Quase 34 mil pagantes no Beira-Rio. Essa galera toda não quer ver seu time jogar o Brasileirão por jogar. Quer o tetracampeonato, esperado há mais de 30 anos. O Internacional mostrou sua força – e sua garra, principalmente – ao vencer o Corinthians (3 a 2) em um jogaço. Com um jogo a menos, está a sete pontos do líder Fluminense. Isto é, pertinho, de olho na taça. O Timão segue firme também.
Se continuar com esse ânimo, o Colorado não deverá desacelerar na reta final, mesmo se aproximando o Mundial de Clubes. Foi bom ver Alecsandro voltar de contusão fazendo gol. É um dos melhores centroavantes do Brasil. Com a boa fase do Leandro Damião, o time está com fartura na grande área.
A exemplo do camisa 10 vermelho, D’Alessandro, o argentino Conca jogou muito no final de semana e garantiu, com um gol e uma assistência, o triunfo do Flu fora de casa sobre o Vitória (2 1). Líder de novo, dessa vez o Tricolor promete não vacilar. Muricy, ao seu melhor estilo, avisou que vai “cobrar os caras”.
E não é somente o Inter quem mostrou estar de volta à briga. A categórica vitória do Santos sobre o Cruzeiro, sábado (25/9), na Vila, mostrou que a molecada vai dar trabalho até o fim. Hoje, são dez pontos atrás, mas um jogo a menos e um Neymar louco para jogar bola e superar as lambanças que os mimos sobre ele causaram. O próprio Canhota 10 havia cravado na última rodada que a luta se resumiria a Flu, Timão e Raposa. O emocionante Brasileirão dá conta de queimar a língua da crônica, sempre. E ainda bem.
O desafeto de Neymar, Dorival Junior, estreou com derrota no Atlético Mineiro. E em casa… Se todos jogarem com o talento e a garra de Daniel Carvalho, talvez dê tempo de manter o Galo na elite.
A derrota do São Paulo para o Goiás (3 a 0, no Morumbi!), é daquelas difíceis de explicar, mas boas para chacoalhar o time, que já estava se achando forte de novo depois de uma sequência razoável. Libertadores, dessa vez, não vai dar. O Tricolor paulista voltará a disputar a Copa do Brasil após oito anos.
Ao contrário do que ocorreu no futebol, no sábado, Barueri não fez a festa em casa bauruense. Até tentou, esteve à frente no placar em alguns momentos, mas o Itabom/Bauru, mesmo sem Larry Taylor, confirmou seu favoritismo e ainda brindou a galera com o lanche do Bob’s por ultrapassar os 100 pontos (101 a 86). O pivô Jeff Agba foi o destaque, com 27 pontos e dez rebotes (duplo-duplo) – ele errou apenas um arremesso de dois pontos e um lance livre.
Classificado e de olho na última partida do turno, contra um rival direto, São José, o técnico Guerrinha poupou a estrela Larry Taylor, com desconforto muscular. Foi a oportunidade do armador Thyago Aleo assumir a responsa de conduzir no time e se soltar mais – fora criticado publicamente por Guerrinha, no primeiro turno, após jogo contra o Palmeiras (23/8), por não aproveitar as chances de entrar em quadra contra times mais fracos.
O camisa 5 parece ter se empenhado mais dessa vez – e nada melhor do que os números para provar isso. Confira, abaixo, as médias dele no Campeonato Paulista em comparação com a partida deste domingo (26/9):
Fonte: Federação Paulista de Basquete. Foto: Cristiani Simão/Jornada Esportiva
Na véspera da partida, Aleo havia comentado ao repórter Wagner Teodoro, do Jornal da Cidade, sua característica, que se concretizou na partida. “Tenho um lado mais organizador e o Larry tem mais o lado do um contra um, agressivo”. É verdade.
Para fazer uma comparação justa, do time com e sem Larry Taylor, peguemos a partida de ida contra o Barueri: foram nove assistências (quatro de Larry, que foi o cestinha com 22 pontos, a maioria deles em suas infiltrações); na volta, neste domingo, foram 23! O time fica mais solidário sem o camisa 4, porém, não pode prescindir desse monstro. Outra diferença: com Larry, no jogo de ida contra o Barueri, os acertos nos chutes de dois pontos foram de 55%; subiram para 73% na volta. Entretanto, as roubadas de bola (especialidade do norte-americano) diminuíram em 40%.
