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Vitória do Noroeste sobre o XV de Jaú não empolga

Coluna da semana também fala sobre medo do Norusca sair de Bauru

Texto publicado na edição de 22 de agosto de 2011 no jornal BOM DIA BAURU

Melhorou? Ainda não

Quando o XV de Jaú abriu o placar sobre o Noroeste, ontem, fiquei pensando no título desta coluna, caso a derrota (ou o empate) se consumasse: “Vai ganhar de quem?”. Afinal, com todo o respeito à tradição do clube jauense, o Alvirrubro poderia parar por aqui caso não o vencesse. Até perdeu muitos gols e o goleiro quinzista Rafael estava em manhã inspirada, mas nada que justifique a dificuldade que o time teve — quem pretende lutar pelo título não pode sofrer contra o lanterna. Enfim, os obrigatórios três pontos vieram na bagagem.

Mais uma vez, a molecada decidiu, a exemplo da vitória sobre a Santacruzense: Nathan assistiu Vitor Hugo, no segundo gol. Se na última derrota, para o Penapolense, o técnico Jorge Saran pediu calma a torcedores porque o time era de garotos — o que não é verdade, há muitos experientes entre eles —, desta vez ele foi coerente ao não botar simplesmente na conta do sub-20 a vitória sobre o XV. Pois foi um triunfo também do bom goleiro Nicolas e da segurança e criatividade que Tales deu ao meio-campo. E ao microfone do repórter Jota Martins, na webrádio Jornada Esportiva, fez uma promessa. “O Noroeste ainda vai formar grandes jogadores. Pode acreditar. Entendo a ansiedade, mas vai chegar a hora de os garotos entrarem no time e não saírem mais”, avisou o treinador. Quando isso acontecer, a torcida alvirrubra estará realizada.

O Noroeste tem o segundo turno da Copa Paulista pela frente e precisa melhorar muito. A vitória de ontem não empolgou ninguém.

Sem paranoia
Sempre estranhei manifestações de alguns noroestinos, em mídias sociais, temendo que o Noroeste saia de Bauru. Segundo esse pensamento, a família Garcia aproveitaria a perda de identificação do clube com a cidade para levá-lo debaixo do braço para outra cidade. Para mim, pura paranoia, mas respeito tal preocupação, até porque essas pessoas podem ter alguma fonte privilegiada, enfim.

Paranoia ou não, podem dormir tranquilos, alvirrubros. A resolução que a presidência da Confederação Brasileira de Futebol publicou no início deste mês complicou a vida dos itinerantes. A partir de agora, a CBF tem que aprovar um pedido de mudança de sede e de nome de um clube. E somente o fará mediante “sólidas justificativas”. É subjetivo, mas para times tradicionais parece mais claro, pois entidade fala em seu texto que “inconvenientes à ordem esportiva” motivaram a publicação dessa portaria. A comoção que a mudança do Noroeste causaria já é argumento suficiente para deixá-lo onde está.

O advogado Gustavo Delbin, do Instituto Brasileiro de Direito Despotivo, concorda. “Acho quase impossível que exista uma justificativa plausível para o Noroeste mudar de cidade. O fato de ter tradição esportiva, torcida, conselho deliberativo, estádio próprio, tudo isso dificulta muito a mudança. Note que os clubes que mudaram de cidade não tinham essa identificação. Mas clubes tradicionais não conseguem mais mudar de lugar”, disse à coluna.

Papo de basquete
Quando algum componente do Bauru Basket fala em união fora da quadra, não é balela. Presenciei no último sábado o clima familiar entre diretoria, comissão técnica e jogadores. No evento de confraternização com patrocinadores e imprensa, o Guerrinha das broncas era só mais um brincalhão. O pivô Alex Passilongo mostrou seus dotes de cantor — e não se saiu mal. Até o presidente Pedro Poli soltou a voz num sertanejão das antigas, para a alegria de Douglas Nunes, admirador desse gênero musical. O pivô, aliás, contou como foi enriquecedora sua participação na seleção brasileira. Disse a ele que não entendi até agora porque Magnano o cortou. “Nem eu!”, emendou o camisa 13.

