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Caiu… Noroeste, sem forças, vai para a terceira divisão

Quando o árbitro apitou pela última vez, ouviu-se ao longe a pequena turma de Capivari vibrando. Mas o silêncio do fundo do coração noroestino, perturbador, foi muito mais notado. Os semblantes eram de incredulidade. Não pelos últimos e medíocres jogos, mas pelo que seu viu no início dessa Série A-2 e, principalmente, pelo tamanho desse clube. A derrota por 2 a 0 para o Capivariano, combinada com outros resultados, levou o Noroeste para a terceira divisão paulista. Um tombo que simboliza o recomeço do clube da forma mais dolorida.

O primeiro tempo foi de um time só. E não dos donos da casa. O Capivariano trocou passes com tranquilidade, pouco foi incomodado pelo Noroeste, e deu dois botes para levar muita dor de cabeça para o vestiário alvirrubro. Romão, o artilheiro da Série A-2, foi impiedoso: primeiro de pênalti (indiscutível, Neto passou o rodo no atacante capivariano), depois de peixinho, completando escanteio ensaiado. O Norusca chegou timidamente em chutes de Diego. Quando teve uma falta lateral, Emerson preferiu tentar direto e mandou longe…

No segundo, Luciano Sato sacou o garoto Samuel Balbino e colocou Romarinho. O time ficou manco, o lado esquerdo sem opção de ataque (no desespero, Magrão e Pedro desceram por ali, mas sem qualidade). As jogadas começaram a surgir, exigindo algum trabalho do goleiro Maurício. O arqueiro apareceu principalmente ao defender pênalti cobrado por Emerson, aos 12.

Sim, o Noroeste perdeu um pênalti num jogo desse quilate. O pior é que não surpreendeu ninguém. Emerson estava jogando mal, denotava visível individualismo. Depois de Diego recuperar uma bola perdida na linha de fundo, pedalar na frente do zagueiro e cavar penalidade, Emerson tirou a bola de suas mãos. Irritado, o camisa 11 se afastou. E o 10, de chapa, facilitou a vida do goleiro… Deveria ser lei federal bater pênalti de bico, para furar a rede.

O sofrimento virou desespero quando chegou a notícia do gol da Ferroviária, em Araraquara. O resultado rebaixava o Noroeste. Certamente chegou aos ouvidos alvirrubros em campo, mas eles não tinham forças para reagir. Aquele time raçudo das rodadas iniciais — eu cheguei a ser categórico, “não cai” — se perdeu na metade final da tabela, perdido no meio da estrutura política rachada e de bolso vazio.

Triste fim, muito caco para juntar e um clube centenário para ser reerguido.

O Noroeste jogou com Yuri; Neto, Cazão e Magrão; Mizael, Pedro, Paulinho, Emerson (Adriano) e Samuel Balbino (Romarinho); Diego e Bruno (Berg).

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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