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Flu: pintou o favorito do Brasileirão

Um patrocinador forte, um treinador badalado e um elenco encorpado. O Fluminense já usou esta fórmula várias vezes desde que é apoiado pela Unimed. Mas, raríssimas vezes, esses três elementos deram liga como agora. A grana foi bem gasta, os reforços que já entraram em campo têm correspondido e Muricy, ao contrário do que aconteceu em sua curta passagem pelo Palmeiras, sente-se bem nas Laranjeiras.

A chegada do meia Deco é a cereja do bolo. Ele não se encaixa no perfil de atleta em decadência que retorna ao país. Acaba de disputar sua segunda Copa do Mundo, por Portugal, e não era exatamente um jogador descartado no Chelsea. Tem nível de jogador “interncional”, como dizem na Europa – por isso seu astronômico salário de R$ 750 mil que receberá no Flu.

A folha mensal do Tricolor, aliás, é o perigo da temporada: transforma o grande favoritismo em obrigação, para justificar o investimo – além de Deco, Muricy (cerca de R$ 500 mil) e Fred (R$ 400 mil) também faturam acima dos padrões do futebol brasileiro. Por outro lado, a Unimed já ameaçou fechar os cofres em fracassos anteriores e acaba volando atrás… Voltemos ao campo, pois.

O goleiro (bauruense) recuperou a posição de titular e voltou a atuar bem, como na reta final da Libertadores 2008. Tem Rafael como boa sombra.

O laterais Mariano e Carlinhos têm sido as boas surpresas, aproveitando a liberdade que o esquema com três zagueiros oferece. Esse trio defensivo, aliás, não é brilhante, não tem banco à altura, mas se entrosou bem. E todos eles (André Luis, Gum e Leandro Euzébio) são muito bons no jogo aéreo.

O meio-campo, de tão entrosado – e com vaga reservada para Deco -, deverá colocar Belletti no banco. Foi ótimo segundo volante nos tempos de Cruzeiro, Atlético-MG e São Paulo, mas perderá lugar porque o triângulo que Muricy deverá formar terá um cabeça de área (Diogo, Diguinho ou Valencia) e dois meias (Deco e Conca). A não ser que o treinador sacrifique o atacante Emerson, deixando um camisa 9 isolado na frente.

Camisa 9? Ela é de Fred. Washington é outra estrela na reserva. Como agora, jogará nas ausências do capitão tricolor, perseguido por contusões, e será ótima arma para o segundo tempo.

Conca merece menção especial. É o sonho de consumo de Muricy desde os tempos de São Paulo. Ótimo meia que foi, o técnico deve estar projetando toda sua experiência e visão de jogo no argentino, que sempre jogou o fino por aqui, desde os tempos de Vasco.

Na disputa com o Corinthians, vice-líder e também com elenco cheio de alternativas, o Flu leva vantagem por ter menos cobrança da galera, ser menos badalado na imprensa e até mesmo por ter pequeno índice de rejeição das demais torcidas – eu mesmo, rubro-negro, simpatizo com as cores e a tradição tricolores. Aliás, respeito profundamente todos os clubes brasileiros, suas riquíssimas e gloriosas histórias, seus hinos belíssimos. (Perdoe-me o parêntese, é que faço sempre o coro com quem pensa que rival se admira, se respeita, não se odeia. O que seria do Corinthians sem o Palmeiras, por exemplo?)

Enfim, olho no Flu. Que tem uma diferença fundamental em relação ao Palmeiras de 2009, que perdeu fôlego no fim do Brasileirão: tem dois ótimos meias de criação. Se um deles se contundir, o outro segura a bronca. Quando Cleiton Xavier se machucou, Diego Souza não tinha as mesmas características.

Imagem da home: arte sobre fotos de Wallace Teixeira/Photocamera

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Bauru Basket

Itabom/Bauru larga otimista para nova temporada

Vencendo todos os seus jogos-treino na fase de preparação, o Itabom/Bauru dá a largada para a temporada 2010/2011 nesta segunda-feira (9/8), quando apresenta reforços, novo uniforme (agora fornecido pela AND1) e patrocinadores/parceiros.

Contando com o ala Julio Toledo (campeão do último torneio de enterradas do NBB), o pivô Douglas Nunes (23 anos 2,03m) e o armador Thyago Aleo como principais novas peças, o time bauruense agora tem o que faltava nos campeonatos anteriores: opções no banco de reservas para não sobrecarregar os titulares. Até Larry Taylor, pilar e a liderança técnica do time, poderá descansar um pouco durante as partidas.