Tomara que a experiência solte Thyaguinho (como Guerrinha o chama) de vez e possa, além de permitir que o ‘Alienígena’ descanse durante os jogos, trocar bons passes com ele e deixar os companheiros na boa.
Mais dois pontos a destacar. Alex voltando com confiança (23 minutos em quadra, 14 pontos, três rebotes e cinco assistências), que bom. E uma pergunta: o que há com Júlio Toledo? O bom ala tem jogado pouco e sido pouco efetivo…
Resumindo, não dá para imaginar o time sem Larry Taylor e nem querer que mude seu estilo de jogo agressivo e individualista, mas é bom saber que o Bauru Basket tem alternativas.
Fotos da homepage: Cristiani Simão/Jornada Esportiva – exceto foto torcida (Reprodução)
Ao final da derrota por 3 a 0, em casa, para o Barueri (primeira rodada da segunda fase da Copa Paulista), o treinador Luciano Dias foi cercado, à porta dos vestiários, pelos repórteres. A sabatina era mais do que necessária, não somente pela derrota, mas por ser a primeira vez que o comandante atuara ali, à beira do gramado, neste semestre.
Reproduzo abaixo alguns trechos que consegui tomar nota, da cabine de imprensa, ouvindo as respostas de Luciano Dias aos colegas Jota Augusto (Auri-Verde), Thiago Navarro (Jornada Esportiva) e Jota Martins (87FM):
Apatia do time “Eu não posso entrar em campo. Procuro motivar, mostrar situações, mas é o perfil do grupo… Falo isso não é de hoje: falta coragem à nossa equipe, mas não conseguimos embutir isso na cabeça dos atletas.”
A vontade e a raça do Barueri “O perfil das equipes dessa Copa Paulista é de jovens com muita correria e vibração. Deveríamos atuar assim também.”
Laboratório “Mais do que ninguém, não quero perder a Copa Paulista. Tenho uma carreira vitoriosa como treinador e jogador e não gosto de perder. Sou eu quem sai mais chateado. Mas foi combinado que a Copinha é laboratório. Claro que quero ganhar, mas não se pode cobrar título desses jogadores.”
Permanência no cargo “Não temo demissão. Tenho um acordo com o Seo Damião. O foco é o Campeonato Paulista. O que posso fazer nesse momento é com o que está nas minhas mãos. Esse é o time. Então, não vamos achar que é o fim do mundo.”
Resumindo o que deve ter sido combinado no início do semestre – inclusive amarrando com as declarações do gerente de futebol Ricardo Occhiuto a Jota Martins no meio da semana (que poucos ficarão para 2011): vamos experimentar atletas e garimpar os melhores para compor o grupo do Paulistão. Se, de quebra, ocorrer uma boa atuação na Copa Paulista a ponto de brigar pelo título, é lucro.
Está claro que este time que perdeu de 3 a 0 para o modesto Barueri não será o de 2011. Mas, para o torcedor, entrou em campo, tem que honrar a camisa, lutar pela vitória, querer a taça, por menos significativa que pareça ser. Aliás, o Noroeste, convenhamos, não é time de elite para esnobar Copa Paulista. É uma taça que faria muito bem à galeria do clube, como fez em 2005.
O mais preocupante das declarações de Luciano Dias – que tentou se esquivar depois dizendo a um dos repórteres “Não coloque palavras na minha boca” – é a afirmação de que o time não assimila do treinador um espírito guerreiro. Acho que a maioria do grupo ainda não entendeu a mensagem de que não há ninguém garantido para o Paulistão. Isso, no entanto, não exime a responsabilidade de Dias. Ele não pode entrar em campo, mas pode substituir melhor e, sobretudo, cobrar ainda mais empenho – é sempre bom lembrar que, ao contrário de muitos times do interior do Brasil, o Noroeste paga em dia.
