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Bauru 3, Franca 2: enfim, na decisão!

Paschoalotto Bauru vence Franca e se classificada para a tão sonhada final do Campeonato Paulista

A cena após o estouro do cronômetro resume bem a emoção dos bauruenses: “Você merece!”, disse Lula Ferreira, o técnico derrotado, ao vencedor Guerrinha, que não conteve o choro. Com a vitória por 87 a 79 sobre Franca, o Paschoalotto Bauru finalmente chega a uma merecida final de Campeonato Paulista, que vem perseguindo como melhor time da fase de classificação há três temporadas. Claro que pairou o medo da eliminação, passou um filme na cabeça do torcedor e as saídas precoces de Murilo e Tischer criaram apreensão. Mas aí surgiu Mathias, o herói improvável, o “elemento supresa”, segundo o próprio Guerrinha. E a Panela de Pressão enlouqueceu, os abraços se multiplicaram, invadiram a quadra e simbolizaram fielmente a união que time e torcida têm mostrado na temporada. A comemoração será breve, o calendário está puxado: tem jogo quinta, contra a Liga Sorocabana, e no sábado, o Paulistano (uma prévia da decisão estadual), pelo NBB. Da capital direto para Montevidéu, decidir a Sul-Americana (dias 27 e 29). A Liga Nacional deve adiar as partidas contra Minas e Espírito Santo e, no início de dezembro, começa a luta pelo título paulista. Por enquanto, festa. Bauru na final!

O jogo
Se ainda estivesse chovendo lá fora, ninguém escutaria. A partida começou com a torcida fazendo muito barulho para apoiar os guerreiros. Cada rebote, cada roubada e bola na redinha. Mas o entusiasmo fora da quadra contrastava com a afobação dentro dela: Larry Taylor errou três infiltrações, Ricardo, duas e do lado de lá Paulão dominava o garrafão. E assim os visitantes  venceram o primeiro quarto, 21 a 23.

No segundo, Guerrinha colocou Fernando Fischer, que ficou toda a parcial em quadra, fez sete pontos preciosos, chamou a galera, incentivou os jogadores. Não fossem duas cestas (impressionantes) de três de Lucas Mariano, Bauru teria levado maior vantagem para o vestiário: 42 a 38 (parcial de 21 a 15).

O terceiro período foi um repeteco do primeiro, com o Alienígena abusando da individualidade. Em mais de uma ocasião viu-se Ricardo, o armador principal, assistir ao companheiro em voo solo. Que errou e acertou, pendurou os franncanos em faltas. Figueroa deu trabalho do outro lado, mas os bauruenses ainda fecharam melhor fração (15 a 12), indo para a hora H sete pontos na frente: 57 a 50.

Aí, veio o sufoco. Com Murilo e Tischer pendurados com faltas, Guerrinha confiou em Mathias. E o pivô gaúcho peleou bem. Fez gancho na cara de Paulão, foi o maior reboteiro do time na partida e, quando a dupla titular foi eliminada com a quinta falta (Murilo a 4min43 do fim, Tischer a 2min27), o camisa 12 garantiu a classificação. Claro que não sozinho. Larry soube valorizar cada segundo com a bola. Errou o quanto pôde antes, mas acertou chute de três fundamental quando Franca ameaçava. Igualmente Fischer mandou chuá de longe para manter a distância. E Ricardo assumiu o protagonismo, mostrou o craque que é e foi outro herói, com suas infiltrações imparáveis. Ou paradas para lances livres, numa contagem regressiva até o cronômetro autorizar o início da festa.

Abre aspas
“Fazer a final é uma alegria muito grande, foi o presente que eu pedi ao Papai Noel para o basquete de Bauru. A torcida foi fundamental. Se tivesse sido em Franca, tanto esse jogo 5 como o do NBB, não teríamos passado adiante. O fator quadra é muito importante e eles jogam junto. Mas independentemente de a gente trabalhar com a razão, Deus é que sabe o momento certo. O nosso para fazer a final é este ano. A gente não briga com Deus, só continua trabalhando, fazendo as coisas com amor”, comemorou Guerrinha.

“É até difícil explicar. O coração que nosso time tem, que continuou lutando quando o Tischer e o Murilo saíram. Agora temos a oportunidade de ser campeões”, disse um aliviado (e merecedor) Larry Taylor.

“Não vou dizer que sou herói. Herói é o torcedor, que nos apoiou o tempo inteiro, é nosso time unido, é o Guerrinha, que teve a confiança de me colocar em quadra. Eu só tenho a agradecer todo mundo”, disse Mathias, que foi, sim, um dos heróis da partida.

“O Guerrinha foi muito feliz na montagem desse time. Eu estou muito feliz de estar jogando com o Murilo, porque além de eu estar aprendendo muito, a gente está conseguindo jogar junto e ter resultado. A torcida me apoiou muito rápido e isso facilitou o trabalho. Tem jogador que joga a vida inteira e não consegue chegar numa final de campeonato. Nosso único objetivo é ser campeão. Eu, Murilo, a galera que tem 30 anos chega um ponto da carreira que o único objetivo é ser campeão. E fico feliz de fazer isso numa cidade onde a torcida está com a gente, não jogamos sozinhos. Pediram para chamarmos o público, gravamos depoimento no Facebook e foi uma festa sensacional. Pode esperar toda nossa dedicação e nosso empenho”, comentou Lucas Tischer, finalista com menos de quatro meses vestindo a camisa do Dragão.

Colhi outros depoimentos bacanas, que virão em matérias especiais ainda esta semana.

Números
Ricardo Fischer: 19 pontos, 3 assitências
Larry Taylor: 10 pontos, 8 rebotes, 6 assistências
Murilo Becker: 13 pontos, 8 rebotes
Fabian Barrios: 13 pontos, 3 rebotes, 3 roubadas
Fernando Fischer: 11 pontos
Mathias: 8 pontos, 9 rebotes

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Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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