O pivô Douglas Nunes, reforço, se destacou durante a preparação

O Itabom/Bauru venceu durante a preparação Limeira (76 a 68 no ginásio da USP; 83 a 80 fora), Araraquara (78 a 71, primeiro confronto no ginásio reformado da Luso), Assis (90 a 75) e Franca (96 a 73). Guerrinha chamou a atenção que Franca estava no início da preparação, mas nem por isso os mais de 20 pontos de frente deixam de ser animadores. “Se começarmos o campeonato com essa intensidade está bom. Fizemos uma ótima preparação. Pela continuidade do nosso trabalho e pelas contratações que fizemos, dá para ver que estamos no caminho certo”, avisa o treinador, pela assessoria.

A expectativa é realmente das mais otimistas. A longa caminhada do Itabom/Bauru começa no próximo dia 14, contra o São Bernardo, fora de casa. A estreia no NBB (Novo Basquete Brasil) está prevista para o início de novembro.

Fotos do destaque na home do Gabriel Pelosi/Bauru Basket

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Noroeste

Pantera atropela o Norusca!

De Bauru
(ligado no Jornada Esportiva)

Eu não vi o jogo. Eu ouvi. O melhor a fazer, então, é abrir aspas para quem viu de perto o totó de 3 a 0 que o Penapolense (“o” porque é o Clube Atlético Penapolense) aplicou no Noroeste nesta manhã de domingo (8/8), em partida adiada da terceira rodada da Copa Paulista. Declarações  dadas ao repórter Thiago Navarro, que fez bom e rápido trabalho à beira do campo.

Como foi o jogo? “Horrível. Faltou atitude”, resumiu o treinador Marcos Antônio Ribeiro. O lateral-direito Rafael Mineiro também tem sua versão, cometendo o ato falho de usar palavrão com o microfone ligado: “Entramos desligados, aí é foda correr atrás”.

Já o goleiro Yuri,que salvou o Noroeste de uma goleada maior, foi mais direto. “Foi uma equipe apática, sem vergonha na cara. Essa palhaçada não é coisa de homem. Com todo o respeito, mas tomar pancada de 3 a 0 de Penapolense é falta de vergonha. Esse time precisa ter vontade de vencer”.

Por fim, a entrevista mais esperada. O treinador principal, Luciano Dias, foi questionado pelos repórteres bauruenses sobre sua atuação fora da beira do gramado. Ele argumentou que precisará viajar bastante para assistir in loco a jogadores que interessam ao clube. “Toda a comissão técnica conhece o time, isso independe da minha presença. Não preciso estar dentro de campo para os jogadores honrarem o Noroeste e, principalmente, o Seo Damião, que paga em dia e dá condições para eles trabalharem. O que se viu hoje foi vergonhoso, vexatório”.

O carrasco do dia, o atacante penapolense Luciano Gigante, resumiu bem qual é o espírito de quem disputa a Copa Paulista – que sirva de exemplo para os alvirrubros: “Não interessa se é primeira, segunda, terceira divisão ou Copa Paulista. Eu me esforço e me dedico porque aqui está o meu ganha pão, o sustento da minha família”. Falou e disse.

O JOGO

Pressionando desde o início da partida, principalmente pelo lado direito, com o ala Ferrinho, o Penapolense assusta aos 15, quando o camisa 2 chuta forte, Yuri rebate e Luciano Gigante o obriga a fazer nova defesa.

Aos 24, o primeiro gol. A exemplo do que havia feito na estreia contra o Marília, Luciano Gigante cobra perfeita falta sobre a barreira e manda a bola no ângulo.

O Noroeste só chega aos 37. Tabela entre Cleverson e Juninho, passe para Rafael Mineiro, que chuta travado, ganhando escanteio. Cinco minutos depois, mais uma bola na rede. Contra-ataque após erro de Lello e Ferrinho cruza da direita para Peres, na segunda trave, completar de cabeça.

Nas entrevista do intervalo, sem cerimônia, os meias noroestinos culpam os volantes pelo péssimo primeiro tempo. “Os volantes têm que nos ajudar um pouquinho mais na saída de bola”, diz Almir Dias. “Sempre é difícil, para quem está na frente, quando a bola não sai com qualidade lá atrás”, decreta Cleverson, que não volta para a segunda etapa, substituído por Willian Leandro – assim como Lello, que dá lugar ao estreante Deivid.

