Desde que recusou proposta milionária do Chelsea-ING e resolveu permanecer no Santos – por enquanto – Neymar ganhou novo status. É a grande joia do futebol brasileiro, o jogador mais visado dentro do Brasileirão – excetuando Ronaldo, claro. Se já tinha o carimbo de craque, a recusa o transformou em ídolo dos santistas e, ao mesmo tempo, deixou aliviados todos que gostam de ver bom futebol por aqui.
Curiosamente – ou não -, não tem sido decisivo nos últimos jogos do Peixe. Tem lampejos, com lances de efeito, mas ficam sempre marcados os pênaltis perdidos e as reclamações. O jovem atacante anda revoltado com a perseguição dos defensores, sobretudo porque detectou um rodízio na partida contra o Ceará. quando um levava cartão amarelo, outro se incumbia de fazer as faltas no camisa 11 santista. Para piorar a situação, caiu na provocação do volante João Marcos – muitos podem ver nessa atitude que o menino não baixa a guarda, não tem medo de cara feia.
Sobre o rodízio, a reclamação virou chororô depois que seu próprio treinador, Dorival Junior, admitiu que faria o mesmo contra um atacante do nível de Neymar. “Eu diminuiria o espaço dele, não o deixaria pensar. No momento em que o marcador levasse um cartão, por um motivo ou outro, trocaria. Não é que os adversários estão fazendo isso de propósito, para bater. A marcação é necessária”, afirmou ao GloboEsporte.com.
Enfim, não tem outro jeito, o moleque foi obrigado a amadurecer. Se ficou no Brasil por causa do apego à família, por alguma menina ou simplesmente pela promessa de bônus em sandubas do McDonald’s, como conta a revista Placar deste mês de setembro, isso são coisas do garoto fora de campo. Dentro dele, a zagueirada não vai dar mole. “É natural que o Neymar seja visado. E ele assume tudo isso. Tem personalidade e não foge do jogo”, cravou Dorival.
De certa forma, o episódio em Fortaleza serviu para dar um basta na fase deslumbrada do craque, quando andou meio marrento. Se foi preparado desde pequenino para ser ídolo no futebol, que assuma a fama precoce.
CURTAS
• Impressionante como o Barcelona coloca adversários na roda, como nesta terça (14/9). Pobre Panathinaikos-GRE…
• Não vi o desabafo do técnico Andrade no Esporte Espetacular, da TV Globo, mas acompanhei sua entrevista hoje no Arena, do Sportv. Muito tímido, retraído, é uma pena que não emplaque um novo trabalho, afinal, é o atual campeão brasileiro.
Esta entrevista que fiz com o craque Tostão saiu na edição 8 da revista Gol FC, em abril de 2009. O cronista fala de futebol com clareza, quase que de forma didática, para não dar brecha a interpretações equivocadas sobre o que pensa. Vale a pena conferir. Atente-se para perguntas que o tempo já desgastou (marcadas com ***), mas que as respostas lúcidas merecem apreciação.
TOSTÃO
O cronista mais admirado do país fala com a coerência e a sinceridade que o caracterizam desde os tempos de jogador
Por Fernando BH
A fala é mansa e o sotaque mineiro, inconfundível. Na conversa por telefone com Gol FC, nenhum barulho ao fundo. A serenidade é mesmo a marca de Tostão. Colunista de grandes jornais brasileiros, o doutor Eduardo Gonçalves de Andrade, 62 anos, diagnostica como poucos o nosso futebol. E, apesar de não gostar muito, também fala um pouco de sua gloriosa (e por vezes dramática) trajetória. Desnecessário desejar boa leitura quando o craque da palavra está em campo.
Por que você critica a importância que se dá hoje aos técnicos?
Que fique bem claro que eu os acho importantes, só que a imprensa supervaloriza. Uma substituição qualquer é responsável pela vitória do time. Às vezes a troca foi errada, mas o time acabou ganhando e dizem que foi mérito do treinador. A mesma coisa o contrário, quando perde e ele substitui bem. O futebol tem tantos detalhes para o pessoal se concentrar tanto no técnico… ‘O time do fulano’! Há um exagero na relação de imprensa e torcedor com o técnico.
