vitor Hugo. A diretoria trabalhou rápido e 24 horas depois anunciou Tuca Guimarães — que não veio só, o que sinaliza novos tempos na maneira de trabalhar o futebol noroestino.

Sai Vitor Hugo, com todo seu traquejo, sua bagagem e amor ao Noroeste, mas também com um certo desgaste (leia mais abaixo), entra um novo perfil. Tuca Guimarães tem apenas 44 anos, construiu sua história como treinador no futsal e tem curta, mas significativa carreira no campo. No currículo, destacam-se as passagens pela base do São Paulo, a experiência na Série A do Brasileiro como interino do Figueirense e a passagem pela tradicional Portuguesa antes de, no Nacional, ganhar o título da Série A3 em 2017 — exatamente a meta noroestina para a próxima temporada.

Da esquerda para a direita, a nova cúpula do futebol noroestino: Tuca Guimarães (treinador), Reinaldo Mandaliti (vice de futebol), Marcelo Santos (auxiliar técnico permanente) e Alex Afonso (gerente de futebol)
Da esquerda para a direita, a nova cúpula do futebol noroestino: Tuca Guimarães (treinador), Reinaldo Mandaliti (vice de futebol), Marcelo Santos (auxiliar técnico permanente) e Alex Afonso (gerente de futebol)

O contrato assinado até o final da Série A3 sinaliza um projeto de médio prazo, como seria com Vitor Hugo. caso não houvesse essa interrupção. Que a diretoria dê suporte e tenha paciência nesse início de trabalho, que tem a Copa Paulista como meio e não fim — sempre reforçando que o título (e a vaga na Série D) seria um baita lucro, mas é algo para pensarmos se o clube for avançando. O importante é dar padrão de jogo para a equipe chegar voando em 2018. Outro sinal de novos tempos: com ele chega o analista de desempenho André Zacharias.

Tuca falou do novo desafio (áudio enviado pela assessoria do clube):

 

Novo auxiliar permanente

Nos moldes do que houve por muito tempo no São Paulo, com Milton Cruz, e recentemente com Fábio Carille, no Corinthians (antes de ser efetivado), o Noroeste criou o cargo de auxiliar técnico permanente. Para o posto, trouxe o ex-jogador Marcelo Santos, que conhece o clube como poucos, aposentou-se no Norusca e já morava em Bauru — atuando no futebol amador, inclusive. Conhecedor do vestiário noroestino, Marcelo pode ajudar a unir o grupo e manter um bom clima de trabalho, o que aparentemente foi estopim da decisão de Vitor Hugo.

Marcelo Santos
O novo auxiliar: trabalho no campo logo após a apresentação

O recado de Marcelo Santos:

 

A versão de Vitão

No comunicado da saída do treinador, a diretoria falou que ele pediu desligamento por não conseguir dar padrão ao time. Vitor Hugo, entretanto, falou ao Canhota 10 sobre o que o motivou a sair — um descontentamento com atleta(s) que estava(m) atrapalhando o ambiente:

“Nunca tive receio de não dar certo, porque sempre trabalhei muito pra atingir os objetivos. A partir do momento que você não tem força pra mudar algo dentro do grupo de atletas, que está tentando atrapalhar o seu trabalho, você tem que sair… E foi o que eu fiz!”

Seja pelo básico do Jornalismo, seja pela consideração à história de Vitor Hugo no Alvirrubro, o registro está feito. Agora é bola pra frente, sucesso pra ele, bom trabalho ao Tuca e avante, Noroeste.

 

Fotos: Bruno Freitas/Noroeste

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Reinaldo Mandaliti: “Bauru é grande no esporte”

retranca-ECNO escudo que abre esta matéria é o do Noroeste, mas cabem os demais, como pensa o entrevistado. Reinaldo Mandaliti assumiu há poucos dias a vice-presidência de futebol do Noroeste, ao mesmo tempo em que segue sendo o homem-forte do Vôlei Bauru. É o elo mais forte, hoje, da união formalizada na diretoria do Norusca, que ainda tem Vitinho Jacob (diretor técnico do Bauru Basket) como diretor de patrimônio e Neto Ranieri (gestor da FIB Futsal) como diretor social.

