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Dema: “Grandeza do Bauru Basket motiva os jogadores”

retranca-bauru-basketO Sendi/Bauru Basket inicia a temporada 2018/2019 neste sábado, estreando no Campeonato Paulista contra o América, em São José do Rio Preto, às 17h. Com elenco praticamente reformulado, que mistura o retorno de ídolos com a aposta em jogadores que vestirão a camisa mais pesada em suas carreiras. E com a manutenção de um dos treinadores mais badalados do basquete brasileiro, Demétrius Ferracciú, que conversou com o CANHOTA 10 durante a festa de apresentação do novo time. Dema, que está animado com o desafio de encarar, pela primeira vez, o estadual com ambição de título (com “pé embaixo desde o início”, reforçou o presidente Beto Fornazari), falou sobre a boa impressão nos treinamentos, o trabalho com Larry Taylor e sobre a sua “semana do fico“.

Cada time, cada temporada, tem a sua história. O que esse time 2018/2019 vai render em empenho e qualidade para sonhar com títulos?
A entrega deles no dia a dia já me diz muita coisa. É o que todo técnico espera de uma equipe. Principalmente dos jogadores que vieram sabendo da importância de representar o Bauru Basket, de sua grandeza. Isso dá mais motivação para eles evoluírem. Espero uma equipe bem coesa defensivamente, fortalecida fisicamente, com contra-ataque forte.”

Como você está trabalhando com essa mescla de ídolos, de qualidade inquestionável, com jogadores que estão no maior espaço da carreira deles (como Renato e Marcão)?
Quando trouxemos esses jogadores, visualizamos também o crescimento pessoal e técnico deles. Não foi somente porque fizeram uma campanha boa anteriormente. Vejo possibilidade de evolução em cada jogador, mesclado com a experiência do Larry, do Jé e do Alex, que está voltando, que são os líderes. Se cada um souber a sua função e sua importância, vai fortalecer muito a equipe.”

Quando você chegou ao Bauru Basket, o Larry já não estava mais. Obviamente, sabia do tamanho dele na história do time, mas como foi entrar em contato com essa história viva?
Quando você ouve falar, é uma coisa. Quando vê a realidade, é outra. Uma apresentação como a dele [na Panela] eu ainda não tinha visto no Brasil. O carisma que ele tem, todos o adoram… Com 38 anos de idade, é um dos que mais correm durante o treinamento. Esse carinho da cidade é um combustível, ele se entrega mais porque tem certeza de que aqui realmente é a casa dele.”

E aquela semana decisiva da sua vida? Como foi? Na segunda à noite você estava falando comigo [no programa ENTREVISTA 10], foi ao Rio de Janeiro no dia seguinte, voltou e deu o sim na sexta-feira. O que o fez decidir ficar aqui?
Foi uma longa semana. Tensa para mim, profissionalmente, para minha família, por ser uma decisão muito importante, que não envolve só o profissional, envolve esposa, filhas e três anos de uma cidade que me abraçou. Analisei e pesei tudo isso e acabou sendo fácil, pelo esforço que a diretoria fez para eu permanecer. Fui ao Rio, conversei, depois que voltei conversei com o Beto [Fornazari, presidente do Dragão] e conseguimos alinhar a minha renovação. Não foi uma decisão fácil, mas foi prazerosa, pela cidade, pela estrutura e pelo Bauru Basket, e por saber que vou ficar por mais dois anos aqui com esse projeto.”

DESFALQUE
Para a partida de estreia no Paulista, além de Alex Garcia, Gui Santos e Jaú (que fez cirurgia esta semana e só volta em 2019), o Dragão não irá contar com Larry Taylor, com desconforto na panturrilha. A partida terá transmissão da rádio Jovem Pan News Bauru, da Federação Paulista e do canal da Web TV Sem Limites.

 

Foto: Victor Lira/Bauru Basket

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Que time foi esse, Dema!

Não é uma pergunta, Dema. É uma afirmação, uma exclamação. Uma exaltação: que time foi esse! Como teimou contra a derrota. Por mais desfalcado que estivesse, cansado — diante de adversários com bancos recheados e minutagem pulverizada —, levantava após cada tombo. Como disse o Lanzoni, esse Bauru Basket foi o Rocky Balboa do NBB. Se já assistiu, há de se lembrar que numa das continuações o personagem de Stallone é exaltado após uma derrota. Como foi seu time, ontem.

Permita-me revelar um trecho de nossa conversa no último sábado:

— Dema, você está no lucro faz tempo. Tirou mais de cem por cento desse time, no meio de tantas dificuldades.

— Eu não posso pensar nisso. Não paro para pensar nisso. Só olho em frente, meu foco é ganhar o próximo jogo. É ir até o fim.