Alguns colegas da crônica acreditam que Luciano Dias não tem perfil para comandar o Norusca na Série A1. Que é ótimo para acesso e só. Tenho dúvidas em cravar essa opinião, ainda mais por aparentar ser um profissional sério e com vontade de crescer. E apesar dessa bolinha pequena na partida contra o Barueri, a maioria concordava que ele havia encontrado a melhor escalação – exceção feita a Aidar no banco.
Tenho restrições a ele como formador de elenco – na A2, herdou time montado por Amauri Knevitz. Nesse quesito de montar time, aliás, Paulo Comelli é imbatível – e não vai aqui nenhuma indireta…
Foto na homepage: Reprodução Rede Bom Dia/Cristiano Zanardi
Atordoado, sim. Incrédulo, apenas o torcedor que não viu de perto. Pois quem foi ao Alfredo de Castilho viu um Noroeste disperso e sem vibração. Viu também o humilde Barueri atuar com raça e determinado a fazer o arroz-com-feijão do visitante: defesa fechada e eficiência no contra-ataque. Foi a primeira participação do treinador Luciano Dias à beira do gramado neste semestre. Ao final da partida, foi sabatinado pelos colegas que transmitiram o jogo e deixou claro que o título não é a prioridade e, sim, o laboratório. Os quase 400 torcedores que foram presitigiar o time, então, foram testemunhar mais uma experiência malsucedida.
Com o empate entre Francana e XV de Piracibada, o Barueri lidera e o Noroeste é o lanterna do grupo 7. O Norusca – fica meio chato chamar de Trem-Bala numa situação dessas… – encara o XV, melhor time da primeira fase da Copa Paulista, na quarta-feira, fora de casa.
O JOGO
Primeiro tempo
A partida começa amarrada. Os times, que nunca se enfrentaram na história, parecem mesmo se sondar. Nos primeiros minutos, ao menor sinal de avanço noroestino, o cauteloso Barueri mata a jogada. Em todas essas faltas da intermediária, Deivid coloca na área e o goleiro Camilo afasta o perigo.
O primeiro lance relevante só ocorre aos 14 minutos, quando Gustavo avança à área, vai à linha de fundo e cruza rasteiro. A zaga tenta cortar e quase faz contra, obrigando o goleiro a colocar a escanteio. Na cobrança, o calibrado Deivid tenta olímpico e Camilo defende com dificuldade.
O Barueri responde aos 23, em chute de Geninho, de fora da área, que passa perto da trave direita. Sete minutos depois, Hernani erra passe e arma contra-ataque do lateral Tiaguinho. Ele carrega em diagonal e chuta à esquerda de Yuri.
A torcida começa a se irritar com as poucas jogadas de ataque. O time insiste muito pela direita, com Deivid e Mizael, e principalmente na base do lançamento longo (chutão, para os íntimos). A solução parecia estar na esquerda. Aos 37, Gustavo faz linda jogada: costura três adversários invandindo a área e rola para Cleverson tentar o chute. A bola rebate na zaga e sobra para Diego, que fura feio.
Aos 44, o merecido castigo. A bola é cruzada da direita, viaja por toda a área e encontra Geninho, o artilheiro do time, do outro lado da área. Ele domina, prepara e fuzila no meio do gol – o seu oitavo na competição. O primeiro tempo logo termina e as vaias ecoam firmes.
Intervalo
Luciano Dias pede atenção do time, sobretudo para aproveitar as jogadas de bola parada. Fala para Mizael ser mais ousado no ataque: “Miza, parte para cima dele!”. Ao final das orientações, repete três vezes: “Alguma dúvida?”. Sem questionamentos, emenda: “Então, vamos!”.
Segundo tempo
A partida recomeça quente. Logo aos 40 segundos, o bom lateral Gustavo avança e bate forte, de três dedos e muita curva. Camilo espalma como pode. Um minuto depois, é a vez de Deivid chutar com perigo. Sempre Norusca: aos sete, o zagueiro Diego Borges tenta cortar cruzamento alto e por pouco não faz contra.
Quando finalmente Luciano Dias coloca o aclamado Rafael Aidar em campo, aos 15, dá tudo errado. Ele tira Gustavo Henrique (com dores, pediu para sair, segundo o treinador), melhor em campo, e recua Giovanni para a lateral. Desacostumado à sua posição de origem e afobado – ou inconsequente mesmo –, o camisa 10 logo dá um carrinho violento, por trás, na linha do meio campo. É justamente expulso. Para tentar arrumar, Dias coloca Roque no lugar de Mizael; Juninho é improvisado na direita.