A chegada da família Mandaliti ao cenário noroestino é na verdade um retorno. Valdomir Mandaliti, pai de Rodrigo e Reinaldo, foi presidente do Noroeste. E os irmãos têm ajudado financeiramente o clube desde 2015 — na última reunião do Conselho Deliberativo, inclusive, registraram como doação todos esses valores.

Fala, Reinaldo Mandaliti

A seguir, uma breve entrevista com o novo vice-presidente de futebol sobre essa união das modalidades que tanta esperança despertou nos bauruenses que gostam de esporte.

Essa união pode gerar um grande intercâmbio. Como o know-how de um pode ajudar o outro?
Não tem outro jeito de pensar o esporte se não for assim. Não pode ter a vaidade de não unir, de não economizar, de não criar um projeto maior, um valor na marca dessa união. Por que um patrocinador do basquete não pode aparecer nos três esportes e ter uma mídia maior? Por que não ter um sócio-torcedor único? Dividir a renda e melhorar, não prejudicando nenhuma das modalidades. Há várias coisas que dá pra criar. Temos que nos unir e diminuir despesas. Por que o Vanderlei [Mazzuchini, gestor do Vôlei Bauru] não pode administrar o Noroeste e o Vôlei Bauru? Por que não podemos unir as fisioterapias do Noroeste e do Bauru Basket? A máquina de gelo do vôlei faz 180kg por dia, pode ser dividida por todos. A preparação física pode ter um líder e vários estagiários. Temos que criar formas de baratear os projetos, aumentar a exposição para ficar acessível aos empresários.

Mas, a princípio, cada um com seu CNPJ?
Sempre será cada um com seu CNPJ. Mas eu já disse ao Estevan que vou ter uma reunião com a diretoria do vôlei: pretendo jogar, além do símbolo do Vôlei Bauru, com o símbolo do Noroeste. Acho que temos que unificar isso. E por que não ter o Dragão na camisa do Vôlei? Temos que pensar nisso, levar essa marca, dizer que Bauru é grande no esporte. Nenhuma cidade do interior do Brasil tem tantas modalidades fortes. Que venha o fustal também! [Veio! Entrevista antes do convite a Neto Ranieri] E na base podemos chamar a ABDA… Esses times têm mais exposição, a ABDA tem o lado social — como o Vôlei Bauru tem um projeto agora. Queremos conversar com a ABDA, falamos com o hipismo da Hípica, com o próprio Bauru Basket. Base temos que tratar todos juntos. O futsal pode ser trampolim para a base do Noroeste: Neymar e Robinho saíram do futsal… Temos que aproveitar essa integração e ter o esporte mais forte ainda.

Em 2015, eu entrevistei o Rodrigo Paschoalotto e ele falou desse desejo de unir os esportes e mencionou seu nome. Faço esse resgate para mostrar que é algo que já vinha sendo conversado e é um desejo de quem gosta do esporte em Bauru e tem condições de lutar por ele. O primeiro passo foi dado agora, certo?
Eu e meu irmão Rodrigo conversávamos com o Rodrigo Paschoalotto o tempo inteiro. Vamos baratear, acertar… Mas encontramos alguns obstáculos que agora, depois de um tempo, foram superados. Hoje o Brasil está em crise, há pouco dinheiro para o esporte, há times se deteriorando porque não há patrocínio. É necessidade versus possibilidade. Conversamos que era preciso nos unir, que não adianta ficar vivendo de mecenas, senão não haverá esporte. Uma hora eu vou me cansar, uma hora o Beto [Fornazari, presidente do Bauru Basket] vai se cansar, o seu Damião se cansou… Então, temos que fazer o esporte ter vida única, perene, um projeto com as próprias pernas.

E sua situação como dirigente? Continua firme no Vôlei Bauru? Vai concentrar forças no Noroeste?
Como o treino é na Panela, chego cedo no dia que marcar. Depois fico até nove, dez da noite no Noroeste para poder me dedicar. Quero ajudar o Noroeste, torná-lo forte, quero que suba. Vou dar o meu melhor. Quando entrei no vôlei com meu irmão, era para chegar na Superliga. Somos teimosos. Já falei para o Estevan que o Noroeste vai subir. Esse é o objetivo.

Houve burburinho nos últimos tempos, de ter que sair um para entrar o outro. E vocês conseguiram formatar uma diretoria com todos que querem ajudar o clube.
O Noroeste é mais importante do que o Reinaldo, o Estevan, o Beto, o Vitinho Jacob, qualquer pessoa. Acertamos os pontos, decidimos que as decisões têm que ser coletivas, está tudo certo.

