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Sobre Limeira, a primeira de muitas vitórias na temporada

Paschoalotto Bauru faz primeira partida da Panela na temporada com belo cartão de visitas para a torcida

Direto da Panela

Não é todo dia, no basquete brasileiro, que cinco jogadores do mesmo time pontuam em dois dígitos — acho que a última vez de Bauru foi na estreia do Paulista de 2012, contra a LSB, se alguém se lembrar de uma ocasião mais recente, alerte que corrijo. O feito ganha mais peso contra um adversário qualificado, como é Limeira – que chegou à Panela invicto. E foi o que aconteceu ontem, na primeira partida do Paschoalotto Bauru em casa nesta temporada. Foi a oportunidade de a torcida ver de perto o que Jefferson William e Robert Day poderão fazer. E não será pouco.

O trânsito até o ginásio estava complicado, mas o público foi chegando e no fim das contas a Caverna do Dragão ficou bonita para aplaudir a boa vitória por 98 a 90, a segunda em três partidas. O próximo desafio será neste sábado, 16 de agosto, contra o Lins/Basquete Cearense, fora de casa. Havia expectativa de Murilo Becker, com problema na panturrilha, voltar nesta semana, mas fica para a próxima. Aí a coisa vai ficar séria… A seguir, a descrição da partida e, logo mais embaixo, aspas dos protagonistas.

O JOGO
Bauru começou bem, com Gui inspiradíssimo nas infiltrações. Quero ver quem vai dizer que eu não infiltro, deve ter pensando. Foram quatro bolas seguidas rompendo a defesa visitante. O sargento Deodato – irretocável sua continência durante o Hino Nacional – veio com repertório variado para a primeira partida em casa na temporada: tabelou com Day, guardou de três, roubou bola e ainda assumiu sua parcela de membro experiente do elenco, apoiando o menino Gabriel quando foi fominha e fez falta de ataque. Enquanto o Batman fazia tudo isso, Limeira não cochilava, vigiava o placar, que marcava 20 a 15 quando um breve apagão esfriou a correria, a 2min50 do fim. As lâmpadas reaqueceram e a parcial foi fechada em 28 a 20.

No segundo quarto, surgiram algumas tramas entre Ricardo e Jefferson, Gabriel e Carioca marcaram seus pontinhos, mas houve um momento de cochilo bem na metade do período. Rafael Mineiro e Fiorotto se impuseram embaixo da cesta, Nezinho guardava tudo de fora. Percebia-se nitidamente os bauruenses buscando entrosamento, conversando e se cobrando muito. Mas não o suficiente para evitar a virada, 45 a 46 (17 a 26 no período).

A partida recomeçou com um bom recado de Ricardo, com um ataque de quatro pontos, quando seu chute de fora caiu após falta. Cesta e falta também com Jefferson, em bela bandeja, esquentou a peleja. A ponto de começar a chiadeira e gerar falta técnica para Bauru — fala muito, o Nezinho. E cai bola de três de Ricardo, de Day, do Jé. Mas a noite era do jogo interno. E de Gui. Ele seguiu voando. E conduziu Bauru à boa fração de 30 a 16 — fechando o quarto em tranquilos 75 a 62.

No período final, os guerreiros conseguiram administrar a diferença. Especialmente com a inspiração de Ricardo nas assistências. Ele achava os companheiros com belos e eficientes movimentos. Fiorotto bem que tentou, mas estava difícil conter a artilharia bauruense, especialmente a mão certeira de Day — e todo oo quarteto de experientes aproximando-se dos 20 pontos. Ótimo tira-gosto para a torcida. E olha que o cardápio nem está completo…

Numeralha
Gui Deodato: 23 pontos, 5 rebotes, 5 bolas recuperadas
Robert Day: 20 pontos
Jefferson William: 19 pontos, 11 rebotes
Ricardo Fischer: 19 pontos, 9 assistências
Mathias: 11 pontos, 6 rebotes

ABRE ASPAS
“O que mais me surpreendeu foi a qualidade de jogo das duas equipes numa terceira rodada. O Gui fez uma partida brilhante. Marcou bem o Nezinho, bateu pra dentro, contribuiu muito para o time. O Day foi decisivo, o Ricardo jogou muito bem taticamente e teve liderança. O Ricardo está se tornando um jogador completo. O que faltava para ele era a parte física e ter intensidade, agressividade na defesa e no contra-ataque. Hoje, ele se esforçou, marcou um lateral. O time está unido, querendo, está uma troca legal, todo mundo se ajudando. Os que vierem só vão ajudar, acrescentar, mas terão que manter essa química”, analisou o técnico Guerrinha, que embarca neste sábado para a Espanha, para um período de reciclagem. “Estou em busca de conhecimento, é um crescimento pra quem fica também e pra gente enxergar a equipe de uma forma diferente. É uma confiança muito grande nas pessoas, principalmente no Hudson, por isso vou tranquilo.”

“Fisicamente, ainda falta. Ainda sinto um pouco do cansaço, mas é isso que vai o ritmo que eu preciso. Estou feliz com minha atuação, principalmente porque consegui colocar a infiltração no meu jogo. Mas triste porque não tive um aproveitamento bom nos três pontos. Nosso time foi muito inteligente taticamente pra ganhar, porque o Murilo está fazendo muita falta. Nossa equipe está superando tudo. Apesar do pouco tempo com o Jé, estamos nos adaptando superbem. Nós temos um time, cara, que todos têm condição de decidir a última bola. Nosso papo é distribuir as jogadas, fica difícil marcar um time assim, em que todo mundo tem seu espaço. O segredo deste ano vai ser esse: temos um plantel absurdo e, se um conseguir respeitar o momento do outro, vai ser muito, muito difícil alguém nos segurar”, cravou Gui, o grande destaque da noite.

“O apoio da torcida foi o ideal. Vai ser nosso sexto homem, precisamos dela. Foi uma ótima vitória, é bem difícil marcar nosso time, os meninos têm entrado bem, estamos trabalhando forte durante a semana e isso está se refletindo tanto individualmente, quanto coletivamente”, comentou o ala Robert Day.

“Foi um prazer gigantesco estrear na Panela de Pressão. Eu estava ansioso e começamos com o pé direito. Encaramos Limeira, que estava invicto no campeonato. Estou muito contente, fui bem recebido pela cidade, pelos companheiros. Então, é só melhorar a cada jogo para atingir o objetivo de conquistar títulos”, comemorou o ala-pivô Jefferson, que comentou como é que se chega chegando desse jeito, três duplos-duplos em três jogos, sem fazer pré-temporada com o time. “O segredo é se manter bem fisicamente. Vim do Sul-Americano, tive férias de apenas 15 dias, então, venho na batalha e o pensamento é evoluir a cada dia, a cada mês, a cada jogo. O pensamento de um jogador que sonha em disputar Olimpíada e ganhar título é trabalhar pensando em crescer.”

Gui avança: defesa de Limeira não anotou a placa
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Bandeirões agitados da Loucos da Central e da Fúria: festa na Panela
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Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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