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Análise tática no Norusca para a 2ª fase

Laterais que apoiam, trio de volantes criativos e dois meias abertos para assistirem Diego: esse é o Norusca para a segunda fase da Copinha

Pelos treinamentos da semana, o técnico Luciano Dias deverá repetir, na abertura da segunda fase da Copa Paulista (Barueri, sábado, 25, 19h, no Alfredão), o time que venceu o XV de Jaú no último domingo (imagem acima), exceção feita ao retorno de Yuri ao gol. O comandante testou nossa paciência, mas parece ter achado boa formação. Boa no papel e no entrosamento, pois ainda não encarou uma prova de fogo.

Entre os méritos do treinador – que volta a comandar o time à beira do campo, conforme informou oficialmente o clube em seu site (atualizado às 9h37 de 24/9) – está a escalação de Lello na quarta-zaga. De medíocre volante, passou a seguro beque, sua posição de origem. O fato de ter apostado em jovens da base (Mizael, Juninho, Richard, Giovanni e Leleco) também merece menção – mas espero que não esqueça Richard, titular por alguns jogos. Merece entrar no segundo tempo das partidas. Outros jovens – esses contratados – também aproveitaram o espaço, como Gustavo Henrique (22 anos) e Diego (20).

A pulga atrás da orelha está na presença de Rafael Aidar no banco. Realmente não jogou tudo o que sabe neste segundo semestre, mas segue com a raça habitual. Com Cleverson ocupando seu lugar, o time ganha meias abertos nas pontas (ele na direita, Giovanni na esquerda). No meio, os três volantes têm qualidade no passe e se revezam nas descidas ao ataque – de quebra, Juninho e Deivid finalizam bem de fora da área.

Preocupa o banco de reservas em alguns setores: os inconstantes Rafael Mineiro e Roque nas laterais, Kelisson na zaga e não há centroavante à altura da raça de Diego – Marcus Vinícius, Adilson Souza e Paulo Roberto foram mal até aqui. O lado bom do banco: Geilson e Marcelinho na defesa (o recém-chegado do Santo André também poderá atuar de volante), Richard no meio, Aidar no ataque. Almir Dias segue como opção razoável e Tales é total incógnita.

Como vestibular para o Paulistão, há muito o que observar e o próprio gerente de futebol, Ricardo Occhiuto, em entrevista nesta semana a Jota Martins, da 87FM, admitiu que poucos ficarão para o Paulista – vale lembrar que do time campeão de 2005, apenas oito foram aproveitados na elite em 2006 e somente Bonfim e Bebê como titulares absolutos.

Já disse aqui outra vez: do empenho e dos resultados dessa Copa Paulista virão as respostas para a Série A1.

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O melhor parceiro de Romário

Na Copa de 1994: a prova de que Romário não a ganhou sozinhoBebeto tinha fama de chorão. Franzino, sofria com a violência dos zagueiros e desabava como um bebê faminto, com a mão na perna. Um pouco pela pancada, um pouco de cena que onerou muitos beques com cartões amarelos.

Quando surgiu no Flamengo, em 1983, o Galinho estava de saída para a Udinese e logo vieram com o papo de ‘Novo Zico’. Bebeto cumpriria bem a função de meia de ligação, por sua habilidade, mas estar mais perto do gol funcionou melhor para o ótimo finalizador que era. Vestiu a camisa 9 do Rubro-Negro até a final do Carioca de 1989, quando foi comprado pelo arquirrival Vasco. De cara, faturou o Brasileirão com os cruzmaltinos – o terceiro de sua carreira (1983 e 1987 pelo Fla). No mesmo ano, foi artilheiro da Copa América, dado ofuscado pelo gol de Romário, o do título, na final contra o Uruguai.

Aliás, estar à sombra do ‘Gênio da grande área’ foi a função que o consagrou – sem nenhum demérito. Enquanto um era marrento, bad boy, o bom moço da camisa 7 amarelinha era o par perfeito, Oscar de melhor coadjuvante. Recordo-me tanto de juras de amor quanto de alguns desentendimentos entre eles. Agora, ambos aposentados, o respeito é recíproco.

Descrever a vitoriosa carreira de Bebeto é desnecessário aqui. Vale a lembrança, a homenagem. Resumindo, a história do Deportivo La Coruña se define por antes e depois dele. No Flamengo, foram 151 gols. No Vasco, outros tantos. No Vitória, seu primeiro clube, um Estadual e um Nordestão. No Botafogo, um Rio-São Paulo. Pela Seleção, além da Copa América e do Tetra (1994), a Copa das Confederações (1997). Jogou a Copa de 1998 também (sua terceira seguida) e soma seis gols em Mundiais.

