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Análise do GP da Inglaterra de Fórmula 1

27 não é para qualquer um

Por Renato Diniz

Alonso mostrou em Silverstone porque é respeitado por todos os seus adversários. Enquanto assiste ao jovem Vettel estraçalhar recordes aos 24 anos, o espanhol comemorou hoje sua 27ª vitória, igualando-se ao tricampeão Jackie Stewart. Claro que seria melhor se tornar o quinto piloto a vencer mais corridas na Fórmula 1 ocupando a liderança do campeonato, mas o asturiano não tem do que reclamar.

Na Inglaterra, a Ferrari venceu sua batalha contra a adversária do momento, McLaren, na disputa pelo lugar de segunda melhor equipe. Ganhou de brinde uma vitória com o erro cometido pela Red Bull na parada de Sebastian Vettel – mas, se a escuderia italiana não tivesse competência, perderia rapidamente a ponta para o alemão.

Vettel terminou na segunda posição contra a vontade de Mark Webber. O australiano recebeu ordens do chefe da equipe, Christian Horner, para desistir da ultrapassagem sobre o colega de equipe e não obedeceu. Como não conseguiu assumir o segundo lugar, ficou pior para ele: além de desobediente, ficou marcado como ineficaz.

Felipe Massa fez uma boa corrida em relação ao que vinha fazendo – poderia ter largado numa posição melhor, não fosse a chuva – e no fim brigou pela quarta posição com a faca entre os dentes com o inglês Lewis Hamilton. Venceu o piloto da McLaren, mas a disputa serve para “dar uma chacoalhada” em Felipe. Agora a temporada do brasileiro pega no tranco.

Tudo mudou
Os tempos na F1 mudaram. Lembra da época em que piloto japonês causava acidentes? Em Silverstone, foi Schumacher quem quase estragou a corrida de Kamui Kobayashi ao jogá-lo na grama. O piloto sensação da temporada abandonou e teve que assistir ao seu companheiro de equipe Sérgio Perez chegar num ótimo sétimo lugar.

Decisão rápida
Jenson Button foi rápido no pensamento e muito prudente. Logo que percebeu que o pneu dianteiro direito de sua McLaren estava solto, o inglês tratou de reduzir a velocidade e encostar o carro. Abandonou a corrida, mas evitou um acidente mais sério.

Décimo terceiro
Sobre a corrida de Rubens Barrichello… deixa para lá.

* @RenatoDiniz_ é estudante do quarto ano de Jornalismo da Unesp Bauru e atua na rádio Jovem Auri-Verde. Conheça seu blog

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De novo, Vettel

Muito bom quando mais de um universitário ilustra a home do Canhota 10. O espaço está aberto, escancarado. O Renato já é um colaborador fixo, com a excelência de suas análises da Fórmula 1. Ao texto:

Pra boi dormir

Por Renato Diniz*

Corrida fraca no GP da Espanha 2, maliciosamente conhecido como GP da Europa. A pista permitiu poucas ultrapassagens – exceção feita a uma linda manobra de Alonso sobre Webber. Fosse o traçado valenciano um pouco mais estreito e teria punido algumas saídas de pistas de Webber e Vettel com uma raspada no muro. Não foi o caso e a corrida seguiu.

Apesar da vitória do incontestável Sebastian Vettel, não dá mais para desprezar a evolução da Ferrari, comandada por Fernando Alonso. Seu segundo lugar, com boa distância para Webber, mostra que aquela ideia de que a equipe dos touros vermelhos pode tirar uma soneca e ainda assim será campeã é historinha para boi dormir.

Felipe Massa vem sendo um bom largador e nada mais. As trapalhadas da Ferrari nos boxes não “aniquilaram” a corrida do brasileiro. Foram falhas sim, mas nada que tenha comprometido a já discreta corrida de Massa, que só não foi o último do G6 (duplas da McLaren, Ferraria e Red Bull) porque Button teve problemas no KERS.

