A partir de entrevista do jornalista e historiador Luciano Dias Pires com o político/médico que inspirou a criação de Casimiro Pinto Neto, não foi difícil juntar as peças e descobrir que o legítimo Sanduíche Bauru não foi criado em 1934, como afirma equivocadamente o site oficial do sanduíche, nem em 1937, como consta em quadro no Museu Histórico Municipal. Essa reportagem a quatro mãos foi publicada na edição 17 da 94FM Revista, do final de 2007, mas não ganhou o eco merecido. Uma descoberta histórica da qual me orgulho. A foto em destaque na home é do competente Luís Cardoso.
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Não há outra alternativa hoje, às 19h, no Alfredão: o Noroeste tem que vencer o time B do Marília pela quarta rodada da Copa Paulista – é apenas o segundo jogo do Alvirrubro, pois a segunda rodada foi cancelada (desistência do Atlético Araçatuba) e o da terceira rodada (contra a Penapolense) foi adiado. Perder para o elenco secundário do arquirrival, no ano do Centenário e na véspera do aniversário da cidade seria desastroso, para não usar outro termo… E só assim esse elenco pode provar que está mesmo disposto a buscar o título e a vaga na Copa do Brasil.
Esse fator, somado à necessidade de reabilitação – o time ainda não venceu neste semestre – pode forçar a presença do treinador Luciano Dias à beira do gramado, pois já vem orientando a equipe durante a semana. A postura pacata do auxiliar Marcos Antonio Ribeiro tem sido criticada.
No coletivo da quinta-feira, Dias promoveu mudanças na equipe titular. Geilson perdeu posição para Kelisson, reforço que veio do CRAC-GO e faz sua estreia com a camisa alvirrubra. O meia-atacante Marcus Vinícius, promessa emprestada pelo Goiás que jogou 30 minutos no amistoso contra o Estoril-POR, também começa jogando. E a mais comemorada escalação é a de Giovanni, recuperado de contusão e confirmado no meio-campo. A surpresa fica por conta de Adílson Souza. O criticado atacante comeu a bola no coletivo, fez três gols e tomou o lugar de Paulo Roberto no comando do ataque. Resta saber se ficará fixo na área ou buscará jogo, o que muda bastante a forma de jogar do time.
Se o Norusca não joga há dez dias, o MAC vem cansado, após vencer o XV de Jaú, fora de casa, na última quinta-feira (1 a 0). O técnico Carlos Alberto Seixas (campeão da Copinha pelo Noroeste em 2005) confirmou que vai manter a escalação, justificando-se pelo famoso “time que ganha não se mexe”, segundo o repórter mariliense Guilherme Maia, da rádio Itaipu FM: “Gostei muito da equipe contra o XV de Jaú, podemos contar com todos os jogadores e ainda atletas que estão treinando com o elenco da Série C e não atuaram como titulares no jogo de quarta-feira (vitória sobre o Luverdense)”. Ainda segundo a imprensa de Marília, o experiente goleiro Sérgio e o atacante Ray pediram para jogar o dérbi, mas o treinador principal, Jorge Rauli, vetou.
O destaque do time alviceleste é o atacante Dhonathan, autor do gol da vitória em Jaú. Ele foi revelado no Santos e é da mesma geração de moleques que hoje encantam na Vila – mas não teve espaço por lá. Vale destacar que o time que perdeu na estreia da Copa Paulista para a Penapolense (4 a 0 no Abreuzão) era formado basicamente por juniores.
Não será um jogo fácil, quem se destaca no time B pode ganhar chances na Série C e a molecada de lá vai correr muito hoje no Alfredão. Mesmo assim, não desobriga a vitória noroestina. Tomara que a torcida compareça em número um pouco maior do que os habituais mil e poucos abnegados. Abaixo, a ficha do confronto, com as prováveis escalações (Norusca no 4-4-2, MAC no 3-5-2, variando para o 3-6-1):
No final do ano passado, muito se falou de “entregadas”, pois o Grêmio não iria vencer o Flamengo e dar de bandeja o título brasileiro ao rival Internacional. Entre tantos argumentos da época, o melhor deles – se não me engano, de Juca Kfouri – foi o de deixar clássicos regionais para as últimas rodadas. Assim, não haveria a mínima chance de um adversário amolecer para o outro – e manchar uma rivalidade histórica.
Mas, a CBF não acatou a sugestão e esta 12ª rodada é que está recheada de clássicos. Economia de passagens e diárias de hotel e muita festa nos estádios. O destaque vai para o jogo de torcida única em Minas, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (Mineirão já em reforma para 2014). Somente a Massa do Galo estará lá dentro. Tomara que a medida funcione, principalmente fora do estádio. Já chega de confrontos de torcidas, essa imbecilidade que nem Freud explica. Aos jogos:
Fluminense x Atlético-PR: a turma de Muricy garante mais três pontos.
