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Adiós, São José: Bauru está na fase final da Liga Sul-Americana

Bauru vence arquirrival São José e se garante na fase final da Liga Sul-Americana

O adversário estava tão engasgado que, quando o cronômetro zerou, a torcida, antes de qualquer coisa, gritou “E-li-mi-na-do!”. Em menos de uma semana, São José caiu em duas competições. Não importa se com sem Fúlvio — Bauru chegou se arrastando na reta final do NBB5, lembra? –, é um time qualificado e a galera, no seu direito, porque zoar faz parte do esporte, saboreou o insucesso do rival. E por ser time qualificado a Águia deu um trabalho danado e quase tirou o primeiro lugar de Bauru no grupo E da Liga Sul-Americana. Quase. Porque o Dragão, mais uma vez conduzido por uma atmosfera fantástica da Panela, venceu (74 a 71) e está na fase final do torneio — com chances de sediá-la. Agora, pausa no sonho continental e foco no estadual, na duríssima série contra Franca, que começa domingo (10/nov).

O jogo
Apesar das ausências de Fúlvio e Caio Torres, já era esperado que São José gastaria todo o arsenal de que dispunha para dificultar a vida de Bauru. Para quem apostava numa diferença esticada logo de início, o placar apertado do primeiro quarto (22 a 20) já avisava o perrengue que vinha pela frente. Murilo puxou a pontuação bauruense, enquanto Laws se desdobrava do outro lado.

No segundo período, foi a vez de Lucas Tischer aparecer no garrafão bauruense. Mas só depois que fez-se a luz de novo na Panela, que por 23 minutos foi literalmente uma caverna — escura, porém ordeira, com a torcida exemplar que esperou pacientemente a energia, que caiu em toda a Vila Pacífico e arredores, voltar. Aí, caíram as bolas de Fernando Fischer e Barrios para manter uma pequena vantagem à frente, 37 a 32 (fração de 15 a 12).

Foi no terceiro quarto que as bolas de Dedé (18 pontos na partida) começaram a cair e Ed Nelson (14) fez um bom trabalho ofensivo para ameaçar a vitória bauruense. Uma parcial apertada (18 a 19) e promessa de um último período alucinante.

E foi mesmo… Os joseenses passaram à frente a 2min do fim, sobretudo com Dedé e as infiltrações do incansável Andre Laws. Entretanto, a exemplo da partida contra o Boca, a galera emergiu com palmas e vozes ininterruptas. E Fernando Fischer fez bola de três crucial para retomar a dianteira. E a Águia virou de novo. Aí, a menos de 1min do término, rebote, contra-ataque e bola para Larry. Uma fração de segundo de silêncio para ouvir o chuá… Show! Pepara o “Pan-pan-pan”, disse Gilmar Barros. Logo ele gritaria “Ééééé shooooow, Bauru!”. Foi suado, mas foi saboroso. E Bauru segue buscando o título sul-americano, enquanto São José contabiliza suas quedas.

A bola do jogo
“Eu já tinha decidido: ‘o Fabian vai jogar para mim e vou jogar para cima’. O cara veio correndo, tive que arremessar mais alto ainda, para não tomar toco. Tive sorte que a bola caiu”, contou Larry Taylor, sobre o chute decisivo, e concluiu: “Tudo o que a gente já passou está nos ajudando agora, porque não queremos passar pelas mesmas coisas. Todo mundo está treinando mais, pensando que agora é nossa hora.”

Apagão não tira chances de Bauru
“Bauru continua com a mesma possibilidade. Há outras cidades, como Brasília, Montevidéu e Mar Del Plata, mas Bauru já fez duas etapas e a credencia muito bem, pela hospitalidade, pelo público, pelas instalações. A queda da luz, hoje, de fato não foi bom, porque temos televisão, mas não pesa na nossa decisão, porque é um caso que pode ser resolvido. E o jogo terminou bem, com muita emoção, e continuamos confiando muito no trabalho do Vitinho, do prefeito. As possibilidades são totais. Amanhã vamos distribuir a carta-convite e um dia depois do outro quadrangular vamos bater o martelo”, disse Grego, presidente da Abasu, o homem que vai decidir a parada e que está apaixonado pela Panela.

