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Goleiro Yuri diz adeus ao Noroeste

Ídolo da torcida, goleiro se despede do Noroeste

Em tempos de jogador se olhando o tempo todo no telão, conforta a alma boleira saber que ainda há quem dedique suor a um escudo. Em campos onde não existe telão, nem zona mista, só grama ruim, sol quente e sobreviventes — na arquibancada e no campo —, há jogadores que lutam pelo seu sustento, claro, mas que beijam um escudo com sinceridade.

Foi o que se viu no Noroeste nos últimos anos. E que ficou eternizado com um choro incontido (solitário, diga-se) ao ser decretado o rebaixamento na Série A-3. Yuri sentou-se na castigada grama de Alfredo de Castilho e não havia quem o consolasse. Sabia que não era para aquilo ter acontecido. Uma calamidade praticamente não pontuar nos dez últimos jogos. Ele sabia que aquilo era reflexo de bastidores nebulosos, de um cenário tão enfraquecido que nem conseguiram blindar o vestiário. E tanto sabia que não se calou, falou grosso, botou dedo na cara, em nome dos colegas demonstrou toda a sua indignação pela forma como o elenco vinha sendo tratado — praticamente a pão e água.

Mesmo assim, ao se despedir do clube, a caminho do Nororizontino, anunciou em seu perfil no Facebook que sai sem mágoa — que seria até justa. Preferiu agradecer e enaltecer o glorioso Norusca.

No entanto, não está descartada uma ação trabalhista do goleiro contra o clube, o que seria altamente compreensível. “Estou tentando acordo, mas, se não houver, vou procurar meus direitos. Deixei bem claro que gosto muito do clube e quero sair numa boa. Mas sou pai de famíla e preciso receber de algum jeito. Infelizmente, não posso jogar só por hobby”, disse Yuri ao Canhota 10. Como eu disse, altamente compreensível.

Boa sorte ao goleiro, que honrou o manto alvirrubro.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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