O papel do manager não agrada a diretoria do São Paulo. Será difícil vermos Vanderlei Luxemburgo dirigindo o Tricolor?***
Essa é uma grande qualidade do São Paulo. Um dos motivos de estar à frente dos outros. Lá, o técnico é somente técnico. Apesar de a imprensa continuar dizendo que ganha por causa do Muricy… Claro ele é bom, eficiente, conhece futebol, é sério, sabe organizar um time. Mas são coisas que todo bom técnico deveria fazer. O que não pode é achar que ganhou um jogo só porque mudou o Richarlyson dois metros pra esquerda ou pra direita.
E o que é aquela rispidez com a imprensa?
Ele não tem paciência de ficar respondendo a muitas perguntas sem sentido. Há outras que não responde porque acha que técnico não tem que dar explicações à imprensa. Aí, vai para as entrevistas mal-humorado. Dá a impressão de que não queria estar ali e tem um comportamento às vezes mal educado e agressivo. Mas há um pouco de extremismo nisso. Não é só o Muricy. Cada um tem seu estilo, mas eu noto que todos os técnicos, com algumas exceções, acham que não têm obrigação de dar explicações. Eles acham o nível das perguntas de alguns repórteres da cobertura diária ruim. Algumas vezes, eles têm razão.
Como seria o Tostão técnico?
Seria mais democrático, tentaria cativar as pessoas com a troca de informações e opiniões. Não gosto do personalismo, do extremismo, o fato de ser o grande chefe, todos obedecendo, o que é comum no Brasil. Muitos ex-jogadores não conseguem ser bons técnicos porque não conseguem passar de uma função para a outra. O Renato Gaúcho continua agindo como se fosse a estrela que era como jogador. Se eu fosse técnico, eu ia querer assistir lá de cima. Na primeira derrota do time, iriam falar que faltou comando lá embaixo (risos).
E o Dunga? Você já sugeriu que ele se demitisse…***
Ele não deveria ter sido escolhido, por não ter experiência como técnico. Mas os resultados dele são bons e qualquer pessoa que entenda futebol pode ter bons resultados. Basta que seja uma pessoa bem informada. O Maradona, por exemplo. Todos o achavam a última pessoa capaz de ser treinador de futebol. Vi a Argentina jogar e o time é organizado em campo. O Dunga sabe como colocar um time em campo, é o que todo técnico deve saber. O fato de o Dunga ter resultados iguais aos que teria Parreira, Luxemburgo ou Muricy mostra que, mesmo que seja um técnico que não entenda nada de futebol, qualquer um que entrar ali vai ter o mesmo aproveitamento médio. O mais importante não é o técnico, ele é uma parte. O Brasil pode ser campeão do mundo com o Dunga. Mas quero enfatizar que não é a presença do técnico que vai fazer ganhar ou perder.
No caso do Maradona, a admiração dos jogadores argentinos pelo mito influencia em campo?***
Pode ajudar, mas não sei dimensionar. Os jogadores o admiram, querem vê-lo bem, mas se a Argentina tiver sucesso, não vou achar que essa é a principal razão.
Por que o Pelé não é tão amado pelos brasileiros como o Maradona é pelos argentinos?
O Maradona encarna o que é o ser humano. Ele se expõe, mostra suas fraquezas. O Pelé é uma boa pessoa, claro, mas passou a vida toda querendo mostrar o que não é. E as pessoas percebem isso. Todos o reconhecem como maior jogador de todos os tempos, mas não têm muita admiração pela sua figura. O Pelé gosta muito de fazer média. Vai à Itália, faz média. Vai à França, faz média. No Brasil, fala outra coisa. O Maradona pode falar besteira, mas fala a mesma coisa em qualquer lugar do mundo.
Já virou lugar comum dizerem que o nível do futebol praticado no Brasil é baixo. Você concorda?
Pela saída de tantos jogadores e pelo fato de que os da Seleção, com raras exceções, estão na Europa, os jogos no Brasil são surpreendentemente bons. Bem disputados, emocionantes, os times taticamente organizados. Há um pouco de erro na comparação com a Europa. Fora uns oito times, os que sobram não são melhores do que os brasileiros. No Brasil, não há jogadores como Kaká, Xavi, Pirlo, Messi, mas há jogadores atuando aqui melhores do que muitos que estão em grandes clubes europeus. Acham tudo uma maravilha na Europa, e não é. É evidente que os melhores estão lá, mas quando se convoca uma Seleção e são chamados apenas um ou dois que atuam aqui, há mais uns quatro ou cinco no mesmo nível dos convocados da Europa. Por exemplo, temos vários goleiros aqui melhores do que o Doni.