O personagem do jogo
Murilo fez duplo-duplo, Larry decidiu a parada, mas o personagem da vitória foi Fernando Fischer. Ele protagonizou uma breve discussão com o técnico Guerrinha, no segundo quarto. Eles conversaram no intervalo, eu até achei que o camisa 14 ia esquentar banco o resto do jogo, mas ele voltou à quadra e fez uma cesta também decisiva no final. Bom, ambos podem contar essa história melhor do que eu:

“O Fischer é muito competitivo e quer jogar. Está perfeito, prefiro assim do que o que faz cara de paisagem. Eu gosto de cara que briga. Mas tem hora que precisa ter respeito. Pode chegar no banco e falar que queria ficar mais, que está se sentindo bem… Mas da forma como ele expressou, foi um desrespeito com quem entrou e com a comissão técnica. Tirei e disse ‘Desse jeito não tem lugar no nosso time, quer ir embora, pode ir’. Do mesmo jeito que o Lucas [Tischer] falou no vestiário: ‘Agora posso chutar?’. Eu disse ‘Pode, desde que você meta bola igual o Oscar!’. Quer chutar tudo? E o resto do time? No começo do jogo o próprio Fischer alertou o Lucas. Tem que ter desconfiômetro, tem mais gente pra jogar. No nosso time, todos têm condições. Temos que brigar, sim, no bom sentido, mas tem imagem aqui, tem crianças. Imagine uma atitude errada minha aqui? O Fischer não pode dar um exemplo desses, principalmente um cara que já foi capitão do time e tem totais condições de ser. É um líder, um cara que faz parte do sucesso do time. Nós chegamos aqui por causa de várias pessoas, do patrocinador, da imprensa, da torcida, dos jogadores. O Fischer, o Larry e o Gui, que estão há mais tempo, têm muito mérito de chegar nesse Final Four. Temos que saber expressar, ter tranquilidade. Tem todo o direito de não concordar, mas tem que respeitar as decisões. O Gui teve uma atitude fantástica: entrou de titular, o jogo dele não encaixou e ficou no banco. É questão de opção, de usar nossas armas. E se eu não tivesse mais voltado o Fischer por birrinha minha? Graças a Deus eu evoluí nisso. Não estou mais preocupado em ter a razão. Eu quero ser feliz. Mas cabe a mim, o ‘jogador mais velho’, explicar para o Fischer, que é um ídolo, mostrar que essas atitudes têm consequência e são ruins para o time”, disse Guerrinha.

“Eu voltei há uns 40 dias e quero jogar. O minutos que tenho entrado em quadra, tenho correspondido. Quero jogar, nada mais do que isso. Não estou desmerecendo ninguém, nem tirar o lugar de ninguém, mas não quero me sentir um juvenil dentro do time. Estou correndo atrás do meu espaço e vou ter esse espaço tendo minutos em quadra. A decisão é sempre do técnico, há outros jogadores fazendo ótima temporada, mas estou correndo atrás. Eu falei de uma forma errada, num momento errado, não tenho que me posicionar desse jeito como atleta. Mas a gente se entende e tomei um belo esporro. Falei pra ele que queria ganhar o jogo e foi ansiedade por saber que posso contribuir na quadra. Foi do calor do jogo e peço desculpas ao Guerrinha. Mas eu quero jogar!”, disse Fernando Fischer.

Destaques
Murilo Becker: 20 pontos, 11 rebotes, 2 roubadas
Larry Taylor: 14 pontos, 7 rebotes
Lucas Tischer: 12 pontos, 7 rebotes
Fernando Fischer: 11 pontos
Fabian Barrios: 10 pontos, 4 rebotes

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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