Rubinho…
As estratégias um pouco mais ousadas de paradas para Jaime Alguersuari (Toro Rosso – duas paradas) e Sérgio Perez (Sauber – uma parada) deixaram Rubens Barrichello de fora da zona de pontuação. O mexicano, aliás, deixou para trás seu colega de equipe Kamui Kobayashi, a sensação da temporada.

Completo
Todo os carros completaram a corrida. Talvez tenha sido algo que contribui para deixar a corrida um pouco mais chata. Com tantos carros na pista, era mais fácil pegar tráfego de retardatários.

Vale mudar?
O que a Benetton de 1995, Ferrari de 2002 a 2004, Brawn GP de 2009 e a Red Bull atual têm em comum? Além da supremacia na pista, essas equipes tiveram  (e tem, no caso da RBR) que lidar com as mudanças de regras que a organização da Fórmula 1 impõe durante a temporada. É algo como “trocar pneu com o carro andando”, se bem que os pit stops da escuderia dos energéticos estão tão rápidos este ano que a frase já nem parece exagero mais.

Agora, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) decidiu alterar o regulamento dos motores e dos escapamentos, inibindo dois detalhes que supostamente favorecem a Red Bull. Não vai fazer efeito. É uma tentativa de impedir o mais justo: o melhor carro, guiado pelo melhor piloto lideram o campeonato e, ao que tudo indica, vencerão o mundial.

A Fórmula 1 está exagerando na dose. Sua organização foi extremamente feliz nas novas regras, que facilitam as ultrapassagens: já trouxeram a emoção de volta para as corridas. Agora quer a todo custo “impor” a emoção no campeonato, tentando nivelar as escuderias artificialmente. Já tivemos em temporadas anteriores corridas fracas e campeonatos emocionantes, decididos na última prova. Qual o problema se acontecer o inverso?

* Renato Diniz é estudante do quarto ano de Jornalismo da Unesp Bauru, atua na rádio Jovem Auri-Verde. Conheça seu blog

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As injustiças do Brasileirão

A seção ‘Fala, universitário!’ ganha mais um colaborador. E ele traz bons elementos para afirmar que, apesar de justos, os pontos corridos sofrem com agentes externos. Confira!


Por Arthur Sales Pinto*

A fórmula dos pontos corridos é unimidade nos quesitos justiça e estímulo à organização dos clubes, mas mesmo assim está longe de ser perfeita. A justiça nos pontos corridos está contida na igualdade de desafios que um time precisa enfrentar ao longo da competição, todos os times enfrentam todos, os confrontos são os mesmos e, ainda assim, em situações normais, sem alteração de tabela, essa igualdade já não é plena. Os melhores exemplos estão nas rodadas finais, um time que briga pelo rebaixamento vai vender a derrota muito mais caro do que quando já estiver rebaixad – vantagem de quem o confrontar depois. O mesmo vale para um candidato ao título, à vaga na Libertadores, etc.

Quando a tabela é alterada, a situação é semelhante. Na data original do jogo, uma equipe pode estar em melhor ou pior fase do que na data da remarcação, beneficiando ou prejudicando seu adversário em relação aos que enfrentaram o primeiro na sequência correta. Por isso, a mudança de datas deve ser evitada ao máximo, o que não ocorreu na última rodada do brasileiro.

O Santos foi liberado pela CBF de disputar ontem o clássico contra o Corinthians sob o argumento de não aguentar a maratona de jogos. Muito talvez se deva à escolha do time da Vila pelo Pacaembu – em detrimento do Morumbi – como palco do jogo decisivo da Libertadores. A medida compromete duas vezes o campeonato. O confronto com o Corinthians será agora apenas em agosto, quando o contexto será outro. O Santos poderá estar mais forte ou mais fraco – o time do Parque São Jorge idem – e a tabela será sempre contaminada com o jogo a menos tanto de um como de outro. Por outro lado, o jogo entre Corinthians e São Paulo também será prejudicado com as duas semanas de descanso do Timão. Se o problema era a Libertadores, faria mais sentido abdicar de todos os jogos do Brasileiro até que a participação do Peixe na competição continental se encerrasse.