O calendário do futebol brasileiro melhorou nos últimos anos. O que falta ser organizado nesse sentido para fortalecer os clubes?
Na verdade, melhorou porque estava um caos, um absurdo. A própria CBF chegou à conclusão de que teria que fazer alguma coisa, pois, mesmo com seus amigos políticos, Ricardo Teixeira não iria se manter no poder. Falta melhorar a estrutura dos estádios sem conforto, com gramados ruins, há a venda de ingressos desorganizada… A Copa do Brasil ser jogada pelos times que atuam na Libertadores e não se fazer Estaduais absurdos, com 20 times.
Mas acabar com os Estaduais não decretaria o fim dos pequenos clubes do Interior do país?
Os Estaduais não devem acabar, apenas serem mais curtos. Os clubes do Interior podem jogar em até cinco divisões do Campeonato Brasileiro. Os que tiverem competência e forem organizados vão subindo. E a Copa do Brasil pode passar para 128 times, aumentado apenas duas datas, incluindo mais uma fase entre os pequenos. Pode-se chegar a mil clubes! Não precisa aumentar o número de jogos dos grandes, apenas incluir fases preliminares entre os pequenos. Não há segredo nenhum.
Qual sua posição em relação à Copa de 2014?
Eu quero ver uma Copa do Mundo no Brasil desde que o dinheiro público seja gasto para trazer benefícios posteriores para a população. Que as melhorias sejam preservadas e não se invista dinheiro público reservado para assuntos mais urgentes. Assim, seria ótimo ter uma Copa. O penoso é que acontecem muitas coisas políticas, desperdício de dinheiro, como houve no Pan 2007. Disseram que o Pan era para o bem público, gastaram uma fortuna, mas não melhorou em nada a estrutura do Rio.
Com a África do Sul correndo contra o tempo e a incógnita brasileira, será difícil chegar ao nível da Alemanha 2006?***
Não temos obrigação de fazer uma Copa moderna. É como uma pessoa sem recursos financeiros dar uma grande festa para impressionar. O Brasil tem que fazer uma coisa organizada, mas que não haja nada tão exuberante. E é um mito esse rigor da Fifa, de que tudo é perfeito. Na Alemanha, cansei de ver coisas que, se fossem no Brasil, todos iriam criticar. Estádios com problemas, centros de imprensa mal aparelhados. Em dois jogos da Seleção em Dortmund, havia jornalistas sentados no chão.
Quando você decidiu ser profissional, foi por perceber que seria diferenciado. Hoje, muito garoto acha que é diferenciado e não é…
É natural verem no futebol a chance de crescer na vida. Mesmo não tendo muito talento, o garoto acha que pode ganhar dinheiro e destaque. Se ilude com elogios antes da hora. Quando o Denílson estava prestes a ir para a Europa, eu o entrevistei. Ele disse que em pouco tempo seria o melhor jogador do mundo. Aí perguntei: ‘Mas você não acha que precisa aprender a cruzar melhor?’. Ele disse sim. ‘Chutar melhor?’. Sim. Outras perguntas, ele concordando. ‘Realmente, tenho que melhorar muito!’. Ele tinha uma habilidade extraordinária, mas não tinha vários fundamentos técnicos para ser um fora de série.
O Robinho vive falando que quer ser o melhor do mundo…
Se o Robinho tivesse consciência crítica de suas limitações, teria avançado mais. Ele é inteligente, muito melhor jogador do que o Denílson, nem se compara. Ainda tem uma grande chance de disputar o prêmio de melhor do mundo. Já o Kaká tem senso crítico, é um jogador que batalhou pelo que precisava melhorar, foi crescendo. Ele é uma exceção.
O que você espera do Ronaldo no Corinthians?***
A expectativa é que ele jogue o que jogou no Milan, isto é, atuar de vez em quando e ter alguns momentos do grande Ronaldo que foi. Mas não dá para esperar dele regularidade, fazer muitos jogos no auge.
E, agora, mais perto da área.
Sim, em espaços mais curtos. O Romário se adaptou a isso, até não sair mais da área, tanto que jogou até os 40. Os mais jovens acham que o Romário foi sempre um centroavante. Ele era um espetáculo do meio para a frente. Tabelava, driblava.
Certa vez você disse que, na Copa de 1970, cederia sua camisa ao Romário…
Naquela posição de centroavante ele foi melhor do que eu. Não é falsa modéstia, é consciência. Ele foi o maior do mundo naquela posição. Ele e o Ronaldo.
