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Penhora do aluguel da Panela deve ajudar Noroeste e se livrar de dívidas

Noroeste não vai recorrer da penhora da Panela e isso vai ser bom. Entenda

É isso mesmo. Há males que vêm para o bem. É o que deu para entender a partir dos últimos episódios do Noroeste, apurados pelo colega Emerson Luiz, da 94FM. O resumo do raciocínio é o seguinte: com a penhora do aluguel da Panela de Pressão e a centralização das ações trabalhistas, haverá dinheiro (R$ 19 mil mensais) para quitar os acordos. Claro que isso resultará em nova dívida de IPTU (que era pago com o aluguel do ginásio), mas é algo administrável — o famoso devo-não-nego-pago-quando-puder. Mas foi a forma encontrada pela atual administração de honrar as dívidas de gestões anteriores.

O contrato de locação da Panela vai até março de 2016. Isso garante, até lá, 21 meses de quitação de dívidas trabalhistas — multiplicados pelos R$ 19.053, resultam em R$ 400 mil reais. Dá para diminuir bem o rombo, ainda mais porque ainda há ações a serem negociadas. Por outro lado, há aquelas julgadas à revelia do clube, na administração passada, nas quais não cabe mais recurso.

Em entrevista ao programa Informasom, da 94FM, no último dia 18 de junho, os advogados que representam o clube, Claudio Bahia e João Gabriel, prestaram esclarecimentos sobre alguns pontos de interrogação, incluindo os nomes de jogadores fantasmas na folha de pagamento — você pode ouvir neste link. Ou ler os principais trechos, que transcrevo abaixo.

Ações contra o clube
A situação é pior do que foi colocada [pelo sindicato dos atletas]. Temos enfrentados inúmeras ações de gestões anteriores, nenhuma da atual gestão. Estamos fazendo os acordos na medida do que é possível. Existem realmente situações de falta de pagamento, mas não por má fé, e sim por falta de receita. Esta administração deixou claro que não seria prioridade o futebol, mas sim acertar a situação financeira do clube. Infelizmente, era pior do que se imaginava no começo.”

Pouco dinheiro
“Os atrasos dizem respeito especificamente aos acordos realizados. Hoje, o pagamento dos funcionários está em dia. É preciso salientar que os R$ 19 mil por mês serão destinados aos acordos judiciais em sua totalidade. Até então, o que entrava no clube eram somente R$ 2 mil, pois havia uma compensação do pagamento do IPTU. O Noroeste trabalha no negativo.”

João Gabriel e Claudio Bahia durante entrevista a Emerson Luiz. Foto: 94FM
João Gabriel e Claudio Bahia durante entrevista a Emerson Luiz. Foto: 94FM

Dívidas
A administração Damião deixou dívidas previdenciárias, de FGTS, que estão paradas. Mas a maioria das ações trabalhistas são da gestão anterior [Buzalaf].”

Os fantasmas
“Existe um sistema de computador de emissão de holerites e continuaram constando nomes de jogadores que não mais atuam no Noroeste. É um erro material, esses jogadores não receberam esses valores, estão em outros clubes. É corrigível, não houve pagamento a fantasma nenhum.”

Acatar a penhora
Nesse momento mais difícil que o Noroeste vem vivendo, a diretoria passou a necessidade de resolver os acordos. Concordam com a ideia de juntar os processos e não recorrer da penhora, para o mais rápido possível resolver os processos trabalhistas. Afinal, são jogadores que foram realmente contratados e têm que receber o que têm direito. Para que o Noroeste volte a ter credibilidade e ter condições de trazer jogadores pra cá.”

Tempo para resolver pendências
“Pelos cálculos, em cerca de 20 meses é possível resolver. E vamos renegociar em parcelas, com todos. O dinheiro destinado a essa execução coletiva pode atender a todos os credores.”

Reformas no Complexo
“Em várias ações trabalhistas, o Noroeste vem perdendo por danos morais aos jogadores que moraram no alojamento, considerando degradante para as condições humanas. Foi feita uma reforma no alojamento para adequar, pois fomos intimados pelo Ministério Público. Isso é uma herança que recebemos.”

A única conta que ainda não consigo compreender é a montagem de um elenco fraco com justificativa de pagar dívidas trabalhistas, sendo que muitas delas não foram pagas. E, no fim das contas, o elenco ficou inchado na tentativa de se salvar do rebaixamento e, por mais que o teto salarial fosse baixo, de grão em grão… Mas somente o balancete de 2014 (que pela lei deverá estar publicado em abril de 2015) ajudará a responder. Por ora, aguardamos a publicação do balancete de 2013, que deverá finalmente aparecer na próxima semana.

Da entrevista reproduzida acima, achei que os advogados foram diretos, sem enrolar nas respostas, admitindo coisas importantes (que marquei em negrito) no lugar de mascarar a realidade. E dando pistas que geraram meu raciocínio, que dá título a este post.

Foto do topo: Divulgação Prefeitura Municipal de Bauru

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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