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Paschoalotto Bauru vence o Palmeiras na prorrogação

Vitória do Bauru Basket sobre o Palmeiras só veio na prorrogação. Confira a crônica e entrevistas exclusivas.

Foi no sufoco. Mas isso não é ruim, não. Pelo contrário. Um jogo difícil desse, de cara, ajuda a fortalecer esse grupo em busca de entrosamento. Tanto que a principal dificuldade do time ficou exposta: Ricardo sobrecarregado na armação — e as consequentes falhas no passe (foram 16 bolas perdidas na partida). Mesmo assim, o Paschoalotto Bauru se desdobrou e venceu o Palmeiras/Meltex, após prorrogação, por 77 a 71. Semana que vem, o Dragão tem dois desafios fora de casa: Limeira (8/ago) e Rio Claro (10/ago). Mais dois passos para o aprimoramento da equipe.

O jogo
A partida começou na correria, com o Palmeiras, mais entrosado, ligadíssimo na marcação. Os bauruenses mantiveam o placar sob controle com Tischer e Murilo espertos lá embaixo, para compensar a mão calibrada do gringo Tyrone. No final do primeiro quarto, Guerrinha descansou Ricardo e Murilo e os visitantes abriram, terminando o período na frente: 17 a 23.

O segundo quarto foi dividido em duas partes. Primeiro, Bauru começou mal, permitindo roubadas de bola e cochilando nos rebotes, o que fez o Verdão aumentar a diferença para nove pontos (19 a 28). Até que o Dragão acordou. Murilo brigou no garrafão — a ponto de perder a lente de contato — e Barrios encestou preciosa bola. Aí, veio a sequência que levantou a galera. Gui roubou de Thyago Aleo e cravou com estilo; depois, Tischer ganhou rebote e converteu com falta, colocando o Paschoalotto na frente (32 a 31). Com excelente parcial de 17 a 10, foi possível ir para o intervalo liderando: 34 a 33.

No terceiro, a contagem começou devagar. Tanto que o Palmeiras só foi pontuar na metade da parcial e a vantagem bauruense não passou de dez. Na metade seguinte, o jogo esquentou. Bola de três de Gui, infiltração de Tyrone, troco de Ricardo. Foi quando voltaram os erros de passe e o Alviverde encostou, fechando o quarto em 53 a 48 (fração de 19 a 15).

No quarto período, o adversário seguiu dando muito trabalho, principalmente com a dupla Brown e Neto, muito espertos na marcação lá em cima. A exemplo do segundo período, o Dragão botou fogo no jogo com uma bola recuperada de Gui, que serviu Tischer, o monstro da noite (três enterradas e muita vibração). Ele cravou, na jogada seguinte fez bela cesta com jump e, mais à frente, sofreu falta de ataque. Mas, numa noite emocionante, de altos e baixos, os erros voltaram e o Palmeiras encostou (quatro pontos). Foi aí que Murilo foi decisivo, fazendo cesta e falta na hora certa, a 50s do fim. Vitória garantida? Não! A 19s, só três pontinhos na frente… Gui errou dois lances livres e Tyrone, marcado, guardou de fora, forçando a prorrogação: 68 a 68.

Tempo extra!
Cada momento de cochilo do tempo normal foi compensado na prorroga. O time entrou ligado, rápido, e abriu cinco pontos com Barrios após rebote e Gui guardando de três. Aí, Murilo se impôs e foi só administrar a diferença, finalizando a partida em 77 a 71.

Abre aspas
“A vivência de um jogo desse fortalece muito a equipe, em todos os sentidos. Perdemos muitas bolas, em função de não termos um segundo armador para levar a bola. Se o Larry estivesse, o Ricardo descansaria, não cometeria erros bobos, que vêm do cansaço. Mas poderia ter ganhado no tempo normal e errado menos. Mas, hora que bate o cansaço, acontece. Vamos sair disso treinando, jogando e adquirindo ritmo. E o que não se ensina numa competição dessa é espírito, alma, e isso nós tivemos. O time soube, cansado, imprimir um ritmo ofensivo forte na prorrogação”, avalia o técnico Guerrinha.

O pivô Murilo concorda que o cansaço atrapalhou, mas cobrou dele e do grupo maior atenção, pois em jogos fora a dificuldade será ainda maior. “Agora que passou, que ganhamos, foi bom para o amadurecimento do time. Mas não pode ganhar de dez pontos faltando dez minutos e relaxar como relaxamos… Aqui dentro, a gente ganhou. Quero ver ganhar fora, fica mais difícil. Imagine em Franca, São José… Mas temos muito a melhorar, ganhamos de uma equipe forte, que está com ritmo melhor. Fisicamente eles estavam melhores e revezaram mais. Quando acabou do jogo, olhei para o banco e disse ‘Tô morto’. O Ricardo sentou no chão, de cansaço”, conta o camisa 20.

“Foi um baita jogo. Nós, pivôs, ainda estamos nos conhecendo, só temos um mês de treinamento, mas tem tudo para dar certo”, avisa Mathias.

Bica!
Fábian Barrios, nervoso com uma falta marcada pela arbitragem, castigou a lata de lixo, ao voltar para o banco de reservas. Ela quebrou com o chute do argentino. Resta saber se a reposição vai pra conta dele…

Destaques
– Gui Deodato: 21 pontos, 5 rebotes, 5 assistências, 4 roubadas de bola (eficiência 27)
– Murilo: 20 pontos, 7 rebotes, 3 roubadas
– Lucas Tischer: 15 pontos, 9 rebotes
– Ricardo Fischer: 9 pontos e 5 assistências

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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