Conclusões de uma Copa das boas

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Casillas ergue a taça, repetindo gesto da Euro 2008: Fúria absoluta!

O primeiro termo expressado pela maioria dos comentaristas após o apito final de uma decisão é “título merecido”. Convenhamos, dificilmente um campeão não é digno de levar a taça. Até porque, fosse a Holanda, a Copa do Mundo estaria em boas mãos – mais pela trajetória até a final do que pelo festival de faltas e cartões que os laranjas promoveram contra a Espanha. A Alemanha também faria jus, com seu futebol eficiente, veloz. Aliás, os germânicos ficam entre os três primeiros há três Copas, desempenho louvável.

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A expectativa era de um jogo clássico, técnico, mas o que se viu foi muita pegada...

Uma passada pela final antes de, em tópicos, resumir o que foi este Mundial da África do Sul. O primeiro tempo foi de cochilar. Muito estudo, erros de passe, marcação pesada. Ninguém queria ir para o intervalo perdendo. No segundo, a Holanda acordou quando Sneijder finalmente se fez notar. A ótima assistência do camisa 10 deixou Robben de frente para Casillas. Soubesse finalizar com a direita, o atacante teria driblado o goleiro. Preferiu chutar por baixo e o capitão espanhol, com a ponta do pé, começou a colocar a mão na taça.

Gols perdidos aqui e ali, uma certa displicência nas finalizações e uma irritante preciosidade espanhola em querer chegar dentro da área. Esse cenário se arrastou até os dez minutos do segundo tempo da prorrogação, com muitas interrupções por pontapés e reclamações. Até a Fúria, merecida vencedora do troféu Fair Play, cometeu muitas faltas e recebeu mais que o dobro de cartões do que havia levado até a final – e Iniesta poderia ter sido expulso por uma entrada sem bola em Van Bommel. Heitinga foi tarde quando recebeu o vermelho. Bateu sem dó o tempo todo, mas nem assim intimidou os espanhóis.

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Iniesta quebra o protocolo e homenageia futebolista espanhol falecido

O gol da vitória foi a síntese da campanha de La Roja: insistindo na qualidade do passe, uma hora a rede balança. A exemplo da França no início da década, a Espanha é a atual campeã europeia e mundial. Chegou como favorita, deu de ombros para as desconfianças após a derrota na estreia, para a Suíça e, muito mais do que confirmar as previsões do polvo Paul, cravou o palpite de Pelé, até ontem um pé frio em opiniões futebolísticas.

Agora, aos destaques e curiosidades da 19ª Copa do Mundo de futebol:

• Que o comitê brasileiro tenha observado bastante os erros da África do Sul: transporte caótico, insegurança nas ruas, gramados ruins, falhas de organização nos estádios (acesso, cambistas) e a permissividade com as vuvuzelas – que não surja nenhum instrumento semelhante por aqui… E que o acerto mais evidente dos sul-africanos, o aeroporto de Johanesburgo, seja exemplo para nosso caos aéreo.

• Pela primeira vez, a Fifa permitiu que as seleções levassem três jogos de calções e meiões para facilitar a diferenciação de cores nos confrontos. Espanha, Holanda, Uruguai e Portugal se utilizaram desse expediente.

• Para o tamanho da expectativa sobre eles, Messi e Kaká realmente ficaram devendo, em relação a resultado. Porque jogaram bem, sim, até as oitavas. O mau desempenho de ambos no jogo da eliminação de suas seleções é que configurou o fracasso. Já Rooney e Cristiano Ronaldo realmente decepcionaram. O inglês estava em más condições físicas e tem desconto. O português precisa chutar a vaidade e comer um pouco de grama.