Começou de forma tímida sua carreira de treinador este ano (2010), no América-RJ, e agora se aventura na política, como candidato a deputado estadual. Melhor seria ficar quieto em casa, revendo vídeos de suas atuações primorosas e de seus voleios mágicos.

Fotos: reprodução Flapedia

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Balanço da 24ª rodada: o que há com o Galo?

Acabou o trabalho de Vanderlei Luxemburgo à frente do Atlético Mineiro. O treinador multicampeão foi demitido ali mesmo no vestiário, após o desconcertante 5 a 0 aplicado pelo Fluminense. De semblante tranquilo, Luxa disse entender, vai torcer pela salvação do Galo e admitiu que irá se reciclar, rever seus conceitos – ao mesmo tempo em que negou estar ultrapassado, com faz coro boa parte da crônica. Intimamente, deve estar vivendo um misto de alívio e frustração.

Dorival Junior, nem tão dentro do São Paulo assim, surge como nome, claro. Mas a rádio Itatiaia pescou nos bastidores o desejo do presidente Kalil de contratar Dunga. Talvez 0 comando truculento do ex-técnico da Seleção funcione nesse momento de desespero. Se assumir o desafio e falhar, Dunga somará dois fracassos em 2010 e deixará sua carreira ainda mais arranhada. Ao contrário, ressuscitar o Galo reabrirá portas. Aguardemos.

Assisti ao jogo. O Flu passeou. Carlinhos jogou seu futebol de promessa que raramente aparece. Fez dois belos gols. Quem atribuiu à chegada de Deco o mau momento do Tricolor em rodadas anteriores, deve ter mudado de ideia, tamanha a lucidez do camisa 20 em campo. Já o Atlético é um time sem identidade e, pior, desanimado. Não ver Fábio Costa esbravejar com os colegas é preocupante…

Entre os destaques da rodada, a boa vitória do líder Corinthians deu cara de campeão ao time. Sorte, frieza na cara do gol, raça, ótima troca de passes. Ingredientes de favorito que o Flu já mostrou e vem recuperando. Junta-se a eles o Cruzeiro e, a essa altura, já dá pra imaginar que a taça ficará entre esses três.

Por falar em três, que remendo mal feito o da Conmebol… Decidir no meio da temporada, numa canetada, que o campeão da Libertadores tira vaga do respectivo país por causa da Sul-Americana! O torneio, que já era malvisto, ganhará mais antipatia… Afinal, o Botafogo merece mais a vaga do que os quatro brasileiros que seguem na competição continental do segundo semestre. Um vaga na Pré-Libertadores já estaria de bom tamanho… Tudo culpa do chororô de quem não via importância nela. Ora, taça e dinheiro no bolso não fazem mal a ninguém!

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Dorival x Neymar: derrota do Santos

Já foi falado aqui no Canhota 10, em outras ocasiões, sobre os mimos a Neymar no Santos. Mimos esses que o levaram a xingar o capitão do time, o treinador e a jogar uma garrafa d’água no auxiliar técnico, como se tudo pudesse. Afinal, ele havia acabado de dizer não ao poderoso Chelsea-ING e todos deveriam agradecê-lo, reverenciá-lo.

Quem tem uma joia dessa, que vale milhões de euros, tem que tê-la em campo, é verdade. Mas, a punição imposta por Dorival parecia um puxão de orelhas necessário, que teria reflexo no futuro – o moleque entenderia, um dia, pois não pode tudo e, na Europa, seu futuro certo, chiliques assim são o primeiro passo para o fracasso.

Entretanto, a diretoria santista, vendo seu patrimônio de fora, justo em jogo da TV contra o rival Corinthians, entendeu que o treinador desrespeitou a hierarquia, pois a punição já estava dada em forma de multa e na ausência contra o Guarani. Se Dorival realmente atravessou algo previamente combinado, só o tempo dirá. O certo é que, pelas reações no Twitter e pela opinião dos cronistas, ele agiu certo ao querer dar limites a Neymar. Do contrário, ficaria marcado como um técnico que abaixa a cabeça – e o não de Ganso na final do Paulistão já começara a construir essa imagem.

Pois bem, o Santos se deu mal nessa. Terá dificuldades para encontrar no mercado um treinador do nível de Dorival Junior – notoriamente responsável por montar esse time e ganhar o Estadual e a Copa do Brasil. Mais: abriu precedente para Neymar se achar o rei da Vila e acabará por rachar o elenco, pois há jogadores descontentes com a folga do camisa 11.

Por outro lado, Neymar e Dorival, cada um na sua, saem ganhando no episódio. O jogador porque se junta a um reduzido grupo de craques que levam a melhor em queda de braço com treinadores – como Romário. E, principalmente, porque jogará o clássico. A maior vitória do garoto, entretanto, será presenciada num futuro próximo: o episódio abrevia sua permanência no Santos. Chegará logo o momento em que seu ego não caberá na Vila e ele baterá asas. O lado negativo para Neymar conheceremos nesta quinta (23/9), se Mano Menezes o deixar de fora da convocação para a Seleção.