A afirmação serve para o Fenômeno também?
Sim. Serve também para o Reinaldo, o Coutinho, o Careca… Todos centroavantes melhores do que eu, porque eu era mais meia do que atacante. Fazia muitos gols também. Mas meu forte era o passe. Jogava como joga hoje o Alex, como o jogou o Zico.
E o Zico foi melhor do que o Zidane, como foi recentemente eleito em uma enquete na TV?***
Não acho, não. Zidane jogou mais. Eu até achava que o Ronaldinho Gaúcho iria se tornar melhor do que ele, pelo que jogou em dois anos no Barcelona. Mas o Zidane jogou muito durante dez, 15 anos. Eu vi Cruyff jogar, Platini, Zico, todos extraordinários. Mas, depois de Pelé e Maradona – e Garrincha, que é um caso à parte – o Zidane foi o melhor. Alguém pode dizer que o Zico foi mais objetivo, fez mais gols. Mas é cada um na sua função. O Zidane, como meio-campista, foi eficiente, fabuloso.
Na sua autobiografia, você afirma que a vida é curta e há necessidade de viver outras vidas (além de jogador, estudou e exerceu a medicina e hoje é cronista). Tostão tem mais algum sonho?
Dentro da minha vida, sempre desejo fazer coisas diferentes. Mas mudar de profissão, não tenho nenhum plano. De vez em quando recebo convites para voltar à TV, mas, por enquanto, estou tranquilo. Não sou de ficar correndo, fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Prefiro fazer menos coisas e me dedicar mais a elas.
MAIS:
– O OLHO ESQUERDO Como médico e observando os avanços da medicina, em relação ao problema que o tirou do futebol (descolamento da retina): se fosse hoje, você teria sobrevida no esporte?
Teria mais chances. As técnicas cirúrgicas são bem diferentes de 40 anos atrás.
Além do risco de sofrer nova lesão no olho, o que o impedia de jogar?
Eu perdi parte da visão do olho esquerdo. Para minha vida normal, não me atrapalha. Mas, como atleta, precisava dos dois olhos trabalhando juntos. O atleta precisa estar atento a certos detalhes. Se eu tivesse continuado, mesmo se eu quisesse, não seria o mesmo jogador, teria dificuldades, como tempo de bola. Eu não sentiria segurança.
– CRUZEIRO Você saiu de forma conturbada do Cruzeiro, quando abriu mão dos 15% a que tinha direito. Qual sua relação, hoje, como clube e com a torcida?
Com o clube, nenhuma. E faço questão de não ter, pela minha função de cronista. Preciso ter toda a liberdade. Tenho que manter total independência. Alguns compreendem, outros não. Convidavam-me muito para eventos do Cruzeiro. Nem me chamam mais, porque sabem que não vou. Com a torcida a relação é muito boa. Me surpreendo até hoje. Onde vou, o torcedor cruzeirense me trata com carinho.
– CENTROAVANTE ARMADOR Você impressionou em 1970 como “centroavante armador”. Como chegou a essa função?
Eu me inspirei no Evaldo, meu companheiro no Cruzeiro. Eu jogava mais atrás e o Evaldo era fora de série atuando como pivô. Quando joguei nas Eliminatórias, com o João Saldanha, eu jogava como no Cruzeiro. Já o Zagallo queria um centroavante mais próximo da área. Quando ele assumiu a Seleção, disse que eu seria reserva do Pelé, pois não imaginava que eu poderia jogar de centroavante. Não me esqueço o dia em que ele resolveu me colocar. Experimentou outros centroavantes que não foram bem – o Roberto e o Dario – e resolveu me testar. ‘Dá pra você jogar nessa posição? Não quero que fique recuando muito’. Eu disse: ‘Perfeitamente. Vou jogar como o Evaldo joga’. Individualmente, não era a posição que eu poderia render mais, mas para a Seleção foi importante.
Maquete do Fielzão: o metrô, pelo menos, já está lá. Mas a Radial Leste é um transtorno e a rede hoteleira é precária na região...
A história rende um livro, fácil. Desde que o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, as idas e vindas do Morumbi como sede paulista foram dignas de roteiro de novela. Pudera: o primeiro projeto, convenhamos, era bem fraquinho. Parecia desleixo ou arrogância. O clube dono do maior estádio particular do Brasil e hegemônico no futebol brasileiro, na ocasião, dava a entender que o Morumbi precisava de poucos ajustes. Engano: a grande maioria dos palcos brasileiros está totalmente fora dos padrões Fifa.