Atlético-GO x Guarani: se o lanterna venceu o líder Corinthians em casa, pode repetir o feito contra o mediano Guarani.
São Paulo x Ceará: promessa de empate contra o retranqueiro Ceará, pois o Tricolor deverá poupar os titulares para o jogo de volta da semifinal da Libertadores.
Palmeiras x Corinthians: o “clássico da cidade”, segundo Belluzzo, já vem sendo pautado em toda a imprensa como o duelo dos técnicos Felipão e Adilson Batista. Mas quem entra em campo são os jogadores.
Vitória x Botafogo: hora de o Alvinegro tentar sair do sufoco, pois o Rubro-Negro baiano só pensa na Copa do Brasil.
Avaí x Goiás: sem Rivaldo, negociado com o Palmeiras, o Avaí perde força no meio-campo, mas o desestabilizado Esmeraldino não deverá complicar.
Internacional x Grêmio: que o Tricolor não se anime tanto, pois os reservas do Colorado são bons.
Atlético-MG x Cruzeiro: equilíbrio total – a presença do Galo no fundo da tabela é circunstacial, questão de tempo para se reerguer. Só não sei se a tempo de lutar pelo G4.
Grêmio Prudente x Santos: o Peixe só pensa no jogo da Copa do Brasil e a molecada do banco é quem vai correr em Prudente. E talvez traga pontos de lá.
Flamengo x Vasco: o Fla mais entrosado, o Vasco bastante reforçado – a ponto de deixar Carlos Alberto no banco. Promessa de ótimo jogo, com Petkovic e Felipe garantindo a habilidade em campo.
É um dos meus jogos preferidos – novidade… deve ser o da maioria dos noroestinos! Aquele domingo ensolarado era dia de festa, com o Noroeste líder do Paulistão e o MAC na zona de rebaixamento. Em campo não estava aquele timaço-base, eram três desfalques: Bonfim (expulso na rodada anterior) e Luciano Santos (terceiro amarelo) suspensos e Paulo Sérgio se recuperando de fratura no braço – Marcelo Santos, canhoto, foi muito bem de lateral-direito por algumas rodadas, deixando o experiente Reginaldo Araújo no banco.
Bom, chega de proza minha. O intuito de relembrar grandes momentos da história noroestina – como já fiz com as finais da Copa FPF 2005 e aquele 7 a 0 sobre o Linense em 1957 – é abrir aspas para textos da época.
A seguir, reproduzo trecho do livro-reportagem De volta aos trilhos: o Esporte Clube Noroeste em busca do orgulho perdido, projeto de conclusão de graduação do jornalista Marcelo Ricciardi (meu colega de redação da Editora Alto Astral).
(…)
O elenco líder do campeonato se concentrava para enfrentar justamente a equipe que ocupava a última colocação até então: o Marília, arquirrival histórico de décadas de disputas regionais. Na equipe branca e celeste, a estréia do novo treinador, Fito Neves.
Se a vexatória campanha do Noroeste em 93 não traz boas lembranças, ao menos seu último jogo contra o Marília, em casa, pela primeira divisão convém ser lembrado. Vitória alvirrubra por 1 a 0, gol de Marquinhos. As duas agremiações, que viriam a ser rebaixadas naquele ano, levaram apenas 1.729 torcedores ao Alfredo de Castilho. E também em Bauru jogaram pela última vez, pelo segundo turno da Série A-3 de 2001, quando o Marília fez 3 a 1, de virada. O público, pior ainda: nada mais que 900 torcedores pagaram ingresso para verem dois times decadentes.
Se o equilíbrio sempre é a marca característica nesses confrontos, não foi o que se viu quando a bola rolou no estádio Alfredão com mais de dez mil torcedores naquela tarde de domingo. Os desfalques de Bonfim e Luciano Santos, suspensos, não foram sentidos e o time dominou o desesperado Marília do começo ao fim. Pressão total alvirrubra, e o gol só parecia uma questão de tempo. Ainda assim, a contagem só foi aberta aos 36 minutos, quando Luciano Bebê foi lançado por Tiuí, e ganhando de dois adversários, tocou de mansinho na saída do goleiro Guto.
