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Bauru 2, Paulistano 0: encaixou!

Paschoalotto Bauru vence novamenteo Paulistano, abre 2 a 0 e se aproxima do tão sonhado título paulista

“Nem adianta muito teorizar agora. A desconfiança só vai passar quando Bauru, finalmente, derrotar o Paulistano nesta temporada. Tem que ser dia 2 (e 3 também!). Time e torcida para isso, sobra!” Foi o que escrevi depois da derrota para o Paulistano, pelo NBB, a terceira para o time da capital na temporada. Pois bem, os guerreiros responderam às desconfianças, mantiveram a invencibilidade em jogos decisivos na Panela nesta temporada. Ao vencer por 83 a 76, o Paschoalotto Bauru está a uma vitória de conquistar o título paulista. Convenhamos, será merecido. Mas se o Paulistano conseguir virar, será uma façanha elogiável. Enfim, é esporte. Por isso mexe com os nervos de tanta gente, e eles seguiram aflorados nesta terça-feira. Confira como foi a vitória e seus bastidores.

O jogo
O ginásio estava mais cheio do que ontem, muito mais quente e, principalmente, com Bauru mais ligado desde o início da partida. O que não mudou foi  a intensidade de Tischer logo de cara. Ele puxou a pontuação do primeiro quarto, acompanhado de Murilo, que já levantou a galera na primeira cesta, belo tiro de fora. Assim — e com Gui nvoamente aparecendo, que bom –, o Dragão abriu 17 a 8. Foi quando Renato Carbonari se impôs, equilibrou um pouco, mas não o suficiente para evitar a boa parcial alvilaranja: 24 a 17.

Fernando Fischer: mais uma boa partida
Fernando Fischer: mais uma boa partida

O segundo quarto foi mais quente ainda. O árbitro Pacheco, que já havia dado faltas técnicas no primeiro período para mostrar que não haveria a permissividade de ontem, deu sonora bronca em Pilar, após reclamação. O ex-bauruense seguiu pilhado, mas levou consigo outro esquentado: a arbitragem flagrou uma discussão entre eles e mandou os dois para o chuveiro, a 6min30 do intervalo. Tretas à parte, jogando quem arrepiou foi Fabian Barrios, com três bolaças de fora. Fischer também entrou bem. Sem o Diabo Loiro e com Murilo com duas faltas, coube a Mathias ajudar no garrafão. Afoito, perdeu algumas bolas, mas fez uma cesta na hora certa. No lado vermelho, Arthur Pecos tentou mudar o panorama da fração, mas os donos da casa foram melhores (27 a 20), levando boa diferença para a merecida pausa: 51 a 37.

Na volta, o Paulistano mostrou que ainda estava no jogo. Abriu 2 a 10, em reação comandada por Dawkins, que seguiu metendo bola de tudo o que é jeito, até seu time ficar a um ponto, a 3min33 do término do terceiro quarto. Mas Larry mostrou quem manda, numa linda cesta de fora na jogada seguinte. Só que Holloway resolveu jogar e, no fim das contas, excelente parcial dos visitantes (16 a 29), que mandaram a diferença para o espaço: 67 a 66.

Entretanto, Larry veio do espaço e  converteu de três para abrir os trabalhos do quarto decisivo. Andrezão entrou bem, ampliou e os vermelhos só foram pontuar a 5min22 do fim. A diferença  que se abriu nessa metade do período foi decisiva, até porque o Paulistano seguiu contando com o protagonismo de Dawkins. A 1min do fim, as coronárias ainda testadas: quatro pontos de frente, o Dragão gastou a posse de bola, errou, Ricardo pegou o rebote, mas errou o passe. Mas Murilo foi lá roubou de novo e deu para o Ligeirinho sofrer falta. Um lance livre dentro, outro no aro, Murilo pega o rebote e nova falta. Guarda os dois, vibra muito. Já era, arerê, 83 a 76 e 2 a 0 na série.