Seleção desfalca clubes
Outra injustiça são as convocações para as seleções, tanto a principal como a sub-20. Com o calendário do Brasileirão coincidindo com o de competições internacionais, alguns times serão muito prejudicados com a ausência de seus atletas.
Analisando o quadro ao lado, fica claro que Santos e São Paulo são os mais prejudicados, se levarmos em conta o peso dos atletas que perdem. Elano, Paulo Henrique, Neymar e seus possíveis substituos (Felipe Anderson e Alan Patrick) pelo Santos; Lucas, Casemiro e Henrique, pelo São Paulo. Prejuízo total para a dupla San-São. Por essas, e algumas outras, o Brasileirão passa longe da justiça.

* Arthur Sales Pinto é aluno do segundo ano de Jornalismo da Unesp Bauru e edita o blog Doente 91

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Button não precisa provar mais nada

Nada como a experiência

Por Renato Diniz*

O alemãozinho vinha sendo badalado – não à toa – graças ao seu belo histórico numa curta carreira de piloto. Vettel tem só 23 anos e já é campeão da maior categoria de automobilismo do mundo. Pena que, justo na última volta do Grande Prêmio do Canadá, a experiência e frieza inglesa de Jenson Button fizeram Sebastian tremer e entregar de bandeja o primeiro lugar ao campeão de 2009.

Foram necessárias quatro horas de corrida, interrupções e entradas de safety car para o jogo mudar e a Red Bull perder a corrida para a McLaren. Button cometeu erros na corrida, como quando exagerou na dose ao fechar Hamilton na linha de chegada e tirou o próprio companheiro de equipe da prova, mas foi punido, cumpriu a punição e voltou à pista para vencer de maneira indiscutível.

Enfim, emoções que só as pistas molhadas trazem, mas o novo sistema pró-ultrapassagem deu uma forcinha.

Agora não há dúvidas de que Button é um ótimo piloto. Foi campeão em 2009, quando tinha o carro certo, na hora certa, mas agora na McLaren mostra a cada corrida que não se limitava a um carro da Brawn GP.

Felipe Massa rodou, anulando uma ótima corrida que poderia terminar em pódio. Melhor que Alonso que voltou a pé para casa depois de uma batida. O brasileiro ainda protagonizou um dos melhores momentos da corrida: a incrível chegada lado a lado com a sensação da temporada, Kobayashi (o homem que põe fim à máxima de que piloto japonês só causa acidentes).

E não é que o hepta se fez lembrar? Schumacher chegou a ocupar a segunda posição, já que as condições da pista favoreciam o estilo de pilotagem mais do que o equipamento. Pois é, o alemãozão tenta recuperar um pouco de espaço.

Momentos de tensão
Para o fã de automobilismo, a bandeira vermelha representava um sério perigo. Passávamos das 15h30, 15h40… e lá vem o futebol. A emissora responsável pela transmissão televisiva da categoria optou pelas quatro linhas. Para piorar, pelo menos quatro grandes rádios paulistanas fizeram a mesma escolha. O jeito foi apelar ao corporativismo entre fãs das corridas via twitter para encontrar um transmissão ao vivo pela internet e poder curtir essa corrida histórica.

* Renato Diniz é estudante do quarto ano de Jornalismo da Unesp e estagiário da rádio Jovem Auri-Verde (760AM), de Bauru
blog: russologoexisto.blogspot.com
twitter: @renatodiniz_

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Pra sempre Fenômeno

Ronaldo se despede da Seleção Brasileira com festa; Canhota 10 relembra texto sobre o camisa 9

Esqueça a silhueta arredondada de hoje, viaje na memória da grande contribuição de Ronaldo ao futebol brasileiro. Afinal, ele mesmo aprendeu a rir de si, como comprovou em sua participação no programa Bem, amigos! do dia 6 de junho. Abaixo, reproduzo texto publicado na revista Tributo Esportivo Edição Histórica 2, da Editora Alto Astral, tema Os 100 grandes craques do futebol, em reverência ao Fenômeno, na ocasião (novembro de 2007) eleito o décimo maior da história. O texto é do meu colega Marcelo Ricciardi.

