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Na Arábia Saudita, preparador físico Diego Kami Mura não se esquece de sua Bauru

O Canhota falou com Diego Kami Mura, preparador físico bauruense que está trabalhando no futebol saudita

Ele é bauruense da Bela Vista, onde nasceu, cresceu e viveu por 22 anos até ganhar o mundo. Diego Kami Mura, que chegou a tentar a carreira de jogador (atuou até o sub-20 do Noroeste), acabou seguindo a tradição familiar e tornou-se preparador físico, a exemplo dos irmãos Caio e Sebastião, que também trabalharam no Noroeste, time que ele chama de casa. “Passei muito tempo dentro do clube, tanto com meus irmãos, quando trabalhavam lá, quanto jogando nas categorias de base. Quando ingressei na faculdade, fiz estágio no Noroeste em 2000, e em 2009 tive o prazer de trabalhar por cinco meses do segundo semestre no profissional, como preparador físico”, conta o alvirrubro Diego.

Com passagens por vários clubes do interior paulista (confira ficha técnica mais abaixo), Diego também esteve no Centro-Oeste e trabalhou, entre outros treinadores, com Vitor Hugo, Velloso e Paulinho McLaren, com quem atua hoje o Al Tai, da Arábia Saudita. “No Rioverdense, aprendi muito com o Vitor Hugo, o primeiro a me dar uma oportunidade no profissional”, conta o preparador, que disputou as Séries B e C do Brasileiro entre 2006 e 2008 e esteve na elite paulista pelo Mirassol, este ano. Foi quando passou rapidamente pelo Botafogo de Ribeirão antes de ser indicado ao clube saudita por Gilberto Machado, fisioterapeuta do Ituano, clube onde esteve mais tempo e teve trabalho marcante, entre 2011 e 2012.

Atuando no Botafogo de Ribeirão Preto, último clube antes de sair do Brasil. Foto: Divulgação
Atuando no Botafogo de Ribeirão Preto, último clube antes de sair do Brasil. Foto: Divulgação

O Al Tai, da cidade de Hail, é um clube tradicional (fundado em 1937 e duas vezes campeão nacional) que luta para voltar à primeira divisão saudita – até a sexta rodada, está na vice-liderança. Diego Kami Mura conta com tem sido sua vida por lá e que segue acompanhando as coisas de Bauru, torcendo de longe por um Norusca melhor.

A vida nas Arábias
“É muito diferente do Brasil, em todos os sentidos: clima, cultura, alimentação, idioma, enfim, é um aprendizado a cada dia, é uma experiência que vou levar para o resto da vida. O mais difícil é a saudade dos amigos e dos familiares… Minha esposa Vanessa e minha filha Lara vêm o mês que vem pra cá. Elas, mais minha filha mais velha, Maria Fernanda, são as coisas mais importantes na minha vida. Tenho contrato de um ano, mas penso em ficar mais um tempo antes de voltar ao Brasil.”

Política e religião
“Na Arábia Saudita não tem clima pesado em relação à política, o que acontece é que aqui o islamismo é levado ao pé da letra, a religião aqui é algo impressionante, a fé que eles têm é muito grande. No meu dia a dia, não me atrapalha em nada. Culturalmente, as mulheres não podem mostrar o rosto na rua, usam burcas sempre, então é muito diferente do que estamos acostumados no Brasil. Mas nada que interfira no trabalho.”

Em dia de treino: rotina saudita não atrapalha seu dia a dia. Foto: Arquivo pessoal
Em dia de treino: rotina saudita não atrapalha seu dia a dia. Foto: Arquivo pessoal

O futebol saudita
“Em relação à preparação física, realmente existem algumas diferenças, mas aos poucos estamos implantando nossa metodologia. Os atletas sabem da necessidade de estarem bem preparados para a prática do futebol atual e as respostas têm sido muito positivas.”

Bauru e Norusca no coração
“Acompanho muito o futebol, inclusive o amador de Bauru. É com muita tristeza que acompanho o Noroeste… Já trabalhei em mais de 15 clubes e sei da grandeza que tem o Esporte Clube Noroeste. Penso que precisamos mudar a mentalidade de quem comanda ou gerencia o futebol! Hoje, quem comanda futebol, ainda mais em clubes menores com pouca receita, tem que se aprofundar, estudar, se capacitar e se especializar para administrar. Aí em Bauru mesmo, acredito que há varias pessoas em condições e conhecimento dentro do futebol para exercer algumas funções no Noroeste. Mas continuo aqui torcendo muito para que o Noroeste encontre o caminho pra voltar a ser motivo de orgulho para Bauru e todos bauruenses!”

Diego Kami Mura, 32 anos
Clubes: Lençoense (2003), Rioverdense-GO (2005), Bandeirante de Birigui (2006), Gama-DF (2007 e 2008), Anapolina-GO (2007), Cene-MS (2007), América de Rio Preto (2007), Rio Branco (2008), Catanduvense (2009), Noroeste (2009), Luverdense-MT (2010), Rio Claro (2011), Ituano (2011 a 2012), Mirassol (2013), Botafogo de Ribeirão (2013), Al Tai-SAU (2013)

Posado com o time do al Tai. À direita, o treinador Paulinho McLaren (ex-centroavante de Santos e Cruzeiro). Foto: Divulgação
Posado com o time do Al Tai. À direita, o treinador Paulinho McLaren (ex-centroavante de Santos e Cruzeiro). Foto: Divulgação

O CANHOTA 10 segue contando histórias de esportistas que brilham em Bauru ou levam o nome da cidade Brasil e  mundo afora. Entre em contato: fernandobh@canhota10.com

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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