Antes, o time venceu o Rio Claro de roupa nova, feita pela Cambs. A numeração também tem novidades. Pilar herdou a camisa 11 de Jeff Agba, que mudou para o 42. Gaúcho voltou a vestir sua camisa 6. E Luquinha, a partir de agora, é o canhota 10 da equipe.

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Noroeste perde para Catanduvense. E o laboratório?

Termo controverso é tema da coluna da semana. Texto publicado na edição de 8 de agosto de 2011 do jornal Bom Dia Bauru

O controverso laboratório

As últimas participações do Noroeste na Copa Paulista foram marcadas pela palavra laboratório. Com o segundo semestre de orçamento reduzido, a solução sempre foi contratar jogadores de pouca expressão com a missão de mostrar serviçoe cavar uma vaga no Paulista, no ano seguinte. E nunca deu certo.

O laboratório comprometeu os resultados na competição. Desde o título de 2005, só fiascos: caiu na primeira fase em 2007 e 2009 e na segunda em 2008 e 2010 – não disputou em 2006. Também não surtiu efeito como formador de elenco. Do inesquecível elenco de 2006, apenas oito eram campeões da Copinha no ano anterior – e só dois titulares absolutos, Bonfim e Luciano Bebê. Nesta temporada, curiosamente, cinco bons remanescentes: Yuri, Giovanni (o único que não rendeu tanto na A-1, mas de sabido talento), França, Gustavo Henrique e Diego Oliveira. De qualquer forma, o time caiu. Então, não deu certo. Talvez algum deles rendagrana ao clube, sobretudo o atacante Diego. Mas, por enquanto, estamos no talvez.

Onde quero chegar com esse raciocínio? Sem essa de laboratório. Tem de jogar a Copa Paulista para ganhar. O garimpo é natural, independemente de vitória ou derrota. Mesmo em 2011, com a inédita preocupação de dar espaço a vários garotos da base, o foco tem de ser a taça. Até porque o discurso da diretoria e do treinador Jorge Saran, até o momento, é de que este é o time que irá disputar a próxima Série A-2, reforçado por uma meia dúzia de jogadores. Então, moçada, se é o que temos, trabalhem muito, comam grama, acertem-se nos trilhos. Noroeste coadjuvante de Copinha, tomando sufoco de Inter de Bebedouro, temendo Penapolense… Não dá mais!

Meninos em Catanduva
Se jogador rodado oscila boas e más atuações, imagine um garoto. Felipe Barreto, bem contra a Santacruzense, foi mal no último sábado, na derrota para o Catanduvense. Mariano também passou batido e Dwann entrou na fogueira. Por isso, é preciso cautela: pedir quase o sub-20 todo como titulares e achar que o Norusca vai arrebentar, não é assim que funciona. Mesmo que a pressão sobre os meninos seja menor, paciência de alvirrubro tem pavio curto.

Para não perder o hábito de arquivar as fichas das partidas do Norusca!

Papo de basquete
Bacana o reencontro da torcida com o Itabom/Bauru, apesar de os guerreiros terem vencido na estreia com o freio de mão puxado. Quem estava sorrindo à toa era o sêo Paulo, pai do ala Gaúcho, que voltou para casa. Concorda que o filho evoluiu nesse período fora da Sem Limites e cravou: “Ele está pronto”.

Angústia
Fico apavorado de pensar como será a Copa do Mundo de 2014 com nossos precários aeroportos. Em viagem recente ao Rio de Janeiro, no exato dia do sorteio para as Eliminatórias, flagrei como está saturado o estacionamento do aeroporto do Galeão (foto) – e olha que o Santos Dumont só seria fechado à tarde, por causa do evento. Carros parados em todos os canteiros! Na garagem coberta, tudo igual: a turma fazia baliza sobre a guia, entre um pilar e outro. Voltei na segunda – uma segunda qualquer, feriado só em Bauru – e tomei aquele chá de cadeira: voo cancelado e quatro horas de espera até o próximo. Brasil-sil-sil!

Flagrante: o saturado estacionamento do aeroporto do Galeão. Foto de Fernando BH

As duas notas abaixo não foram publicadas na edição impressa por questão de espaço (a foto do Galeão). Ainda bem que o digital não tem limite!