PENSE BEM ANTES DE FALAR MAL DELE

Por Marcelo Ricciardi

Você deve ter se cansado de tanto ouvir falar dele. Na segunda metade da década de 90, o futebol mundial praticamente se resumiu a um nome: Ronaldinho. Isso mesmo, no diminutivo ainda. Posteriormente, o maior artilheiro de todas as Copas (o 15º gol saiu contra Gana em 2006 e o isolou na liderança, à frente de Gerd Müller) enfrentaria problemas com seu peso, que lhe acrescentariam um maldoso sufixo “ão” ao apelido. Teria também a concorrência pela carinhosa alcunha com outro xará brasileiro.

Quando saiu do Cruzeiro em 1994 para o PSV Eindhoven, não era tão badalado assim, mas já um recordista em cifras. Talvez nem mesmo aquele garoto franzino de dentes salientes sabia que chamaria tanto a atenção dali a pouco tempo. Ronaldo fez parte do elenco do tetra nos Estados Unidos, porém aparecia para as câmeras mais pelas gracinhas e brincadeiras ao lado do corintiano Viola. Mal sabia que seriam as lentes suas algozes logo mais.

E Ronaldo estourou: mais robusto, suas arrancadas vertiginosas no Barcelona e na Internazionale garantiram praticamente a unanimidade na eleição da Fifa para melhor do mundo em 96 e 97. Os flashes eram tantos na Copa de 98 que transbordaram até para a então namorada Suzana Werner. Raspar o cabelo e comemorar gol com o indicador levantado era febre em qualquer pelada da molecada.

E então, o apagão. Literalmente, Ronaldo foi desligado instantes antes daquela final contra a França de Zidane. Sem sequer saber ao certo pelo que tinha passado, entrou em campo para trombar com o carequinha Barthez e ser crucificado pela derrota. A mesma mídia que o idolatrou não teve remorsos em devorá-lo sem perdão. Os joelhos sentiram então, tanto psicologicamente como fisicamente, o peso do que era ser Ronaldo.

Meses depois daquela Copa, o atacante não teve como escapar da mesa de cirurgia. Após quase um ano parado, uma volta em falso: não foram sequer dez minutos de jogo aquele dia no Estádio Olímpico de Roma, contra a Lazio, até a dolorosa queda no primeiro arranque, reprisada exaustivamente até em programas de auditório ou de fofocas vespertinas. Forçado a encarar um novo limite, Ronaldo teve que reinventar o próprio estilo de jogo para voltar a campo. E como se não bastasse, novamente o mundo desabou sobre ele sem dó.

Ronaldo ainda iria chorar mais uma vez em outra final de Copa. Pouco antes de Pierluigi Colina apitar o final daquela partida contra a Alemanha em 2002, o (novamente) Fenômeno não resistiu às lágrimas quando foi substituído antes do final. A alteração no time que todos cobraram quatro anos atrás desta vez fora totalmente subjugada pelo próprio atacante, que balançou as redes duas vezes naquela final e outras seis durante a campanha do penta. Podemos até ter nos emocionado com toda a sua epopéia, mas somente ele, Ronaldo Nazário de Lima, sabia que gosto amargo tinha a água no fundo do poço. Houve até quem chorasse junto, mas somente uma lágrima entre todas era a mais sincera que poderia existir, aquela que escorreu de seus próprios olhos.

O Fenômeno segue jogando e ocasionalmente parece que não aprendeu algumas lições (anunciou um casamento desastroso em rede nacional e se apresentou quilos acima do peso na Alemanha em 2006). Dá munição para seus detratores, talvez até seja dependente disso para reagir. Para os urubus oportunistas de sempre é bom lembrar: antes de profetizarem uma nova aposentadoria de Ronaldo, lembrem-se que em bom futebolês esse nome quer dizer “volta por cima”. Foi o que aconteceu no Milan, em 2007, quando o agora cabeludo camisa 99 recuperou o prazer de balançar as redes.

*** Depois deste texto, Ronaldo se contundiu seriamente no joelho de novo, deu a volta por cima de novo (!) e fez o que fez no Corinthians, naquele brilhante primeiro semestre de 2009.