Isso resume o espírito do seu time. A carta é pra você, mas extensiva a seus colegas de comissão e aos jogadores. Valorosos. Que varreram Franca e os prognósticos. Que fizeram o Paulistano (o rolo compressor da primeira fase, não esqueçamos) correr dobrado. Você personifica a equipe porque da sua prancheta saíram jogadas obedecidas e perfeitamente executadas, sinal do espírito coletivo dessa versão 2017/2018 do Dragão.

Votei em você como melhor técnico do NBB 10. Não concordo que os votos aconteçam antes da final, pois na decisão os melhores emergem pra valer — ano passado, apesar de campeão, você não ficou nem entre os três melhores. Mas creio que meu voto seria o mesmo, independentemente dos finalistas. E não é por ser bauruense ou por amizade. Ano passado votei no Gustavinho.

Gustavinho, aliás, que demonstrou muito respeito por você nessa série. Chamou-o de “estrategista”, disse que tem respostas rápidas para as novas situações — que foram muitas… Ontem, no calor de uma entrevista pós-jogo, o técnico do Paulistano fez novo elogio. E aproveitou para enaltecer todas as comissões técnicas semifinalistas, num claro recado à CBB, que ignorou dois ciclos olímpicos de desenvolvimento dos auxiliares do Magnano (você, ele e Neto) e preferiu o estrangeiro Petrovic.

Agora é hora de descansar, mas duvido. Você vai acompanhar atentamente, com olhos estudiosos, as finais do NBB e a reta final da NBA. Ofício divertido, claro, tamanha sua paixão pelo basquete. Que exala, contagia.

No sábado, eu te desejei “bom trabalho”. Hábito meu. “Boa sorte” não me parece motivador. O destino de uma equipe não pode ser definido pelo acaso. E uma derrota não significa falta de empenho. Muito pelo contrário. Você e todo o Sendi/Bauru Basket trabalharam demais. E colheram um merecido reconhecimento.

Que venha a próxima batalha, coach.

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Demétrius: “Precisamos de um cara com a mão quente”

retranca-bauru-basketProcura-se um novo Robert Day. Esse é o perfil de ala, pontuador, que o Gocil Bauru ainda busca no mercado. Foi a pista que o técnico Demétrius Ferracciú deu após a estreia do Dragão no Campeonato Paulista — derrota para o Pinheiros por 67 a 58. Ao que tudo indica, será um gringo. Ao contrário de outras negociações, o nome ainda não vazou no campo das especulações — a não ser que Trey Gilder volte à baila.

Peguei carona na entrevista pós-jogo da Auri-Verde, conduzida pelo colega Lucas Rocha, na qual Dema falou, além dessa procura, sobre e a dinâmica do mercado basqueteiro. Emendei duas perguntas sobre o perfil do novo elenco, que aparenta trilhar o caminho de um jogo de mais intensidade.

O alvo

“Visando a temporada toda, precisamos de um jogador com característica parecida com a do Robert Day, um cara que tenha a mão quente. Mas são suposições. Não que não estejamos atrás desse jogador, mas temos que trabalhar com o que temos hoje e focar nesse entrosamento. Isso leva um tempo e o objetivo é alcançar esse padrão próximo aos playoffs [do Paulista].”

Mercado

“Havia jogadores que saíram que gostaria de contar. Mas foram situações de agentes, do mercado que deu uma inflacionada grande… O que temos que entender é que, às vezes, você tem a oportunidade, mas não tem a condição de fechar o negócio. Aí, a oportunidade passa. O mercado é muito rápido. Para nós, não é fácil essa situação de patrocínio e só temos que agradecer aos patrocinadores que estão investindo e acreditando no Bauru Basket. Só que a gente está um pouco limitado em relação a ter mais jogadores para ajudar a equipe.”

Elenco mais físico

“O objetivo é esse: ganhar em saúde, no sentido de ser um time físico para ter opções táticas com bastante variações, principalmente no setor defensivo, com trocas, sem corte, rebotes… Estamos estudando, analisando. Eu vou levar um tempo até fazer a equipe jogar do jeito que quero. Pode haver circunstâncias no meio do caminho que vou ter que mudar para adaptar os jogadores que vão chegar. Porque são jogadores diferentes, que não estão adaptados ao nosso estilo de jogo, mas ao mesmo tempo são de qualidade e isso pode facilitar.”

Primeira fase morna do Paulista

“Esse pode ser o lado bom, de ter uma tranquilidade para trabalhar o time e chegar a uma boa posição no campeonato. O Anthony chegou e pode nos ajudar bastante, desequilibrar. Vamos encaixando essas peças, que vão entrando no esquema para continuarmos brigando e mantendo o basquete de Bauru sempre em alto nível.”

 

Foto: Marcelo Zambrana/LNB