Homem de fé
O meia Altair, há duas partidas fora, acredita em seu retorno na próxima quarta, contra o Oeste. Contou à coluna, ao final da missa, estar recuperado de contusão na coxa esquerda.

Vai começar
Expectativa para o próximo dia 11, quando serão abertos os envelopes da licitação da reforma do ginásio Panela de Pressão. Tomara que a empresa vencedora seja correta e faça bom serviço dentro do prazo. Imagine o Bauru/Basket jogando as finais do Paulista em sua velha casa!

Foto na home de Thiago Navarro/ECN

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Noroeste: Saran lançará meninada aos poucos

Meninos a conta-gotas

Há muito tempo o torcedor noroestino não sabia o que era vencer partidas consecutivas. Desde abril do ano passado, pra ser exato, na reta final da Série A-2. A diferença é que aquele time que conquistou o acesso não tinha um futebol vistoso, enquanto este Norusca do segundo semestre de 2011 tem, pelo menos, boas intenções com o espetáculo.

Atualmente, é muito difícil dizer o que é jogar bonito, pois a referência é cruel: o Barcelona. Mas, na minha convicção, a beleza está na objetividade e no volume ofensivo. Quem ataca, quem busca o gol tem compromisso com o bom futebol. E o Alvirrubro atual vai pra frente – pelo menos no Alfredão, quando o vi jogar, pois sei que passou sufoco em Santa Cruz do Rio Pardo na última quarta-feira. Mesmo assim, fez uma pintura de gol, o segundo, na bela tabela entre os garotos Vitor Hugo e Felipe Barreto – quem não viu no YouTube (disponível no site oficial do Noroeste), veja!

Desde que assumiu o Noroeste, o treinador Jorge Saran deixa as pistas de como o time deve se comportar para vencer, além de buscar o gol: comprometimento, brio e pegada. Aos poucos, com a confiança das vitórias, o elenco vai ficando mais ligado em campo, o famoso “sangue nos olhos” que não se via no Paulistão. Atribuir toda essa vontade à molecada que está chegando? Também. Mas não se pode descartar a disposição de Marcelinho, Gustavo, Altair e Adilson, quatro canhotos que são a referência para os que estão subindo – em especial os dois últimos, jogando pela redenção. E estou ansioso para que o volante Tales complete sua recuperação física.

Está claro que as chances aos meninos formados na base serão cada vez mais frequentes, isso é bacana, mas o esquema conta-gotas de Saran parece mais prudente. Na última partida, contusões o obrigaram a acelerar o processo e, que bom, Mariano e Vitor Hugo corresponderam. Os próximos da fila: o lateral-direito Mizael, o zagueiro Magrão e o meia Dwann.

Já os reforços ainda precisam mostrar serviço. O zagueiro Bruno Lopes vai se firmando, mas ainda gera sustos; o meia-atacante Renam, machucado, corre contra o tempo para mostrar que pode continuar em 2012; e o centroavante Anderson Cavalo, que vive de gols, precisa logo desencantar.

Colheita tardia
Felipe Barreto, joia da base noroestina, saiu daqui quando Fernando Garcia ficou com os direitos federativos de alguns jogadores do clube como contrapartida do dinheiro que investiu em 2009 (ano de rebaixamento). Sem espaço no Palmeiras, o meia precisava de uma vitrine e o Noroeste era o lugar mais óbvio. Sorte alvirrubra. O menino joga cadenciado, tem visão de jogo, bom passe e pontaria na bola parada.

Devagar e sempre
O título de capitalização “É Goool!” do Noroeste vendeu mais 30 bilhetes desde a última apuração da coluna. Até a noite de sexta-feira, constava no site do jogo uma arrecadação de R$ 765. Sigamos acompanhando a lenta evolução dessa fonte de receita para o clube. No total, uma conta simples: 255 adesões até o momento. Bem menos do que os famosos “mil e poucos” noroestinos fiéis.

No Oriente
O atacante Diego já foi apresentado oficialmente como reforço do Suwon Bluewings, da Coreia do Sul. Apareceu no site oficial do clube e no da Confederação Asiática de Futebol, além de vários noticiários esportivos por lá. O cabeludo será o único brasileiro no elenco, após a rescisão de contrato do centroavante Marcel (ex-Vasco e Santos).

