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Rodrigo Agostinho reafirma interesse da Prefeitura no Alfredão

O assunto não é novo, será demorado, mas segue firme o propósito da Prefeitura de Bauru de assumir o Complexo Damião Garcia. Foi o que reafirmou o prefeito Rodrigo Agostinho ao Canhota 10, durante a festa de lançamento do elenco do Noroeste. Confira como foi a conversa:

Rodrigo prega cautela no tema. Foto: Alan Schneider/G1 Bauru

Desde que a família Garcia saiu, a Prefeitura se aproximou mais do Noroeste. Como ela pode ajudar o clube?
“Nós estamos fazendo uma ação em conjunto, nesse momento, de uma análise jurídica da possibilidade de a Prefeitura assumir o complexo esportivo do Noroeste. A Prefeitura assumiria toda a manutenção, ajudando na formação das equipes de base. A Prefeitura é proibida de investir em time profissional, mas, por outro lado, estaria desonerando o time, que hoje passa por dificuldades financeiras. A possibilidade que estudamos é assumir o Complexo. Não é uma tarefa fácil, é complicado, estamos analisando toda a documentação. Por outro lado, a gente entende que a cidade como um todo, poder público, população, empresários, todos precisam ajudar o time que leva o nome da cidade..”

Mas seria uma gestão do espaço ou ele passaria a ser da Prefeitura?
“Seria uma doação desse patrimônio do Noroeste para a Prefeitura. O clube não teria a necessidade de arcar com despesas como IPTU, água, iluminação, gramado. Todas essas despesas passariam a ser da Prefeitura. Essa possibilidade está sendo analisada e, como eu disse, não é fácil. Tem muitos entraves burocráticos, documentação, papelada… O próprio documento do imóvel ainda tem entraves que precisam ser superados.”

Quando você diz que a Prefeitura não pode apoiar esporte profissional: é algo da lei municipal?
“Não. O time profissional é privado. A diretoria pode ficar com lucro de jogadores.”

Mas São José dos Campos investe no time de basquete?…
“Em profissional não pode, é proibido. O Tribunal de Contas do estado não aceita esporte profissional. Pode ser que o time de lá seja considerado amador.”

O Complexo já teve piscinas e intensa atividade social. Hoje, limita-se a treinos e jogos deficitários. Foto: Reprodução/Google Maps

De fato o basquete ainda é chamado de amador em algumas esferas…
“Em time onde se compra e vende jogador, a Prefeitura é proibida de colocar dinheiro. Tem que colocar em outras coisas. O Governo Federal coloca dinheiro no estádio do Corinthians porque é um espaço público, mas não em jogadores. Tem toda uma discussão aí, mas o que é importante dizer é que a Prefeitura quer ajudar. Nós abrimos um canal de diálogo muito bom com o time. De maneira indireta, já estamos ajudando o basquete a partir do momento em que decidimos alugar a Panela de Pressão, recuperar aquele espaço. Assim, ajudamos nosso basquete, nosso vôlei, que está treinando lá também. E a gente quer ajudar mais, é só uma questão de diálogo.”

Em algum momento, você disse que ia procurar empresários para sensibilizá-los a ajudar o Noroeste e o Bauru Basket. Qual foi a receptividade que você teve nesses contatos?
“Eu conversei com bastante gente, mas os empresários de Bauru não têm tradição de investir em esporte, salvas algumas exceções de empresas que já investem e que têm uma responsabilidade social voltada para o esporte. Conversei com bastante gente, mas não tive sucesso nessa tarefa.”

 

DO LADO NOROESTINO, falei com o vice-presidente Filipe Rino, que também trata o assunto com cautela. “Acho que toda ajuda é valida, porém, tem que ser analisada… Mas não tem nada em andamento, nada de concreto, nenhum projeto protocolado ainda. Se for de interesse do clube, iremos viabilizar. Porém, deve ser feito um estudo minucioso dos prós e contras. É algo grandisoso, que mexe na essência do clube, não pode ser feito de uma hora para a outra”, ponderou o dirigente.

OPINIÃO DO CANHOTA: quando se fala em estádio próprio, torcedor normalmente enche o peito de orgulho. Isso pode valer para clube que consegue faturar em seu espaço. O que não é o caso do Noroeste. O Complexo não tem estrutura para o lazer, tampouco é atrativo para megashows. É só despesas. Seria realmente uma solução para desonerar o clube, desde que um documento muito bem redigido obrigasse a Prefeitura a nunca se desfazer do espaço — para não virar um condomínio ou um supermercado… Ter o dever de preservá-lo como centro esportivo à disposição dos bauruenses — e, consequentemente, prioritariamente do Norusca e do Bauru Basket (no caso do ginásio). E não voltar atrás, nem deixar de cuidar dos aparelhos, sempre de acordo com as exigências das federações e do Estatudo do Torcedor. Seja quem for o prefeito, o partido, em qualquer tempo. É possível isso? Se não, melhor deixar como está.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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