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SeleSantos, campeão da Copa do Brasil!

Arte de Eugênio Tonon

Apesar de ganhar seu segundo título no ano perdendo o jogo decisivo (o Santo André venceu o jogo de volta do Paulistão), o Santos não dá brecha para qualquer tipo de contestação. Time bom, com estrela, com jeito de campeão mesmo, permita-me o clichê.

Encher bola de treinador é moda chata no futebol atual, mas Dorival Junior tem uma participação importantíssima nesse timaço. Quando assumiu, com o título brasileiro da Série B debaixo do braço (Vasco), André era reserva, Ganso e Neymar haviam terminado 2010 em baixa e o veterano Giovanni era a esperança… O técnico transformou esse elenco de retalhos em um belo time! Mais: mesmo tendo perdido o controle em alguns momentos – a molecada é mesmo folgada – provou que não bancar o chefe linha-dura deu resultado: duas taças.

Além do Paulistão e da Copa do Brasil – a Folha de S. Paulo lembrou que dois títulos de expressão não chegavam em um mesmo ano à Vila desde 1968 – outra conquista do Peixe foi emplacar seu quarteto ofensivo na Seleção Brasileira, sob o novo comando de Mano Menezes.

Tudo deu certo. Felipe vinha bem antes da Copa, Rafael assumiu com postura de veterano. Quem previa piadas para Edu Dracena e Durval tem que aplaudir essa segura dupla. Os laterais se revezaram muito e talvez sejam o ponto mais fraco do time. Arouca também merecia Seleção – arrebentou segurando sozinho a bronca da intermediária defensiva. Wesley é o volante moderno, habilidoso, com fôlego interminável. Lá na frente, André ficou devendo no fim, mas fez gols importantes.

Destaque especial para o maravilhoso trio Ganso, Neymar e Robinho. O camisa 10 é craque, o cérebro. Neymar mostrou seu lado artilheiro – foi o goleador da competição. E Robinho fará falta, sim! Deitou e rolou contra os times nanicos, foi decisivo contra o Grêmio, jogou bem diante do Galo. Esse título tem sua marca. Mais: Robinho – e Léo também – está presente nas principais conquistas do Peixe nesta década (Brasileirão de 2002 e 2004 e esta Copa do Brasil).

Com a chegada de Keirrison e Marquinhos reforçando o meio-campo com a saída de Robinho, o Santos segue forte. E tem fome de bola suficiente para tentar buscar o Brasileirão e a Sul-Americana. Por que não?

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Pode um time só de laterais-direitos?

Mais um da série Times Imaginários, agora com os laterais-direitos que se espalharam pelo campo – exceção feita ao atacante que quebrou galho na ala e ao hoje lateral que é ex-volante.

Rogério Ceni: é sempre o coringa nessas ocasiões e, talvez, até se desse bem de lateral-direito mestre na bola parada, como Paulo Roberto, Anderson Lima, Arce, Edson Boaro, Nelinho, etc…

Carlinhos Bala: se o time é dos laterais que mudaram de posição, eis um que virou lateral, quando Nelsinho Batista precisou que ele corresse muito pela beirada da Ilha do Retiro, jogando pelo Sport.

Leandro: o eterno camisa 2 da Gávea, ao ver o jovem Jorginho arrepiando na base, olhou para seu joelho cansado e pediu para jogar na zaga. E deu conta do recado – campeão estadual (1986) e nacional (1987).

Panucci: encarou na boa o miolo de zaga para compensar o fôlego melhor – e virou zagueiro-artilheiro com gols de cabeça.

Júnior: o maestro, como sabem, começou no Mengo na direita, até trocar de lado e virar lenda.

Jorginho: quando voltou ao Brasil no fim da década de 90, tornou-se volante no São Paulo e continuou assim no Vasco. O antes disciplinando lateral virou uma máquina de bater… (e mais tarde o auxiliar de Dunga)

Belletti: campeão do mundo em 2002 como lateral, aqui neste campo volta a sua posição de origem, como foi revelado no Cruzeiro, brilhou no Galo e agora joga no Flu.

Alessandro: não à toa deram a camisa 5 do Corinthians para ele na época de numeração fixa, pois Mano Menezes o utilizou muito no meio-campo. Acabou voltando para sua posição de origem.

Mazinho: surgiu como lateral-esquerdo no Vasco, mas fez fama na direita e, por fim, foi campeão do mundo em 1994 tomando a posição de Raí na armação das jogadas.

