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Apesar do empate em casa na estreia, Noroeste deixa boa impressão

Noroeste empata na estreia da A-3, mas planta otimismo na torcida. Canhota avalia estreia e esquema tático

Acabou a espera. Os fanáticos noroestinos já não aguentavam mais. Era como aguardar a volta de um ente querido que passou meses longe. Finalmente, voltaram a ver o amado e glorioso Norusca em campo. Se não foi o resultado desejado, o empate em 1 a 1 com o Taubaté deixou pistas interessantes do que esperar desse time na Série A-3. O Canhota 10 esteve no Alfredão e lista abaixo algumas impressões do primeiro jogo do Alvirrubro na temporada, incluindo um olhar sobre a tática do técnico Luciano Sato e um pouco de bastidores.

Fôlego
De cara, deu para perceber que a equipe está bem fisicamente. Que correria! Tudo bem que, se só velocidade ganhasse jogo, a Jamaica seria campeã do mundo… Portanto, Sato ainda precisa encontrar o ritmo certo, pois o que se viu foi muita ligação direta, colocando os pontas Nei Bala e Lauro César no mano a mano com os laterais, sem opções para tabelar. O importante é que, se o Noroeste tiver essa entrega e esse fôlego em todas as partidas, será um adversário difícil de ser batido. O Taubaté abriu o bico bem antes.

Pontos positivos
Alex Bacci já era conhecido da Copa Paulista, quando não comprometeu. Postou-se bem ao lado de Matheus. Bira entendeu seu papel, mais defensivo, até porque Nei Bala atua como ponta das antigas. O mesmo vale para Lauro César, o melhor em campo, que arrepiou com a zaga do Burro da Central.  O meio-campo foi bem defensiamente, mas criou muito pouco — o que mais se viu foi ligação direta defesa-ataque. Como já havia sendo comentado na pré-temporada, Luiz Azevedo foi mesmo uma grata surpresa, percebe-se que é inteligente, sabe ocupar os espaços e tem um bom passe. Por fim, Douglas (foto), como esperado, deu trabalho na bola parada quando entrou — até precisa controlar seu ímpeto “chuta-chuta”, só quer fazer gol olímpico. A joia noroestina também precisa trabalhar o passe em profundidade, rasteiro, pois só apostou nos lançamentos longos.

Carências
O lateral-esquerdo Hercules, meia improvisado no setor, esforçou-se, mas mostrou dificuldades. Talvez quando o menino Douglas se tornar titular na meia, terá a oportunidade de fazer uma boa triangulação com ele e Lauro. No comando de ataque, Zé Roni, apesar de dois colegas descendo pelas beiradas, foi pouco acionado e, quando foi, falhou. O Norusca precisa de mais opções para a camisa 9.

Esquema 4-3-3
Estava muito claro o desenho tático do Alvirrubro (confira abaixo). A linha defensiva tradicional, com os laterais  e zagueiros em linha — laterais, aliás, que pouco apoiam. No meio, um triângulo, com Ruan Carlos e Luiz Azevedo na base e Lelê um pouco mais adiantado, tentando fazer a ponte meio-ataque — não à toa, fez o gol do Noroeste. O ataque lembra os bons tempos: ponta-direita camisa 7, centroavante 9 e ponta-esquerda 11. Nei Bala e Lauro César ajudaram na marcação e muitas vezes formaram linha com Lelê, o que para muitos configura um 4-2-3-1. Pode até ser, em outro ponto de vista. Para mim, é um 4-3-3, mas não o clássico (que tinha um volante e dois meias). É um 4-3-3 mais cauteloso, mas apoiado na velocidade. Só falta, como disse, aproximar os setores no toque de bola para diminuir as ligações diretas.

A galera gostou
Conversei com alguns torcedores e todos eles tiveram uma boa impressão do time, pela entrega, pela velocidade. Mas todos concordam que é cedo para diagnósticos. O Taubaté não é lá essas coisas.

Reforços
Deverão chegar mais dois jogadores ao clube nos próximos dias. Um deles, certamente, será um atacante, provavelmente vindo do futebol paranaense.

Rubro!
Coisa linda o Noroeste com sua farda tradicional (ao lado, o atacante Léo). Tudo bem que isso significa que a ação de doação de sangue não vingou — o time começaria jogando de branco e vestiria peças vermelhas à medida em que metas de doações fossem alcançadas. Aliás, Marcos Cafeo segue no marketing do clube. Igualmente o programa Eu Sou Torcedor — nessa noite, foram 569 pagantes. Só a parceria com a Ambev é que segue aguardando assinatura, mas o assunto divide opiniões entre membros da diretoria e está parado.

Abre aspas
“Começamos bem. Conseguimos manter a calma e buscar o empate. Não veio a vitória, como planejado, mas gostei da dedicação da equipe, que buscou a vitória até o fim. Procurei montar uma equipe que marca forte e sai rápido no contra-ataque. Houve erros de marcação e faltou tranquilidade para concluir, mas há muito o que evoluir. O comportamento do time me deixa esperançoso em uma boa campanha”, comentou o técnico Luciano Sato, que admitiu que o meia Douglas pode aparecer logo no time titular. “O Douglas é um jogador técnico, dá um equilíbrio maior entre defesa e ataque e devagar vamos colocando na equipe e dando responsabilidade a ele, que tem uma bola parada muito boa. Estamos trabalhando para que ele se torne titular e nos ajude.”

“Agora a expectativa acabou. Já estreamos e sabemos a força que a equipe tem. Eu tive a felicidade de fazer o gol. Na base, eu era meia, mas fui aprendendo a marcar e virei mais volante do que meia. O Sato optou por me colocar mais adiantado e deu certo”, contou Lelê, autor do gol noroestino, que traçou o perfil da equipe como brigadora mesmo. “Trabalhamos forte dois meses e isso é favorável no início da competição. O nosso diferencial será a pegada, a vontade, um ajudando o outro, um time operário mesmo.”

“Minha característica é de sempre ir pra cima, jogar avançado, e estou aprimorando isso a cada dia. Sei que a cada partida o time vai precisar de jogadas assim”, disse o atacante Lauro César, melhor em campo, que impressionou com dribles de efeito — e objetivos.

O Noroeste empatou com Rodolfo Romano; Bira, Alex Bacci, Matheus e Hercules; Ruan Carlos, Luiz Azevedo e Lelê (Douglas); Nei Bala (Léo), Zé Roni (Cleberson) e Lauro César.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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