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Buzalaf renuncia, Gimenez viabiliza projeto e Noroeste já tem novo presidente

Anis Buzalaf renuncia e nova diretoria interina é empossada no Noroeste para tocar novo projeto

(mais tarde atualizo fotos que registrei da reunião)

Nem foi necessário o abaixo-assinado. Acabou a era Anis Buzalaf Jr no Esporte Clube Noroeste. De forma melancólica, com extensa lista de compromissos financeiros em aberto, o agora ex-presidente abre passagem para uma nova gestão, que chega para “arrumar a casa”, antes de pensar em futebol. A cadeira de mandatário alvirrubro nem chegou a ficar vaga: o empresário de entretenimento (leia-se Rastro do Cowboy) Emilio Brumatti é o novo presidente do clube. Com o também empresário Rafael Padilha como vice, ele assume mandato interino até que novas eleições aconteçam em breve. De antemão, são candidatos e têm irrestrito apoio do Conselho Deliberativo para presidir o próximo biênio, amparados por um grupo de empresas que irão patrocinar o clube. A seguir, todos os bastidores da reunião que redesenhou o futuro do Norusca.

Reunião
Em encontro reservado, o Conselho Deliberativo recebeu a carta-renúncia de Buzalaf. Escrita a mão. Por quê? Ele havia chegado com um pedido de licença de 20 dias, com o argumento da cirurgia bariátrica que fará em breve. Entretanto, como os novos patrocinadores condicionaram o apoio à saída de Anis, não lhe restou outra alternativa, senão retirar-se definitivamente, tendo sete conselheiros como testemunhas. Não sem antes deixar uma herança negativa ao clube, a saber mais abaixo.

R$ 100 mil
Terminada a reunião, a acanhada sala da Panela de Pressão foi aberta a imprensa e torcedores. O presidente do Conselho, Toninho Rodrigues, anunciou a renúncia, a nova diretoria e contou que a prioridade máxima é fazer acertos financeiros com R$ 100 mil que foram levantados entre conselheiros, além de um adiantamento do Grupo Cidade e de aportes pessoais de Gimenez e Brumatti. O dinheiro irá quitar os salários de setembro e sanar outros dívidas, além de acordos de rescisão (menos onerosos) com alguns jogadores. Antes de passar a palavra a Toninho Gimenez, o conselheiro avisou que voltará a conversar com a Unimed para demovê-la da negativa em patrocinar o clube.

Projeto ganha vida
Rodrigues passou a palavra a Toninho Gimenez, que encabeçou uma empreitada de buscar patrocinadores para o clube e trouxe a boa notícia de que os R$ 65 mil mensais — que julgava ser o valor mínimo para tocar o clube — estão viabilizados, incluindo sócio-torcedor, aluguel da Panela e doações de conselheiros. Valor que pode melhorar caso a GVT diga sim (R$ 40 mil mensais, mas um valor menor não está descartado) e outras quatro empresas, que receberão Gimenez na próxima semana, também agreguem. As empresas parceiras foram citadas: Grupo Cidade, Mariflex, Baterias Tudor, Bauru Painéis e Mezzani, além da Risso Transportes, que retorna a partir de janeiro de 2014. A parceira de permuta que Buzalaf firmou com a Bioleve será respeitada.

Novo presidente
Emilio Brumatti discursou em tom sério, prometendo transparência e disposto a colocar o clube em ordem antes de falar de futebol. “Vamos chegar enxugando, fazer o máximo de acordos [trabalhistas], varrer o que tem que varrer e começar do zero. Primeiro deixar tudo nos conformes, depois pensar no futebol”, avisou o novo presidente. Quando questionado sobre o fato de Bauru sediar uma chave da Copa São Paulo de juniores, foi categórico: não é o momento. Nessa hora, a reunião ficou tensa, com argumentos a favor e contra, Buzalaf argumentando que é a Prefeitura quem custearia o torneio, mas Rodrigues retrucando que o prefeito não vai bancar. Mais tenso ainda foi o ex-presidente anunciar a parceria que firmou para a Copinha…

Time de aluguel
No apagar das luzes, Buzalaf assinou contrato com o Al Shabab, primeiro time muçulmano do Brasil, que no ano passado disputou a Copinha com a camisa do São José. Já estão inscritos 45 jogadores (pouquíssimos da base noroestina) e o acordo não tem volta — ou o Noroeste sofreria duras punições em caso de desistência. Uma herança complicada, tomara que esse contrato não tenha nenhuma ligação com o time profissional… E a nova diretoria precisa apurar qual é o ganho financeiro desse acordo e receber este dinheiro.

Romarinho
Emilio Brumatti e Rafael Padilha estiveram no cenário noroestino recentemente, quando adquiriram os direitos do meia Romarinho. Como o jogador conseguiu se desligar no clube na justiça, perderam os R$ 80 mil investidos e cobravam do Noroeste uma cláusula de R$ 2 milhões. Cobravam. Garantiram que, quando chegar a intimação da ação judicial que movem contra o clube, irão retirá-la imediatamente.

Opinião do Canhota: o momento é de torcer. Ser vigilante como sempre, mas com uma dose nova de esperança. O Noroeste ganhou sobrevida e o momento é de comemorar. Buzalaf sai de cena desgastado, mas nem pode reclamar: o Conselho tentou dar certa diginidade a sua saída, até palmas foram solicitadas após seu breve (último) discurso. Colocou-se à disposição do novo presidente, mas é certo que essa ajuda não será solicitada… O melancólico fim da era Buzalaf pode ser simbolizado pelo silêncio e resignação de Abel Abreu, seu braço direito durante toda a gestão, durante toda a reunião. De conhecida fala inflamada, Abreu estava ciente que seu pupilo não tinha defesa. Que saia em paz. Melhor canalizar a energia da hostilidade em otimismo para quem chega.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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