• Pela quarta vez seguida, o melhor jogador da Copa não é do time campeão. A última vez que isso aconteceu foi com Romário, em 1994 – incontestável. Ronaldo (1998), Oliver Kahn (2002) e Zidane (2006), vice-campeões, levaram nas Copas seguintes. Neste ano, mais surpreendente: o uruguaio Diego Forlán, quarto colocado, ganhou o prêmio, eleito pelos jornalistas credenciados no Mundial. Tivesse ido para Xavi ou Casillas, também estaria em boas mãos. Sneijder, por sumir no momento decisivo, não – por isso o erro da Copa de 2002, eleger antes da final. Ora, o desempenho no momento mais importante é que define o craque, o fora-de-série, o que sabe lidar com a pressão!

• Os vencedores dos prêmios concedidos pela Fifa:
Bola de Ouro: Diego Forlán (Uruguai)
Bola de Prata: Wesley Sneijder (Holanda)
Bola de Bronze: David Villa (Espanha)
Chuteira de Ouro: Thomas Müller (Alemanha), no critério de desempate: mais assistências e menos minutos jogados do que Villa, Sneijder e Forlán, que também fizeram cinco gols.
Luva de Ouro: Iker Casillas (Espanha)
Melhor jogador jovem: Thomas Müller (Alemanha)
Fair play: Espanha
Não consta na relação da Fifa o prêmio de seleção que mais entreteu o público, que em 2006 ficou com Portugal.

Desnecessário voltar à Seleção Brasileira. Você pode ler a minha opinião sobre o desempenho do time de Dunga aqui.

• A imprensa brasileira precisa se reciclar para 2014. Ego de jornalista esportivo é espaçoso e uma Copa aqui aumenta a responsabilidade de um bom trabalho… Precisamos de mais respeito, coleguismo – não confundir com corporativismo barato – e menos vaidade, competitividade rasteira.

• Por fim, minha seleção da Copa está na seção times imaginários e, se não foi um campeonato brilhante, com destaques individuais que saltaram aos olhos*, houve muita emoção, jogos com reviravoltas fantásticas, belos gols. A média (2,26 por partida) reflete pouco esse cenário. Como eu já escrevi em outra oportunidade, na coluna do jornal Bom Dia Bauru, foi uma Copa de qualidade de gols, não quantidade.

* A tão bombardeada Copa de 1994 foi, talvez, a última a ter vários craques-solo, aqueles que empurraram seus times e encantaram multidões: Hagi (Romênia), Stoichkov (Bulgária), R. Baggio (Itália) e Romário (Brasil).

Seleção da Copa 2010

Seleção da Copa do Mundo Fifa 2010 futebol
Quer discordar? Listar sua seleção da Copa? Deixe sua opinião nos comentários!

Casillas: seu desempenho, principalmente na final, e sua trajetória nesta década o credenciam a se intitular o melhor goleiro do mundo, apesar de Julio Cesar.

Sergio Ramos: a maioria mencionará Lahm, da Alemanha, mas esse zagueiro que se encontrou na direita impressionou. Eu, que não gosto do estilo dele, tive que dar a mão à palmatória.

Lúcio: não é por ser brasileiro, mas por seu jogo vibrante, sua entrega, seu ótimo posicionamento. A exemplo de 2006, fazia uma Copa impecável enquanto o Brasil esteve nela.

Piqué: se Puyol dá seus sustos de vez em quando, esse garoto é pura sobriedade.

Van Bronckhorst: outro lateral que surpreendeu. Para quem chegou à aposentadoria, um Mundial coroado com o golaço sobre o Uruguai. Firme na marcação e bom no apoio.

Schweinsteiger: encontrou a maturidade, alia velocidade e passe preciso. Um volante moderníssimo que deu ritmo ao jogo alemão.

Xavi: não cabia ele e Iniesta nos onze, então que fique o cérebro do meio-campo espanhol. O estilo cadenciada, de toque bonito e envolvente da Fúria é personificado por ele.

Sneijder: foi o cara da Holanda, que chegou 100% à decisão com sua participação relevante, sobretudo seus cinco gols. Tivesse se imposto na final e levado o título, seria o craque da Copa.

Müller: revelação, artilheiro, nada mal para um garoto de 20 anos…

Forlán: exagero dizer que carregou o Uruguai nas costas, mas foi daqueles caras que chamam a responsabilidade. Saiu premiado pela Fifa como melhor da Copa.