O jogo recomeça igual: a Pantera da Noroeste jogando com velocidade e troca envolvente de passes. Yuri evita gol de Gigante aos 6, Anderson Cavalo cabeceia com perigo aos 7. No minuto seguinte, o alvirrubro chega com Almir Dias, que cruza para Adilson Souza cabecear sobre o gol.

O Penapolense fecha a conta aos 9 minutos. Alê cruza da esquerda e a bola encontra o goleador na área. O pequenino Luciano Gigante não perdoa. 3 a 0.

Marcos Antônio, provavelmente seguindo orientação de Luciano Dias pelo celular, coloca Geilson no lugar de Roque para evitar o caminhão de gols que se anunciava. Abdica do gol de honra e fecha a zaga. Mesmo assim, a Pantera segue de garras afiadas: aos 25, Dominguinho dá belo passe para Alê chutar forte; Yuri desvia para escanteio.

Como no primeiro tempo, o Norusca só chega com perigo bem tarde. Aos 35, o goleiro Ricardo salva o que seria o primeiro gol noroestino, em jogada de escateio desviada por Geilson. Cinco minutos depois, Aidar recebe de Almir Dias e, da entrada da área, limpa o zagueiro e chuta pra fora, raspando a trave.

O jogo termina para alívio alvirrubro e alegria do público local, registrado oficialmente como 135 pagantes – e muitos entrando na faixa.

Noroeste Penapolense Copa Paulista 2010

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SeleSantos, campeão da Copa do Brasil!

Arte de Eugênio Tonon

Apesar de ganhar seu segundo título no ano perdendo o jogo decisivo (o Santo André venceu o jogo de volta do Paulistão), o Santos não dá brecha para qualquer tipo de contestação. Time bom, com estrela, com jeito de campeão mesmo, permita-me o clichê.

Encher bola de treinador é moda chata no futebol atual, mas Dorival Junior tem uma participação importantíssima nesse timaço. Quando assumiu, com o título brasileiro da Série B debaixo do braço (Vasco), André era reserva, Ganso e Neymar haviam terminado 2010 em baixa e o veterano Giovanni era a esperança… O técnico transformou esse elenco de retalhos em um belo time! Mais: mesmo tendo perdido o controle em alguns momentos – a molecada é mesmo folgada – provou que não bancar o chefe linha-dura deu resultado: duas taças.

Além do Paulistão e da Copa do Brasil – a Folha de S. Paulo lembrou que dois títulos de expressão não chegavam em um mesmo ano à Vila desde 1968 – outra conquista do Peixe foi emplacar seu quarteto ofensivo na Seleção Brasileira, sob o novo comando de Mano Menezes.

Tudo deu certo. Felipe vinha bem antes da Copa, Rafael assumiu com postura de veterano. Quem previa piadas para Edu Dracena e Durval tem que aplaudir essa segura dupla. Os laterais se revezaram muito e talvez sejam o ponto mais fraco do time. Arouca também merecia Seleção – arrebentou segurando sozinho a bronca da intermediária defensiva. Wesley é o volante moderno, habilidoso, com fôlego interminável. Lá na frente, André ficou devendo no fim, mas fez gols importantes.

Destaque especial para o maravilhoso trio Ganso, Neymar e Robinho. O camisa 10 é craque, o cérebro. Neymar mostrou seu lado artilheiro – foi o goleador da competição. E Robinho fará falta, sim! Deitou e rolou contra os times nanicos, foi decisivo contra o Grêmio, jogou bem diante do Galo. Esse título tem sua marca. Mais: Robinho – e Léo também – está presente nas principais conquistas do Peixe nesta década (Brasileirão de 2002 e 2004 e esta Copa do Brasil).

Com a chegada de Keirrison e Marquinhos reforçando o meio-campo com a saída de Robinho, o Santos segue forte. E tem fome de bola suficiente para tentar buscar o Brasileirão e a Sul-Americana. Por que não?

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Noroeste

Trem-Bala vence o fraco Grêmio Prudente

Direto do gelado Alfredão

A noite prometia ser a maior roubada do Canhota 10 desde que me propus a roer o osso com o Norusca na Copa Paulista. A previsão do IPMet se confirmou e o vento frio rasgou o rosto dos bravos noroestinos que foram ao Alfredão. Mas para recompensar esses fiéis torcedores, o Alvirrubro fez sua melhor apresentação neste semestre, sobretudo no primeiro tempo.