Papo de basquete
Não é mero otimismo de torcedor, acho mesmo que o Itabom/Bauru vai para as cabeças nessa temporada, a começar pelo Paulista. Trazer troféu são outros quinhentos, mas certamente os guerreiros serão ainda mais respeitados e temidos. Olho em Pilar e Luquinha: vão encantar a torcida com sua entrega em quadra.

115
Parabéns, Bauru! E obrigado por me acolher há 12 anos.

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Coluna da semana: análise tática do Noroeste

Ao contrário do que se imaginava, time evoluiu ofensivamente do 4-4-2 para o 3-5-2

MELHOROU

 Texto publicado na edição de 25 de julho de 2011 no jornal Bom Dia Bauru

Ainda não foi um show de eficiência, mas, depois de muito tempo, pode-se dizer que o Noroeste fez uma boa partida no Alfredão. A vitória por 2 a 0 sobre o Linense no último sábado, a primeira nesta Copa Paulista, pode ensinar muito à equipe: repetir as virtudes, como o volume ofensivo, e evitar erros – o preciosismo ao concluir em gol é irritante.

Quando o último treino coletivo antes do jogo indicou que o Norusca atuaria com três zagueiros, a reação geral foi a de que o time iria a campo cauteloso, com medo de mergulhar numa crise se perdesse para o Linense, um visitante normalmente indigesto. O técnico Jorge Saran, entretanto, avisou na véspera: daria liberdade total aos laterais (ou alas, como preferir), sem deixar a defesa vulnerável a contra-ataques. A primeira parte foi cumprida com louvor, pois Betinho e Gustavo apoiaram bastante. Já os contra-ataques… Mesmo muito fraco, o Linense chegou duas vezes com muito perigo. É que, além dos alas (ou laterais, como preferir…), Juninho também atuou avançado, como meia, deixando França sobrecarregado na marcação do meio-campo.

Juninho, aliás, é o grande destaque desse início de Copinha. Volante de origem, adaptou-se à função de aproximar-se dos atacantes e foi premiado com o belo gol que abriu o placar, sábado. Rápido, desdobra-se para recompor a marcação, mas a verdade é que o Noroeste jogou com um triângulo no meio, às antigas, com Juninho na meia-direita e Altair na meia-esquerda. Do empate contra a Inter de Bebedouro para esta última partida, o Alvirrubro evoluiu. Que siga nessa toada.

Análise tática


Formação na partida contra a Inter, a partir dos 22 minutos do primeiro tempo, quando Tiago Ulisses entrou no lugar do contundido Renam: apesar do quadrado no meio, o time ficou sem força na direita, pois Betinho apoiava pouco, deixando um buraco naquele setor – Juninho sem opção para tabelar e Anderson Cavalo parado na área. Do outro lado, o eficiente Gustavo desceu muito e contou com a aproximação de Altair e Adilson.


Desenho tático na vitória sobre o Linense: os dois lados fortes. Anderson saiu mais, caindo bastante pela direita. Ele e Adilson alternavam – quando um abria, o outro ficava na área. O primeiro gol foi um ótimo exemplo da eficiência do esquema, quando Altair, da esquerda, lançou para Cavalo do outro lado. Betinho se aproximou, recebeu a bola e tocou para Juninho concluir.

Engatinhando
O título de capitalização ‘É Goool!’ ainda não emplacou para o Noroeste. Entre os 14 clubes paulistas participantes, ocupava a 11ª posição até ontem. O site do jogo, que repassa ao clube 50% do valor de cada título (que custa R$ 6) vendido, informava que o Alvirrubro havia arrecadado R$ 675. O São Paulo, líder, já faturou R$ 404 mil. O melhor do Interior é o Guarani, com apenas R$ 3,6 mil.

Foto na homepage de Juliana Lobato/Agência Bom Dia

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Noroeste estreia com derrota

Coluna da semana comenta início nada inspirador na Copa Paulista

Adilson Souza sofre com a marcação da meninada do Rio Preto. Foto de Milena Aurea/Agência Bom Dia (inclusive home)

Que o passado inspire

Texto publicado na edição de 18 de julho de 2011 do jornal Bom Dia Bauru

17 de julho de 2005: o Noroeste estreia na Copa Federação (atual Copa Paulista) perdendo para o Rio Preto, fora de casa. O final da história, a torcida alvirrubra conhece: o Norusca ganhou o título e teve uma temporada maravilhosa no ano seguinte.

