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Bauru 0, Flamengo 1: derrota numa tarde artificial

Em Marília, deu Flamengo, na bonita festa sem química

retranca-final-nbb-8(Direto de Marília) Foi um sábado parecido com aquele do ano passado: frio e cinzento. Dentro da quadra, também tive sensação parecida: via semblantes resignados nos jogadores do Paschoalotto Bauru. Uma ou outra vibração, mas nada que lembrasse seus comportamentos na Panela de Pressão. Difícil explicar isso. Afinal, havia cerca de 5,6 mil pessoas, Marília mais uma vez abraçou o time, além dos muitos bauruenses que vieram até o ginásio Neusa Galetti, que fizeram barulho em alguns momentos, de arrepiar, até, mas nada convincente no conjunto dos 40 minutos. Quando o Flamengo foi avassalador nos três minutos iniciais do último período — momento determinante para a vitória por 83 a 77, a diminuta porção de rubro-negros fazia barulho maior. E foi assim, nessa tarde artificial, que o caminho do título inédito foi dificultado, mas a Arena Carioca II será igualmente um desafio aos hábitos. Primeira chance de reversão: quinta, 26/mai, às 17h.

BOLA QUICANDO
O Dragão não começa pilhado. Vê o Flamengo abrir o placar e pouco pontua passada metade do período. Cariocas igualmente sem empolgar, mas com cestas suficientes para descobrir-se o barulho de um miolinho rubro-negro na arquibancada, acrescido de alguns poucos marilienses anti-Bauru. Mas basta caírem os triplos de Robert Day pra se ouvir quem está em maioria. O Paschoalotto consegue desgarrar um pouquinho e fechar a parcial em 19 a 14.

No segundo quarto, o Flamengo erra menos, vira o jogo, mas logo se rende à onipresença de Hettsheimeir. O camisa 30 usa todo seu repertório, embaixo, de fora, chamando a galera pra jogar junto. Seu antagonista, JP Batista, é o destaque do outro lado. E os visitantes iriam para o vestiário em vantagem, não fossem as infiltrações de Paulinho e Alex nos segundos derradeiros: 39 a 38 (fração de 20 a 24).

No recomeço, o então sumido Olivinha, notório carrasco, começa a incomodar. O Urubu toma a dianteira, sua torcida se anima, a ponto de ser mais ouvida num certo momento, até que o time e a galera bauruense acordam, sempre no compasso de Hett, mas com bolaças de Jefferson e uma providencial participação de Murilo, que empolga Demétrius. Aos trancos e barrancos (parcial de 23 a 22), o Dragão se mantém na frente, 62 a 60.

No derradeiro período, o Bauru começa mal, perde bolas bobas, a cabeça e toma 13 pontos seguidos. Num piscar de olhos, Flamengo na frente em dois dígitos de diferença, até Hett (sempre ele) pontuar pela primeira vez no quarto a 5min54 do fim. Devagarinho a torcida se anima de novo, graças ao também inspirado Jé. Com paciência, insistindo com seu camisa 30, diminui a diferença, chegando colado no minuto final. Paulinho desperdiça investida, mas ainda bem que Rafael Mineiro erra dois lances livres, ao contrário de Hett, que diminui para dois pontos a 19s do fim. Mas para por aí… Falta daqui, erro dali, parcial (15 a 23) e vitória rubro-negra. O povo já estava indo embora antes de o cronômetro zerar. Na Panela, ninguém piscaria.

Alex teve dificuldades com a defesa carioca
Alex teve dificuldades com a defesa carioca

ABRE ASPAS
Áudio das entrevistas pós-jogo, a começar pelo técnico Demétrius:

 

Jefferson comentou a derrota e comentou o fator quadra:

 

Fala, Hettsheimeir:

 

NUMERALHA
Rafael: 25 pontos, 7 rebotes
Jefferson: 24 pontos, 4 rebotes
Alex: 10 pontos, 3 rebotes, 3 assistências
Robert: 8 pontos, 3 rebotes, 2 roubos
Murilo: 4 pontos, 2 rebotes
Paulo: 4 pontos, 6 assistências
Léo M.: 2 pontos, 3 rebotes, 4 assistências, 2 roubos, 1 toco

EM TEMPO
Ninguém tem culpa de nada. O regulamento é esse, não poderia ter sido a Panela, a cidade de Marília foi acolhedora e o público compareceu. Independentemente dessa falta de “química”, Bauru poderia ter vencido. Assim como pode ganhar uma no Rio, provocar o jogo 4 e ter mais uma chance de contagiar o Neusa Galetti.

Por Fernando Beagá

Mineiro de Ituiutaba, bauruense de coração. Formado em Jornalismo e mestrando em Comunicação Midiática pela Unesp, atuou por 16 anos na Editora Alto Astral, onde foi editor-chefe e responsável pela implantação e edição das revistas esportivas. É produtor de conteúdo freelancer pelo coletivo Estúdio Teca. Resenhou 49 partidas da Copa do Mundo de 2018 para Placar/Veja. Criou o CANHOTA 10 em 2010, a princípio para cobrir o esporte local (ganhador do prêmio Top Blog 2013), e agora lança olhar sobre o futebol nacional e internacional.

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