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Copa 2014, dia 1: Brasil de Neymar, mas também de Luiz Gustavo, venceu

Confira a opinião do CANHOTA 10 sobre a estreia da Seleção, desde J.Lo até o gol de Oscar

O Canhota 10 não poderia ficar de fora da Copa! O foco é Bauru, seguimos de olho no esporte local, mas ficar sem opinar sobre a maior competição do universo, pra um jornalista esportivo, é dose — em 2010, fui colunista do Bom Dia Bauru. Após a estreia do Brasil (vitória por 3 a 1), comento em notas, pra ser breve e não me perder entre tanta coisa que deu vontade de falar. Vamos lá:

Gigante adormecido
Registraram-se manifestações com centenas de pessoas. Muito longe das milhares de um ano atrás. Como diz um amigo meu, o gigante só vai acordar pra ir comprar cerveja. Eu sou contra a Copa no Brasil desde que foi anunciada e escrevi a respeito, fazendo minha parte. Foi no jeitinho, não precisava ser adivinho. E é bom deixar claro que seria assim com petistas ou tucanos no poder. Mas, agora, a inês é morta, o negócio é olhar a metade cheia do copo, receber bem os gringos e chiar depois, nas urnas, cada um com sua opinião, exercendo sua cidadania. Aliás, já causei o suficiente no Facebook, mostrando minha indignação com o fato de brasileiros ofenderem sua chefe de estado. O post é este aqui e quem quiser comentar lá, a democracia está aí pra isso.

Abertura normal
Em tempos de redes sociais, a cornetagem rola solta. Acharam a festa de abertura fraca. Não foi melhor nem pior do que as anteriores. Memória curta ou desconhecimento da turma: festa de abertura de Copa sempre é simples, não se compara com Olimpíadas. O espetáculo é o jogo. Mesmo assim fomos brindados com a beleza de Jennifer Lopez, que sambou na nossa cara até o queixo desmoronar. Os que cornetam a abertura devem ser os mesmos desinformados que fizeram chacota e protesto contra quem se tornou voluntário na Copa, uma praxe desse evento e dos Jogos Olímpicos desde sempre, em qualquer país. Sinônimo de intercâmbio, aprendizado. Bom, chega de falar de bastidores, de chateações.

Felipão mexeu na prancheta
Todos esperando um esquema tático com Hulk na direita, Neymar na esquerda e Oscar no meio. Pois Hulk passou quase todo o primeiro tempo pela esquerda, Oscar caiu pelo outro lado. Eles variaram, é verdade, mas Neymar esteve sempre pelo meio. E dessa posição recebeu o passe de Oscar para empatar a partida — a Croácia abriu 0 a 1 nas costas de Daniel Alves, em gol contra de Marcelo. O camisa 6 está sendo alvo de várias piadas, mas rir de si mesmo, isso sim, faz parte do fair play. Na segunda etapa, Neymar começou a cair pela esquerda, Hulk ficou centralizado e se poupou de arrancadas (já dando mostras de desgaste físico) e Oscar fez um inferno na defesa croata pela direita. O treinador também foi bem nas substituições.

Luiz Gustavo, o cara
Todos celebraram Neymar e seus dois gols e o partidaço de Oscar — belo gol do camisa 11, o terceiro. Mas o melhor em campo, pra mim, foi Luiz Gustavo. Posicionado quase como terceiro zagueiro — uma versão 2014 de Edmilson, o homem da sobra no penta –, o camisa 17 não errou um bote, deu passes precisos, deu excelente proteção à defesa brasileira. Taticamente perfeito.

Paciência com Fred
Costumo dizer que Fred não tem faro de gol. Fred fede a gol! A hora dele vai chegar. Na estreia, a bola não chegou. Quando chegou, ele cavou o pênalti que gerou o gol da virada, de novo com Neymar — mal batido, diga-se. Se o juiz errou, é outra história. Com a partida decidida, a Croácia se abriu e ele conseguiu trocar bons passes com Bernard e Oscar.

Neymar pronto
Ele já havia provado do que é capaz na Copa das Confederações. Não tem medo da responsabilidade e sabe que é a liderança técnica desse time. Abraçou um por um os colegas, antes de entrar em campo, motivando-os. Empatou em momento crucial do jogo. Bateu o pênalti. Mostrou o cotovelo pra cara feia — e ficou pendurado com amarelo. Neymar é o cara.

Júlio César
Foi cada batata quente chutada no gol do Brasil e Júlio César correspondeu, como eu já esperava. Aliás, ainda não entendo, depois do que fez nas Confederações, porque tanta desconfiança no camisa 12. Tudo bem: Taffarel sofreu da mesma cisma durante três Copas, mas hoje muita gente o reconhece como o maior da história da Seleção, superando Gylmar. O tempo dá conta de tudo.

Foto: Buda Mendes/Getty Images for Sony

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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