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Bauru 1, Flamengo 0: vitória no Rio de Janeiro!

Torcedor Lucas Rocha assina a crônica da grande vitória bauruense sobre o Flamengo no Rio de Janeiro

Estava no casamento de uma grande amiga — acompanhando o scout online, claro — mas estou bem substituído. O torcedor Lucas Rocha, que manja muito de basquete, tem leitura de jogo, gentilmente topou assinar o texto abaixo. Que, segundo ele, saiu com uma lágrima escorrendo, tamanha a façanha do Paschoalotto Bauru, que bateu o Flamengo por 74 a 70, no Rio, e abriu 1 a 0 na série quartas de final do NBB 6. Com vocês, a emoção de um torcedor. Valeu, Rocha!

VENCEU E CONVENCEU

Por Lucas Rocha

O adversário era o todo-poderoso Flamengo, campeão da América, creditado por todos como o favorito a passar para as semifinais do NBB6. Pois bem: o que o Flamengo não esperava era esse Bauru que entrou hoje, guerreiro, brigando por todas as bolas nas duas tabelas e com precisão cirúrgica quando fomos exigidos em momentos decisivos. Destaco a nossa defesa como o ponto forte dessa partida, poucas vezes nesse país vi um time com tanta aplicação tática nesse fundamento! Anulamos os badalados e excelentes Marquinhos (5/17 nos arremessos de quadra) e Marcelinho (6/14, porém a maioria das convertidas foram com um bauruense “pendurado” em seu pescoço). O capitão Fernando Fischer fez a sua melhor partida na temporada. Como disse internamente, se em algum momento ele se sentiu desvalorizado aqui em Bauru, essa grande sacada que foi a campanha #FICAFISCHER iria colocá-lo de volta nos trilhos e motivá-lo como nunca. BINGO! Foram incríveis seis bolas de trê pontos e uma atuação exuberante

O JOGO
O começo do jogo foi complicado, tivemos dificuldades para encaixar o nosso ataque, devido aos sempre corriqueiros individualismos ofensivos. Aproveitando-se disso, o Flamengo abriu 10 a 3 com grande participação de Olivinha nessa parcial! Nossa defesa estava bem encaixada, mas nosso ataque continuava a enfrentar problemas. Foi então que Guerrinha lançou na quadra Fernando Fischer, Fabian Barrios e Andrezão. Essa formação deixou o jogo um pouco mais aberto, possibilitando assim movimentações mais tranquilas de ambas as equipes. Foi nosso único momento de descanso nesse fundamento. Esse descuido nos fez terminar o primeiro quarto atrás, 10 a 21.

No segundo quarto, brilhou a estrela do nosso atirador e melhor arremessador da história desse time. Ele pode não estar 100% fisicamente, com muitas dores, sem poder treinar adequadamente por causa de lesões, mas quando ele sobra paradinho, equilibrado, na diagonal da tabela, pode colocar três pontos a mais no nosso placar! Foram quatro bolas de três nesse período e uma boa participação na defesa também. Esse quarto deixou o Flamengo em parafuso, se não fossem as duas muito contestadas faltas antidesportivas e a falta técnica do já marcado pela arbitragem Ricardo Fischer — que teve muitas dificuldades hoje para exercer o seu papel de pontuador –, os cariocas teriam terminado esse quarto com menos de dez pontos convertidos. A rotação do Flamengo não conseguiu se impor perante a nossa fortíssima defesa! Assim, o jogo foi para o intervalo em 30 a 35 (20 a 14 Bauru nesse período).

Na volta do vestiário, o jogo recomeçou muito igual. Tentamos equilibrar o jogo em altura, colocando um quinteto com Fabian e Ayarza na quadra, dois laterais mais altos para equiparar em altura com a formação flamenguista. Até certo ponto surtiu efeito, mas sentimos muito a falta do Lucas Tischer, que a essa altura do jogo já estava carregado em faltas. Com isso, o americano Jerome Meyinsee e o bom garoto Felício conseguiram se sobressair sobre um Murilo sobrecarregado embaixo! O Flamengo terminou o terceiro quarto a frente por 49 a 56 (19 a 21 foi o placar desse período).

O último quarto foi o momento do xeque-mate de Guerrinha no Neto. O técnico bauruense lançou uma formação com quatro abertos (Ricardo Fischer, Larry, Fernando Fischer e Fabian Barrios) e somente o Murilo embaixo. Muito sabiamente, Guerrinha tinha em sua cabeça que as bolas nesse último período iriam para os jogadores tarimbados (Marcelinho e Marquinhos). Com esse time mais rápido na defesa, poderíamos trocar nos bloqueios com mais facilidade e essa tática foi certeira: o Flamengo não conseguiu atacar em cima dessa nossa estratégia. Os rebotes que poderiam ser um problema com essa formação, foram compensados com uma intensidade absurda na hora de recuperar as bolas. No ataque, o nosso Ligeirinho soube cadenciar a partida como ninguém e, sabendo que estava mal ofensivamente e muito marcado, colocou os outros no jogo e em uma sequência de quatro assistências — sendo uma para cada um dos quatro jogadores que estavam em quadra. Uma para Murilo, que bandejou tranquilamente sem marcação; uma para Fabian Barrios, que empatou o jogo; uma para Larry, que nos fez pela primeira vez ficar à frente no placar; e a derradeira, que praticamente definiu o jogo, para Fernando Fischer, que saiu batendo no braço mostrando que esse time de guerreiros está mais forte do que nunca, comemorando junto com a galera da Loucos da Central que esteve presente no Tijuca Tênis Clube! Placar final da partida: 74 a 70 para o nosso time Bauruense, com 25 a 14 no último período, com uma supremacia da nossa parte incontestável!

Destaques bauruenses
Fernando Fischer: 22 pontos (6/9 na linha de 3 pontos)
Murilo Becher: 13 pontos e 11 rebotes (mais um double-double)
Larry Taylor: 13 pontos, 7 rebotes, 3 assistências
Ricardo Fischer: 10 pontos, 9 assistências

Ainda se tem muito a trabalhar nessa série, foi apenas o primeiro jogo, mas essa fibra que o time mostrou essa noite deixa até o mais cético torcedor do Dragão esperançoso que podemos dar muito trabalho ainda nesse campeonato! A caminhada ainda é longa, para passar do Flamengo ainda precisamos de mais duas vitórias, mas como diria um empresário famoso por aí,  “Acreditar é a alma do negócio”. #PRACIMADELESBAURU #FALTAM6 #EUACREDITO

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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