Aos 19, Rafael Aidar é lançado no lado esquerdo da área e bate cruzado para fora. Dois minutos depois, o árbitro expulsa o lateral Diogo, igualando numericamente as equipes.
A expulsão, entretanto, não intimida o time visitante. Aos 28, em contra-ataque veloz, Wanderson é lançado entre a linha dos zagueiros e toca tranquilo, rasteiro, na saída de Yuri. A partir daí, o Norusca se entrega. Aos 32, o lateral Tiaguinho coloca a bola entre as pernas de Bonfim e sofre pênalti. O centroavante reserva Magrão cobra tranquilo no canto direito, 3 a 0.
A partir daí, o que se vê é o Noroeste sem forças para reagir e um Barueri que não relaxa, mesmo com o placar garantido. Cada desvio ou roubada de bola é comemorado com entusiasmo. Aos 41, o Alvirrubro tem sua última boa chance: Diego domina no peito e finaliza forte, por cima. No minuto seguinte, em boa trama, Magrão rola para Geninho chutar forte e Yuri espalmar.
Fim de jogo
O goleiro Yuri, ao microfone de Thiago Navarro, do Jornada Esportiva, lamenta: “Não sei o que acontece com nosso time, dar esse vexame em casa. Dá vergonha. Se a gente for de qualquer jeito em Piracicaba, podemos perder de novo”. As declarações do treinador Luciano Dias merecem um capítulo à parte…
Nota: o novo assessor de imprensa do Noroeste é Diogo Carvalho, até outro dia repórter do Jornada. O Canhota 10 deseja sucesso ao novo desafio do colega, que faça bom trabalho. Pelo press kit que forneceu a quem transmitiria a partida, começou bem.
Time tem um ano de vida e médias de público e renda seis vezes maiores que as do Noroeste
Um time com bom relacionamento com a prefeitura, jogando em um estádio moderno, aconchegante, e que leva em média, nesta Copa Paulista, 2.600 pagantes!!! – renda por jogo como mandante na casa de R$ 15 mil. Infelizmente, não é o Noroeste. É o caçula Sport Club Barueri, que estreou este ano no futebol profissional, adversário do Alvirrubro neste sábado (25/9), no Alfredão, às 19h.
O Norusca, com 100 anos de vida, levou na primeira fase, em média, 430 torcedores ao Alfredão (renda por jogo de R$ 2,5 mil) – os resultados são mesmo o termômetro do humor do torcedor: na estreia, foram 855 e o número foi caindo até os 190 do último domingo.
Voltando ao Baureri. Um grupo de pessoas ligadas à prefeitura e empresários da cidade, que perdeu a queda de braço com os investidores do Grêmio Recreativo Barueri (que se tornou Grêmio Prudente), resolveu fundar um time para preencher a lacuna de uma torcida que se acostumara a frequentar a Arena Baureri – média de 3,6 mil por partida no Brasileirão 2009.
O time começaria de baixo, na Segundona (quarta divisão estadual), mas comprou o espólio do Campinas (time fundado na década passada pelos ex-atacantes Edmar e Careca), o que incluía a vaga na Série A3. Quase caiu, mas a 12ª posição garantiu o novo clube nessa divisão em 2011.
Na Copa Paulista, uma boa campanha na primeira fase. Segundo lugar em seu grupo, com 57,1% de aproveitamento (7V, 3E, 4D – todas as derrotas fora de casa). A intenção do treinador André Oliveira é formar a base do time do ano que vem, mas seus jovens têm mostrado que, enquanto puderem, irão avançar. Não será jogo fácil para o Norusca.
O time base do Barueri na primeira fase: Camilo; Diogo, Borges, Tabarana e Carlão; Tiaguinho, Mendes, André e Everton; Geninho e Wanderson. Geninho é o artilheiro do time, com sete gols – olho nele.
O trio de arbitragem para a partida deste sábado: Alexandre Luis Gonçalves (série Prata no ranking da FPF), assistido por Alexandre Basilio Vasconcellos e Carlos Alberto Funari (ambos série Ouro).