Mancini: o mais notório lateral que arrebentou em outra posição. Virou praticamente ponta-esquerda na Roma, driblando e fazendo gols – depois sumiu na Internazionale.

Paulo Baier: goleador tem que jogar na frente, certo? Ele é simplesmente o artilheiro da era dos pontos corridos do Brasileirão.

Técnico: Nelsinho Batista, afinal, quando jogador era lateral-direito.

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Moleques da Vila

O assunto já é sabido da maioria e não preciso introduzir mais do que um resumo antes da reflexão: após a vitória sobre o Grêmio Prudente, alguns jogadores do Santos se reuniram num mesmo quarto da concentração e se conectaram ao Twitcam. Expostos a milhares de torcedores, falaram mais do que deviam.

Com palavreado chulo, malandro e até suspeito – como o gesto com o nariz do atacante Zé Eduardo -, e desconhecendo a regrinha de como se portar em público, rebateram ofensas de internautas e, pior, expuseram o que antes era boato: Robinho não goza de total admiração na Vila Belmiro – Zé Eduardo disse que ele, que está voltando ao Manchester City, não fará falta.

Eu sempre digo que o que jogador faz fora de campo não me interessa. O que ingere, quem pega na noite, a que horas dorme, se tem bom ou mau caráter… tudo isso é problema dele. Cada um colhe o que planta e é claro que, no futuro, homens de bem como Zico é que se tornam referência. Por isso separo: Garrincha, Almir Pernambuquinho e Paulo César Caju não deixaram de ser craques – e encantar multidões – por causa de suas trajetórias errantes.

O problema está quando o comportamento começa a respingar no dia a dia do clube. Quando o consumo de álcool e as poucas noites de sono minam o condicionamento físico, como aconteceu com Ronaldinho Gaúcho -revelação de Leonardo ao Bem, Amigos!, do Sportv, meses atrás. Quando um pega a mulher do outro e racha um elenco – caso Terry/Bridge na Seleção Inglesa. Ou quando uma molecada se reúde para falar m… e tirar o foco de um time às vésperas de uma final de campeonato, como aconteceu no Santos.

Antigamente o esquema não saía da sinuca e do baralho. Hoje a oferta de lazer é grande para o boleiro gastar sua grana: celular, iPod, notebook… todos eles conectados ao mundo. Estão embriagados de poder e arrogância. Sentem-se acima do bem e do mal. Dirigem seus carrões em alta velocidade – hoje o volante Anderson, do Manchester United, sofreu grave acidente saindo de uma balada em Portugal – tratam as maria-chuteiras como objetos e agem como se seus atos não tivessem consequência. Resumindo, para deixar claro que não me perdi em meu argumento: gente ruim tem em todo o lugar, de todas as profissões, não cabe a nós patrulhar cada um, julgar cada um. Polícia e Justiça existem para isso. A diferença para a boleirada, agora, é que nesse novo século tudo está exposto, é muito difícil não ser notado e qualquer atitude reflete na profissão e no ambiente de trabalho, o time. Aí, não pode.

Por fim, os jogadores voltaram ao Twitcam para se retratarem. Pediram desculpas, disseram que foi apenas um mal-entendido. “Eu estava brincando com o Robinho e ele sabia disso. Quem sou eu para dizer que ele não faz falta?”, disse Zé Eduardo. Não é a primeira vez que jogadores do Santos têm que se retratar – lembra do episódio da visita a uma instiuição de caridade?

Se eu fosse treinador, daria essa recomendação a um boleiro: se for beber, não dirija (e vice-versa); se for farrear, seja discreto em público; e não comprometa a integridade física e moral de ninguém. Faça mal apenas a você mesmo.

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Rodada de clássicos na hora errada

No final do ano passado, muito se falou de “entregadas”, pois o Grêmio não iria vencer o Flamengo e dar de bandeja o título brasileiro ao rival Internacional. Entre tantos argumentos da época, o melhor deles – se não me engano, de Juca Kfouri – foi o de deixar clássicos regionais para as últimas rodadas. Assim, não haveria a mínima chance de um adversário amolecer para o outro – e manchar uma rivalidade histórica.

Mas, a CBF não acatou a sugestão e esta 12ª rodada é que está recheada de clássicos. Economia de passagens e diárias de hotel e muita festa nos estádios. O destaque vai para o jogo de torcida única em Minas, na Arena do Jacaré, em Sete Lagoas (Mineirão já em reforma para 2014). Somente a Massa do Galo estará lá dentro. Tomara que a medida funcione, principalmente fora do estádio. Já chega de confrontos de torcidas, essa imbecilidade que nem Freud explica. Aos jogos:

Fluminense x Atlético-PR: a turma de Muricy garante mais três pontos.

