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Com discurso de empurra-empurra, falta unidade ao Noroeste

Cada um dentro do Noroeste empurra a responsabilidade para outro setor e ninguém se entende

Depois do empate de ontem contra a Francana — quando a chance de finalmente vencer foi muito grande –, o técnico Edinho Machado soltou o verbo, como é sabido. Reproduzi alguns trechos na crônica do jogo (aqui) e o Jornal da Cidade, nesta segunda, publicou a íntegra da fala de Machado (aqui) — na correria da transcrição, dá pra perceber diferenças de compreensão, mas não alterou o conteúdo explosivo da fala do treinador.

Depois da entrevista, concedida aos sempre atentos Jota Martins (87FM/Jornada Esportiva) e Jota Augusto (Auri-Verde), o repórter “Bom de bola” chamou a atenção, em comentário, ao jogo de empurra-empurra que se transformou o Noroeste. Concordo. Segue o raciocínio:

– O presidente Anis Buzalaf afirma que, sem dinheiro, nada pode fazer.
– Fabiano Larangeira, responsável por colocar dinheiro, tem corrido atrás da grana que, teoricamente, já deveria ter — promete novidades para esta semana, tomara. Pressionado, preferiu reclamar bastante de desencontros administrativos do clube, ao convocar coletiva. Lamentou condenações trabalhistas à revelia como um dos aspectos amadores da atual administração.
– Abel Abreu, conselheiro e braço direito de Anis, diz que quem deve falar em nome do clube é o presidente — isso em comentário que publicou no Canhota, ainda hospedado no GloboEsporte. No dia da coletiva, reclamou que as condenações à revelia eram consequência de não recebimento de notificação pelo clube.
– O presidente do Conselho Deliberativo, Toninho Rodrigues, ao sair de reunião com Larangeira, Anis e Abel Abreu antes da famosa coletiva, disse que o órgão nada pode fazer nesse momento.
– Sobre a demora na inscrição dos jogadores, primeiro falou-se em atestados médicos não entregues. Resolvido isso, o problema foi a suspensão do presidente (impedido de assinar) pela CBF por causa de um cheque sem fundo à arbitragem do jogo contra o Criciúma. Por fim, apareceu o imbróglio do balancete de 2012, atrasado desde abril. Afinal, um problema encobriu o outro para ganhar tempo? Ficou essa dúvida.
– No meio disso, o nome de Filipe Rino ainda constava como vice-presidente. Novo empurra-empurra, para saber quem deixou de mandar…
– E no meio disso tudo, dentro de campo, Edinho Machado trabalhou com o que tinha, lidando com um elenco sem receber salários, e chegou à exaustão das explicações neste domingo. Insinuou que há chinelinhos no elenco e que pretende fazer a limpa. E poupou a diretoria, que não deu condições plenas de trabalho para ele até outro dia.

Tudo muito confuso. E não deveria ser. Porque não existe um único culpado. Então, não adianta procurar. É preciso sentar todo mundo junto, debruçar-se sobre os erros, correr atrás das soluções e afinar um discurso pelo bem do Noroeste. Enquanto cada um se esquivar da responsabilidade, o glorioso Norusca é quem sai perdendo.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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