Com boa movimentação do quarteto ofensivo, o Noroeste chegou ao ataque tocando bem a bola e mostrando interessante disposição tática: Giovanni aberto na esquerda, chegando à linha de fundo, e Aidar pelo outro lado. Cleverson, voltando de contusão, foi discreto, mas ganhou confiança para as próximas rodadas, com seu golaço.

O Prudente, muito fraco, jogava com seu time principal ao mesmo tempo (empatou em 0 a 0 com o Atlético-MG, pela Sul-Americana). A molecada, em Bauru, não ofereceu perigo. O que não desmerece a vitória noroestina: quem pega time fraco e ganha com propriedade é porque jogou bem.

Agora vice-líder do Grupo 1, com seis pontos, o Trem-Bala visita a Penapolense, terceira colocada, domingo (8/8), às 10h.

O JOGO

A partida demora a engrenar. Somente aos 16 o primeiro chute no rumo do gol adversário. Aidar faz jogada pela esquerda e rola para trás. Juninho, sempre ele, arrisca da meia-lua e o goleiro pega. Um minuto depois, é a vez de Adílson tentar da intermediária para defesa de Vinícius. Aos 20, o Noroeste perde gol feito. Após bola cruzada da direita, a bola sobra para Aidar na área, pinga oferecida em sua frente e ele chuta travado, por cima, ganhando escanteio.

O Alvirrubro segue pressionando. Em bela trama, Rafael Mineiro faz a ultrapassagem pela direita, recebe e cruza, mas Adilson e Giovanni não alcançam.

Após a primeira chegada do Prudente, aos 24, em cabeceio de Saldanha defendido por Yuri, o Norusca chega ao merecido gol, aos 27. Giovanni cobra escanteio da esquerda, a zaga desvia e Cleverson domina o rebote no peito – da meia-lua, ele enche o pé no ângulo direito do goleiro, indefensável.

A partir daí, a partida esfria, assemelhando-se ao clima polar do Alfredão. Somente aos 38 o Trem-Bala volta a agredir a defesa rival. Giovanni, atuando bem aberto pela esquerda, cruza aparentemente sem perigo, mas Vinícius fura e a bola quase entra. Aos 42, de novo camisa 10 alvirrubro, fazendo grande partida. Ele chuta de longe e alto para difícil ponte do goleiro. No minuto seguinte, a segunda chegada do Prudente, novamente com Saldanha, que chuta mascado e facilita defesa de Yuri.

Aos 46, o lateral-esquedrdo Roque tem seu momento de Roberto Carlos, cobrando falta com força, do meio da rua – a bola passa do lado da trave.

No intervalo, voltando do carro – para buscar mais uma blusa de frio – passo ao lado do vestiário alvirrubro e o vento traz da janela o grito do treinador Marcos Antônio Ribeiro: “Vamos jogar bola!”. Os jogadores atendem de cara. Logo a um minuto, novamente em escanteio cobrado por Giovanni da esquerda, o gol sai. A bola sobra para Bonfim empurrar com o pé direito, rasteirinha. O capitão, que vinha de más atuações, vibra muito.

A partida segue com muita movimentação, mas sem chances, até o Trem-Bala ampliar, já aos 32 minutos. E novamente em jogada de Giovanni que gera escanteio. A cobrança é cortada, Aidar pega a sobra na beirada da área e tenta o gol por cobertura, quase sem ângulo. Debaixo da trave, Giovanni apenas confirma de cabeça.

O Prudente tenta reagir, mas Costela, aos 33, e Beto, aos 35, ambos de dentro da área, chutam a bola nos eucaliptos. A essa altura, o Noroeste já tem três novos atletas em campo: Almir Dias – que havia entrado bem contra o MAC –, Paulo Roberto ganha mais uma chance e Mizael novamente substitui o contundido Rafael Mineiro, que sempre apanha muito.

Aos 43, o veloz e desengonçado atacante Costela obriga Yuri a fazer sua primeira defesa difícil. Dois minutos depois, Rhayner dribla dentro da área e finaliza perto do gol. Mais relaxado, o Norusca começa a errar passes e ceder contra-ataques. Mas nada que apague a boa atuação, que pode sinalizar novo (e vencedor) rumo para o time na competição.