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Noroeste: muito além dos eucaliptos

Diretoria cogitou derrubar e vender os tradicionais eucaliptos do estádio do Noroeste. Confira a opinião sobre esse e outros assuntos do clube.

O mundo lá fora está se mexendo, isso é bom e por isso acho que essa semana de pausa no blog nem foi notada. Tenho que perder essa mania de me justificar, mas não gosto de perder o ritmo das postagens – então, parece que estou justificando para mim mesmo… Mas os dias são cada vez mais corridos e pra piorar estou meio baleado (nada demais, mas o suficiente para eu preferir a cama ao computador noite adentro).

Enfim, retomemos. Norusca. Ah, Norusca… Foi uma paradeira depois da precoce (e previsível) desclassificação na primeira fase da Copa do Brasil. De repente, começaram a pipocar notícias. Atraso de salários, grupo de cotistas esfarelando, imprensa barrada na porta do clube, greve de jogadores. Fatos suficientes para o presidente Anis Buzalaf quebrar o silêncio e começar a procurar os veículos de imprensa – este blog está à disposição –, pois há muito a explicar, apesar de ele ainda posicionar-se de forma vaga. Antes que eu me perca em tanta coisa acumulada, vamos em tópicos.

O papel da imprensa
Ao barrar a entrada de jornalistas no dia 6 de junho, o presidente disse ao Jornal da Cidade que era uma maneira de coibir o vazamento de informações negativas sobre o clube. Que questionasse quem vazou – certamente algum descontente –, pois a imprensa só está fazendo seu papel. Mais tarde, em 13 de junho, em entrevista à 87FM, o conselheiro Abel Abreu (“braço direito, esquerdo, corpo e cabeça” de Anis, segundo palavras do próprio presidente), disse que a imprensa “não vem colaborando com o Noroeste na medida em que noticia fatos negativos”. É difícil entender que toda e qualquer verdade revelada – sim, o Noroeste está inundado em notícias negativas – tem por objetivo contribuir com o clube? Que a imprensa local joga junto, mas isso não significa passar a mão na cabeça? Tem mais: se não vaza para a imprensa, vaza para torcedores. A rubraiada é bem informada, conversa com funcionários, jogadores, conselheiros. E o Facebook é uma pólvora. Resumindo, seja por qual meio for, a verdade vem à tona. Sorte do Noroeste que a imprensa é responsável, checa informações, ouve todos os lados. Sorte mesmo, porque há muita coisa que rola nos bastidores que, por não ter como provar, a gente não publica. Mas a boca pequena sabe… Uma ingenuidade achar que um potencial patrocinador se informa somente pelos meios oficiais. Ele houve a boca pequena. Ele sabe que, hoje, o Alvirrubro não passa credibilidade. Só resta à diretoria noroestina resgatar essa credibilidade – e isso passa por respeitar e compreender o papel fundamental da imprensa.

Damião é passado
Há quem questione os que criticavam a gestão de Damião, como que culpando-os pela saída do mecenas, comparando com o problemático momento atual. Tudo já foi dito, de positivo e negativo, da era Garcia. É um capítulo importante da história do Noroeste. Mas é preciso escrever outro, mesmo que por linhas tortas. Há nesse questionamento um apego ilusório, uma negação do inevitável. Era sabido que filhos e netos só tocavam o Norusca a pedido do pai, que agora se limita a cuidar de sua saúde. Aliás, há ainda quem acredite que só é possível tocar um clube de futebol com alguém de bolso cheio no comando. Um raciocínio bem preguiçoso… Vou desenhar: recupere a credibilidade administrativa e coloque gente na rua pra correr atrás dos patrocinadores, com planos para todos os bolsos e com números do retorno de mídia local, que é o que interessa. Um dos erros do passado era querer vender o Noroeste como um Real Madrid do Interior. Com o pé na realidade e gastando sola de sapato, o clube chega lá.

A volta do marketing
Quando a família Garcia se retirou do clube, o consultor Evaldo Armani também saiu de cena. Alvo de muitas críticas – muitas de minha parte –, é justo dizer que em seus últimos meses na função, ele vinha conseguindo trazer novas receitas, muito pelo empenho de Celi Leme (esse relato do Mafuá do HPA explica bem), que também saiu. Vagas não repostas ou pelo menos reposições não percebidas. Agora, Marcos Cafeo foi anunciado como nome à frente desse desafio. Que tenha sorte na empreitada. É um trabalho de formiguinha, uma placa aqui, um muro ali, permuta acolá.

Eucaliptos
Como quase não entra dinheiro no clube, a diretoria vai enxugando gelo. É a segunda vez que se vende percentual de jogador para ajudar a pagar salários – antes do jovem atacante Samoel Pizzi, agora do lateral Samuel Balbino. Agora, com o argumento de abrir um espaço para uma escolinha de garotos de seis a 12 anos, surgiu a ideia de derrubar parte dos eucaliptos e vender a madeira. Há quem diga que dá uma boa grana. Mas não é uma ideia muito simpática à tradição noroestina. E, olhando para o complexo na foto acima (reproduzida no Google Maps), fico pensando se a área 2 não é mais propícia para novos campos do que a 1 – se há empecilho de nivelamento de terreno ou outro motivo, agradeço correções.

Parceria
Não haverá mais grupo de cotistas. Não preciso repetir aqui, pela terceira vez, o raciocínio óbvio. Todos perceberam que a conta não fechava. E como um patrocínio máster parece distante da realidade atual, a saída parece ser a parceria com uma empresa de gestão esportiva. No caso, a FL Work Sport (sem site oficial), com o ex-jogador Fabiano Larangeira negociando com o Norusca. Ele já voltou ao Rio Grande do Sul e aguarda a resposta positiva do clube, que analisa o contrato. Segundo o perfil de Larangeira no Facebook, ele esteve neste primeiro semestre no Curitibanos, clube que vai disputar a terceira divisão catarinense no início de agosto. A promessa, segundo o site Futebol Bauru, é de cerca de R$ 50 mil mensais de investimento mensal, sendo a contrapartida a participação percentual em atletas negociados pelo Noroeste.

Conselho
As reuniões do Conselho Deliberativo normalmente são esvaziadas. Sinal claro de que está na hora de renovar o quadro. Fazer valer o que está no Estatuto do clube e destituir os ausentes. Ok, há uma brecha no texto que eles podem justificar a ausência, mas eles têm justificado? Para renovar o quadro, o presidente Anis Buzalaf pode convocar uma Assembleia Geral (consta isso no documento), com todos os sócios. Aliás, quantos são sócios? Quem são eles? Estão todos regulares? Chegou o momento de essa lista vir à tona e ganhar vida, para movimentar os bastidores do clube.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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