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Em prova de maturidade, Bauru passa o teste contra o Boca

Paschoalotto Bauru controla o jogo contra poderoso Boca Juniors e sai na frente na Sul-Americana

Maturidade. A palavrinha que tanto faltou em momentos decisivos de outras jornadas, agora sobra na Panela. Foi com controle emocional da partida, domínio de ponta a ponta do placar, que Bauru bateu em time grande, em camisa centenária.Vitória suada, trabalhada, construída: 73 a 69 sobre o poderoso Boca Juniors. Com a chegada do panamenho Ayarza, foi a primeira vez que o elenco bauruense jogou completo. E se dele esperava-se atuação diminuta, tímida, o camisa 13 mostrou ótimo cartão de visitas. Mas foi na frieza de Lucas Tischer e Fabian Barrios que veio a vitória. Peças maduras que, como Murilo (discreto nos pontos, mas reboteiro como sempre), não havia até outro dia — e vão render muitos frutos. Agora, Bauru assiste a Boca e São José na quarta para saber o que tem que fazer (ou não) para se classificar.

O jogo
Quando a partida começou, a impressão foi imediata: dá jogo. O Boca não seria um bicho papão, seus hermanos não estavam tão calibrados assim. Não fosse o fato de Bauru demorar a emplacar seus chutes, o primeiro quarto seria mais tranquilo. A coisa engrenou mesmo na base das infiltradas, com Ricardo, Gui e Larry — uma mais bonita do que a outra. Sendo assim, empate técnico: 16 a 15 para os bauruenses no primeiro quarto.

No segundo, por conta do horário antecipado da partida (19h15), ainda tinha chegando,e a Caverna do Dragão foi enchendo. E quem chegou gostou do que viu. Um passeio dos guerreiros! Com uma ótima novidade: o estreante Josimar Ayarza, em cinco minutos em quadra no quarto, fez nada menos do que oito pontos, em insinuantes avanços para a cesta. Mas o nome do período foi Fabian Barrios. Estava impossível o argentino! Quatro bolas de fora e o Paschoalotto chegou a abrir 16 pontos. Mas os argentinos não são bobos e diminuíram o prejuízo, 46 a 34 (ótima fração de 30 a 19).

No reinício, o Boca já entrou calibrado para mostrar que a fatura não estava resolvida. Enquanto Bauru forçava passes para o garrafão, devidamente interceptados, Cequeira (de fora) e Aguerra (lá dentro) tiravam a diferença. Ainda bem que Murilo e Tischer entraram no jogo para manter a liderança do placar, 63 a 57, apesar do período perdido (17 a 23).

Para quem sonhou com um último quarto tranquilo, depois do show antes do intervalo, nada disso. Cestas lá e cá, erros lá e cá, tensão no ar. Quando os xeneizes ficaram a apenas quatro pontos dos terra-brancas, a 4min do fim, formou-se um pacto na Panela. Time e torcida não iam deixar passar. O Marcelão no som puxou a música-tema e dali até o cronômetro zerar o barulho foi gigante. Em certas jogadas, o ginásio veio abaixo. Bolinha segura de Tischer, infiltração de outro planeta de Larry, rebote na hora certa. Vitória de gente grande, contra uma camisa de peso. E semifinal bem pertinho!

Abre aspas
“Foi muito emocionante. As pessoas apoiam muito, o ginásio cheio… Tive a oportunidade de treinar com a equipe apenas uma vez. Agora é descansarmos e treinarmos um pouco para buscar a vitória na quinta-feira”, comentou o estreante Ayarza.

“O moral do time está bom. Todos têm experiência em grandes jogos como hoje, e é isso que faltava antes. Estamos muito focados no nosso objetivo”, disse o armador Larry Taylor, que contou como foi a rápida adaptação de Ayarza. “Não deu muito tempo de treinar jogadas, mas ele é um jogador experiente. De manhã, passamos algumas jogadas para ele, que entrou em quadra com confiança. Dissemos para ele entrar solto e fazer seu jogo. Deu certo.”

“No começo do campeonato, a gente está se conhecendo. Hoje, já sabemos o que fazer de acordo com cada adversário. O time está evoluindo e é importante fazer esses jogos internacionais. Temos sorte de formar um grupo campeão, focado, estamos nos esforçando ao máximo pra continuar trazendo bons resultados”, avaliou o pivô Lucas Tischer.

“Gostei da estreia Ayarza. Depois que ele pegar os movimentos, será muito útil. Mas o mais legal é que cada um está entendendo seu papel no time. Temos ferramentas para responder às dificuldades. Ainda temos que enxugar algumas coisas. Mas se ganharmos todos os jogos por um ponto daqui pra frente, está tudo certo!”, disse o técnico Guerrinha, em sua análise pós-jogo.

Números
Lucas Tischer: 18 pontos, 7 rebotes
Fabian Barrios: 14 pontos
Larry Taylor: 12 pontos, 7 rebotes, 6 assistências
Fernando Fischer: 8 pontos
Josimar Ayarza: 8 pontos, 2 roubadas de bola.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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