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Rachado politicamente, Noroeste sofre mais uma goleada no Alfredão

São José B goleia Noroeste, cada vez mais perto da quarta divisão

Estivesse o Noroeste no miolo da tabela, sem sufoco, perder para um vice-líder que jogou com propriedade seria aceitável. Mas, precisando vencer, nem o fato de ser o lanterna contra um vice-líder que jogou com propriedade ameniza. Tinha que ganhar. Tinha que valorizar o fato de o torcedor ter respondido ao chamado – 714 pessoas hoje é público bom, acredite. Mas, não. Não ganhou — perdeu por 1 a 4 para o São José dos Campos FC (ex-Joseense). Foi goleado de novo em seu estádio. Cavou mais um palmo da cova. E a exemplo do rebaixamento do ano passado, com um ambiente político conturbado num momento em que o clube mais precisava de tranquilidade.

O clube alvirrubro segue estacionado na laterna da Série A-3, com apenas nove pontos em 14 jogos. Uma situação desesperadora, ainda mais se os times imediatamente fora da zona de rebaixamento pontuarem nesse domingo. O próximo compromisso será fora de casa, contra o Guaçuano, penúltimo colocado, dia 26, às 10h. Resultado diferente de vitória por lá será a senha para um rebaixamento por antecipação…

O jogo
Pra resumir a tragédia, o Noroeste não chutou a gol no primeiro tempo. São José tocou bem a bola, dominou as ações e abriu o placar logo aos 14min. João Vitor ampliou aos 35, ambos os tentos em vacilos da defesa — no segundo, o jogador joseense recebeu o passe da zaga bauruense… Na volta do intervalo, o Alvirrubro parecia mais ligado. Pressionou logo de cara e Jairo cavou um pênalti aos 4, convertido por Lauro. Esperança no Alfredão, até que Luís Guilherme, o carrasco da tarde, fez seu segundo gol, novamente com facilidade de ação. E ele mesmo fechou o caixão aos 23. O Norusca ainda tentou com Jairo (na trave), Douglas (rente ao poste) e Moisés (também tirando tinta), mas na maior parte do jogo, o que se via era jogador cabisbaixo – semblante igualmente visto nas arquibancadas.

O Noroeste perdeu jogando com Wellington Aranha; Bira, Alex Bacci, Glauco e Rafael Silva; Lelê (Marcelo Pinheiro), Luiz Azevedo, Allan (Moisés, depois Zé Roni) e Douglas; Lauro César e Jairo.

Lauro conversa com torcedores ao final da partida
Lauro conversa com torcedores ao final da partida

Abre aspas
“A gente sabe que tem chance ainda, só depende de nós, mas não podemos perder assim dentro de casa… A torcida vem apoiando meu trabalho, mas estou triste. Pediram força e dedicação”, disse o atacante Lauro, que minimiza o reflexo político no grupo. “Não chega até nós. Nós é que não estamos conseguindo desenvolver dentro de campo”.

“Perdemos a oportunidade de ganhar três pontos. O adversário era bom, mas também temos bons jogadores. Hoje, entregamos os primeiros dois gols, com o time apático no primeiro tempo. Mexemos no intervalo, conseguimos fazer o mais difícil, que era chegar logo ao 2 a 1. Não contentes, entregamos o terceiro… Aí é difícil conseguir o resultado com tantas falhas, tira a confiança. Mas não vamos jogar a toalha, vamos trabalhar. Quem sabe a gente traz quatro pontos dos jogos fora e chegamos vivos na última rodada”, avaliou o técnico Vitor Hugo.

Foguinho e Toninho, longe da Tribuna: clima ruim nos bastidores

Racha
A composição política do Noroeste, hoje, é muito clara. De um lado, o presidente Emilio Brumati, o vice Rafael Padilha e o gerente Luciano Sato. Do outro, o gestor Toninho Gimenez — que não assistiu à partida das tribunas e, sim, do outro lado, nas cativas, ao lado de Foguinho, até outro dia coordenador da base, mas agredido pelo presidente, que desmanchou as inscrições nos Paulistas sub-15 e sub-17.

Cobrança
Membros da torcida Sangue Rubro foram autorizados pela presidência a entrar no Complexo para cobrar os jogadores. O técnico Vitor Hugo, entretanto, ponderou que não era o momento e a conversa foi agendada para segunda-feira, às 18h — em acordo presenciado pelo vice, Padilha. Os torcedores cobraram mais atitude dos jogadores, já que têm salário em dia.

Vitor Hugo e Padilha conversam com torcedores
Vitor Hugo e Padilha conversam com torcedores

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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