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Ex-zagueiro do Noroeste, Monteiro visita o clube: “Amo tudo isso aqui”

Monteiro, zagueiro dos anos 1990, visita o Norusca, oferece ajuda e conta boas histórias. Confira!

“Onde eu vou, o Noroeste está na ponta da língua. Eu sou o Monteiro do Noroeste”. Nada melhor para comemorar o aniversário de Bauru do que uma declaração de amor dessas. Dita ontem, quando o estádio Alfredo de Castilho recebeu uma visita ilustre: Monteiro, zagueiro que brilhou no Norusca nos anos 1990, mas que começou sua trajetória alvirrubra em 1987. Nascido em Bauru há 41 anos, estabeleceu-se na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, onde também fez história atuando pelo Esportivo. Mantém raízes na Cidade Sem Limites e, durante visita familiar, fez questão de voltar ao local onde ganhou notoriedade.

Quando pisa no gramado (ao lado), as lembranças vêm fácil. Os causos se multiplicam. E em cada fala percebe-se o tom de gratidão e respeito pelo clube. “Eu amo tudo isso aqui, é muito importante pra mim”, diz Monteiro, que mantém-se informado sobre o Noroeste e pretende ficar mais perto ainda. “Eu sou daqui, aqui é minha terra. Mantenho contato com torcedores, acompanho pela internet. Agora peguei contato de todo mundo. E vou vir mais pra cá”, avisa.

A intenção, aliás, é ajudar de forma concreta, com sua experiência e a de outros colegas da época. “Eu quero ajudar. Não sei como, porque não estou aqui. Mas se estivesse em Bauru, gostaria de estar aqui dentro, participar. E não precisa ser remunerado, nada disso. Da próxima vez que vier, com mais tempo, quero conversar com quem está administrando, para trazer os ex-atletas, bater um papo sobre situações que a gente já passou, falar com as categorias de base”. Com amor ao escudo alvirrubro e a vivência do perrengue de outros tempos, de fato só terá a contribuir.

monteiro-trofeusAcompanhado do amigo Agostinho e do enteado Vitor (foto ao lado, vestindo a camisa do Esportivo de Bento Gonçalves), o pai do Lucas aproveitava cada segundo. Da escada do vestiário que dá acesso ao campo, lembrou-se de uma frase famosa do massagista Rodrigues, quando espiava as arquibancadas: “Hoje o clima está tenso!”. E logo chegou o Rodrigues, para dar um abraço e lembrar mais e mais histórias — e posarem para a foto que ilustra o topo deste texto. E tome história boa! Abaixo, Monteiro conta algumas.

A NEGOCIAÇÃO FRUSTRADA DE MARCOS COCO
Jogo decisivo da Série B de 1992 contra o União São João. Empresários do Bahia em Bauru de olho no lateral-direito Marcos Coco, que, além de falhar, assassinou o português… “O assessor de imprensa da época avisava: ‘cuidado como vocês vão se expressar’. Os dois gols foram nas costas dele, no campo molhado, uma lama. Veio a imprensa perguntar o que houve. Ele, inocente: ‘O que cê quisesse que eu fazesse? Quando eu vi o cara já tinha fazido! O campo tava alagaçado, a bola rusguenta!’. Aí tiraram o Coco e o levaram para o vestiário, chorando…”

ADMIRAÇÃO PELO CAMPEÃO DA AMÉRICA
Em 1992, o Noroeste enfrentou o São Paulo duas vezes no Paulistão. Da primeira, pouco mais de um mês depois de o Tricolor ganhar a Libertadores. Em 26 de julho, no Alfredão, é cristalina para Monteiro a imagem do técnico Telê Santana à beira do gramado. “Não falava nada. Só mascava chiclete. De repente fazia uns dois gestos e o time todos se mexia em campo!”, conta, admirado com o desfile de feras: Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ronaldão, Raí, Muller… Na volta, em 15 de outubro, um implacável 6 a 0, com cinco gols de Raí. “O Caio Coube, presidente, ainda tentava motivar, falando que perdemos para o melhor time do mundo”. Que realmente viria a se tornar, em dezembro, vencendo o Barcelona em Tóquio.

ENQUADRANDO O SUPER PALMEIRAS-PARMALAT
Era 19 de março de 1993, primeiro turno do Paulistão em que o Palmeiras, finalmente, sairia da fila. Vieram Mazinho, Antônio Carlos, Roberto Carlos, César Sampaio, Zinho, Edmundo, Evair… Mas, em Bauru, não venceram! Um pouco do zero a zero pode ser explicado pela enquadrada que Monteiro deu no atacante Edmundo. “Eu dividi uma bola com ele, que virou pra mim e falou: ‘Pra que correr, Monteiro? Ganha uma merreca de salário nesse time aqui’. Eu voltei até a linha do meio-campo colado nele, olhei de cima pra baixo e falei: ‘Posso ganhar pouco pra sempre, mas se você passar por mim, nunca mais joga bola na vida!’. Adivinha: ele não avançou mais nenhuma vez!”, diverte-se o ex-beque. De fato, Edmundo foi até substituído, por Maurílio.

Abaixo, duas formações do Noroeste em que Monteiro jogou, pra matar a saudade da torcida:

Time do Paulista de 1992. Em pé: Luizão, Alcides, Cláudio, Sílvio Roberto, Luís Claudio, Evandro, Amarildo e Monteiro. Agachados: Jorge Raulli, Vaguinho, Marco Aurélio, Baroninho e Robert.
Time do Paulista de 1992. Em pé: Luizão, Alcides, Cláudio, Sílvio Roberto, Luís Claudio, Evandro, Amarildo e Monteiro. Agachados: Jorge Raulli, Vaguinho, Marco Aurélio, Baroninho e Robert.
Série A-2 de 1996. Em Pé: Borges, Airton Trevisan, Campagnollo, Claudecir, Monteiro, Marcos Garça, Carlão e Luizão. Agachados: Pedrinho, Bariri, Claudinho, Tequila, Nilson, Valder e Rodrigues.
Série A-2 de 1996. Em Pé: Borges, Airton Trevisan, Campagnollo, Claudecir, Monteiro, Marcos Garça, Carlão e Luizão. Agachados: Pedrinho, Bariri, Claudinho, Tequila, Nilson, Valder e Rodrigues.

Monteiro é a figurinha número 5 da Galeria Alvirrubra, o espaço que o Canhota 10 criou para homenagear grandes jogadores da história do clube — e que você pode ajudar a montar, enviando sugestões e imagens que encontrar! Clique aqui e dê uma volta no glorioso passado do Norusca!

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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