Morumbi 2014: o primeiro projeto (fraco, no improviso), à esquerda. O novo, mais caprichado, veio em cima da hora - e não havia mais tempo, as cartas já estavam marcadas
Homens da Fifa vieram bastante a São Paulo vistoriar, recomendar, solicitar mudanças. O clube tinha seu teto de investimento e não abria mão dele. O vaivém irritava. Até que o Tricolor se opôs à CBF na eleição do Clube dos 13. Foi a senha para ser fritado.
Ao mesmo tempo, o Corinthians se aproximava da CBF como nunca. Andrés Sanchez apoiou Kleber Leite, o candidato de Ricardo Teixeira. Foi escolhido chefe da delegação brasileira na Copa da África do Sul. Especula-se sua influência na contratação de Mano Menezes como treinador da Seleção. Em paralelo, intermináveis capítulos do estádio próprio corintiano, assunto de décadas de piadas de dezenas de maquetes.
Diante desse cenário, a Arena Palestra parecia a grande hipótese. O Parque Antarctica já fechado para obras, construtora definida, projeto na planta. Emperrou em burocracias, porém, e perdeu forças. Aí veio a dupla Goldman/Kassab (governador/prefeito da aliança PSDB/DEM). O primeiro indício de que o Corinthians ia se dar bem na história: estádio + centro de convenções em Pirituba, com dinheiro estatal, mas o Timão de olho na gestão do espaço, a exemplo do que o Botafogo faz no Engenhão. A Fifa brecou.
Uma semana antes da grande novidade, o presidente corintiano não se contém. Afirma em evento universitário que sua grande missão é evitar que o Morumbi sedie a Copa de 2014. Horas depois da grande repercussão, solta nota oficial afirmando ter sido piadinha, que torce pelo estádio tricolor. Pura ironia.
Resta saber se o presidente Lula também foi irônico e dissimulado ao defender o projeto do Morumbi por tanto tempo ou se, realmente, lutou o quanto pode pelo estádio. A verdade é que, com o palco são-paulino fora da Copa, bastou lançar mão de seu prestígio para convencer a Oderbrecht a encarar o desafio de Itaquera. O Fielzão, parece, vai mesmo sair do papel. E já é o estádio para a Copa sem a CBF nem mesmo ter visto o projeto, segundo o próprio Andrés Sanchez. “O Corinthians foi escolhido porque tem credibilidade. Muita gente pode não acreditar, mas nós temos”, disse à Folha de S. Paulo.
Apesar de essa novela estar perto do fim, haverá próximos capítulos. Quem viver, verá.
A tarde foi de festa total no Pacaembu. O Corinthians fez seu jogo de festa do Centenário – não atuará no dia 1/9 -, com uniforme comemorativo, a volta de Ronaldo depois de quase quatro meses e com o anúncio do novo estádio, o Fielzão, em Itaquera, sede paulsitana na Copa de 2014. Invicto jogando em casa, e com tantos motivos para comemorar, o Timão passou bem pelo Vitória. E mandou bem na hora de secar.
Pois o Flu, líder, deixou o Alvinegro encostar de novo. Encontrou um São Paulo guerreiro no Marcanã, disposto a fugir do Z4. Com Rogério Ceni num daqueles dias inspirados, fazendo gol (seu primeiro e provavelmente único no Maracanã, que fechará para reforma) e pegando pênalti. O empate em casa, entretanto, não faz do Tricolor carioca um time menos forte, menos favorito, menos obstinado em buscar o gol – como fez nos minutos finais.
Impressionante o vacilo do Flamengo no Brinco de Ouro (virada bugrina nos acréscimos). Silas, o novo técnico, viu quanto trabalho terá. Segundo Zico, ele foi escolhido por seu estilo ofensivo combinar com o desejo da torcida rubro-negra. Mas para esse momento seria melhor um treinador mais experiente e até mesmo disciplinador, para orientar um elenco ainda sem identidade e abalado pelos escândalos policiais.
Enquanto o Santos, sem Ganso, tenta mostrar ainda ter forças para lutar pela tríplice coroa, o Internacional é uma certeza: irá perseguir os líderes, torcendo por tropeços. Só espero que não desacelere o bom futebol quando chegar às vésperas da disputa do Mundial – exatamente nas últimas rodadas do Brasileirão.