17 de julho de 2011: o Noroeste estreia na Copa Paulista perdendo para o Rio Preto, fora de casa. Mesmo jogando na casa do adversário, o resultado é decepcionante, levando-se em conta o longo período de preparação de um elenco cheio de remanescentes do Paulistão. Espera-se, contudo, que a lembrança de seis anos atrás se torne feliz coincidência.

Com a promessa de dar espaço aos garotos da base, ontem somente o atacante Vitor Hugo, na reserva, representou o atual elenco sub-20 do Noroeste. Já o Rio Preto, que quase subiu para a elite estadual, escalou um time bem mais jovem. Outra diferença: o Alvirrubro treina desde o dia 11 de maio, enquanto os riopretenses começaram a se preparar em 2 de junho.

E já que falo em coincidência, espero que não haja uma neste caso: a escalação de um jogador como titular, em detrimento de quem vinha jogando com mais frequência, causar incômodo. O atacante Diego ficou vários dias fora, envolto em arrastada transação para o futebol europeu, mas retornou e foi para o jogo. Enquanto isso, Anderson Cavalo – que teve sua suspensão de quatro jogos convertida em cestas básicas na noite da última sexta-feira – ficou no banco de reservas. O centroavante foi um dos destaques da pré-temporada. No início deste ano, a escalação da dupla Vandinho e Otacílio Neto como titulares na estreia do Paulistão, mesmo ainda fora de forma, desgastou a relação do elenco com Luciano Dias logo de cara. Mas Jorge Saran parece ter rédeas mais curtas e o elenco na mão. A conferir.

O Noroeste tem seus dois próximos compromissos em casa e o torcedor terá melhor noção do que esperar da equipe na competição. Duas vitórias convincentes transformarão essa estreia em apenas uma manhã de domingo infeliz? Não. A derrota de hoje deve ser usada para estimular os jogadores.

Já vai tarde
O Noroeste voltou a jogar com seu escudo tradicional, aposentando aquele comemorativo do centenário, de gosto bem duvidoso. O uniforme também está mais limpo de patrocinadores, realidade da Copa Paulista. Aliás, tenho um dúvida há tempos e vou correr atrás da resposta: por que o glorioso Vermelhinho joga tanto de branco no Alfredo de Castilho? Superstição ou apenas desatenção às tradições? A última vez que vi o Norusca jogar com sua combinação tradicional (camisa vermelha, calção branco e meia vermelha) no Alfredão foi em março de 2006: vitória de 2 a 0 sobre o 15 de Campo Bom, pela Copa do Brasil.

Inacreditável
Não há grama ruim que justifique uma Seleção Brasileira errar quatro cobranças de pênalti. Por mais que o Brasil tenha jogado bem, criado muitas oportunidades de gol, não fazê-los não deixa de ser um diagnóstico preocupante. O time comandando por Mano Menezes sai da Copa América com apenas uma vitória em quatro jogos.

Antes de antever catástrofes, que o passado inspire: a Copa América (2001) que antecedeu o último título mundial canarinho também foi vexaminosa. Mesmo não levando os principais jogadores na ocasião – o centroavante era o mariliense Guilherme, ex-Corinthians e Atlético-MG – a derrota para a fraca Honduras, por 2 a 0, foi imperdoável. Mas foi a partir dali que Felipão formou sua “família” e arrancou para o penta em 2002.

A pergunta dos próximos dias será se Mano corre o risco de ser degolado. Acho que não, mas ele deverá refletir bastante. Na coletiva pós-jogo, falou que só agora teve tempo de treinar, como se o Paraguai fosse uma seleção permanente. O calendário apertado é igual para todo mundo. E achei o treinador incoerente ao abandonar seu esquema de jogo preferido (4-2-3-1) logo na segunda partida. Mais incoerente ainda ao voltar com ele na terceira, depois de a dupla de meias ter dado certo.

Resta agora torcer para os raçudos uruguaios.

Fernando BH é jornalista, editor de esportes da Editora Alto Astral e do site Canhota10.com
E-mail do autor: fernandobh@canhota10.com