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Sobre fantasmas em Alfredo de Castilho

Confira a opinião do Canhota 10 sobre o episódio da penhora do aluguel do ginásio do Noroeste

A notícia estourou no final de semana, proveniente do Sapesp (sindicato dos atletas profissionais do estado), e o colega Emerson Luiz repercutiu: a penhora do valor do aluguel do ginásio Panela de Pressão (da Prefeitura junto ao Noroeste) e, em seguida, o aparecimento de “jogadores fantasmas” na lista de assalariados alvirrubros, enviada pelo próprio clube à Justiça.

Enviada porque o clube, solicitando nulidade da penhora, argumentou via assessoria jurídica ser a verba do aluguel (exatos R$ 19.053) importante para a quitação da folha salarial. Dupla ingenuidade!

A primeira, por tornar público um documento com, na melhor das hipóteses, erros: constam jogadores na folha salarial que não pertencem mais ao Noroeste (o meia Nathan e volante Juninho). O clube alega ser realmente um erro e prepara nota elucidativa, que será aqui publicada assim que disponibilizada. Das duas, uma: ou foi mesmo um erro ou alguém dentro do clube agiu de má-fé, entregando a desavisados advogados (que não têm obrigação de saber quem está no elenco, ainda mais trabalhando de forma voluntária) essas informações comprometedoras. Não que fraudes devam ser acobertadas, muito pelo contrário, mas seria tragicômico dar a prova do crime de mão beijada, se for o caso… Mas torçamos pelo erro.

A segunda ingenuidade: usar como argumento uma verba que, como é sabido, é usada quase que integralmente para abater dívida de IPTU. Sobram, no máximo, R$ 3 mil para os cofres do clube. Ok, dinheiro suficiente para pagar a parcela de R$ 600 da ação do atleta Lúcio (zagueiro de passagem obscura em 2012/2013), que motivou a penhora. Mas o texto da defesa alvirrubra não deixa isso claro, ainda mais anexando a folha salarial de maio, na ordem de quase R$ 60 mil.

Um porém: o clube não pode usar os R$ 50 mil da Tel Telecom (vindos de lei de incentivo fiscal) para abater dívidas trabalhistas. Ou irá descumprir lei de usar essa verba somente para categorias de base. Portanto, esse valor não entra em discussão. Qualquer argumento em cima disso é desonesto. E é fato também que, hoje, o Norusca não tem receita suficiente para honrar os quase 40 acordos trabalhistas — sempre me pergunto quem foi o gênio (ou maquiavélico) que, em 2012, assinou contratos de um ano com vários jogadores. Tem que pagar, claro, mas vai minguar por causa disso.

Questionei a Semel se o aluguel da Panela vinha sendo depositado integralmente ao clube ou se o IPTU vinha sendo abatido, mas ainda não obtive resposta.

O que tudo isso evidencia: que mais uma vez há muitas línguas sendo faladas em Alfredo de Castilho. Cada um corre para um lado e mesa de reunião, por lá, cria poeira.

Reitero: assim que o Noroeste se pronunciar, publicarei. Apenas não aguardei por se tratar de um texto opinativo que independe da resposta do clube, que não vai deixar de ser ingênuo nesse episódio. Mas torço para ser somente um erro e, mais ainda, para o glorioso Norusca voltar aos trilhos.

Atualização: o Noroeste não emitiu nota, mas seus advogados (Claudio Bahia e João Gabriel) deram esclarecimentos à 94FM, em entrevista que pode ser ouvida neste link.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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