Abre aspas
“Não teve motivo nenhum para ser expulso. Mas a arbitragem estava um pouco nervosa hoje. São seres humanos e temos que aceitar o erro deles também. O Paulistano está ganhando muitos jogos brigando com a arbitragem e chutando lances livres. A gente não pode cair nesse joguinho. Temos que continuar jogando basquete como time grande. Falta um jogo, uma vitória”, relatou Lucas Tischer.

“Não ganhamos nada, demos um grande passo. Só que a pressão mudou de lado. Agora é trabalhar a semana. Vamos em busca do título. Sinceramente, nós não temos culpa de as tabelas coincidirem. É ruim falar isso, mas o jogo do sábado [pelo NBB] seria importante. O foco total é na segunda-feira”, comentou Murilo Becker.

“Vamos tentar fechar a série em São Paulo. Não vai ser fácil. Fizemos nosso objetivo de ganhar em casa. A arbitragem foi boa hoje, deixou a gente resolver o jogo na quadra”, avaliou Larry Taylor.

“Quem joga em casa, tem a obrigação da vitória. Estávamos cansados, eles jogaram todas as fichas no segundo tempo e nosso time, enquanto teve gás, foi brilhante. Quando faltou, administramos. Mas tivemos força e coração para buscar essa vitória importantíssima. O Paulistano veio aqui para reverter a vantagem. Nós jogamos para manter a possibilidade de decidir em casa. Não estamos pensando no quinto jogo, no terceiro, mas o campeonato é muito duro. A arbitragem foi excelente hoje, o Pacheco teve o controle da partida. Na primeira, o time do Paulistano falou muito. Tivessem botado dois pra fora também no primeiro jogo, todos já ficariam espertos”, disse o técnico Guerrinha.

Números
Murilo Becker: 17 pontos, 10 rebotes
Fabian Barrios: 16 pontos
Larry Taylor: 13 pntos, 4 rebotes, 8 assistências
Fernando Fischer: 10 pontos, 4 rebotes

A versão de Lucas Tischer
O Canhota 10 falou com o pivô sobre a confusão do jogo 1, entre ele e Kenny Dawkins — o Paulistano emitiu nota alegando agressão do bauruense. “A publicação do Paulistano é mentirosa e não vou responder mentira. O que aconteceu é que ele [Dawkins] me deu uma porrada no meio do jogo, sem motivo nenhum. Eu fui perguntar porque ele tinha feito isso, se estava sendo tratado com respeito. Ele se exaltou, a gente discutiu e acharam que foi uma briga. O Gustavinho aproveitou para criar um drama em cima disso e tentar motivar a equipe dele, mas foi um grande erro. Nosso time não caiu nessa pilha. Está tudo bem. O time ganhou bem hoje e está achando cada vez mais o caminho da vitória”, contou o camisa 99.

Panela de…
O calor foi tanto que a pressão arterial de Ricardo Fischer chegou a baixar…

Marrentinho
No jogo de nervos, os técnicos Gustavinho e Guerrinha se provocaram durante a partida, cada um com suas “armas”. Mas o mais jovem, no fim da partida, negou-se a cumprimentar o mais experiente.

Pilar desabafou
O ala-pivô ficou transtornado com a desqualificação na partida. Foi acalmado e levado ao hotel por membros da diretoria bauruense. De lá, desabafou no Facebook contra a qualidade da arbitragem brasileira. Sobre passar a ser perseguido pelos juízes a partir de agora, ele avisou: “Vai lá da um tapinha falso e dorme feliz!!! Ótimo jeito de viver! Cansei. Não, sem tapinha! A partir de agora, sou vítima!!!”.

Mistão contra São José no NBB
Na partida contra os joseense pelo NBB, no sábado (7/dez), Guerrinha levará à quadra o panamenho Josimar Ayarza (que não joga o Paulista) e Lucas Tischer, eliminado do jogo 3 pela desqualificação. Para reforçar a molecada, irão ainda do time principal: Luquinha, Scaglia, Gui, Andrezão, Mathias e Kesley. Ficam em Bauru, poupados, Larry, Ricardo, Barrios, Fischer e Murilo.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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