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Sangaletti: “Vim pelo nome do Noreste”

Apresentado oficialmente, o técnico Marcelo Sangaletti falou do perfil de elenco que pretende montar no Noroeste

retranca-ECNUma chuvarada acompanhou a coletiva de apresentação do novo técnico do Noroeste, Marcelo Sangaletti. Vinda pra mandar embora aquele calorão e, tomara, irrigar uma colheita de vitórias. O ex-jogador, que estava bem à vontade dentro de seu blazer bem cortado, mostrou entrosamento com seu novo chefe, o agora diretor de futebol Emerson Carvalho — não à toa, ambos foram zagueiros em suas carreiras —, enquanto esperavam a chegada do presidente Estevan Pegoraro, vindo de outro compromisso.

Feitas as honras da casa, Sangaletti agradeceu a confiança em seu nome e foi categórico: a tradição do Noroeste pesou na sua decisão. Topou na hora e o fator salarial não foi quesito fundamental. Ele buscava uma oportunidade para começar sua carreira de treinador, mas não estava disposto a submeter-se a esses times artificiais que fazem a alegria dos empresários. Precisa que seus primeiros passos sejam notados, um plano de carreira cuja vitrine o Norusca pode oferecer.

A seguir, trechos da entrevista coletiva concedida por Sangaletti (45 anos, casado, pais de três filhos), dono de uma fala articulada e acentuada pela pronúncia inconfundível das consoantes T e D — no caso dele, nativa de Dois Córregos.

Emerson, Sangaletti e Estevan
Emerson, Sangaletti e Estevan

NOROESTE É TRADIÇÃO

O Emerson foi meu primeiro contato. Agradeço por ele confiar naquilo que eu plantei, desde que saí criança de Dois Córregos: dignidade e honestidade. Aquilo que eu conquistei ficou pra trás e agora é um novo trajeto que tenho que percorrer. Fico feliz de o Estevan ter aceitado minha vida pra cá e lisonjeado de estar aqui, no Noroeste, uma equipe de tradição, da região onde nasci. 106 anos é uma história e tanto. Por isso que eu vim, pelo nome do Noroeste. As dificuldades existem, mas estou pronto para encarar o que vem pela frente e, quem sabe, montar uma bela equipe e sair campeão da Série A3 2017.”

COMO SERÁ O SANGALETTI TREINADOR

O novo treinador de futebol tem que ter conhecimento da atualidade e noção de como lidar com pessoas. A gestão é superimportante. Não só conhecimento dentro de campo, mas de pessoas também. Fiz vários cursos de gestão esportiva, de desenvolvimento pessoal. Ainda jogador, eu me qualifiquei para voltar ao futebol como treinador ou gestor. Eu me atualizei, o futebol é bem diferente hoje do que era antes. Não adianta só trazer a bagagem dos tempos em que eu jogava, não vai dar certo. Eu estava preparado para aceitar. Avisei ao Emerson que estava tranquilo e pronto para começar. Topei o desafio. Já fiz reunião com a comissão, quero fazer uma gestão contemporânea e não centralizadora. Ninguém consegue nada sozinho. A gente vai buscar o quanto antes alinhar os profissionais que estão chegando para conseguirmos os resultados.”

Prosa com o diretor Emerson: na ativa, teriam formado uma zaga e tanto
Prosa com o diretor Emerson: na ativa, teriam formado uma zaga e tanto

DESCONFIANÇA POR SER NOVATO

Vivenciei o futebol por 20 anos dentro do campo. Eu passei por várias etapas, de jogador da base a gestor. Pulei a etapa de treinador, mas lidei com o outro lado. Aprendi a parte política, de organização. Estudei e compartilhei o que aprendi com os amigos no curso [da CBF] e apliquei treinamento lá, na prática. Junto com Micale [treinador campeão olímpico], o Chamusca… Não tenho medo de errar, todo mundo erra. Eu posso ser campeão ou sair derrotado e tenho a tranquilidade para poder aplicar o que eu acredito. É difícil, eu vou ter que avaliar muito rápido quem vai chegar. Mostrei para a comissão que nós vamos montar o treinamento, não eu. Vamos mostrar os treinamentos bem antes, vamos planejar, vai ser bem feito. Na hora de aplicar, como vai ser? Eu vivi lá dentro, fui líder. Tenho noção, mas ainda não estive desse lado. Vai ser uma surpresa e espero que positiva, pra vocês e pra mim também.”

MONTAGEM DO ELENCO

O perfil é de atletas que assimilem rápido o que você exige. O futebol não é mais lento, ocioso. A partir de hoje, vão começar a chegar vídeos de atletas, informações de treinadores… Se você tem uma equipe montada, você avalia e coloca algumas peças. No nosso caso, temos que montar um elenco, colocar em campo, ver no que vai dar e as peças que faltam.”

sangaletti-tecnico-noroeste-entrevista-2QUAL ESTILO DE JOGO?

Para ter um estilo de jogo, tem que ter os atletas, encaixar o perfil. Todo mundo gosta de jogar como o Barcelona, se tiver jogador de qualidade, transição, com toque de bola perfeito… Mas a Série A3 é velocidade, transição rápida e vou procurar dentro desse perfil trabalhar um pouco mais a parte técnica. Pedi para o Emerson ver com carinho a bola parada, que muda um jogo truncado. Vou ter que olhar atleta por atleta, e guardar uma cinco ou seis vagas para, dentro de uma necessidade, buscar um atleta com perfil para somar na equipe pronta. Eu adoro jogar pelos lados e com muita velocidade, mas se eu não tiver esse atleta, vou ter que adaptar de outra maneira.”

TÉCNICOS INSPIRADORES

Eu trabalhei com uns 60 treinadores, estou ficando velho… O Ricardo Gomes é um exemplo de caráter, de postura correta. Carlos Alberto Silva, que foi campeão [brasileiro em 1978] no Guarani , era um baita treinador de sua época. Trabalhei com o Parreira no Santos, o Nelsinho Baptista no Corinthians. O Celso Roth trabalha muito a bola parada. Tenho que pegar a característica boa de cada um. Mas do Muricy fui muito próximo, eu era um cara de confiança dele e discutia a tática. Brincavam que eu ia tomar o lugar do Tata, o auxiliar dele. O Muricy, naquela época, estava muito acima dos demais. Hoje, eu vejo no Tite a excelência como treinador no Brasil.”

COMISSÃO TÉCNICA

Estou conversando com o Emerson sobre as carências e exigências. Temos que ter um preparador físico capacitado, com noção de fisiologia. Algumas peças precisamos, mas vou contar com todos os profissionais que já estão aqui.”

Bastidores da coletiva: depois, boa resenha até a chuva passar
Bastidores da coletiva: depois, boa resenha até a chuva passar

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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