Villa: cinco dos oito gols da Espanha campeã do mundo foram dele. Isso basta para estar nesse time.

Lahm, Capdevilla, Iniesta, Özil e Robben ficaram de fora por pura falta de espaço.

Treino? Norusca faz 3 em jogo pegado!

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Rafael Aidar se prepara para cobrar pênalti e abrir o placar para o Norusca

Na tarde deste feriado, o Norusca bateu o São Carlos por 3 a 0, no estádio Alfredo de Castilho, em jogo-treino com clima tenso, com faltas violentas e dedo na cara do juiz. O adversário também disputará a Copa Paulista, no grupo 2.

O que era para ser uma movimentação para últimos acertos táticos – como foi no primeiro tempo -, ganhou ares de rivalidade quando, aos cinco minutos da segunda etapa, Willian Leandro foi derrubado na área. O árbitro foi cercado pelo jogadores de São Carlos e até o treinador Edmilson de Jesus entrou em campo para reclamar. De nada adiantou: Rafael Aidar cobrou alto, no ângulo esquerdo, fazendo 1 a 0.

Aos 25, o lateral-direito Rafael Mineiro cobrou lateral forte na área, a zaga cortou mal e a bola sobrou para Rafael Aidar, que dominou no peito e bateu forte no ângulo direito.

O Trem-Bala fechou o placar aos 37. Roque cobrou falta no bico da área, pela direita do ataque, e Bonfim pegou o rebote.

O Noroeste jogou com Yuri (Alexandre Villa); Rafael Mineiro, Bonfim, Geílson e Roque; Negretti, Lelo, Willian Leandro e Adílson Souza (Leleco); Rafael Aidar (Giovanni) e Paulo Roberto. Segundo o técnico Marcos Roberto, este deverá ser o time da estreia contra o Linense.

Análise tática: o Norusca joga no 4-5-1 (ou 4-2-3-1, se preferir), com apoio tímido dos dois laterais, dois volantes marcadores, um trio de meias (Rafael Aidar, veloz, ajuda na marcação) e o centroavante. Observando a disposição dos jogadores em campo, há momentos em que aparenta ser um 4-2-4, o que foi confirmado pelo treinador: “Treinamos com três meia-atacantes e um centroavante lá na frente, o que caracteriza essa variação tática”. Mas, não se empolgue, torcedor, não é uma formação tão ofensiva assim: somente esses quatro chegam à frente com frequência e os demais guardam posição.

Sobre o clima tenso do jogo, o atacante Rafael Aidar comemorou: “É melhor ser pegado, assim simula um jogo mesmo”. O treinador Marcos Roberto resumiu o que foi esse confronto. “Um jogo muito rápido, truncado, e o importante foi não perder a concentração. Não caímos na provocação deles”, disse.

De molho: no intervalo, enquanto eu circulava pelo complexo do Alfredão, perguntei ao meia Cleverson, de chinelos, se teria condições de jogo para a estreia. Com a expressão nada animada, limitou-se a um “Vamos ver…”. Na coletiva, o técnico confirmou que o atleta precisa de mais duas semanas para entrar em forma.

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Colegas de imprensa acompanham o jogo-treino

Este é o adversário do Noroeste em amistoso do Centenário

O gerente de futebol do Noroeste, Ricardo Occhiuto, informou após o jogo-treino desta sexta-feira, 9 (vitória de 3 a 0 sobre o São Carlos), o adversário do clube em jogo festivo pelo Centenário.

O Trem-Bala irá enfrentar o Estoril Praia, de Portugal, dia 21 de julho, às 20h, no Alfredão.

O Estoril tem como sócio majoritário a Traffic Sports, braço do grupo Traffic (TV Tem, Diário de S.Paulo, Rede Bom Dia, etc.) e desembarcou há poucos dias no Brasil para realizar pré-temporada. O clube português está treinando em Porto Feliz, na Academia Traffic. Disputa a Segunda Divisão da Liga de Portugal e teminou em nono lugar a última temporada. Além disso, é o atual campeão da Liga Intencalar (liga dos reservas), que serve para dar ritmo a jogadores pouco aproveitados, tipo de torneio comum nas federações europeias.