Já Dorival Junior é quem mais sai por cima do episódio. Os colegas de profissão estão com ele. A maioria da imprensa está com ele. Numa época em que a ética e a seriedade de Muricy está na moda, Dorival se junta ao treinador do Flu nessa turma dos que não dobram os joelhor. Agora, valorizado no mercado, será certamente assediado e é o nome na medida certa para as pretensões do São Paulo. Ele cabe direitinho na fôrma tricolor.

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Vitória sobre o XV dá fim a fase de testes do Norusca

De São Paulo*
(ligado no Jornada Esportiva)

Acabaram-se os experimentos. Depois de revezar goleiros e não repetir nenhuma escalação nos primeiros dez jogos, o Noroeste chega à segunda fase com um ótimo esboço de time titular – e, melhor, com boas dúvidas. A vitória elástica sobre o XV de Jaú – obrigatória, pela fragilidade do adversário – encerra um período difícil, de muita contestação e futebol duvidoso. Que venha a próxima etapa, que não terá jogos cancelados, times fracos. Ainda dá tempo de sorrir neste semestre e garimpar nomes para o Paulistão, como o aguerrido centroavante Diego.

Hernani, o Tiozão, o eterno capitão, reestreou bem, suportou os 90 minutos e aprimorou o passe do meio-campo alvirrubro. Marcelinho deverá reapaperecer na próxima fase e fica a dúvida: o atacante Zé Carlos, artilheiro na Série A 2, já teve seu contrato rescindido como Remo (desclassificado na Série D). Será quem vem para o restante da Copa Paulista?
Atualizado às 19h35: como bem me lembrou o amigo Rafael Antônio, as inscrições para a Copa Paulista se encerraram no último dia 9. Portanto, Zé Carlos só em 2011…

O Norusca fecha o grupo 1 com 15 pontos (4V, 3E, 3D), na terceira colocação, e agora irá compor o grupo  7 contra XV de Piracicaba (melhor aproveitamento, ao lado do Linense, com 76%), SC Barueri e Francana.

O JOGO

Para acabar com qualquer possibilidade de deixar o torcedor ansioso, o Norusca abre o placar logo aos cinco minutos. Numa boa inversão de papéis, Deivid é lançado por Cleverson, invade a área e chuta cruzado. O XV, com dificuldades de articular jogadas ofensivas, assusta pouco em cabeceio de Samuel, aos 15.

O Trem-Bala segue insistindo. Aos 23, em escateio ensaiado, Bonfim escora na primeira trave e, na segunda, Cleverson chega atrasado. Aos 27, Diego cabeceia por cima e quase amplia. O que consegue aos 36: Cleverson bate, o goleiro Carioca rebate e o camisa 9 pega o rebote.

No intervalo, respondendo pergunta de Jota Augusto, da Auri-Verde, Lello reconhece seu bom momento atuando na quarta-zaga – o Canhota 10 chegou a sugerir sua dispensa pelo péssimo futebol como volante. “Eu já tinha essa meta de atuar como zagueiro, como fiz no União São João na Série A2. Só quebrei o galho como volante porque o professor pediu”, disse.

No início do segundo tempo, o XV tentou reagir, em boa cobrança de falta do zagueiro canhoto Gustavo, a um minuto, e depois em arrancada do centroavante Fabrício, aos sete. No minuto seguinte, Giovanni, discreto em campo, finaliza mal. Ele logo seria substituído por Rafael Aidar.

O Noroeste balança as redes novamente aos dez minutos. Diego faz seu quarto gol em quatro jogos e se solidifica como artilheiro alvirrubro na competição. Ele arranca em velocidade e fuzila o goleiro Carioca.

Aos 21, Cleverson divide com o camisa 1 de Jaú e a bola sobra para Mizael, que bate cruzado para fora. A partir daí, como ficou comum nas partidas da Copa Paulista, o jogo, com vencedor definido, se arrasta. Até que Bonfim, aos 41, cabeceia tranquilo para as redes, concluindo escanteio cobrado por Almir Dias.

Finalizado o jogo, o goleador Diego comemorou, em entrevista a Thiago Navarro, do Jornada Esportiva: “Provamos para todo mundo que seremos um time forte na segunda fase”. Hernani ponderou um pouco: “Temos muito a melhorar, não podemos achar que está bom. A gente precisava dessa vitória para entrar na segunda fase com moral”. Palavra de capitão, de quem sabe das coisas.

* Novamente em São Paulo, a exemplo do fim de semana anterior, agora por conta de um curso de marketing esportivo durante todo o sábado. Domingo quem vem, novamente o Canhota 10 acompanhará direto do Alfredão.