Atlético-GO x Guarani: se o lanterna venceu o líder Corinthians em casa, pode repetir o feito contra o mediano Guarani.

São Paulo x Ceará: promessa de empate contra o retranqueiro Ceará, pois o Tricolor deverá poupar os titulares para o jogo de volta da semifinal da Libertadores.

Palmeiras x Corinthians: o “clássico da cidade”, segundo Belluzzo, já vem sendo pautado em toda a imprensa como o duelo dos técnicos Felipão e Adilson Batista. Mas quem entra em campo são os jogadores.

Vitória x Botafogo: hora de o Alvinegro tentar sair do sufoco, pois o Rubro-Negro baiano só pensa na Copa do Brasil.

Avaí x Goiás: sem Rivaldo, negociado com o Palmeiras, o Avaí perde força no meio-campo, mas o desestabilizado Esmeraldino não deverá complicar.

Internacional x Grêmio: que o Tricolor não se anime tanto, pois os reservas do Colorado são bons.

Atlético-MG x Cruzeiro: equilíbrio total – a presença do Galo no fundo da tabela é circunstacial, questão de tempo para se reerguer. Só não sei se a tempo de lutar pelo G4.

Grêmio Prudente x Santos: o Peixe só pensa no jogo da Copa do Brasil e a molecada do banco é quem vai correr em Prudente. E talvez traga pontos de lá.

Flamengo x Vasco: o Fla mais entrosado, o Vasco bastante reforçado – a ponto de deixar Carlos Alberto no banco. Promessa de ótimo jogo, com Petkovic e Felipe garantindo a habilidade em campo.

Brasileirão 2011 rodada classificação futebol

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A polêmica cavadinha de Neymar

A Seleção Brasileira acaba de perder uma Copa do Mundo e ser taxada de pragmática. Assume o novo treinador e chama os talentosos garotos que a maioria dos torcedores queria ver na África do Sul – entre eles, Neymar. Todos clamam pelo futebol-arte e o camisa 11 do Peixe é capaz de dar isso ao público.

Na última quarta-feira, na partida de ida da Copa do Brasil, contra o Vitória na Vila Belmiro, Neymar comeu a bola. Fez gol de peito, driblou, trocou passes rápidos, pedalou e sofreu pênalti. Cobrador oficial, repetiu a cavadinha bem-sucedida no amistoso contra a Ferroviária, na pausa do Mundial. O goleiro Lee, paradão no meio, pegou com falicidade.

Mal terminou o jogo e a crônica esportiva se mexeu. Duas correntes logo se formaram: os que acharam molecagem fora de hora e os que consideraram apenas mais um pênalti perdido. “Deixem o menino jogar”, defenderam.

Entre todos os argumentos dos colegas que li, aquele em que assino embaixo é o do jornalista Mauricio Stycer, do UOL (leia aqui). Ele disse tudo: o que se deve discutir não é a imaturidade/irresponsabilidade do garoto. Basta pensar somente na bola em jogo: era partida decisiva e ele se tornou previsível, o goleiro esperou a firula e pegou. Poderia ser um veterando, um zagueiro-brucutu, o presidente do clube: pênalti decisivo se cobra com a faca entre os dentes. Um gol que pode fazer falta lá no Barradão. Claro que Loco Abreu foi aplaudido na África do Sul, mas o limite entre o olimpo e o inferno é o fio de uma navalha…

Toda vez que há um pênalti decisivo, seja no tempo normal ou na disputa alternada, sempre digo: bateria forte, no meio do gol. Ainda não acredito quando vejo jogador cobrando a meia altura. Por isso minha cobrança preferida, a melhor que já vi, foi a do meia Beckham na vitória inglesa sobre a Argentina, na fase de grupos do Mundial de 2002. Bateu seco, rasteiro, quase no meio. A bola parecia queimar a grama, de tão rasante. E observe no vídeo abaixo sua concentração antes da cobrança. Ele sabia que a vitória – e a classificação para as oitavas – dependia daquele chute (veja abaixo).

É só isso. Apesar de Neymar andar marqueteiro demais, dislumbrado demais, seu erro foi simplesmente futebolístico – não comportamental. Vale discussão, sim, mas é claro que não vale condenação. Porque o Santos só está nessa final por seu brilho, seus dez gols até agora na campanha do Peixe na Copa do Brasil.