O Ceará já não é o mesmo do período pré-Copa, o Cruzeiro segue buscando mais uma disputa de Libertadores – rotina azul – e seu arquirrival…
O Galo tem um elenco recheado de estrelas, o treinador que mais ganhou Brasileiros, mas é o time que mais perdeu no campeonato, 11 vezes… Como explicar? Segredos escondidos vestiário adentro: inimizades, grana (salários, bicho)? Ou apenas um grupo de não deu liga? Só sei que tem muito estouradinho vestindo a mesma camisa e o Atlético-MG pode estar se tornando uma bomba-relógio. Fábio Costa, Ricardinho, Diego Souza, Tardelli, Obina, Luxemburgo… Haja, coração, torcedor alvinegro!
Já foi o time imaginário dos laterais-direitos e zagueiros. Chegou a vez dos canhoteiros, versáteis, coringas, atuando nas posições pelas quais se espalharam durante a carreira – exceção ao “goleiro” e ao meia que virou lateral/ala pelo lado sinistro do campo..
goleiro RONALDO LUÍS: de tanto tirar bola em cima da linha em partidas decisivas do São Paulo no início dos anos 1990, merece a lembrança. Em entrevista para um das revistas de futebol da Alto Astral (com o tema Jogos Inesquecíveis), contou que não era sorte, ele se preparava para estar ali.
lateral-direito MARCELO SANTOS: esse eu sou testemunha ocular. No Paulistão 2006, pelo Noroeste, o jogador canhoto assumiu o lado direito quando Paulo Sérgio (ex-Palmeiras, Grêmio, Vasco e hoje na Lusa) quebrou o braço. Deixou um especialista da função no banco: Reginaldo Araújo, ex-Coritiba e campeão carioca de 2004 pelo Fla.
zaga NILTON SANTOS: tão bom quanto lateral, teve a sensibilidade de perceber que o jovem Rildo voava pela esquerda e assumiu o miolo da defesa do Botafogo com toda sua experiência. MALDINI: já foi citado por vários atacantes consagrados como o defensor mais difícil de ser driblado.
lateral-esquerdo JORGE WAGNER: quando Muricy Ramalho desistiu de usar o camisa 7 (meia de origem) na armação e o recolocou na beirada do campo, em 2008, o São Paulo encontrou o caminho do hexa.
volantes JÚNIOR: o Capacete já usava a camisa 5 mesmo nos tempos de lateral-esquerdo. Provavelmente, previa que iria brilhar no meio-campo. Arrebentou assim na Itália e, quando voltou para o Flamengo, em 1989, atuou um pouco mais adiantado. ZÉ ROBERTO: modernizou-se no futebol alemão, com seu pulmão e sua habilidade. Quando se fala de “volante pelo lado esquerdo”, seu nome é o primeiro que vem à cabeça. Mas nada se compara a sua temporada como meia-atacante vestindo a 10 do Santos, em 2007. Foi mágico.
meias MAZINHO: atuou nas duas laterais do Vasco, no início da carreira, e se destacou na esquerda no bi estadual (1987/88) e no Brasileirão (1989). Depois, virou camisa 8 clássico naquele timaço do Palmeiras (Parmalat) e roubou a posição de Raí (camisa 10 e capitão) durante a Copa do Mundo de 1994. FELIPE: camisa 6 do Vasco nos títulos nacional (1997) e continental (1998) – e agora de volta a São Januário -, arrebentou vestindo a camisa 10 do Flamengo no Estadual de 2004. Usava o drible e o passe açucarado como suas armas. E ainda fez uns golzinhos.
atacantes SERGINHO: no Milan, foi usado praticamente como ponta-esquerda em certos momentos. Dessa forma se firmou como titular no fim da década passada. Depois, com o clássico 4-4-2 efetivado, voltou à lateral e foi perdendo espaço aos poucos. LEONARDO: também no Rubro-Negro italiano, atuou como atacante mesmo na Liga de 1998/99, fez 12 gols e ajudou o clube a ganhar o scudetto no ano de seu centenário. Com isso, entrou para a história e, não à toa, foi dirigente e treinador por lá.
técnico VANDERLEI LUXEMBURGO: era lateral-esquerdo. Segundo ele, dos bons. Mas passou anos à sombra de Júnior, no Flamengo.