Luciano Bebê: reencontro com a torcida noroestina no Alfredão

O time é treinado pelo brasileiro Vinícius Eutrópio e tem em seu elenco mais de dez jogadores brasileiros, dois deles conhecidos da torcida noroestina: o atacante Alex Afonso (ex-Ituano e Palmeiras) e um ex-ídolo, o meia Luciano Bebê, campeão da Copa FPF em 2005 e cérebro do meio-campo na melhor campanha da história noroestina no Paulistão, em 2006 (4º lugar).

O gerente Occhiuto informou ainda que valores de ingressos e ações de marketing ainda não estão definidos, mas prometeu novidades.

Laranja x Fúria

Ah, os números…
(Texto publicado na coluna Canhota 10 do jornal Bom Dia Bauru de 8 de julho de 2010)

Inicio a coluna com a mesma frase da semana passada: números ajudam a entender o futebol. Apenas entender, pois esse esporte não prima pela exatidão, como o Uruguai provou nas quartas, superando Gana de forma inacreditável. Mas, definida a grande final da Copa do Mundo, um passeio pelos dados (oficiais da FIFA) trouxe alguns pontos interessantes para imaginar como será o duelo de 11 de julho.

O genial Xavi também concorre a melhor do Mundial

Vendo o estilo jogo da Espanha, parece ser um time que cisca, cisca e pouco finaliza. Melhor olhar direito. É o time que mais chutou a gol no Mundial: 103 vezes – a Holanda, 80. Como explicar, então, os míseros sete gols em seis partidas da Fúria? A pontaria. Apenas 39% foram no rumo da baliza – os da Laranja, mais eficientes, 51% e média de dois gols por jogo.

O preciosismo Espanhol foi bem ilustrado pelo incrível gol que Pedro perdeu contra a Alemanha, na semifinal de ontem. Como não passou aquela bola para Fernando Torres, livre? La Roja abusa do toque de bola. Foram exatos 3.387 passes, 81% deles certos – o time de Van Bommel, 72%. Tantos toques a ponto de os súditos do rei Juan Calos sempre se aproximarem da área adversária e, consequentemente, ficarem pouco em impedimento (foram apenas seis vezes no torneio – os súditos da princesa Máxima, 24 vezes!).

A Holanda é famosa por atuar com pontas. Deduz-se, então, que vai muito à linha de fundo, certo? Foram 87 cruzamentos na área adversária – a Espanha, entretanto, centrou 146 vezes (68% a mais). Os holandeses sempre foram elogiados pelo futebol solto e ofensivo, mas insuficiente para ganhar uma Copa. Pois eles aprenderam a endurecer o jogo. São a seleção mais faltosa e mais punida com cartões na África do Sul: 98 infrações e 15 amarelos – os espanhois são os segundos que menos fizeram faltas (62), receberam apenas dois cartões e foram os que mais apanharam (106 vezes).

Sneijder, forte candidato a artilheiro e craque da Copa

Como pode notar, pelos números a Fúria pode fazer suco da Laranja. Um chocolate técnico, de poucos gols e muitos toques de efeito – principalmente nas tabelas entre Xavi e Iniesta. Mas a Holanda não joga como a Alemanha. Os comandados de Vicente Del Bosque atacam com perigo com poucos jogadores, isto é, sem se expor ao contra-ataque (a arma alemã). Os herdeiros de Cruyff dependem muito do estilo cadenciado de Sneijder e, para tanto, obrigarão os espanhois a um jogo aberto, lá e cá. Garantia de bom jogo para o público.

Ah! As duas seleções nunca se enfrentaram em Copa do Mundo e, em toda a história, foram apenas oito confrontos, que derrubam o baile espanhol das estatísticas desta Copa: quatro vitórias da Holanda, três da Espanha… Que venha o domingo, que vença o melhor. O futebol já saiu vitorioso.