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Os 7 erros da péssima fase do Noroeste

Canhota 10 opina sobre motivos que levaram o Noroeste à beira do abismo

É bastante incompreensível ver um clube tradicional e centenário como o Noroeste estar à beira da quarta divisão paulista. Os motivos são muitos e remetem a outros tempos, a hábitos antigos. Mas procuro, nos tópicos a seguir, entender o que está refletindo agora em campo, porque o time não rende, não vence… Montagem equivocada do elenco,escolhas erradas de treinadores, desencontros diretivos, bastidores políticos conturbados… Isso resume o atual momento, de três empates e sete derrotas. Vejamos:

• Apesar da coerente responsabilidade nos gastos da folha salarial, o clube poderia ter espremido pelo menos duas negociações acima do teto: o goleiro Yuri e o zagueiro Marcos Aurélio desejavam permanecer no Norusca. Teriam feito toda a diferença, pois a zaga atual é uma peneira.

• Depois de anunciar que traria jogadores, sem custo, de São Paulo, Avaí e Atlético Paranaense, a diretoria recuou e resolveu apostar no elenco modesto, acrescido da garotada. Provavelmente correu esse risco porque, se fossem bem, esses atletas trariam rendimentos ao clube com negociações futuras, após essa visibilidade. Não deu certo e o clube teve que correr atrás de reforços a toque de caixa.

• Ney Silva chegou, indicou jogadores de qualidade duvidosa (Fernando, Luiz Henrique, Davi…), foi embora rápido e esses atletas ficaram, inchando o elenco. A contratação de Ney, aliás, foi uma ação unilateral do presidente Emilio Brumati, como é sabido por todos. Surpreendeu o gerente (e então treinador) Sato e o gestor Toninho Gimenez. O episódio evidenciou falta de sintonia.

• Quando todos esperavam por João Martins, o nome de consenso que foi preterido por Ney, surge Jorge Saran, de bom trabalho pela base alvirrubra, mas discreta e controversa pelo profissional — seu jeito simplório e suas entrevistas desastradas continuam, pelo que se viu nessa recente e breve passagem. Também trouxe jogador de confiança, o volante Marcelo Pinheiro.

• Depois de uma apresentação animadora, o marketing do clube sumiu. O projeto de sócio-torcedor não decolou. O Noroeste explora pouco seus parceiros oficiais. Por que não divulgou o plano no Jornal da Cidade? Por que não viaja de Expresso de Prata (que hoje ocupa espaço máster na camisa), como faz o Bauru Basket?

• A eleição do Conselho Deliberativo, com mandato até 2018, aumentou o descrédito dos torcedores mais fanáticos e participativos. Não está claro quem é sócio, quem vota, ainda mais com um Estatuto confuso e desatualizado. E ainda surgiu nos bastidores uma crença de que, para ser conselheiro, tem que colocar a mão no bolso. Uma distorção.

• Somando os itens acima (time fraco + marketing inexistente + descrédito de torcedores), não tem público (média até aqui de 350 pagantes, como mandante), não tem pressão no adversário, o Alfredão virou uma mãe para chegarem aqui e vencerem de goleada.

Agora, resta desejar boa sorte (e muito trabalho!) a Vitor Hugo e seus comandados para evitar a queda do Noroeste ao inferno. E a diretoria, caindo ou não, juntar os cacos e reavaliar essa sequência de erros.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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