O caixão: diz a lenda que havia até cabelo dentro dele... A foto é de divulgação da Sangue Rubro e foi reproduzida do livro 'A voz da geral' de Bruno Mestrinelli
No segundo tempo então, o Noroeste deslanchou. O lateral-esquerdo Cláudio chutou forte da intermediária, no ângulo, sem chances para o arqueiro adversário. Eufórica, a torcida noroestina parecia se exaltar mais com os gritos de provocação “ão, ão, ão, segunda divisão” que com os próprios gols. Que também não pararam. Tiuí fez o terceiro aos 37 mintuos, e recebendo de Felipe com o gol aberto anotou mais um aos 43. Goleada incontestável por 4 a 0 na melhor partida do time no torneio, e a liderança mantida.
Se levar às arquibancadas um caixão de papelão para simbolizar o “funeral” de um adversário é a prática comum dos estádios brasileiros, quem estava ali presente no clássico pôde estar frente a um esquife verdadeiro, de madeira, e pintado nas cores do Marília. De certa forma, o torcedor noroestino ia à forra pelas boas campnhas no Paulistão e no Brasileiro da segunda divisão que o time vizinho teve nos últimos cinco anos.
NOROESTE 4 x 0 MARÍLIA Local: Estádio Alfredo de Castilho. Gols: Luciano Bebê 36′ do 1º tempo; Cláudio 13′, Rodrigo Tiuí 37′ e 43′ do segundo tempo. Árbitro: Luis Marcelo Vicentin Cansian. Assistentes: Danilo Simon Manis e Matheus Camolesi. Cartões amarelos: Gum, Fernando e Davi. Renda: R$ 99.390,00. Público: 7.977 pagantes*. NOROESTE: Mauro; Marcelo Santos, Fábio, Edmílson e Cláudio; Reginaldo Nascimento, Hernani, Lenílson (Luís Carlos) e Luciano Bebê (Felipe); Rodrigo Tiuí e Leandrinho (Otacílio Neto). Téc: Paulo Comelli. Marília: Guto; Bruninho (Rafael Mineiro), Gum, Gian e Lino; João Marcos, Fernando, Davi (Danilo) e Éder (Chico Marcelo); Sandro Gaúcho e Wellington Amorim. Téc: Fito Neves.
*Nota: o número oficial de pagantes não contabilizava o carnê vendido a torcedores para todos os jogos.
A Seleção Brasileira acaba de perder uma Copa do Mundo e ser taxada de pragmática. Assume o novo treinador e chama os talentosos garotos que a maioria dos torcedores queria ver na África do Sul – entre eles, Neymar. Todos clamam pelo futebol-arte e o camisa 11 do Peixe é capaz de dar isso ao público.
Na última quarta-feira, na partida de ida da Copa do Brasil, contra o Vitória na Vila Belmiro, Neymar comeu a bola. Fez gol de peito, driblou, trocou passes rápidos, pedalou e sofreu pênalti. Cobrador oficial, repetiu a cavadinha bem-sucedida no amistoso contra a Ferroviária, na pausa do Mundial. O goleiro Lee, paradão no meio, pegou com falicidade.
Mal terminou o jogo e a crônica esportiva se mexeu. Duas correntes logo se formaram: os que acharam molecagem fora de hora e os que consideraram apenas mais um pênalti perdido. “Deixem o menino jogar”, defenderam.
Entre todos os argumentos dos colegas que li, aquele em que assino embaixo é o do jornalista Mauricio Stycer, do UOL (leia aqui). Ele disse tudo: o que se deve discutir não é a imaturidade/irresponsabilidade do garoto. Basta pensar somente na bola em jogo: era partida decisiva e ele se tornou previsível, o goleiro esperou a firula e pegou. Poderia ser um veterando, um zagueiro-brucutu, o presidente do clube: pênalti decisivo se cobra com a faca entre os dentes. Um gol que pode fazer falta lá no Barradão. Claro que Loco Abreu foi aplaudido na África do Sul, mas o limite entre o olimpo e o inferno é o fio de uma navalha…
Toda vez que há um pênalti decisivo, seja no tempo normal ou na disputa alternada, sempre digo: bateria forte, no meio do gol. Ainda não acredito quando vejo jogador cobrando a meia altura. Por isso minha cobrança preferida, a melhor que já vi, foi a do meia Beckham na vitória inglesa sobre a Argentina, na fase de grupos do Mundial de 2002. Bateu seco, rasteiro, quase no meio. A bola parecia queimar a grama, de tão rasante. E observe no vídeo abaixo sua concentração antes da cobrança. Ele sabia que a vitória – e a classificação para as oitavas – dependia daquele chute (veja abaixo).
É só isso. Apesar de Neymar andar marqueteiro demais, dislumbrado demais, seu erro foi simplesmente futebolístico – não comportamental. Vale discussão, sim, mas é claro que não vale condenação. Porque o Santos só está nessa final por seu brilho, seus dez gols até agora na campanha do Peixe na Copa do Brasil.