 

Foto: Neide Carlos/Vôlei Bauru

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Vitor Hugo: “Quero ter uma sequência no Noroeste”

retranca-ECNO Noroeste estreia na Copa Paulista neste sábado, contra o Velo Clube, com duas ambições distintas — e complementares. A primeira, calejar o elenco que já foi montado para a Série A3 de 2018. Que baita oportunidade o técnico Vitor Hugo tem, a de ter uma competição de vários meses para azeitar o cascudo grupo que ajudou a montar. Consequentemente, considerando que o nível da Série A3 é maior ou equivalente ao da Copinha, há sim a possibilidade de lutar pelo título (que seria o tri, depois de 2005 e 2012) e entrar na Série D nacional do ano que vem. Seria lindo demais.

Ao contrário de participações anteriores, quando a competição era usada como “laboratório” para aproveitar alguns jogadores para o ano seguinte, desta vez a coisa ficou séria. Os contratos já contemplam a terceirona. Então, é trabalhar e trabalhar, porque tem que dar certo. No evento de lançamento da Copa Paulista, falei com o Vitão. Com moral com a torcida e apaixonado por Bauru, ele finalmente começa um trabalho — antes, apagava incêndio. Poderia ser o “Wenger noroestino”, estabelecer-se no cargo. Ele adoraria…

Já ter um time montado para a Série A3 com tanta antecedência é uma responsabilidade grande, de prepará-lo, mas também uma tranquilidade, certo?
No futebol tem que trabalhar com responsabilidade mesmo, sabe que depende de resultados. Estou acostumado. A partir do momento que me coloquei à disposição pra ficar, tenho que montar uma equipe forte. Porque eu sei como é Bauru, como é o Noroeste, como é o torcedor, que cobra resultado. Não digo que essa equipe vá ser campeã, mas foi montada para ter uma sequência de trabalho, fazer uma grande Copa Paulista e, aí sim, ano que vem, buscar o acesso. Mas é o seguinte, eu avisei os atletas: vamos parar no meio da competição? Não! É para chegar lá no final. Se vamos conseguir o título, vai depender da condição lá na frente. É uma competição difícil, tem bons adversários, mas temos condições de disputar o tricampeonato.”

Você finalmente vai ter a oportunidade de trabalhar desde o começo. Pelo seu carinho por Bauru e pela longa história do Noroeste, chegou a hora de ser o treinador do time por várias temporadas? Você consegue imaginar isso? A confiança da torcida você tem, a paciência é maior…
Eu gostaria de ter uma sequência boa. Três, quatro, cinco anos à frente do Noroeste. Com certeza a gente vai colher bons resultados. A cidade de Bauru merece um clube do seu nível. O Noroeste é tradição, tem uma camisa muito forte e as pessoas têm que se atentar a isso. Os empresários já estão se aproximando. Os Mandaliti, que sempre ajudaram, o Galli, que é de fora, se aproximou… Quem é daqui e tem condições tem que se aproximar mais. O Noroeste é um clube querido e quem sabe logo volta para a primeira divisão estadual, volta a disputar um Brasileiro… Eu joguei numa equipe que quase chegou à Série A! O Noroeste já foi muito forte. Hoje, está por baixo, mas vai renascer.”

Mauro Silva e Vitor Hugo
No recente evento noroestino, o tetracampeão Mauro Silva e Vitor Hugo: jogadores contemporâneos no Interior paulista no fim dos anos 1980

Qual a sua impressão dessa união das modalidades (futebol, vôlei e basquete)? Imagino o quanto você pode aproveitar da experiências de esportistas consagrados dos outros times da cidade…
Em 2015 eu levei o Guerrinha pra fazer uma palestra pra gente. Eu acho que seria interessante unificar as três modalidades. Por que não todos jogarem com o uniforme do Noroeste? Que bom seria… É um sonho. Eu certamente vou aproveitar essa parceria, levando jogadores para contarem suas histórias. Com um participando do trabalho do outro, quem sabe todos não se tornem muito mais fortes.”

Dica: confira o especial bacana sobre a Copa Paulista que a turma da Locomotiva Esportiva preparou!

 

Foto topo: Bruno Freitas/ECN